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Arquivo : companhias aéreas

Latam muda código de voos de JJ para LA. O que isso significa?
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Mudança faz parte da integração com sistema de todo o grupo Latam (Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

Os códigos dos voos da antiga TAM no Brasil sempre começaram com as letras JJ. Desde a última sexta-feira, no entanto, a Latam (resultado da fusão da TAM com a LAN) alterou esse código para LA, o mesmo que já era utilizado pela antiga LAN Chile. Dessa forma, o voo JJ3579 (de São Paulo a Brasília) passa a ser identificado como LA3579, por exemplo. A exceção são os voos de e para os EUA, que permanecem com o código JJ.

A mudança, segundo a companhia, é mais um passo da integração de todo o grupo na América do Sul e ocorre após a mudança do sistema de reserva de voo. Os braços brasileiro e paraguaio do grupo utilizavam o sistema da marca Amadeus, enquanto nos mercados da Argentina, Chile, Colômbia, Equador e Peru era adotado o sistema Sabre.

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“Este é um dos passos mais importantes na criação da nova marca Latam. A adoção do Sabre como sistema único de inventário, reservas, vendas e check-in tornará ainda mais simples as conexões em voos internacionais e domésticos de passageiros de toda a malha da Latam, independentemente do país em que ele adquira seu bilhete”, afirma, em nota, Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil.

Segundo a Latam, a mudança não afeta os horários dos voos, e os passageiros com bilhetes comprados foram informados das alterações no código dos voos. “No Brasil, desde 2 de fevereiro, a emissão de bilhetes para voos a partir de 11 de maio passou a ser feita com o novo código LA. Já os bilhetes emitidos antes de 2 de fevereiro para voos a partir de 11 de maio tiveram seus códigos de voos alterados automaticamente para o sistema Sabre”, diz a empresa em comunicado.

Após fusão, prevalece sistemas da LAN Chile

A mudança do código dos voos é mais um caso no qual a empresa brasileira teve de se adaptar aos padrões da companhia chilena. O ponto mais emblemático para os passageiros foi a escolha da aliança internacional de companhias aéreas.

Antes da criação da Latam, a brasileira TAM fazia parte da Star Alliance, enquanto a LAN era integrante da One World. Com a integração do grupo, a Latam optou por ficar na One World, forçando a mudança de aliança da companhia brasileira. Com a saída da Latam, a Avianca passou a fazer parte da Star Alliance.

No final de março, um levantamento do site Airway, parceiro do UOL, apontou que enquanto a Latam Chile recebe novos aviões, a Latam Brasil vê sua frota envelhecer.

Em nota, a Latam nega que a mudança dos códigos dos voos no Brasil seja uma comprovação de que o comando de todas as empresas do grupo é dos chilenos. “A Latam Airlines Brasil é uma companhia aérea brasileira, que faz parte do maior grupo de companhias aéreas da América Latina”, diz a empresa. “A Latam também optou por implementar uma estratégia inovadora de migração para minimizar os impactos deste processo para os passageiros, algo que só foi possível por causa da adoção de um código único de operação”, completa.

Segundo a empresa, com a mudança, os passageiros passam a ter acesso, em todos os canais de vendas, aos mais de 140 destinos em 25 países para os quais a Latam voa. Outra mudança é em relação ao check-in realizado por meio da internet, que foi reduzido de 72 horas para até 48 horas antes do horário previsto para decolagem.

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Índice de mala perdida cai 71% em 10 anos no mundo; prejuízo é de US$ 2 bi
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Transferência em voos de conexão é a principal causa de extravio (Lucas Lima/UOL)

O índice de malas perdidas em viagens de avião em todo o mundo teve queda de 70,5% nos últimos dez anos. Dados do relatório anual da Sita, empresa especializada em tecnologia para aeroportos, apontam que, de 2007 para 2017, o índice caiu de 18,88 para 5,57 malas para cada 1.000 passageiros.

Em números absolutos, o total de malas extraviadas caiu de 46,9 milhões para 22,7 milhões no mesmo período. Na contramão, o número de passageiros saltou de 2,48 bilhões para 4,08 bilhões.

O extravio de bagagem representa 0,49% do total de 4,6 bilhões de malas em todo o mundo durante as viagens aéreas. O problema, no entanto, ainda é uma grande preocupação para o mercado de aviação. O relatório da Sita aponta que as companhias aéreas tiveram um prejuízo total de US$ 2,3 bilhões (R$ 8 bilhões) somente no último ano por conta das malas perdidas.

