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Arquivo : segurança no voo

Consultoria alemã faz ranking das empresas aéreas mais seguras do mundo
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Emirates foi eleita a mais segura do mundo pela consultoria alemã Jacdec (Divulgação)

A consultoria alemã Jacdec (Jet Airliner Crash Data Evaluation Centre) elegeu a companhia aérea Emirates, dos Emirados Árabes Unidos, como a mais segura em 2017. Na sequência, aparecem a norueguesa Norwegian Air Shuttle e a britânica Virgin Atlantic Airways.

A Jacdec ainda não revelou todas as companhias que foram avaliadas. Na lista que foi divulgada, com as 20 primeiras, não consta nenhuma brasileira. No total, a lista terá 100 companhias, mas nem todas foram divulgadas ainda.

A lista não considera só o número de acidentes, mas também as condições gerais das companhias: tamanho da frota, idade média dos aviões, condições meteorológicas e geográficas das regiões onde opera, histórico de auditorias realizadas pelas autoridades aeronáuticas, transparência e rigor das autoridades aeronáuticas de seus países de origem, entre outros.

Na divulgação inicial do ranking, a consultoria alemã listou apenas as 20 companhias aéreas mais seguras do mundo. Nenhuma das quatro principais empresas brasileiras aparece na relação inicial. No entanto, o Brasil é citado no relatório como um dos países com “alto nível de transparência” em relação à segurança da aviação, o que ajuda a melhorar o índice das companhias nacionais.

A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) declarou que não irá comentar o ranking da Jacdec, mas que “a aviação comercial mundial e aviação comercial brasileira (um dos maiores mercados globais) vivem atualmente o período mais seguro de toda a história”. “Como resultado do trabalho realizado por agentes públicos e privados, nossa aviação é referência internacional”, afirma.

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No ranking deste ano, a consultoria avaliou as 100 maiores companhias aéreas do mundo e utilizou 33 parâmetros para definir o índice de segurança de cada uma das empresas.

Para criar o ranking, todas as companhias começam com o índice de 100% de segurança. Após analisar todos os parâmetros envolvidos no estudo, as empresas passam a perder pontos de acordo com possíveis falhas verificadas. Segundo a consultoria, os principais pontos para ter um índice elevado são:

– Não ter acidentes fatais nos últimos 30 anos

– Operar voos de longa distância

– Ter aviões novos (de preferência com idade média da frota entre três e nove anos)

– Ser aprovada em todas as inspeções de segurança das autoridades internacionais e locais com as notas mais altas

– Não operar os voos em operações de risco, como má condição do tempo, locais com geografia acidentada e não ter muitas rotas transoceânicas

– Estar sediada em um país no qual as autoridades aeronáuticas trabalhem com transparência na questão de segurança de voo

2017 foi o ano mais seguro da história da aviação

Segundo dados da Jacdec, o ano de 2017 foi o mais seguro da história da aviação no mundo. No último ano houve apenas 11 acidentes fatais, resultando em 44 mortes. Em 2016, haviam sido 19 acidentes e 321 mortes. A consultoria analisa apenas casos de aviões com mais de 5,7 toneladas e capacidade acima de 19 passageiros.

Os números são semelhantes aos da Aviation Safety Network, organização independente baseada na Holanda, que registrou dez acidentes com 40 mortes no último ano. Segundo a organização holandesa, o ano passado registrou um acidente a cada 7,3 milhões de voos.

