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Como os pilotos sabem se o avião está baixo ou alto na hora de pousar?
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Destaque em amarelo (esq.) mostra o sistema Papi ao lado da pista de pouso do aeroporto (iStock)

Por Vinícius Casagrande

Quando se aproximam do pouso, os pilotos de avião precisam calcular com exatidão o ângulo de descida para tocar a pista no ponto exato. Os aviões têm de se aproximar do aeroporto como se estivessem voando sobre uma rampa de descida.

Para orientar os pilotos, muitos aeroportos mais movimentados contam com um sistema de auxílio luminoso chamado Papi (Precision Approach Path Indicator, ou Indicador de Percurso de Aproximação de Precisão).

Posicionado normalmente no lado esquerdo da cabeceira da pista, o Papi conta com quatro luzes vermelhas e quatro brancas. Elas são instaladas de forma que apenas uma das cores possa ser vista de acordo com o ângulo de visão dos pilotos.

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Se o avião estiver muito alto na aproximação final para pouso, o piloto verá quatro luzes brancas. Se estiver muito baixo, a visão será de quatro luzes vermelhas. Quando estiver no ângulo ideal de aproximação, o piloto verá duas luzes brancas e duas vermelhas.

Indicação do Papi para os pilotos:

•••• 4 vermelhas: o avião está muito abaixo da rampa ideal de aproximação

••• 1 branca e 3 vermelhas: o avião está um pouco abaixo da rampa ideal de aproximação

•••• 2 brancas e 2 vermelhas: o avião está na altura correta, seguindo rampa ideal de aproximação

••• 3 brancas e 1 vermelha: o avião está um pouco acima da rampa ideal de aproximação

•••• 4 brancas: o avião está muito acima da rampa ideal de aproximação

Ângulo gera a mudança de cor

As luzes do sistema de orientação Papi são instaladas em quatro caixas ao lado da cabeceira da pista. Cada caixa conta com uma luz branca e outra vermelha, que ficam acesas o tempo inteiro. A diferença está no ângulo de instalação de cada uma delas. É por isso que, dependendo da altura do avião em um determinado ponto, o piloto consegue ver apenas uma das luzes.

Caso o avião continue com a mesma velocidade de descida, e consequentemente mantenha o mesmo ângulo em relação à pista de pouso, a cor das luzes permanecerá a mesma. No entanto, se a velocidade vertical de descida aumentar ou diminuir, o piloto verá algumas das luzes com cores diferentes.

Segundo a FAA, a agência norte-americana de aviação civil, as luzes do sistema Papi podem ser vistas pelos pilotos a uma distância de 5,5 quilômetros durante o dia e de 37 quilômetros durante a noite.

Outros sistemas de auxílio

O sistema Papi é utilizado por pilotos que fazem a aproximação visual para o pouso. Quando o voo é orientado por instrumentos, o piloto conta com outros recursos para determinar o ângulo de descida para o aeroporto.

O ILS (Instrument Landing System, ou Sistema de Pouso por Instrumentos) utiliza sinais de rádio para determinar a posição precisa que o avião deve estar na aproximação final para pouso. Os instrumentos do avião recebem a orientação em relação ao eixo central da pista e a altura e ângulo de descida do avião.

Dependendo dos instrumentos instalados no avião e no aeroporto, os pilotos conseguem pousar mesmo com visibilidade de poucos metros. No Brasil, o mais avançado é o ILS categoria III A. O piloto assume o comando do avião somente quando o avião está a apenas 15 metros de altura da pista.

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Com 107 voos por dia, ponte aérea Rio-SP é a 5ª mais movimentada do mundo
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Pista do aeroporto Santos Dummont, no Rio de Janeiro (Foto: dolphin photo/Getty Images)

A ponte aérea entre os aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, foi a quinta rota doméstica mais movimentada do mundo em 2017, segundo um levantamento da consultoria inglesa OAG. Durante o ano, foram realizados 39.325 voos, com uma média de 107 voos por dia.

A rota mais movimentada é na Coreia do Sul, entre Jeju e Seul. No ano passado, a OAG registrou 64.991 voos, com uma média diária de 178 voos entre as duas cidades. A rota teve índice de pontualidade de 74,06% (veja o ranking no fim deste texto).

Entre as dez rotas domésticas com maior número de voos em 2017, a ligação entre Congonhas e Santos Dumont foi a quarta mais pontual do mundo, com índice de 80,09% dos voos decolando no horário previsto.

Os dados da OAG consideram apenas as ligações entre dois aeroportos específicos. Os voos entre São Paulo e Rio de Janeiro também podem sair ou chegar pelos aeroportos de Guarulhos, em São Paulo, e Galeão no Rio de Janeiro, mas não há o número total de voos entre as duas cidades no levantamento da OAG. O mesmo acontece em outras cidades com mais de um aeroporto, como Nova York (EUA), Londres (Reino Unido) e Paris (França).

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Na América do Sul, apenas mais uma rota doméstica aparece entre as 20 mais movimentadas do mundo. A ligação entre os aeroportos de Bogotá e Cali, na Colômbia, recebeu no último ano 21.792 voos.

Entre as 20 rotas domésticas mais movimentadas, a mais pontual foi a ligação entre os aeroportos de Haneda, em Tóquio, e Osaka, no Japão. Em 2017, foram realizados 21.900 voos, com índice de pontualidade de 90,4%.

Ásia lidera também nas rotas internacionais

Nenhum aeroporto do Brasil ou da América do Sul aparece na relação das 20 rotas mais movimentadas do mundo no último ano. A liderança do ranking é totalmente asiática, dominando as cinco primeiras colocações. Em viagens internacionais, a rota mais movimentada no último ano foi entre Hong Kong e Taipei (Taiwan), com 29.494 voos.

Fora do continente asiático, a rota entre o aeroporto de La Guardia, em Nova York (EUA), e Toronto (Canadá) aparece na sexta colocação geral, com 17.116 voos no ano. Uma curiosidade está no 19º lugar, com a rota entre Cairo (Egito) e Jeddah (Arábia Saudita), que teve 12.896 voos em 2017.

