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Congonhas, 80, já teve Carnaval e foi “point” para ver avião subir e descer

Todos a Bordo

12/04/2016 06h00

Movimento de pessoas na entrada do aeroporto de Congonhas em 1960. (Créditos: Acervo UH/Folhapress)

Em outros tempos, o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, foi palco de grandes bailes de Carnaval, virou "point" paulistano com sua cafeteria 24 horas e local de diversão nos finais de semana, quando a população se reunia para ver os pousos e decolagens. Havia uma área onde as pessoas simplesmente se sentavam para ver os aviões saindo e chegando.

Congonhas completa 80 anos de operações nesta terça-feira (12). Considerado um dos mais movimentados do Brasil, com aproximadamente 52.800 pessoas embarcando e desembarcando por lá diariamente, o aeroporto registra cerca de 585 pousos e decolagens para mais de 30 destinos diretos.

Inaugurado em 1936, Congonhas já teve momentos de glória. Desde 1957, já era o terceiro aeroporto do mundo em volume de carga aérea. Mas também já amargou com a ociosidade por um longo período, após os voos internacionais serem direcionados para outros aeroportos.

Veja algumas curiosidades de seus 80 anos de vida:

Avião da Varig no aeroporto de Congonhas em data desconhecida. (Créditos: UH/Folhapress)

– O aeroporto foi construído em um local livre de enchentes

O governo de São Paulo escolheu a área após alguns estudos que tinham o objetivo de encontrar um lugar que não estivesse sujeito a enchentes, tão comuns no Campo de Marte, um aeroporto para aviões de pequeno porte também em São Paulo. A princípio, o local foi criticado por ser muito distante e descampado. Foi só no final da década de 60 que a região em volta do aeroporto teve uma forte expansão residencial e comercial.

Trabalhadores no aeroporto de Congonhas, em 1964 (Créditos: Acervo UH/Folhapress)

– Por 50 mil réis, população pode voar na inaguração do aeroporto

Em 1936, a pista experimental do aeroporto foi testada publicamente pela primeira vez em um evento batizado de "tarde da aviação". Cerca de 8.000 pessoas foram ver os pousos e as decolagens feitas por pilotos civis e militares renomados. Alguns pilotos civis aceitaram, inclusive, levar os passageiros em seus aviões, desde que pagassem a quantia de 50 mil réis por 10 minutos de voo. Ver os aviões decolando e pousando virou um passeio para os moradores da capital. Muitos se reuniam na famosa "prainha", um local bem próximo da pista de onde era possível observar tranquilamente a movimentação das aeronaves.

– Em 1936, a pista experimental era de terra e tinha 300m de extensão

Caravelle, um dos primeiros aviões comerciais a jato do mundo, pouco antes de aterrissar na pista do aeroporto de Congonhas, em 1957. (Créditos: Acervo UH/Folhapress)

No momento da inauguração, a pista estava situada em uma colina alta e descampada, tinha 300m de extensão e era feita de terra batida. No projeto inicial, previa-se a construção de quatro pistas, com 1.200m de extensão cada uma. Atualmente, o aeroporto tem duas pistas, uma com 1.940 m de extensão e outra com 1.435 m.

– O nome é em homenagem ao Visconde de Congonhas

Lucas Antônio Monteiro de Barros (1823-1851), o Visconde de Congonhas do Campo, foi o primeiro governante da Província de São Paulo após a independência do Brasil, em 1822. Congonhas também é o nome de um tipo de erva-mate comum em Minas Gerais, na região onde está Congonhas do Campo, cidade natal do governante.

– O local já foi palco de animados bailes de Carnaval e "point" do café

Até a década de 70, o segundo piso do aeroporto, hoje utilizado pela administração, abrigava animados bailes de Carnaval promovidos por um tradicional clube da cidade chamado Arakan. No salão, também acontecia casamentos e festas de formatura nos anos 60 e 70.

Na época, o serviço de café do aeroporto era o único na cidade que funcionava 24 horas. Durante anos, visitar a cafeteria após uma noite de festa era visto como um dos programas "chiques" da capital.

– Ponte aérea Rio-São Paulo

Balcões de check in do aeroporto de Congonhas em 1959, quando foi inaugurada a Ala Internacional e a ponte aérea Rio-São Paulo. (Créditos: Acervo UH/Folhapress)

Embora os voos regulares entre São Paulo e Rio de Janeiro já existissem, foi apenas em 1959 que a ponte aérea Rio-São Paulo foi oficialmente inaugurada. O conceito surgiu depois que os executivos das extintas companhias Varig, Cruzeiro e Vasp se uniram para vencer a concorrência com outra companhia aérea da época, a Real.

As três companhias passaram a oferecer decolagens em conjunto que saiam com frequência de uma hora. Os passageiros podiam embarcar no primeiro voo disponível, independentemente da companhia. No mesmo ano, a ala internacional do aeroporto começou a funcionar.

Sala de operação de voo do aeroporto de Congonhas, em 1962, de onde o operador vê o pátio de taxiamento. (Crédito: Acervo UH/Folhapress)

 

– Pavilhão de autoridades

Em 1959, Fidel Castro, embarca rumo a Brasília (DF).  (Créditos: Acervo UH/Folhapress)

Na década de 1950, o aeroporto construiu uma área exclusiva para o embarque e desembarque de autoridades e visitas ilustres. O ex-líder cubano Fidel Castro foi um deles. O salão tem decoração requintada com obras de arte. No começo do ano, o pavilhão foi destaque nos noticiários por ter sido o local escolhido pela Polícia Federal para o depoimento do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva em uma das fases da Operação Lava a jato.

Cerimônia de entrega oficial dos dois "aerobus", veículos adquiridos pelo aeroporto de Congonhas para fazer o transporte dos passageiros da estação de embarque para o avião e vice-versa, em São Paulo (SP). (Crédito:  Zilli/Acervo UH/Folhapress)

A aviadora brasileira Ada Rogato ao lado de seu avião Cessna, apelidado de "Brasil", no aeroporto de Congonhas, em São Paulo (SP). Com o objetivo de divulgar os 50 anos do primeiro vôo de Santos Dumont, a aviadora se prepara para voar 170 horas, visitando todas as capitais e territórios do país, percorrendo cerca de 26 mil quilômetros a ordo de seu Cessna. (Créditos: Manuel de Souza/Folhapress)

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