Veja a relação das companhias aéreas mais seguras do mundo, segundo a Jacdec:

1º Emirates (Emirados Árabes Unidos): 93,61%

2º Norwegian Air Shuttle (Noruega): 93,26%

3º Virgin Atlantic Airways (Reino Unido): 92,87%

4º KLM (Holanda): 92,77%

5º EasyJet (Reino Unido): 92,75%

6º Finnair (Finlândia): 92,67%

7º Etihad Airways (Emirados Árabes Unidos): 92,56%

8º Spirit Airlines (Estados Unidos): 92,18%

9º Jetstar Airways (Austrália): 92,12%

10º Air Arabia (Emirados Árabes Unidos): 92,09%

11º Vueling Airlines (Espanha): 92,02%

12º Cathay Pacific (Hong Kong): 91,88%

13º El Al (Israel): 91,84%

14º Singapore Airlines (Cingapura): 91,78%

15º Eva Air (Taiwan): 91,55%

16º Eurowings (Alemanha): 91,41%

17º JetBlue Airways (Estados Unidos): 91,40%

18º Capital Airlines (China): 91,36%

19º Oman Air (Omã): 91,28%

20º Air Canada (Canadá): 91,20%

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Incidentes causados por passageiro de avião diminuem, mas ficam mais graves
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Houve queda de 9,37% no número de incidentes causados por passageiros (Foto: Getty Images)

O número de incidentes causados por passageiros de avião caiu 9,37% no ano passado, segundo um relatório da Iata, a associação internacional de companhias aéreas, divulgado neste mês. Em 2016, passageiros causaram problemas em 9.837 voos em todo o mundo, contra 10.854 casos registrados no ano anterior.

Isso representa um incidente a cada 1.424 voos. Em 2015, esse índice era de um caso para cada 1.205 voos. Desde que os dados começaram a ser analisados, em 2007, foram registrados 58.921 incidentes causados por passageiros durante as viagens aéreas.

Incidentes são situações que fogem dos padrões durante o voo, mas que não necessariamente chegam a causar um acidente de fato.

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Casos mais graves aumentam

Apesar da queda no número total de casos reportados para a Iata, a associação das companhias aéreas se mostra preocupada com o aumento de casos mais graves.

A grande maioria das ocorrências ainda é de situações mais leves, como agressões verbais, desrespeito às instruções da tripulação ou recusa de seguir alguns procedimentos de segurança. Esses casos representam 87% das ocorrências.

Os incidentes de nível 2 tiveram um aumento de 11% em 2015 para 12% no último ano. São problemas causados por agressões físicas, atos obscenos, ameaças de violência ou danos aos equipamentos de emergência e segurança. “São situações difíceis de gerenciar dentro de um avião”, afirma o relatório da Iata.

Apesar de representar apenas 1% dos casos, os incidentes mais graves foram os que tiveram o maior aumento proporcional, com crescimento de 49,5%. Enquanto 2015 registrou 113 situações de perigo real, no ano passado foram 169 incidentes graves causados pelos passageiros. São casos que podem colocar a vida de outros passageiros em risco ou tentativas de abrir a porta da cabine dos pilotos.

Álcool é a principal causa de problemas

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas e outras drogas é o principal responsável pelos incidentes causados por passageiros de avião, com 33,4% das ocorrências.

“O problema está relacionado ao consumo antes do embarque na aeronave ou álcool comprado nos aeroportos para ser consumido a bordo sem a conhecimento da tripulação. O nível de intoxicação pode não ser aparente no tempo de embarque”, afirma o relatório da Iata.

Entre os problemas de passageiros que se recusaram a seguir os procedimentos de segurança, mais da metade está relacionada a pessoas que tentaram fumar a bordo. Outros casos são de passageiros que se recusaram a desligar os aparelhos eletrônicos ou a afivelar o cinto de segurança.

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Drone bateu em avião na Argentina; EUA registram 100 casos de risco por mês
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Os voos de drones próximos aos aeroportos têm colocado em risco diversos jatos comerciais de passageiros ao redor de mundo. No último sábado (11), um Boeing 737 da companhia aérea Aerolineas Argentinas foi atingido por um drone (espécie de aeronave não tripulada e pilotada à distância) quando se aproximava do pouso em Buenos Aires.

O avião viajava de Trelew, também na Argentina, para o aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires. O Boeing 737 estava a apenas 67 metros do solo quando os pilotos avistaram um drone, que bateu na parte da frente do avião. O incidente não gerou danos à aeronave, que pousou logo em seguida.