A ligação entre Dubai (Emirados Árabes Unidos) e Kuwait (Kuwait), a 15ª mais movimentada, foi a mais pontual entre as 20 primeiras colocadas do ranking. Dos 13.297 voos realizados, 83,55% decolaram dentro do horário previsto.

Veja a dez rotas domésticas mais movimentadas em 2017

1º Jeju – Seul (Coreia do Sul): 64.991 voos (pontualidade de 74,06%)

2º Melbourne – Sydney (Austrália): 54.519 voos (pontualidade de 74,10%)

3º Mumbai – Nova Déli (Índia): 47.462 voos (pontualidade de 59,14%

4º Fukuoka – Tóquio/Haneda (Japão): 42.835 voos (pontualidade de 83,43%)

5º São Paulo/Congonhas – Rio de Janeiro/Santos Dumont (Brasil): 39.325 voos (pontualidade de 80,09%)

6º Sapporo – Tóquio/Haneda (Japão): 38.389 voos (pontualidade de 85,56%)

7º Los Angeles – San Francisco (Estados Unidos): 34.897 voos (pontualidade de 63,86%)

8º Brisbane – Sydney (Austrália): 33.765 voos (pontualidade de 79,28%)

9º Cidade do Cabo – Johannesburgo (África do Sul): 31.914 voos (pontualidade de 86,83%)

10º Pequim – Xangai (China): 30.029 voos (pontualidade de 53,47%)

Veja a dez rotas internacionais mais movimentadas em 2017

1º Hong Kong – Taipei (Taiwan): 29.494 voos (pontualidade de 70,92%)

2º Kuala Lumpur (Malásia) – Cingapura (Cingapura): 29.383 voos (pontualidade de 78,52%)

3º Jakarta (Indonésia) – Cingapura (Cingapura): 26.872 voos (pontualidade de 77,38%)

4º Jakarta (Indonésia) – Kuala Lumpur (Malásia): 20.890 voos (pontualidade de 64,84%)

5º Hong Kong – Xangai (China): 20.818 voos (pontualidade de 57,79%)

6º Nova York/La Guardia (EUA) – Toronto (Canadá): 17.116 voos (pontualidade de 54,24%)

7º Hong Kong – Seul (Coreia do Sul): 16.366 voos (pontualidade de 65,14%)

8º Pequim (China) – Hong Kong (Hong Kong): 14.592 voos (pontualidade de 63,43%)

9º Dublin (Irlanda) – Londres/Heathrow (Reino Unido): 14.556 voos (pontualidade de 82,56%)

10º Bangcoc (Tailândia) – Cingapura (Cingapura): 14.455 voos (pontualidade de 77,87%)

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Aviões de companhias aéreas brasileiras no aeroporto de Guarulhos (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Por Vinícius Casagrande

Os principais aeroportos brasileiros perderam posições no ranking internacional de pontualidade realizado pela consultoria inglesa OAG. Dos dez aeroportos que aparecem no ranking, sete tiveram queda no índice de voos que decolaram dentro do horário previsto e apenas dois melhoraram a pontualidade (Galeão e Santos Dumont, ambos no Rio de Janeiro). O aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), aparece pela primeira vez na lista.

Com a piora dos aeroportos no ranking, as companhias aéreas brasileiras também tiveram queda nos índices de pontualidade. Apenas Gol e Avianca constavam do relatório anual de 2016 da OAG. A Azul não aparecia no ranking anterior e agora é a brasileira mais pontual. O índice da Latam engloba as subsidiárias de todos os países no qual a empresa atua, como Chile, Argentina e Peru.

Azul: segundo lugar na América Latina com 84,14% (não constava no ranking de 2016)

Gol: quinto lugar na América Latina com 81,73% (era terceira colocada em 2016 com 84,63%)

Avianca: sexto lugar na América Latina com 81,44% (era quarta colocada em 2016 com 82,3%)

Latam: sétimo lugar na América Latina com 79,39% (não constava no ranking de 2016)

A OAG tem tolerância de até 15 minutos de atraso na decolagem para considerar o voo dentro do horário previsto. A consultoria avalia somente as companhias aéreas com mais de 30 mil voos por ano, e aeroportos com embarque de mais de 2,5 milhões de passageiros no ano de 2017.

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Guarulhos é o 18º entre os aeroportos com mais de 20 milhões de passageiros

Guarulhos perde 16 posições

O aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, caiu da segunda posição em 2016 para a 18ª colocação em 2017 entre os aeroportos com embarque de mais de 20 milhões de passageiros por ano*. O índice de pontualidade do terminal paulista caiu de 85,28% para 79,7%.

Entre os terminais acima de 30 milhões de passageiros, o aeroporto japonês de Haneda, em Tóquio, segue na primeira posição do ranking com índice de pontualidade de 86,75% (em 2016 era 87,49%). Na categoria entre 20 milhões e 30 milhões, o aeroporto de Minneapolis (EUA) lidera com pontualidade de 85,72%.

Terminal de Brasília se manteve em quarto lugar entre aeroportos grandes (foto: Divulgação)

Aeroportos grandes

Na categoria de aeroportos grandes, que têm entre 10 milhões e 20 milhões de embarques por ano, o brasileiro mais bem classificado é o terminal de Brasília, apesar da queda no índice de pontualidade. Nessa categoria, o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, melhorou sua posição. Congonhas também caiu no ranking.

O líder da categoria é o terminal de Osaka, no Japão, com 88,45% dos voos decolando dentro do horário previsto.

Brasília: quarto lugar com 84,58% (era o quarto colocado em 2016 com 87,07%)

Galeão: quinto lugar com 84,25% (era o 12º colocado em 2016 com 82,96%)

Congonhas: oitavo lugar com 82,32% (era o sexto colocado em 2016 com 85,4%)

Aeroporto de Confins (MG) teve queda na pontualidade para 84,96% (foto: Divulgação)

Aeroportos médios

Na categoria de aeroportos médios, com embarque entre 5 milhões e 10 milhões de passageiros, Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), teve piora no índice de pontualidade, mas se manteve na quarta posição mundial. O aeroporto de Santos Dumont subiu oito posições, enquanto o terminal de Viracopos, em Campinas (SP), apareceu no ranking pela primeira vez.