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No último ano, o índice de malas perdidas para cada 1.000 passageiros teve melhora de 2,8% em relação a 2016. Em números absolutos, porém, o número total de bagagem extraviada em todo o mundo teve crescimento de 4,1% no último ano. Por outro lado, a quantidade total de passageiros teve aumento ainda maior, de 7,1% em relação ao ano anterior. Com isso, o índice de extravio de bagagem caiu de 5,73 em 2016 para 5,57 malas perdidas para cada 1.000 passageiros em 2017.

O relatório da Sita mostra que o maior problema para o extravio de bagagem está no momento de transferência em voos de conexões, quando as malas precisam trocar de avião. Do total de casos, 47% dos problemas ocorrem nessa fase, o que representa um total de 10,6 milhões de malas.

Apesar do extravio, a maioria das malas ainda consegue ser recuperada pelos passageiros. Segundo o relatório da Sita, 78% dos casos são de malas que chegam com atraso aos seus donos, outros 17% são de malas danificadas, enquanto os roubos ou perdas totais representam 5% dos casos de extravio de bagagem.

Novas tecnologias para redução do problema

O objetivo do setor é reduzir ainda mais esses índices nos próximos anos. A partir de 2018 começa a vigorar uma nova resolução da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo, na sigla em inglês) para aumentar o rastreamento de bagagens durante todos os processos críticos.

“A transformação digital está chegando para o manuseio de bagagem. Nos próximos dois anos, serviços como notificações em tempo real e um serviço mais rápido de despacho feito pelo próprio passageiro serão mais comuns”, afirma Barbara Dalibard, CEO da Sita.

Direitos dos passageiros em caso de extravio de bagagem

Em caso de bagagem extraviada, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) determina que as companhias aéreas têm até sete dias para localizar as malas transportadas em voos nacionais. Em viagens ao exterior, em virtude de acordos internacionais, o prazo é de 21 dias.

Caso não encontre a bagagem, a empresa terá até mais sete dias para pagar a indenização. No entanto, há um teto de indenização de cerca de R$ 5.000. Caso o passageiro tenha bens de valor na bagagem, deverá fazer uma declaração no momento do despacho para garantir a indenização superior aos R$ 5.000. Nesse caso, a empresa poderá cobrar valor suplementar ou seguro para aceitar a bagagem.

Caso o extravio da bagagem ocorra fora do domicílio do passageiro (no voo de ida), a empresa deverá ressarcir despesas essenciais que a pessoa tenha para comprar itens de higiene pessoal ou roupa. O pagamento deve ser feito em até sete dias após a apresentação dos comprovantes de despesa. A companhia aérea, no entanto, pode estabelecer um limite máximo para os gastos diários.

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Passaredo terá voo entre Brasília e Vitória da Conquista (BA) em junho
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Avião modelo ATR 72 da companhia aérea Passaredo (Divulgação)

A companhia aérea Passaredo anunciou nesta quarta-feira (25) que vai inaugurar um voo direto entre Vitória da Conquista (BA) e Brasília (DF). A nova rota está prevista para começar no dia 3 de junho. O voo será operado seis vezes por semana com aviões modelo ATR 72-500 com capacidade para 68 passageiros.

Na ida, os voos serão feitos de segunda a sábado, com saída de Vitória da Conquista às 8h25 e chega a Brasília às 10h30. Na volta, a frequência dos voos será de domingo a sexta. O avião decola da capital federal às 19h55, com chegada na cidade baiana às 21h35.

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Brasília será o terceiro destino da Passaredo a partir do aeroporto de Vitória da Conquista. A companhia aérea já tem voos saindo da cidade baiana para São Paulo e Salvador (BA). Segundo a empresa, a partir dessas duas cidades os passageiros podem fazer conexão em sistema de compartilhamento de voos (codeshare) com as companhias aéreas Latam e Gol para voos nacionais e internacionais.

“A Passaredo vem se adequando às necessidades do mercado e fazendo ajustes para facilitar cada dia mais as viagens de seus clientes. Atenderemos a importante demanda regional para Brasília, e também a todos os demais destinos do Brasil, além dos destinos internacionais”, explica o presidente da companhia, Comandante Felício.

Com sede em Ribeirão Preto (SP), a Passaredo tem voos para 14 destinos no Brasil: Araguaína (TO), Barreiras (BA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Goiânia (GO), Palmas (TO), Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro, Rondonópolis (MT), Salvador (BA), São José do Rio Preto (SP), São Paulo, Três Lagoas (MS) e Vitória da Conquista (BA).

