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Embraer quer turboélice para liderar todo o mercado de até 150 passageiros

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Brasília foi o último turboélice comercial produzido pela Embraer (Divulgação)

Prestes a receber a certificação do novo jato comercial E190-E2, a Embraer já está de olho em um novo nicho de mercado. A fabricante brasileira iniciou os estudos para a produção de um novo avião turboélice, com capacidade para mais de 56 passageiros.

Segundo o vice-presidente de marketing, Rodrigo Silva e Souza, a empresa tem como meta ser líder em todos os mercados de aviões com capacidade para até 150 passageiros. “Já estamos bem cobertos na faixa de cima [acima de 80 passageiros]. Agora, estamos olhando outros segmentos do mercado”, afirma.

Silva e Souza diz que o novo turboélice viria para ser um concorrente direto dos líderes do segmento, o ATR 72, da franco-italiana ATR, e o Dash 8 Q400, da canadense Bombardier. “Vemos a oportunidade de trazer um produto mais eficiente e mais confiável que os modelos atuais”, diz.

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A Embraer é líder mundial na produção de jatos regionais, com capacidade entre 80 e 140 passageiros. É exatamente por causa desse mercado que a norte-americana Boeing estaria interessada na compra da Embraer.

Com o veto do governo brasileiro em relação a uma venda completa da Embraer, a expectativa é que seja criada uma terceira empresa que envolveria apenas os aviões comerciais. O executivo da fabricante brasileira, no entanto, se recusou a comentar o andamento das negociações entre as duas empresas.

Foco em aéreas da Ásia e Europa

O turboélice da Embraer teria como foco principal a Ásia e a Europa, mercados que apresentam a maior procura por esse tipo de avião. No Brasil, a maior operadora de aviões turboélice é a companhia aérea Azul, com mais de 30 ATR 72. A empresa também tem jatos da Embraer e da Airbus.

O vice-presidente da Embraer afirmou que a empresa já começou a conversar com potenciais clientes para entender melhor as necessidades do mercado de turboélices. Segundo Silva e Souza, as principais exigências estão na redução dos custos e um avião que apresente menos problemas técnicos durante as operações.

“As companhias aéreas querem um produto confiável. Hoje, é mais comum ter atrasos e cancelamentos de voos por problemas nos turboélices do que nos jatos”, afirma.

De volta às origens

Os primeiros aviões comerciais produzidos pela Embraer foram justamente no segmento de turboélices, com o Bandeirante e o Brasília. A volta a esse mercado, no entanto, seria com um modelo completamente diferente. “Se lançarmos um turboélice, vamos usar tecnologia igual ou superior a dos jatos”, diz.

Além da área comercial, os engenheiros da Embraer também já começaram os primeiros estudos para definir a viabilidade do projeto. No entanto, o vice-presidente de marketing da Embraer diz que uma decisão final sobre a produção não deve sair nos próximos dois anos. “Não é um projeto para o curto prazo”, diz.

Novos jatos comerciais

A área de desenvolvimento da Embraer tem se dedicado nos últimos anos ao desenvolvimento dos novos jatos comerciais E190-E2, E195-E2 e E175-E2. A expectativa é que o primeiro modelo receba o certificado de operação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) nos próximos dias.

O primeiro E190-E2 será entregue em abril à companhia aérea norueguesa Widerøe. O avião já está pintado e recebendo os últimos acabamentos no hangar da Embraer em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

Maior avião comercial já produzido pela Embraer, o E195-E2 deverá ser o segundo modelo da nova geração a entrar em operação. A expectativa é que a brasileira Azul receba o primeiro avião em 2019. Terceiro e menor membro da família de novos jatos comerciais, o E175-E2 deve chegar ao mercado somente em 2021.

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