O líder entre os aeroportos médios é o de Birmingham, no Reino Unido, com pontualidade de 89,52%.

Confins: quarto lugar com 84,96% (era o quarto colocado em 2016 com 88,49%)

Santos Dumont: sexto lugar com 84,33% (era o 14º colocado em 2016 com 83,72%)

Viracopos: 12º lugar com 83,14% (não constava no ranking de 2016)

Aeroportos pequenos

Na categoria de aeroportos com embarque entre 2,5 milhões e 5 milhões de passageiros, os três terminais brasileiros presentes no ranking – Curitiba (PR), Recife (PE) e Porto Alegre (RS) – tiveram piora no índice de pontualidade. Os aeroportos de Fortaleza (CE) e Salvador apareciam na 17ª e 19ª posições, respectivamente, e em 2017 deixaram a lista dos 20 terminais mais pontuais.

O aeroporto de Tenerife Norte, na Espanha, lidera na categoria dos aeroportos pequenos com 90,05% de pontualidade. O terminal foi o mais pontual do mundo em 2017 e o único a atingir mais de 90% de pontualidade.

Curitiba: 14º lugar com 84,65% (era o nono colocado em 2016 com 86,77%)

Recife: 17º lugar com 83,61% (era o 15º colocado em 2016 com 85,26%)

Porto Alegre: 20º lugar com 83,45% (era o 11º colocado em 2016 com 85,91%)

* Nesse ano, a consultoria OAG dividiu a categoria dos grandes aeroportos entre os terminais com embarque entre 20 milhões e 30 milhões de passageiros (aeroportos principais) e acima de 30 milhões (mega-aeroportos). No último ano, havia apenas a categoria acima dos 20 milhões de passageiros. Entre os aeroportos principais, Guarulhos está na 11ª colocação, mas para melhor comparação com o ranking anterior, há sete aeroportos na categoria de mega-aeroportos com índice melhor que o de Guarulhos.

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Aviões de companhias aéreas brasileiras no aeroporto de Guarulhos (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Por Vinícius Casagrande

O aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, movimenta todos os dias mais de 100 mil passageiros em até 900 voos diários nos períodos de alta temporada. O fluxo de pessoas e de aviões é monitorado 24 horas por dia pelo Centro de Controle Operacional (CCO), em uma sala do quinto andar de um prédio localizado no Terminal 2, logo atrás dos balcões do check-in de passageiros.

Dentro do CCO, funcionários do aeroporto e das principais companhias aéreas trabalham em conjunto para coordenar o fluxo de operações do maior aeroporto do Brasil. Todos os voos previstos, independentemente da companhia aérea, são acompanhados por toda a equipe.

“A gente atua aqui para garantir que o fluxo aconteça. Trocamos ideias e informações o tempo inteiro. Quando qualquer mudança acontece, todos ficam sabendo”, afirma Wilson Souza, coordenador do Centro de Controle Operacional de Guarulhos.

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Centro de Controle Operacional do aeroporto de Guarulhos (Foto: Lucas Lima/UOL)

Entre as funções do CCO, está o acompanhamento dos horários dos voos de chegada e saída. Tudo deve ser monitorado para que os técnicos do aeroporto possam determinar onde cada avião irá estacionar para o embarque e desembarque dos passageiros. Normalmente, os aviões já têm lugares predeterminados, mas qualquer imprevisto pode mudar os planos.

“Quando um voo chega com antecedência, o passageiro fica sempre feliz. Para nós, isso é um grande problema, porque é provável que o local que estava destinado a ele ainda esteja ocupado e temos de correr para fazer todas as mudanças de posição”, afirma Souza.

O aeroporto de Guarulhos conta com uma capacidade máxima de 52 operações de pouso e decolagem por hora. O horário de pico dura cerca de oito horas por dia, em dois períodos, à noite e no início da manhã. Esses são os momentos de maior tensão, já que qualquer deslize pode afetar voos em um efeito cascata.

Aeroporto de Guarulhos tem 45 pontes de embarque de passageiros (Foto: Lucas Lima/UOL)

Além de manter os voos no horário programado, outro desafio do CCO é fazer o maior número de movimento de passageiros pelas 45 pontes de embarque que ligam os terminais à porta dos aviões. O contrato de concessão assinado pela GRUAirport com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) prevê que 95% dos passageiros em voos internacionais sejam embarcados pelas pontes dos terminais. Atualmente, esse índice está em 88%. Já nos voos nacionais, o contrato prevê que o fluxo de 65% dos passageiros seja pelas pontes de embarque. Nesse caso, o índice atual é de 71%. Os demais passageiros são levados de ônibus até a porta do avião.

Mais de 2.000 câmeras de vigilância nos terminais

Não são apenas os aviões que são monitorados o tempo inteiro dentro do Centro de Controle Operacional do aeroporto de Guarulhos. Nos três terminais de passageiros, há mais de 2.000 câmeras monitorando todo o movimento do aeroporto.

As imagens são transmitidas ao vivo para um grande telão instalado dentro do CCO. Os técnicos acompanham os passos de todos os passageiros, podem aproximar a imagem para ver mais detalhes e, em caso de alguma atitude suspeita, acionam a área de segurança do aeroporto.

Mais de 2.000 câmeras monitoram todos os pontos do aeroporto (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

As câmeras também estão presentes na área externa do aeroporto, desde a Rodovia Hélio Smidt, que dá acesso aos terminais, até as alças de embarque e desembarque. Segundo o coordenador do CCO, esse monitoramento é importante para saber como está o fluxo de chegada dos passageiros. Em dias com trânsito excessivo, as companhias podem tentar adotar medidas para evitar que muitos passageiros percam o voo.