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Air Italy deixa de voar ao Brasil, após 10 anos ligando o Nordeste a Milão
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Nova pintura dos aviões da Air Italy (Divulgação)

A companhia aérea italiana Air Italy (antiga Meridiana) faz nesta quarta-feira (25) seu último voo no Brasil. A empresa tinha um voo por semana saindo de Milão (Itália) para Recife (PE), depois passando por Fortaleza (CE) e indo de volta a Milão. A empresa estava no país há cerca de dez anos.

A Air Italy afirmou que nenhum passageiro será prejudicado diretamente porque só foram vendidas passagens até o voo desta quarta-feira.

A empresa diz que não descarta voltar a voar para o Brasil no futuro. “Esperamos realmente que a Air Italy volte para o Brasil em breve”, afirma um comunicado enviado ao Todos a Bordo.

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Enquanto perde um voo semanal para Milão, Fortaleza terá a partir da semana que vem duas novas opções de voos para a Europa. A Joon, companhia aérea da Air France, terá inicialmente dois voos semanais entre Fortaleza e Paris (França) – um terceiro voo semanal começará em outubro – e a KLM fará três voos semanais entre Fortaleza e Amsterdã (Holanda).

Antiga pintura da Meridiana, antes de virar Air Italy (Divulgação)

Mudança estratégica da Air Italy

O cancelamento do voo da Air Italy em Recife e Fortaleza acontece apenas dois meses após a companhia anunciar uma completa reestruturação operacional. No ano passado, a Qatar Airways adquiriu 49% da empresa italiana. Em fevereiro, a empresa mudou seu nome de Meridiana para Air Italy.

Segundo o diretor executivo da Qatar Airways, Akbar Al Baker, a Air Italy deve abandonar o foco no turismo de lazer para atuar também no mercado de viagens de negócios. A empresa quer competir diretamente com a principal companhia aérea italiana, a Alitalia, que enfrenta um processo de recuperação judicial.

Entre os planos, está a criação de novas rotas a partir do aeroporto de Malpensa, em Milão. A reestruturação da malha da empresa começa a vigorar a partir de 1º de maio. Entre as novas rotas internacionais estão Nova York (EUA), Miami (EUA), Bangcoc (Tailândia) e Mumbai (Índia).

Os novos planos da companhia italiana também preveem uma renovação completa da frota de aviões. A Air Italy espera ter até 2022 50 aviões entre os modelos Boeing 737 MAX 8, para rotas dentro da Europa, e Boeing 787-8, para voos internacionais de longo alcance. O primeiro Boeing 737 MAX 8 já está pronto na fábrica da Boeing e deve chegar à Itália nos próximos dias.

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Passagem aérea não poderia variar mais que 50% num mesmo voo, prevê projeto
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Aviões de companhias aéreas brasileiras no aeroporto de Guarulhos (Vinícius Casagrande/UOL)

Um projeto de lei em tramitação no Senado Federal quer limitar a diferença dos preços dos bilhetes vendidos pelas companhias aéreas em um mesmo voo para uma mesma classe a, no máximo, 50%. Hoje, não há limite para essa variação. A proposta foi apresentada pelo senador Airton Sandoval (MDB-SP) na semana passada e encaminhada para análise das comissões de Constituição e Justiça e de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor.

A limitação valeria só para passagens da mesma classe (econômica, executiva ou primeira). As diferenças entre as classes continuariam livres. O projeto não tem data para ser votado.

A proposta tenta modificar a legislação atual que dá total liberdade tarifária para as companhias aéreas. Segundo a lei que criou a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), as empresas podem determinar suas próprias tarifas, inclusive as variações de preços em um mesmo voo. Os valores devem apenas ser comunicados à Anac.

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A Anac afirmou que não comenta projetos em tramitação no Congresso Nacional. No entanto, é comum a agência se manifestar publicamente afirmando que foi a liberdade tarifária que permitiu a redução dos preços das passagens aéreas a partir de 2001, quando a medida começou a ser implementada, e o aumento no número de passageiros transportados.

O próprio autor do projeto afirma isso em sua justificativa. “Segundo técnicos da área, a implementação desse regime possibilitou a diminuição no valor das passagens aéreas, levando a uma maior democratização na utilização deste transporte”, diz o senador.

Com a regra atual, passagens compradas com antecedência e em dias de baixa procura costumam ter preços inferiores. Por outro lado, se a compra for feita nas vésperas do voo ou para dias de alta demanda, como feriados prolongados, a tendência é que os preços sejam bem mais altos.

Senador diz que variação é injustificável

O parlamentar alega que essa grande variação de preços dentro de um mesmo voo é algo injustificável e que não permite que os passageiros acompanhem a evolução dos preços.