Segundo o site especializado The Aviation Herald, o piloto, que não foi identificado, comunicou a colisão com o drone à torre de controle de Buenos Aires. “Esse drone não vai voar nunca mais. Nós o atingimos com o nariz do avião. Se tivesse acertado o motor, teria causado uma pane”, afirmou. O caso está sob investigação das autoridades de aviação civil da Argentina.

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No dia seguinte, domingo, o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, teve de ficar fechado por mais de duas horas por causa da presença de um drone na rota de pouso dos aviões. Pilotos de companhias aéreas avistaram visualmente o drone próximo à pista de Congonhas e avisaram a torre de controle. Nenhum avião foi atingido pelo drone, mas pelo menos 45 voos foram afetados.

O Brasil tem atualmente 24 mil drones cadastrados na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Segundo a legislação brasileira, ao colocar em risco as operações aéreas, o piloto de drone pode ser condenada a pena de prisão de 2 a 5 anos.

Mais de 100 casos por mês nos Estados Unidos

A aproximação de drones com aviões tem causado sérias preocupações à autoridade de aviação civil dos Estados Unidos (FAA). O órgão afirma que os casos “cresceram dramaticamente nos últimos dois anos”.

Atualmente, a FAA recebe mais de 100 relatórios por mês sobre a presença de drones nas rotas de aviões, tanto comerciais como particulares. No último balanço divulgado, que abrange os meses de janeiro a março deste ano, foram registrados 404 casos de pilotos que avistaram drones próximos das aeronaves.

“A agência quer enviar uma mensagem clara de que operar drones em torno de aviões, helicópteros e aeroportos é perigoso e ilegal. Os operadores não autorizados podem estar sujeitos a multas rígidas e encargos criminais, incluindo a possibilidade de prisão”, afirma a FAA.

O relatório da agência norte-americana afirma que trabalha em uma campanha de educação dos usuários de drones para que operem os equipamentos sempre dentro das regras. Segundo a agência, há também o desafio de identificar e punir quem opera drones de forma irregular.

“A agência também está trabalhando em estreita colaboração com forças policiais para identificar e investigar as operações não autorizadas de aeronaves não tripuladas. A FAA emitiu penalidades civis por uma série de voos não autorizados em várias partes do país e tem muitos casos de execução aberta. A FAA encoraja o público a denunciar operações não autorizadas de drone e a ajudar a desencorajar essa atividade ilegal e perigosa”, diz a agência norte-americana.

Outros casos pelo mundo

Em agosto, a presença de um drone próximo ao aeroporto de Lisboa, em Portugal, também fez com que dois aviões tivessem de abortar o pouso, sendo que um deles acabou sendo desviado para a cidade do Porto.

Como no caso de Congonhas, a presença do drone foi notificada pelos próprios pilotos. A polícia portuguesa foi acionada, mas também não conseguiu localizar o dono do drone. Portugal tem registrado casos recorrentes de aproximação entre drones e aviões comercial. O mês mais perigoso no país foi junho, quando foram registrados oito casos semelhantes.

Diversos outros países também já registraram casos de quase colisão entre drones e aviões comerciais. Na Suíça, um Airbus A330 se aproximava do pouso quando, a cerca de 20 km da pista, passou a apenas 10 metros de distância de um drone com cerca de um metro de diâmetro.

Em Londres, no Reino Unido, o aeroporto de Gatwick teve de ser fechado em julho por causa da presença de um drone. Na ocasião, cinco voos tiveram de ser desviados para evitar a colisão com o objeto.

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Manutenção e treinamento dos pilotos são os fatores principais para garantir a segurança (foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

Considerado o meio de transporte mais seguro do mundo, o avião ainda causa medo em muitos passageiros. Quando a viagem tem de ser feita em um avião de pequeno porte, esse medo tende a ser maior. Essa preocupação faz sentido?