Além de acompanhar o que acontece no trânsito, as câmeras também contribuem para diminuir as infrações, especialmente em casos de estacionamento irregular nas áreas de embarque e desembarque de passageiros. As imagens capturadas pelo aeroporto podem ser acessadas também pela prefeitura de Guarulhos, que pode aplicar multas de trânsito pelas infrações cometidas pelos motoristas.

Sala de crise inspirada na Casa Branca

Quando acontece um evento extraordinário que pode afetar completamente as operações do aeroporto, é na sala de crise, chamada oficialmente de Complexo de Gerenciamento de Crises (CGC), que se reúnem os administradores do aeroporto, membros das companhias aéreas e, dependendo do caso, membros da Polícia Federal, Receita Federal e Vigilância Sanitária.

O local pode ser utilizado para reuniões de prevenção, acompanhamento e reação a episódios de qualquer natureza, como acidentes, ataques terroristas, organização de grandes eventos, manifestações públicas e catástrofes naturais.

Sala de crise do aeroporto foi inspirada na da Casa Branca (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Alguns dos casos que exigiram o uso da sala de crise foram as grandes manifestações de junho de 2013, que atrasaram a chegada de passageiros ao aeroporto; a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas do Rio em 2016, em virtude do aumento do movimento do aeroporto; a erupção do vulcão Calbuco, no Chile, no final de abril de 2015, que afetou diversos voos dentro da América do Sul; além do dia do primeiro pouso do Airbus A380, o maior avião de passageiros do mundo, que atraiu mais de 1.400 fãs de aviação para acompanhar a chegada da aeronave.

A sala foi pensada para funcionar mesmo nas situações mais dramáticas. Segundo a administração do aeroporto, todo o projeto foi estruturado tendo como base sala de crise que serve a Casa Branca, sede do governo dos Estados Unidos.

A grande mesa de reuniões é voltada para um telão no qual os coordenadores das operações podem selecionar as diversas câmeras do aeroporto, fazer videoconferências, acessar a internet e acompanhar as notícias pelos telejornais da TV aberta ou a cabo. Em caso de pane nos sistemas de comunicação, como telefones celulares ou internet, a sala de crise conta com aparelhos de fax e rádios de comunicação.

Nas laterais da sala principal, há ainda outros ambientes menores para o trabalho das equipes de apoio. No total, são 12 estações de trabalho.

Corpo de Bombeiros tem caminhão utilizado no filme Transformers

A situação mais crítica que o aeroporto pode enfrentar é o acidente de algum avião durante os pousos e decolagens. Para atender a essas ocorrências, o Corpo de Bombeiros do aeroporto conta com 108 soldados da Força Aérea Brasileira especialmente treinados para essa função, que se revezam em turnos.

Quando são acionados, eles precisam chegar ao local da ocorrência em, no máximo, três minutos. Para agilizar ainda mais o atendimento, o Corpo de Bombeiros de Guarulhos recebeu recentemente dois caminhões Panther Rosembauer 6×6 – o terceiro deve ser entregue em janeiro do próximo ano. O modelo, produzido na Áustria ao custo de 1 milhão de euros (R$ 3,3 milhões), fez parte das gravações do filme Transformers e é utilizado em mais de 80 aeroportos de grande porte do mundo.

Novo caminhão do Corpo de Bombeiros do aeroporto de Guarulhos (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Para agilizar o atendimento das ocorrências, o caminhão conta com um botão de acionamento de emergência. Quando ele é apertado, as portas se abrem automaticamente e o motor é ligado. Os bombeiros só precisam entrar no caminhão e acelerar. “Isso economiza cerca de 10 segundos, que pode parecer pouco, mas é fundamental dependendo do caso”, afirma João Carlos Bottairi, coordenador de combate a incêndio e salvamento.

O caminhão pode transportar até 12,5 mil litros de água e 1.500 litros de LGE (Líquido Gerador de Espuma), que ao serem misturados podem produzir até 60 mil litros de espuma. O Panther Rosembauer conta ainda com câmeras térmicas para que os bombeiros possam encontrar com mais precisão o foco do incêndio.

Os braços mecânicos instalados na parte superior do caminhão têm um perfurador de fuselagem de avião para injetar o material de combate ao fogo diretamente dentro da aeronave. Os jatos de água podem atingir distâncias de até 90 metros.

O Corpo de Bombeiros do aeroporto conta, ainda, com outros quatro caminhões dos modelos antigos que auxiliam no combate ao incêndio e também fazem serviços de rescaldo.

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Se um avião quebra bem no meio da pista do aeroporto, como tirá-lo de lá?
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Aeroporto do Galeão realiza treinamento para retirar avião danificado da pista (foto: Divulgação)

Se um carro quebra ou tem o pneu furado no meio da estrada, a tendência é prejudicar o trânsito e causar grandes congestionamentos. Para minimizar o problema, porém, basta empurrá-lo para o acostamento ou usar o macaco para trocar o pneu. E se um avião “quebra” bem no meio da pista de um aeroporto? O processo envolve de bolsas de ar a guindaste. 

Para estar preparado caso um incidente desse tipo aconteça, o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, está fazendo nesta semana um treinamento sobre como remover aviões acidentados da pista de pouso e decolagem. A simulação começou nesta terça-feira (07) e vai até quinta.

Na simulação, o desafio era deslocar um Boeing 727 da empresa Total Linhas Aéreas que teve problemas no trem de pouso (no caso, foi de mentirinha). O teste foi feito em uma área isolada, próxima ao pátio de estacionamento dos aviões, para não atrapalhar o funcionamento normal do aeroporto.

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Avião é erguido com o auxílio de bolsas de ar infláveis (foto: Divulgação)

Bolsas de ar para tirar avião do chão

Com problemas nas rodas, o avião não consegue se deslocar e fica parado na pista, prejudicando todo o funcionamento do aeroporto.

Para retirá-lo, é preciso da ajuda de bolsas de ar –que lembram um “pula-pula”. Elas são instaladas ainda murchas e, conforme são infladas, o avião é erguido. O processo é semelhante ao macaco utilizado para trocar os pneus dos carros.