“Ocorre que as empresas utilizam, hoje em dia, uma avançada tecnologia, aplicando a chamada metodologia de precificação dinâmica. Com isso, reprecificam a tarifa, minuto a minuto, causando desconforto e insegurança aos usuários, pois os valores aumentam sem justificativas razoáveis, impedindo que o usuário acompanhe e avalie a evolução dos preços”, diz na justificativa do projeto.

O autor do projeto alega, ainda, que as empresas utilizam inteligência artificial para determinar o preço das passagens. “São incontáveis as reclamações e acusações, por parte de consumidores e das respectivas associações defensivas, no sentido de que as companhias aéreas possam estar manipulando a oferta de preços com base em algoritmos e inteligência artificial”, afirma.

empresa de tecnologia Pros já desenvolveu um programa para criar preços dinâmicos de passagens aéreas. Assim, dois passageiros pesquisando simultaneamente preços para um mesmo voo poderiam encontrar tarifas diferentes. O sistema já começou a ser testado por 11 companhias aéreas em todo o mundo.

No Brasil, a Anac afirma que nenhuma companhia aérea brasileira adota esse sistema de preços até o momento. No entanto, não haveria nenhum impedimento legal para que isso fosse feito aqui, de acordo com a legislação atual.

Associação de empresas aéreas defende a liberdade tarifária

A Abear (Associação Brasileira de Empresas Aéreas) afirma que a liberdade tarifária é “um dos sustentáculos da aviação moderna no Brasil e no mundo” e defende que não haja um controle no preço das passagens aéreas. Segundo a associação, desde que os preços foram liberados no país, os valores das passagens aéreas caíram quase pela metade.

“No início dos anos 2000, em valores atuais, uma passagem custava mais de R$ 700 em média. Menos de 30 milhões de brasileiros viajam de avião a cada ano. Desde a desregulamentação tarifária, em cerca de uma década e meia o número de passageiros triplicou. Um bilhete doméstico custa hoje aproximadamente R$ 360 em média”, afirma a Abear em nota. “É raro encontrar comportamento semelhante em relação aos preços de quaisquer outros produtos e serviços no Brasil neste mesmo período”, completa.

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7 meses de análise, e ministério não conclui se aéreas mentiram sobre malas
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Empresas começaram a cobrar pelo despacho de bagagem em junho de 2017 (Foto: Lucas Lima/UOL)

Por Vinícius Casagrande

Após sete meses de investigação, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), órgão da Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça, ainda nãoconcluiu o processo que apura se as companhias aéreas mentiram quando afirmaram que o preço das passagens aéreas caiu após começarem a cobrar pela bagagem despachada. O Ministério não divulgou quando pretende concluir as investigações.

A cobrança começou em junho do ano passado. A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e as companhias aéreas afirmaram que, ao liberar a cobrança por mala despachada, as companhias aéreas poderiam oferecer passagens mais baratas para quem só levasse bagagem de mão. Três meses depois, a Abear (Associação Brasileira de Empresa Aéreas) divulgou um levantamento que apontava que o preço médio das passagens aéreas havia caído entre 7% e 30% por causa das novas regras.

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Cinco dias depois, a Secretaria Nacional do Consumidor afirmou que havia aberto uma “averiguação preliminar” para checar se a queda de preços das passagens aéreas tinha realmente relação com a cobrança de bagagem despachada.

No dia 20 de outubro, o processo administrativo foi oficialmente aberto, com despacho publicado no Diário Oficial da União. A decisão se baseou em investigação preliminar, feita no início daquele mês pelo departamento e que concluiu haver indícios de infração.

Passados quase sete meses do início da apuração, o Ministério da Justiça afirmou ao Todos a Bordo que “os fatos estão sob análise e acompanhamento do DPDC” e que já recebeu o posicionamento da Abear (Associação Brasileira de Empresa Aéreas) e de suas associadas.

Segundo o Ministério da Justiça, na defesa, a Abear reafirmou que “todos os dados divulgados são verdadeiros e representam de fato queda de preços em determinadas rotas e empresas, que não possui qualquer relacionamento com os consumidores e que quando divulgou as reduções de preço que havia encontrado, não o fez para os consumidores, e sim para a mídia especializada”.

O Ministério também ouviu a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), órgão responsável por regular os serviços das companhias aéreas. “A Anac se manifestou no sentido de que desconhece os parâmetros empregados pela Abear para a divulgação de dados do setor e que não se responsabiliza pelas informações divulgadas ou qualquer analogia feita com os dados publicados pela Agência”, diz a nota do Ministério da Justiça.

