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Não é só Embraer. Conheça outras fabricantes brasileiras de aviões

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Avião anfíbio M-22 da brasileira Seamax (foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

Terceira maior fabricante mundial de aviões, a Embraer não está sozinha na produção de aeronaves no Brasil. Em todo o país, há pequenas fabricantes que desenvolvem e fabricam aviões próprios.

Muitas dessas empresas foram criadas por engenheiros que saíram da própria Embraer com o sonho de criar seu próprio avião. A trajetória, no entanto, não é nada fácil. Fabricar aviões é um negócio que exige investimentos de longo prazo. Entre o início do projeto e a entrega do avião ao mercado, podem ser passar anos.

Confira algumas das fabricantes nacionais de aviões.

Avião anfíbio Super Petrel LS, da Scoda Aeronáutica (foto: Divulgação)

Scoda Aeronáutica

Localizada em Ipeúna, a 200 km de São Paulo, a Scoda Aeronáutica foi fundada em 1997 pelo engenheiro aeronáutico e piloto Rodrigo Scoda. A empresa produz atualmente o avião anfíbio Super Petrel LS, capaz de pousar na terra ou na água.

O avião brasileiro é uma adaptação de um modelo francês da década de 1980. A versão atual já sofreu diversas melhorias em relação ao projeto original, tanto no design como no avanço dos materiais usados, como fibra de carbono.

A aeronave brasileira é certificada pela FAA, autoridade de aviação dos Estados Unidos, e já foi vendida em diversos países da Europa, além de Canadá, Austrália e Nova Zelândia. No ano passado, um casal francês iniciou uma volta ao mundo a bordo de um Super Petrel LS produzido no Brasil.

A Scoda monta também o avião Dynamic WT-9, criado na Eslováquia pela Aerospoll.

Volato 400 produzido na fábrica da empresa em Bauru (foto: Divulgação)

Volato

A Volato, com sede administrativa em Lençóis Paulista (SP), surgiu como fornecedora da Embraer, mas o sonho de fabricar seu próprio avião falou mais alto. Os engenheiros Marcos Vilela e Zizo Sola, fundadores da empresa, procuraram, então, o projetista norte-americano Richard Trickell para desenvolver um novo modelo.

Com experiência em projetos de aviões leves nos Estados Unidos, Trickell se mudou para Bauru (SP), onde fica a fábrica da empresa, para desenvolver o Volato 400. Ele tem capacidade para quatro passageiros, velocidade de 260 km/h e autonomia para quatro horas e meia de voo.

A empresa também produz uma versão menor do avião. O Volato 200 tem capacidade para dois passageiros e velocidade de 210 km/h.

Hangar da Inpaer com aviões produzidos pela empresa (foto: Divulgação)

Inpaer

A Inpaer começou o desenvolvimento de seu avião antes mesmo da fundação da empresa, criada por Caio Jordão. Em 2001, foi criado o primeiro protótipo do modelo Conquest 160. Depois de alguns testes em solo, o avião voou pela primeira vez em abril de 2002. A criação oficial da empresa, no entanto, só aconteceu em agosto daquele ano.

No ano seguinte, a empresa criou seu segundo modelo de avião, o Conquest 180, e quatro anos mais tarde o avião Excel. O crescimento da Inpaer, no entanto, só se consolidou em 2012 com a inauguração de uma nova fábrica de 5.000 m² em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo.

Em 2014, a empresa sofreu uma reestruturação interna e recebeu investimento de R$ 35 milhões dos empresários Milton Roberto Pereira e Hélio Gardini. Nessa nova fase, a Inpaer lançou o modelo New Conquest, que ainda aguarda ser certificado pelas autoridades aeronáuticas.

Seamax já produziu 135 aviões do modelo M-22, vendidos para mais de 50 países (foto: Divulgação)

Seamax

O avião anfíbio brasileiro Seamax M-22 já conta com mais de 135 unidades voando em mais de 50 países. Foi criado pelo designer e engenheiro Miguel Rosário em 1998 e fez o primeiro voo em 2001. O M-22 tem capacidade para dois passageiros, velocidade de 185 km/h e autonomia de cinco horas de voo e pode pousar na terra e na água.

A empresa foi criada no Rio de Janeiro, mas em 2015 se transferiu para São Paulo. Com foco de vendas no mercado externo, a Seamax fez uma parceria com a Embry-Riddle Aeronautical University e planeja construir uma fábrica nos Estados Unidos.

Avião elétrico desenvolvido pela ACS Aviation (foto: Divulgação)

ACS Aviation

Criada em 2006 por um grupo de engenheiros com experiência na área aeronáutica, a empresa produz desde aeronaves acrobáticas até componentes para o mercado aeroespacial. O principal modelo produzido pela empresa é o ACS Sora-100, um avião experimental de dois lugares.

A ACS Aviation trabalha atualmente no desenvolvimento do primeiro avião elétrico tripulado brasileiro, que já está na fase de testes. O primeiro voo do SORA-e foi realizado em maio de 2015.

Com sede em São José dos Campos e, portanto, vizinha da Embraer, a empresa também presta serviços de engenharia aeronáutica para o mercado aeroespacial brasileiro.

Avião da Novaer para ser utilizado em treinamento militar (foto: Divulgação)

Novaer

Criada em 1998 para prestar serviços de engenharia aeronáutica, a Novaer iniciou a produção do primeiro protótipo do avião T-Xc somente em 2013. O modelo é um avião de treinamento militar que pode ser uma alternativa mais moderna e econômica para substituir as aeronaves T-25 Universal usadas pela FAB (Força Aérea Brasileira).

O T-Xc fez ser seu primeiro voo de testes em agosto de 2014 e, em dezembro daquele ano foi rebatizado para Novaer Sovi. O avião continua em testes e aguardando a certificação das autoridades aeronáuticas.

Ao longo da história da Novaer, seu grande negócio foi a produção de trens de pouso para aviões, como os modelos utilizados pelo avião T-27 Tucano produzido pela Embraer e utilizado pela FAB.

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