Depois de levantar o avião, alguns cabos são amarrados à fuselagem e presos a um guindaste para manter a aeronave na posição correta.

Para liberar a pista, o avião é puxado por um carro rebocador, e o guindaste acompanha o avião durante todo o percurso para manter a estabilidade da aeronave.

Os equipamentos utilizados para a remoção de aviões acidentados na pista são capazes de deslocar aeronaves com até 150 toneladas.

Após erguer o avião, ele é retirado da pista por um rebocador (foto: Divulgação)

Viracopos ficou fechado por 40 horas em 2012

Apesar de toda a complexidade, o trabalho deve ser feito o mais rápido possível para minimizar transtornos às operações do aeroporto.

Em 2012, por exemplo, um problema no trem de pouso de um avião cargueiro MD-11 da empresa Centurion Cargo deixou o aeroporto de Viracopos, em Campinas, fechado por mais de 40 horas.

“Essas operações devem ser realizadas com precisão e delicadeza para que a pista do aeroporto seja liberada no menor tempo possível sem comprometimento do seu revestimento ou avarias adicionais na aeronave”, diz Sérgio Novato, diretor de manutenção da Latam.

O simulado realizado no aeroporto do Galeão faz parte do processo de certificação da IATP (International Airliners Technical Pool), uma associação que reúne empresas aéreas de todo o mundo para ajudar no resgate de aeronaves.

A Latam é a única empresa aérea treinada e certificada nesse tipo de remoção no Brasil e na América do Sul. A empresa atende ocorrências a pedido de aeroportos, outras empresas aéreas ou donos de avião.

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1º voo comercial do A380, o maior avião de passageiros, completa 10 anos
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Airbus A380 tem peso máximo de decolagem de 575 toneladas (Foto: Divulgação)

O primeiro voo comercial do maior avião de passageiros do mundo, o Airbus A380, completa dez anos nesta quarta-feira (25). O superjumbo estreou pela companhia aérea Singapore Airlines na rota entre Cingapura e Sydney, na Austrália.

Após uma década de operações, 13 companhias aéreas voam com o A380 para 60 aeroportos em todo o mundo. Mais de 190 milhões de passageiros já viajaram a bordo do A380.

O modelo tem capacidade máxima para levar até 853 passageiros se fosse configurado somente com a classe econômica. No entanto, com as divisões entre primeira classe, executiva e econômica, a capacidade do avião varia entre 379 e 615 passageiros, dependendo da companhia aérea. Na média geral, a capacidade do modelo é de 497 passageiros.

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O Airbus A380 pode decolar com peso máximo de 575 toneladas e carregar até 320 mil litros de combustível para alimentar seus quatro motores. O avião voa a uma velocidade de 965 km/h, com autonomia de 15,2 mil quilômetros. Para se ter uma ideia, um Boeing 737 MAX 8, versão mais nova do jato comercial mais vendido da história, decola com até 82 toneladas, carrega 26 mil litros de combustível, voa a 857 km/h e tem autonomia de 6.510 km.

O maior avião de passageiros do mundo mede 72,72 metros de comprimento, 24,09 metros de altura e 79,75 metros de envergadura (a distância entre as pontas das asas). Somente a fuselagem principal tem uma largura de 7,14 metros. Dentro do avião, o andar inferior mede 6,5 metros de largura, enquanto o superior tem 5,8 metros.

Em termos de dimensões, o A380 é quase o dobro de um Boeing 737 MAX 8, que mede 39,5 metros de comprimento, 14,3 metros de altura e 35,9 metros de envergadura. Na cabine interna, o 737 pode levar até 200 passageiros.

Produção em queda

Em dez anos, já foram produzidas 216 unidades do A380, segundo dados da Airbus até setembro deste ano. A fabricante ainda tem mais 101 pedidos do modelo para serem entregues nos próximos anos.

No entanto, o ritmo de produção deve diminuir. A Airbus fez uma readequação do cronograma de entrega dos aviões no ano passado. A meta atual da fabricante é produzir 12 unidades do A380 por ano – em 2015, foram 27 aviões produzidos.

Além de maior avião de passageiros, o A380 também é a aeronave comercial mais cara do mundo. O preço de tabela do modelo é de US$ 436,9 milhões (R$ 1,425 bilhão). O avião mais caro da Boeing, o 777-9, tem preço de tabela de US$ 408,8 milhões (R$ 1,333 bilhão). Os valores podem sofrer variações de acordo com as negociações entre as fabricantes e os compradores.

Brasil entra na rota do A380, maior avião comercial do mundo


São Paulo tem voos diários do A380

A Emirates Airlines é a companhia aérea com o maior número de aviões do modelo. A empresa deve receber na próxima semana o seu centésimo Airbus A380. A segunda maior frota é da Singapore Airlines, com 19 aviões, seguida da alemã Lufthansa, que tem 14 A380.

No Brasil, o maior avião de passageiros do mundo iniciou os voos diários em março deste ano. A rota da Emirates entre Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, teve início no dia 26 de março.

A versão do A380 utilizada pela Emirates nos voos para São Paulo pode transportar 491 passageiros, divididos em três classes, sendo 14 nas suítes da primeira classe, 76 na executiva e 401 na econômica.

Para receber o A380, Guarulhos teve de fazer diversas modificações estruturais, como a ampliação da pista de pouso e decolagem. Os aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Viracopos, em Campinas (SP), também têm condições de receber o A380.

Nova versão do A380 terá mudança nas asas para economizar combustível (foto: Divulgação)

Avião vai ganhar uma versão mais moderna

O A380 é considerado um gigante dos ares, mas a Airbus pretende deixá-lo ainda maior. Durante o último Paris Air Show, realizado em junho na capital francesa, a fabricante apresentou o A380plus. Mesmo na configuração mais confortável, o modelo pode receber mais 80 assentos de passageiros em função das mudanças internas, com a troca das escadas que ligam os dois andares do avião.