Outras pesquisas apontam resultado diferente do apresentado pela Abear.

Segundo dados da Anac, a tarifa média em voos nacionais ficou praticamente estável no segundo semestre do ano passado na comparação com o mesmo período de 2016: passou de R$ 383,9 para R$ 384,21.

Levando em consideração todo o ano de 2017, o preço médio das passagens nacionais foi de R$ 357,16, representando redução de 0,6% em relação a 2016. Foi o menor valor registrado para um ano desde o início da pesquisa, em 2011, segundo dados da Anac.

Por outro lado, os dados de inflação divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no início deste mês apontam que em um ano, os preços das passagens aéreas saltaram 13,33%.

A Abear afirma que a diferença de resultados ocorre em virtude da metodologia adotada pelo IBGE e pela Anac. Enquanto a Anac leva em consideração o valor real de todas as passagens efetivamente vendidas no país, o IBGE avalia apenas uma pequena amostragem, com base nos valores divulgados nos sites das companhias aéreas.

“A apuração do IBGE é imprecisa para o acompanhamento específico de preços de passagens aéreas (esse não é o propósito do IPCA). A cada mês, unicamente por meio de tarifas anunciadas em sites, o Instituto observa no máximo 0,2% do universo de passagens efetivamente comercializadas acompanhado pela Anac (3 a 5 mil bilhetes x mais de 3 milhões de bilhetes)”, afirma a Abear em nota.

A associação diz ainda que a pesquisa de preços do IBGE não tem como avaliar o impacto da cobrança de bagagem, pois os valores pesquisados acrescentam os custos para o transporte de um volume de bagagem despachada, mesmo nas passagens mais econômicas sem uma mala incluída.

Ainda é cedo para conclusões, dizem aéreas

A Abear diz ainda que a nova cobrança “aproxima as regras da aviação brasileira daquelas praticadas há muito tempo nos mercados mais desenvolvidos ao redor do mundo” e que a medida “possibilitou a criação de uma nova família de tarifas, com preços mínimos mais baixos em relação às demais existentes até então”.

No entanto, a Abear diz também que custos para o transporte de bagagens despachadas são apenas um dos fatores de influência. “O nível da atividade econômica nacional, a taxa de câmbio e os preços do petróleo no mercado internacional são, em linhas gerais, os elementos que mais influenciam estes valores, especialmente em curto prazo. Apenas no final do mês de setembro do ano passado todas as quatro grandes empresas brasileiras haviam implementado políticas tarifárias domésticas dentro dessa nova realidade. Ainda é cedo para conclusões sobre a influência da medida na evolução dos preços médios”, afirma a associação.

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Ana Maria Braga assina novo cardápio de voos internacionais da Azul
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Cardápio preparado por Ana Maria Braga será servido nos voos para EUA e Europa (Divulgação)

A apresentadora Ana Maria Braga vai assinar o novo cardápio dos voos internacionais da Azul. As receitas serão servidas aos passageiros das classes econômica e executiva nos voos para Estados Unidos e Europa.

O novo cardápio será servido somente no mês de maio e terá duas versões, uma para a classe executiva e outra para a econômica.

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O cardápio na classe executiva inclui salada de rúcula com azeite e mel, saltimboca alla romana (filé mignon com um tipo de purê) e torta de paçoca.

Cardápio da classe executiva preparado por Ana Maria Braga (Divulgação)

Na classe econômica, a apresentadora Ana Maria Braga preparou a receita do prato principal, um guisado de carne com cenoura.

“É um desafio alinhar sabores que possam agradar paladares tão distintos em um momento, na maioria das vezes, especial. Tenho a responsabilidade de tornar essas viagens gastronomicamente inesquecíveis”, afirma Ana Maria Braga em comunicado divulgado pela Azul. A apresentadora fará o lançamento do novo serviço de bordo no início de maio em um voo para Lisboa.

Outras parcerias para o serviço de bordo

Essa não é primeira vez que a Azul recorre a uma personalidade para a assinar o cardápio do serviço de bordo em seus voos internacionais. No ano passado, a empresa fez uma parceria com o programa MasterChef, reality show de culinária da Band. Os participantes tinham de criar um cardápio para ser servido nos voos da empresa.

A Azul também já teve o serviço de bordo internacional assinado pelo restaurante Cacimba, de Fernando de Noronha (PE), e pelo Buzina Food Truck. Nas viagens nacionais, a Azul começou em fevereiro a oferecer cerveja grátis em voos para dez cidades.

