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O caminho de um avião 0 km do interior de SP até Amsterdã

Todos a Bordo

24/02/2018 04h00

Avião Embraer 175 na fábrica de São José dos Campos (Vinícius Casagrande/UOL)

Por Vinícius Casagrande

Quem compra um carro novo precisa esperar pouco mais de uma semana para sair dirigindo da concessionária. É o tempo necessário para uma última revisão do veículo e o emplacamento no Detran. No dia da retirada, basta assinar alguns documentos, receber instruções sobre o veículo e pronto.

Já as companhias aéreas enfrentam um processo bem mais complexo para comprar um avião novo. Somente o processo de escolha do modelo pode demorar mais de um ano. Quando vai introduzir um novo tipo de aeronave à sua frota, a companhia aérea avalia as opções de diversos fabricantes.

São levados em conta aspectos como adequação às rotas da empresa, custos operacionais, manutenção, treinamento da tripulação, capacidade de carga e conforto do passageiro. "Fazemos vários voos de demonstração e os executivos preenchem um questionário sobre vários pontos e características do avião", afirma Hans Werner, vice-presidente de serviços técnicos e desenvolvimento de frota da KLM.

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Com a decisão tomada, ainda pode levar alguns anos para a empresa receber todos os aviões que comprou. A companhia aérea holandesa KLM, por exemplo, optou pelos jatos E175 e E190, da Embraer, há mais de dez anos.

De um pedido total de 49 aviões, a empresa já recebeu 45 deles – os dois mais novos foram entregues na semana passada na fábrica de São José dos Campos, no interior de São Paulo, sendo um E190 e um E175. A empresa deve receber os quatro últimos aviões do pedido até abril.

Pilotos e mecânicos fazem testes em voo e no solo antes de receber um avião novo (Divulgação)

Vistoria do avião dura três dias

Quando o avião fica pronto na fábrica, a companhia aérea envia pelo menos seis pessoas para fazer a liberação da aeronave e levá-la para a sede da empresa. No caso da KLM, foram dois pilotos, dois mecânicos, uma pessoa responsável por analisar toda a documentação no Brasil e outra para fazer o registro do avião junto às autoridades holandesas.

Além da parte burocrática, os pilotos e mecânicos também fazem diversas avaliações para garantir a qualidade do avião. No primeiro dia de testes, a nova aeronave faz um voo de cerca de duas horas para os pilotos verificarem os comandos de voo. Depois do pouso, os mecânicos fazem uma avaliação dos motores do avião.

No segundo dia, o avião passar por mais testes. No solo, a aeronave é erguida por macacos hidráulicos. Com o avião suspenso, os mecânicos fazem diversos testes nos trens de pouso, comandos das asas e estabilizadores.

O último dia é destinado a avaliar a condição de toda a fuselagem do avião, incluindo detalhes da pintura. Se algum problema for encontrado, a aeronave é enviada de volta ao hangar para reparo do problema.

Somente depois que o novo avião é aprovado pelos pilotos e mecânicos, a companhia aérea faz o pagamento final. Um Embraer 190, por exemplo, custa cerca de US$ 50 milhões (R$ 162 milhões). Com o pagamento confirmado, o avião passa a exibir a matrícula (letras de registro, como a placa do carro) do país de origem da companhia aérea.

Cerimônia oficial de entrega de um novo avião na fábrica da Embraer (Vinícius Casagrande/UOL)

De São José dos Campos para Amsterdã

Os novos aviões da KLM decolaram na manhã da última sexta-feira (23) da fábrica da Embraer em São José dos Campos (SP) com destino a Amsterdã, na Holanda. Com não têm autonomia para fazer um voo direto, as aeronaves precisam fazer de duas a três paradas para reabastecimento.

O Embraer 190 faz o primeiro pouso em Recife (PE). Além de reabastecer o avião, pilotos, mecânicos e eventuais convidados também fazem todo o processo alfandegário de saída do país. De Recife, o avião viaja até Tenerife, nas Ilhas Canárias, já em território espanhol. Tripulação e convidados passam a noite em Tenerife e somente no dia seguinte fazem a última perna da viagem, até Amsterdã.

Como o Embraer 175 tem autonomia menor, é necessário fazer uma parada a mais. Assim, o avião sai de São José dos Campos, passa por Recife e depois segue para a Ilha do Sal, em Cabo Verde. No dia seguinte, o avião voa até Faro, em Portugal, para o último reabastecimento, antes de seguir até Amsterdã.

Quando chega à sede da companhia aérea, o avião passa por mais uma inspeção técnica antes de começar a realizar os voos regulares pela empresa.

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