As principais inovações, no entanto, estão na eficiência operacional do modelo. A mudança mais visível está nas asas do A380, que receberam novas winglets que chegam a 4,7 metros de altura. Somente essa alteração na asa deve reduzir o consumo de combustível em até 4%, segundo a Airbus.

Com todas as alterações que serão feitas, a Airbus avalia que o novo A380plus deverá ter um custo operacional por assento 13% menor em relação à versão atual. Com isso, a autonomia do avião será aumentada em 550 quilômetros.

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Aeroporto no Caribe terá piscina ao ar livre para passageiros na sala VIP
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Piscina ao ar livre deve ser aberta ao público em dezembro (foto: Divulgação)

Os passageiros que viajam para o destino caribenho de Punta Cana, na República Dominicana, vão poder aproveitar suas férias até o último minuto, inclusive enquanto aguardam seu voo. A nova sala VIP do aeroporto, prevista para ser inaugurada em dezembro, vai ter como principal atração uma piscina ao ar livre, com vista para o pátio dos aviões.

A área externa onde ficará a piscina terá também poltronas, espreguiçadeiras e sofás para quem quiser tomar mais um pouco de sol antes de retornar para casa. As dimensões do espaço e capacidade de pessoas, no entanto, ainda não foram divulgadas pelo aeroporto de Punta Cana.

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A expectativa é que o local deverá ser destinado aos passageiros que voam na primeira classe ou executiva, que façam parte de categorias superiores dos programas de fidelidade de companhias aéreas ou que sejam membros do programa Priority Pass, um serviço pago que dá acesso às salas VIPs de diversos aeroportos do mundo.

Além disso, existe a possibilidade de que os passageiros que não se enquadrem nesses requisitos também possam pagar para ter acesso à sala VIP. Todos os detalhes, no entanto, só serão confirmados em data próxima à inauguração do espaço.

Área fechada da sala VIP terá vista para a piscina (foto: Divulgação)

O projeto do arquiteto dominicano Antonio Segundo Imbert inclui também uma área fechada para os passageiros aguardarem os voos. O local será separado do espaço da piscina por uma parede de vidro e também terá vista para o pátio dos aviões.

Atualmente, o aeroporto de Punta Cana conta com duas salas VIPs nos terminais A e B, que deverão continuar em funcionamento após a inauguração do novo lounge para os passageiros em dezembro.

Aeroporto de Cingapura também tem piscina

O aeroporto de Punta Cana não será o primeiro a ter uma piscina dentro de suas instalações. Os passageiros que passam pelo aeroporto de Changi, em Cingapura, também podem relaxar à beira da piscina enquanto aguardam o voo. Changi foi eleito o melhor aeroporto do mundo nos últimos cinco anos pelo ranking Skytrax, uma espécie de “Oscar” da aviação.

A piscina do aeroporto de Cingapura fica dentro do Aerotel Airport Transit Hotel, localizado no terminal 1. Hóspedes do hotel podem usar gratuitamente a piscina ao ar livre, que fica no terraço do edifício. Mas quem não quiser ficar hospedado no local também pode aproveitar a piscina. É só pagar a taxa de acesso ao local, que custa 17 dólares de Cingapura (R$ 40).

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Empregado é acusado de trocar destino de malas no melhor aeroporto do mundo
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Funcionário trocou o destino das malas durante quatro meses (Foto: Lucas Lima/UOL).

Um funcionário do aeroporto internacional de Changi, em Cingapura, foi acusado de trocar 286 etiquetas de bagagem e enviar as malas dos passageiros para destinos errados. O aeroporto de Changi foi eleito o melhor do mundo nos últimos cinco anos pelo ranking Skytrax, uma espécie de “Oscar” da aviação.

Tay Boon Keh, 63 anos, compareceu à Justiça nesta semana, mas não esclareceu o que o motivou. Os casos investigados aconteceram quase todos os dias entre novembro do ano passado e fevereiro deste ano. Tray trabalhava para uma empresa terceirizada que presta serviços ao aeroporto, mas já foi demitido.

O aeroporto de Changi transporta todos os dias cerca de 70 mil malas. No ano passado, foram 59 milhões de passageiros, que voaram para 380 destinos.

Segundo o jornal “Straits Times”, de Cingapura, foram afetados passageiros das companhias aéreas Singapore Airlines, Silkair e Lufthansa. As bagagens trocadas tinham como destino os aeroportos de Hong Kong, na China; Manila, nas Filipinas; Londres, na Inglaterra; e Perth, na Austrália, entre outros.

O julgamento do caso deve ser retomado em meados de outubro. Caso seja considerado culpado, o funcionário acusado de ter feito a troca das etiquetas de bagagem pode ser condenado a até um ano de prisão e ao pagamento de multa nos 286 processos pelos quais responde.

Em entrevista ao jornal “Straits Times”, um porta-voz do aeroporto de Changi afirmou que esse foi um caso isolado, que não representou nenhum risco à segurança da aviação.

“No entanto, aprimoramos o controle de acesso e o monitoramento por câmeras de segurança da área de bagagem”, afirma.

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O que significam as placas, faixas e luzes nas pistas dos aeroportos?
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Sinalizações na pista servem para orientar os pilotos (foto: iStock)

Por Vinícius Casagrande

No caminho entre o portão de embarque e a pista de decolagem, os passageiros podem observar pela janela do avião diversas placas de sinalização, luzes coloridas e faixas pintadas no chão. Esses sinais são essenciais para os pilotos se orientarem enquanto ainda estão em solo ou até mesmo em voo.

O percurso pelas pistas do aeroporto é determinado pela torre de controle, que orienta não somente os aviões que estão voando, mas também aqueles que se deslocam em solo. Antes mesmo de deixarem o portão de embarque ou pousarem, os pilotos devem consultar a Carta de Aeródromo, um mapa com as pistas internas do aeroporto. Isso ajuda a se localizarem e entenderem melhor as orientações da torre de controle.