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Selo de qualidade mostrará se avião segue regra segura para levar animais
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Iata quer melhorar segurança no transporte de animais (iStock)

Depois de a companhia aérea norte-americana United Airlines registrar três graves problemas com o transporte de animais no mês passado, a Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo, na sigla em inglês) anunciou a criação de um programa de certificação global para melhorar a segurança e o bem-estar dos animais. As regras incluem como manusear os bichos e até o melhor tipo de engradado para levá-los.

No dia 12 de março, um cachorro da raça buldogue francês morreu após ficar trancado no compartimento de bagagem de mão. Dois dias depois, um pastor alemão que deveria ir do Oregon para o Kansas foi enviado ao Japão. Por fim, no dia 15 de março, após funcionários perceberem que haviam embarcado um cachorro no voo errado, um avião que seguia de Nova Jersey para Saint Louis teve de fazer um pouso em Akron, em Ohio. Com os erros sucessivos, a United suspendeu temporariamente o transporte de animais.

Para evitar essas falhas, a associação que reúne 280 companhias aéreas em todo o mundo criou um programa chamado de Ceiv Live Animals (Centro de Excelência Independente para Validadores de Logística de Animais Vivos) para analisar as práticas adotados pelas empresas. Aquelas que operarem dentro dos mais altos padrões estabelecidos pelas regras da Iata receberão um certificado de transporte de animais vivos.

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Com isso, antes de transportar um animal por avião, o proprietário poderá verificar as companhias aéreas certificadas por adotar boas práticas no transporte de animais. A Iata, no entanto, ainda não informou quando as primeiras certificações devem começar a ser emitidas.

“Como indústria, temos o dever de assegurar que os padrões e as melhores práticas estejam em vigor em todo o mundo”, diz Nick Careen, vice-presidente sênior de aeroporto, passageiros, carga e segurança da Iata em comunicado.

O Ceiv Live Animals vai utilizar parâmetros semelhantes ao do Ceiv Pharma, programa que controla os padrões para o transporte de produtos farmacêuticos. “O novo programa estende essa experiência para o importante campo da saúde, transporte e manuseio de animais” afirma Careen.

A Iata já possui um documento de mais de 460 páginas com todas as regras e padrões que devem ser seguidos pelas companhias aéreas no transporte de animais. O material trata desde a documentação necessária, como manusear os animais e os tipos de caixa de transporte ideais para mais de mil espécies.

O novo programa de certificação da Iata tem como intenção servir de auditoria para garantir que as companhias aéreas sigam todos os padrões exigidos para o transporte de animais. “O Ceiv Live Animals aumenta o nível de competência, operação, gerenciamento de qualidade e profissionalismo no manuseio e transporte de animais vivos no setor aéreo, ao mesmo tempo em que reforça o treinamento e a conformidade em toda a cadeia de fornecimento”, afirma a Iata em comunicado.

A Iata teve como principal parceiro para a criação da nova certificação o centro de recepção de animais do aeroporto de Heathrow, em Londres (Reino Unido). No ano passado, o aeroporto recebeu 16 mil cachorros e gatos, 400 cavalos, 200 mil répteis, 2.000 pássaros e 28 milhões de peixes.

Além de melhorar a segurança e bem-estar dos animais, a Iata afirma que a nova certificação também deve ajudar a combater o comércio ilegal de animais selvagens. O novo programa deve incluir as diretrizes para o transporte aéreo estabelecidas na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestres. A convenção regula o comércio internacional de mais de 36.000 espécies de animais e plantas.

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Só agora fidelidade da Avianca aceita compra de voo parceiro direto no site
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Avianca é integrante da maior aliança do mundo, a Star Alliance (foto: Divulgação)

O Amigo, programa de fidelidade da companhia da companhia aérea Avianca Brasil, mudou nesta quinta-feira (5) a forma de emissão de passagens aéreas pelas 28 companhias membros da rede global Star Alliance. A partir de agora, os bilhetes para qualquer um dos 1.300 destinos das empresas parceiras podem ser comprados diretamente pelo site do programa.

As demais companhias brasileiras já aceitavam isso. Membro da aliança OneWorld, a Latam permite o resgate de alguns voos de companhias da rede pelo site do programa Multiplus. A Gol não faz parte de nenhuma aliança, mas o programa de fidelidade Smiles permite a emissão pelo site de passagens de empresas parceiras. O programa TudoAzul tem parceria com a agência ViajaNet para emissão de passagem em qualquer companhia com pontos do programa diretamente pelo site.