Marcações na pista de pouso e decolagem

Os aeroportos podem ter uma ou mais pistas de pouso e decolagem. Em Guarulhos, por exemplo, são duas pistas, enquanto Viracopos, em Campinas (SP) há apenas uma. Em todos os casos, no entanto, há várias pistas de taxiamento, que são as ruas internas do aeroporto que levam do terminal de embarque até a pista de pouso e decolagem.

Cabeceiras das pistas do aeroporto de Congonhas, em São Paulo (foto: Reprodução)

Cada pista de pouso e decolagem tem duas cabeceiras, que são as extremidades da pista. Cada cabeceira é designada por um número, que varia de 01 a 36 e que indica a orientação magnética da bússola.

Quando a cabeceira recebe o número 09, isso significa que ela está apontando para o leste (o que equivale a 090º na bússola). Isso auxilia os pilotos a se localizarem melhor na aproximação para o pouso e após as decolagens.

Quando há duas pistas paralelas em um mesmo aeroporto, elas ganham as letras L ou R para diferenciar as pistas da esquerda (Left) e da direita (Right) na visão do piloto. Se houver três pistas paralelas, a central ganha a letra C (Center).

Faixas indicam largura da pista e o local onde avião deve tocar o chão (foto: Reprodução)

Na cabeceira, ainda há listras pintadas de branco que lembram uma faixa de pedestres. Elas indicam que a pista começa naquele ponto. A quantidade de listras pintadas pode variar de acordo com a largura da pista. Em Guarulhos, são 12 listras pintadas, o que indica a largura de 45 metros. Já no aeroporto de Jundiaí (SP), são oito listras e 30 metros de largura da pista.

Em todo o comprimento da pista, há uma linha tracejada, semelhante à que divide as faixas de carros nas ruas da cidade. A função dela nas pistas dos aeroportos, no entanto, é apenas sinalizar aos pilotos o eixo central da pista. O ideal é que o trem de pouso do nariz, a roda localizada na frente do avião, percorra a pista sobre essa linha.

As faixas com três listras à frente do número da cabeceira da pista marcam o início da zona de toque do avião durante os pousos. Já a faixa mais grossa é o ponto ideal onde deve encostar o trem de pouso. Essa área tem uma cor bem mais escura, mas não é nenhuma pintura feita na pista. Ao tocar o asfalto, os pneus sofrem desgaste. O acúmulo de borracha é o que dá esse tom mais escuro.

Durante a noite, a pista de pouso e decolagem é iluminada com luzes brancas, que formam três linhas ao longo da pista, sendo duas nas laterais e uma central.

À noite, luzes orientam os pilotos no pouso e decolagem (foto: iStock)

Pistas de taxiamento dos aviões

Nas pistas de taxiamento dos aviões, as faixas são pintadas na cor amarela. As luzes utilizadas para indicar o centro da pista durante a noite, no entanto, são verdes. As lâmpadas ficam instaladas dentro do asfalto e protegidas por uma cobertura que resista à passagem dos aviões sobre elas.

A identificação das pistas de taxiamento dos aeroportos é feita por letras. Durante a comunicação entre a torre de controle e os pilotos, quando a torre indica os caminhos que o avião deve seguir dentro do aeroporto, é utilizada a designação do alfabeto fonético internacional: Alfa para A, Bravo para B, Charlie para C até Zulu para Z.

Além da localização pela Carta de Aeródromo, há também placas amarelas ao lado das pistas de taxiamento indicando os nomes de cada uma delas.

Linha contínua indica que piloto deve parar e a tracejada que a passagem é livre (foto: iStock)

Ao se aproximar da pista de pouso e decolagem, há duas linhas contínuas e duas linhas tracejadas amarelas que cruzam a pista de taxiamento. Aqui, a lógica é até semelhante à da sinalização das estradas.

Quem vai em direção às linhas contínuas não pode cruzá-las sem a autorização da torre de controle. Já para quem está no sentido oposto pode cruzar as linhas tracejadas sem autorização prévia. Na prática, quem vai decolar espera a autorização para entrar na pista e quem pousou deve deixar a pista livre o mais rápido possível.

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Capacidade do aeroporto de Brasília subiu para 25 milhões de passageiros (foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

O governo federal anunciou na semana passada a intenção de privatizar mais 14 aeroportos brasileiros. O destaque nessa rodada de privatização deve ser o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, atualmente o maior terminal operado pela Infraero. Além disso, o governo pretende vender a participação de 49% que tem, por meio da Infraero, em quatro aeroportos parcialmente privatizados.

Ao todo, dez aeroportos já estão sob controle de empresas privadas. Desses dez, seis – Guarulhos (SP), Galeão (RJ), Confins (MG), Brasília (DF), Natal (RN) e Viracopos (SP) – foram concedidos entre 2011 e 2013. Desde então, receberam mais de R$ 12,1 bilhões de investimentos para a construção de novos terminais de passageiros e estacionamentos, ampliação do pátio de aviões e melhorias nas pistas de pouso e decolagem, entre outros.

Eles também tiveram aumento significativo na capacidade de passageiros. Antes das concessões, os seis terminais podiam transportar 93,9 milhões de passageiros ao ano. Hoje, essa capacidade pulou para 161 milhões, um aumento de 71,5%.

Investimentos já realizados pelos aeroportos privatizados

Guarulhos – R$ 4 bilhões (capacidade aumentou de 36,6 milhões para 50,5 milhões de passageiros)

Viracopos – R$ 3 bilhões (capacidade aumentou de 9,3 milhões para 25 milhões de passageiros)

Galeão – R$ 2 bilhões (capacidade aumentou de 17 milhões para 37 milhões de passageiros)

Brasília – R$ 1,7 bilhão (capacidade aumentou de 14 milhões para 25 milhões de passageiros)

Confins – R$ 900 milhões (capacidade aumentou de 11 milhões para 22 milhões de passageiros)

Natal – R$ 500 milhões (capacidade para 6 milhões de passageiros – o aeroporto atual foi construído do zero e o antigo, desativado)

Novas pontes de embarque do terminal 3 de Guarulhos (Foto: Lucas Lima/UOL)

Especialistas dizem que houve melhorias

Para especialistas ouvidos pelo Todos a Bordo, os investimentos feitos nos aeroportos já privatizados melhoraram a infraestrutura aeroportuária do país, algo que, segundo eles, não seria possível casos permanecessem sob controle da Infraero.