No caso da Avianca, no site do programa Amigo só estavam disponíveis passagens para trechos nacionais e internacionais operados pela própria Avianca Brasil. Para as demais companhias da Star Alliance, a única alternativa para a emissão de bilhetes era o atendimento telefônico.

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“Em vez de ter de falar com o call center, informar o destino e a data e depois aguardar para saber a resposta, o passageiro do programa Amigo vai ter facilidade de acesso e visualização de todo portfólio de voos dos parceiros da Star Alliance. Com isso, terá total autonomia para escolher a rota e a companhia aérea para chegar até o destino”, afirma Fabrício Angelim, diretor do programa Amigo.

A Avianca Brasil faz parte da rede Star Alliance desde 2015. Com a mudança promovida nesta quinta-feira, Angelim afirmou que a expectativa é de crescimento de 25% na base de clientes do programa de fidelidade da companhia. “Fechamos o ano de 2017 com 4 milhões de clientes e devemos fechar esse ano com 5 milhões”, diz.

Passagens terão preço fixo

A emissão das passagens nas companhias aéreas parceiras da Star Alliance terá preço fixo. A quantidade de pontos necessária dependerá da região de origem e destino do voo. A tabela completa de preços pode ser consultada diretamente no site do programa.

Veja alguns dos preços:

– Brasil para América do Sul: 20 mil pontos por trecho

– Brasil para América do Norte: 35 mil pontos por trecho

– Brasil para Europa Ocidental: 50 mil pontos por trecho

– Brasil para Ásia Central: 100 mil pontos por trecho

– Brasil para Oceania: 140 mil pontos por trecho

– Voos entre dois destinos dentro da América do Norte: 12,5 mil pontos por trecho

– Voos entre dois destinos dentro da Europa Ocidental: 25 mil pontos por trecho

Além dos pontos exigidos, há ainda a necessidade de pagamento, em dinheiro, das taxas de embarque.

O diretor do programa Amigo afirmou que a disponibilidade total de bilhetes em cada voo ficará sob responsabilidade de cada companhia aérea. Com isso, em época de alta temporada, o passageiro que quiser comprar um bilhete de última hora pode não encontrar voos disponíveis.

O sistema é diferente do adotado pela Avianca nos voos nacionais e internacionais operados pela empresa. O diretor do programa Amigo afirma que todos os lugares do avião são vendidos também com pontos do programa. No entanto, o valor da passagem varia na mesma proporção dos preços em reais.

O diretor do programa Amigo afirmou que a companhia deve implementar ainda neste ano um sistema de compra de pontos. Essa seria uma alternativa para quem não conseguiu acumular os pontos necessários para um determinado trecho. “Isso deve estar disponível no segundo semestre do ano”, afirma Angelim.

Todas as outras companhias aéreas brasileiras já permitem a compra de milhas ou pontos para complementar o valor da passagem.

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Embraer entrega primeiro avião do modelo E190-E2 a uma companhia aérea
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Todos a Bordo

Embraer E190-E2 durante cerimônia de entrega à companhia Wideroe (Vinícius Casagrande/UOL)

Por Vinícius Casagrande

A Embraer entregou nesta quarta-feira (4) o primeiro avião do modelo E190-E2 para uma companhia aérea. O avião é o primeiro da nova geração de jatos comerciais da fabricante brasileira.

A companhia aérea norueguesa Widerøe foi a escolhida para ser a lançadora do novo modelo. Além do avião recebido nesta quarta-feira, as próximas duas aeronaves a saírem da linha da produção também serão entregues à Widerøe. A companhia fará o primeiro voo comercial com o novo avião no dia 24, na rota entre Bergen e Thonson, ambas na Noruega.

Durante a cerimônia de entrega do novo avião, o presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, afirmou que a nova geração de jatos comerciais é um novo marco na história da empresa. “Hoje entramos em uma nova era na aviação comercial. O E190-E2 é um lindo avião, mas o mais impressionante está onde não se vê, com sua máxima eficiência”, afirma.

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Com capacidade entre 97 e 114 passageiros, o novo E190-E2 recebeu um novo motor e melhorias aerodinâmicas e nos sistemas de controle de voo. As mudanças fizeram com que a nova geração fosse 17,3% mais econômica no consumo de combustível. No início do projeto, a meta da Embraer era gerar uma economia de 16%. “Estamos felizes em superar as nossas próprias expectativas”, afirma Fernando Antonio Oliveira, diretor do programa E2.

Segundo a Embraer, o E190-E2 tem custo por viagem 7% menor do que seu principal concorrente, o Bombardier CS100. No entanto, o custo por assento é 1% maior.