“Os aeroportos tendem a funcionar melhor e o capital privado é muito mais ágil para fazer os investimentos. Em Guarulhos, por exemplo, tinha um aeroporto que era uma lástima e hoje funciona bem”, afirma o engenheiro aeronáutico e professor de transporte aéreo e aeroportos da Escola Politécnica da USP, Jorge Eduardo Leal Medeiros.

Mais do que a parte estética e o conforto dos passageiros, o especialista em direito aeronáutico Guilherme Amaral, sócio do escritório ASBZ Advogados, destaca a eficiência operacional dos novos aeroportos. “As pessoas não perdem mais voo porque ficaram presas em filas burocráticas de segurança, de imigração e Polícia Federal como acontecia no passado. O aeroporto novo é mais adaptado e eficiente”, afirma.

Outro ponto importante está na capacidade de operação dos aviões. Em Guarulhos, por exemplo, o número de vagas para estacionamento dos aviões subiu de 79 para 123, enquanto as pontes de embarque que dão acesso aos aviões pularam de 25 para 45. Em Confins, as pontes de embarque subiram de nove para 26.

O vice-presidente da Avianca, Tarcísio Gargioni, afirma que sem os investimentos feitos nos aeroportos concedidos à iniciativa privada, o crescimento da companhia teria sido limitado. “Para a companhia aérea, o que é bom é o cliente ser bem atendido e a companhia ter capacidade para voar para onde for necessário. Antes, a gente estava estrangulado”, afirma.

Na semana passada, a Avianca inaugurou uma nova rota entre Guarulhos e o aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). “Os investimentos geram aumento de capacidade, o que permite voar mais. Se não tivesse o aeroporto de Guarulhos e aqui (Confins) privatizados, não estaríamos com quatro voos diários. A quantidade de voos que existe em Brasília não seria possível sem ter acontecido a privatização” afirma Gargioni.

Aeroporto de Confins (MG) teve queda no fluxo de passageiros (foto: Divulgação)

Lava Jato, Infraero e queda de passageiros trouxeram problemas

Apesar das melhorias apontadas na infraestrutura dos aeroportos, alguns terminais enfrentam graves dificuldades financeiras. O caso mais emblemático é do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Depois de investir R$ 3 bilhões e acumular dívidas, os acionistas decidiram devolver a concessão ao governo.

Os grupos que venceram as licitações dos primeiros aeroportos privatizados tinham como participantes grandes empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato. Para o professor da USP, a presença de empresas que não tinham como foco a administração de aeroportos foi um problema.

“Essas primeiras concessões tiveram uma participação forte das empreiteiras, que queriam resultado a curto prazo e isso não foi possível porque houve uma queda de demanda. Isso resultou em um problema grave com saída de algumas delas e a devolução de Viracopos”, afirma.

Após investir R$ 3 bilhões, controladora de Viracopos decidiu devolver o aeroporto (foto: Divulgação)

Além disso, uma cláusula que obrigava a participação acionária de 49% para a Infraero também é vista pelos especialistas consultados como algo negativo para as concessionárias.

“Você carrega um sócio pesado e ineficiente com quase metade do seu negócio. Sem ele, tem mais liberdade de investimento e de gerenciamento e mais possibilidade de retorno. Você vai abrir um restaurante que pode te dar R$ 15 mil de lucro, mas se você tiver que dar metade disso para alguém que não te ajuda, o negócio fica menos interessante”, afirma Guilherme Amaral.

Essa questão, no entanto, foi alterada na última licitação para os aeroportos de Fortaleza, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre. O controle desses terminais não terá mais a participação da Infraero. “Acho que essas novas concessões serão muito bem-sucedidas. O modelo que foi feito é muito mais profissional”, avalia o professor Jorge Eduardo Leal Medeiros.

As concessionárias também sofreram com a queda no movimento nos aeroportos por causa da crise econômica. As companhias aéreas registraram 18 meses de baixa no número de passageiros transportados entre agosto de 2015 e janeiro de 2017. Nos últimos meses, o mercado tem apresentado uma recuperação.

“Tivemos uma retração de quase 15% no movimento de passageiros, mas somos investidores de longo prazo. Nossos acionistas acreditam no crescimento da demanda e continuamos com a melhoria na infraestrutura e planejando os próximos passos”, afirma Adriano Pinho, diretor-presidente da BH Airport, controladora do aeroporto de Confins.

Aeroporto de Congonhas deve ser a estrela do próximo lote de privatização (Foto: Agência Brasil)

Próximos passos

Na próxima rodada de privatização, os 14 aeroportos devem ser divididos em quatro blocos:

— Um bloco inclui somente o aeroporto de Congonhas, o segundo maior do país, com movimento de 21 milhões de passageiros por ano;

— O bloco do Nordeste incluirá os aeroportos de Recife (PE), Maceió (AL), João Pessoa (PB), Aracaju (SE), Juazeiro do Norte (CE) e Campina Grande (PB);

— O bloco do Mato Grosso incluirá os terminais de Várzea Grande (MT), Rondonópolis (MT), Sinop (MT), Barra do Garças (MT) e Alta Floresta (MT);

— Um quarto bloco terá os aeroportos de Vitória (ES) e de Macaé (RJ)

“Acho complicado fazer a concessão de um bloco de aeroportos do Nordeste todos juntos. Não sei até que ponto isso vai ficar de pé e quem vai estar interessado. Por outro lado, acho que tem vários aeroportos regionais que tem atraído interesse”, afirma o professor Jorge Eduardo Leal Medeiros.

Para o aeroporto de Congonhas, Guilherme Amaral avalia que, em virtude da localização do aeroporto, não há muitas possibilidades de investimento para ampliação de voos. “Serão investimentos mais voltados para o conforto dos passageiros, com mais áreas e lojas”, diz.

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