Jato recebe os últimos ajustes antes de ser entregue à companhia norueguesa (Vinícius Casagrande/UOL)

Melhorias aerodinâmicas

A redução do consumo de combustível foi um dos principais objetivos da Embraer na hora de desenvolver uma nova geração de jatos comerciais. Boa parte da economia foi conseguida ao utilizar um novo motor. O modelo utiliza motores da Pratt & Whitney. Somente a troca do motor é responsável por uma economia de 11% de combustível.

Um dos pontos mais comemorados pela Embraer, no entanto, foi o desenvolvimento das novas asas do modelo. Elas receberam um novo desenho e ficaram maiores. Segundo a fabricante, as novas asas permitem uma maior eficiência operacional, que ajuda a economizar combustível.

Na nova geração de jatos comerciais da Embraer, cada avião tem modelos diferentes de asas. Em outras fabricantes, é comum que aviões semelhantes tenham exatamente as mesmas asas. “Projetamos as asas para serem as mais eficientes de acordo com cada modelo”, afirma o diretor do programa E2.

Configuração da cabine de pilotos é bastante semelhante à da geração anterior (Vinícius Casagrande/UOL)

Adaptação dos pilotos e manutenção

A Embraer afirma que a nova geração de jatos comerciais também gera mais eficiência às companhias aéreas por exigir um intervalo maior entre as manutenções obrigatórias. Os aviões da geração E2 podem voar até 1.000 horas antes de fazer as manutenções intermediárias, enquanto o modelo Airbus A320 permite voar até 750 horas.

No caso das companhias aéreas que já têm jatos da Embraer na frota, a adaptação ao novo modelo também poderá ser feita sem a exigência de grandes treinamentos dos pilotos. Segundo a Embraer, os pilotos que já voam aviões da Embraer vão precisar fazer um treinamento de apenas 2,5 dias para se adaptarem à nova geração E2.

“Os pilotos não sentem que é um avião diferente. Podem operar sem um treinamento específico que exija sessões em simuladores de voo. Além disso, podem voar tanto no E1 como no E2”, afirma Oliveira.

Configuração interna segue o padrão 2-2 (Vinícius Casagrande/UOL)

Conforto para os passageiros

O diretor do programa E2 afirmou que uma das preocupações da fabricante no desenvolvimento da nova geração foi com o conforto interno para os passageiros. Uma das exigências das companhias aéreas, segundo Oliveira, era que os aviões mantivessem a configuração 2-2 (sem o assento do meio comum nos aviões da Airbus e da Boeing).

A Embraer apresenta dados de pesquisas feitas pelas companhias aéreas Lufthansa e KLM que apontam que essa é a configuração preferida de seus passageiros. O CEO da companhia norueguesa Widerøe, Stein Nilsen, afirma que isso também pesou na decisão da empresa ao adquirir os aviões brasileiros. “Nossos aviões já têm a configuração de 2-2, e nossos passageiros gostam disso”, diz.

Produção híbrida

Apesar do lançamento da nova geração de jatos comerciais, a Embraer continuará produzindo aviões da antiga geração, pelo menos até atender a todos os pedidos já feitos. Para isso, a fabricante reorganizou toda a sua linha de produção. A Embraer chegou até mesmo a receber uma consultoria da Porsche para decidir o planejamento de fabricação de seus aviões.

As duas gerações de jatos comerciais estarão presentes na mesma linha de produção. No entanto, o processo deles é bem distinto. “Quando a gente olha como o E1 é feito e como é produzido o E2, eles são bastante diferentes”, afirma Daniel Carlos da Silva, gerente sênior de engenheira de produção da aviação comercial da Embraer.

Segundo o diretor do programa E2, a principal diferença está na automação da produção. “O E1 tem 35% de automação, enquanto o E2 chega a 80%”, afirma Fernando Antonio Oliveira.

Novos modelos

Além do E190-E2, a Embraer já está fazendo os testes em voo do E195-E2, o maior avião da nova geração de jatos comerciais, com capacidade entre 120 e 146 passageiros. O primeiro avião do modelo deve ser entregue no próximo ano para a companhia aérea brasileira Azul.

Terceiro membro da família, o primeiro protótipo do E175-E2 deve ficar pronto no próximo ano para iniciar os testes em voo, com a primeira entrega prevista em 2021 para a norte-americana SkyWest. O avião é o menor da família, com capas entre 80 e 90 passageiros.

A Embraer tem a liderança mundial no mercado de jatos comerciais para até 150 passageiros, com participação de 29%. “Precismos defender nossa liderança no mercado. Por isso, decidimos desenvolver o E2”, afirma Oliveira.

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