“Um avião pequeno tem a mesma segurança que um avião grande, desde que bem voado. O piloto bem treinado vai fazer um voo seguro tanto no avião grande como no avião pequeno”, afirma o comandante Miguel Ângelo, diretor de segurança operacional da Aopa Brasil (Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves).

Segundo o comandante Miguel Ângelo, os principais fatores que afetam a segurança do voo são a capacitação dos pilotos, a manutenção das aeronaves e a padronização das operações. A principal diferença entre os aviões de pequeno porte e os de grande porte está nos limites operacionais.

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Cessna Skylane é o modelo mais popular no Brasil (Foto: Divulgação)

É que as aeronaves menores são muito mais sensíveis às condições climáticas do que as maiores. Os jatos comerciais, por exemplo, conseguem pousar com ventos fortes que inviabilizariam a operação de aviões pequenos.

“Se você respeitar as características do voo e da máquina que você está voando, ele é seguro.

Tem de conhecer as limitações do local em que você está voando, as limitações da máquina e as próprias limitações do piloto. Não dá para voar um avião pequeno e achar que vai ter a performance e o desempenho de um avião grande”, afirma o comandante.

Pressão sobre os pilotos

No entanto, muitos pilotos da aviação de pequeno porte, mesmo sabendo das condições desfavoráveis para um voo seguro, acabam decolando por conta da pressão do patrão ou de clientes e medo de demissão. Para o diretor de segurança operacional da Aopa, isso é um dos fatores que fazem com o índice de acidentes com aviões de pequeno porte seja maior do que na aviação comercial.

“Isso ocorre por conta dos padrões de segurança e do treinamento. Uma das nossas brigas, que trabalhamos com segurança de voo, é como aplicar tudo o que nós sabemos na aviação grande também na aviação pequena”, afirma.

O comandante afirma, no entanto, que a maioria dos pilotos da aviação de pequeno porte segue à risca de os padrões de segurança. “Tem muito piloto de avião pequeno que faz simulador nos Estados Unidos tanto quanto os pilotos de Boeing ou Airbus. O avião só não é seguro quando o piloto não tem treinamento e o avião não tem manutenção. Todos os aviões são seguros se respeitar as regras e os limites de segurança”, diz.

Aviões maiores voam em altitudes maiores e, por isso, sofrem menos turbulência (Foto: Getty Images)

Aviões menores sofrem mais turbulência?

Outra reclamação comum dos passageiros é que os aviões de pequeno porte sofrem mais turbulência durante o voo. O comandante Miguel Ângelo afirma que isso, de fato, acontece, mas o problema não está relacionado com o tamanho do avião, mas sim com a velocidade e a altitude do voo.

Os aviões comerciais voam, geralmente, a 10 mil metros de altitude, enquanto os turboélices não passam de 5.000 metros e aviões monomotores chegam somente a 3.000 metros de altitude. O problema é que quanto mais baixo o voo, mais agitado é o ar. “Não é que o avião pequeno sofre mais com a turbulência. O lugar onde ele voa é que tem mais turbulência. Além disso, os aviões a jato voam mais rápido e ficam menos tempo nessas condições desfavoráveis”, diz.

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Sistema grava todos os dados do voo e ação dos pilotos (Foto: southerlycourse/Getty Images)

Por Vinícius Casagrande

Sempre que ocorre um acidente de avião, a primeira providência dos investigadores é procurar pela caixa-preta para analisar todos os dados do voo. O equipamento tem capacidade para gravar informações das últimas 27 horas de voo, mas que são analisadas somente em caso de um acidente ou uma ocorrência grave com a aeronave.

No entanto, mesmo quando nada de anormal acontece durante o voo, um outro sistema transmite todos os dados do avião para as companhias aéreas avaliarem o desempenho da aeronave, a ação dos pilotos e até mesmo as condições dos aeroportos de decolagem e pouso.

Com isso, as companhias aéreas conseguem saber logo após o pouso se os pilotos fizeram algo fora dos padrões de segurança ou se o avião apresentou algum problema que necessita de alguma intervenção da equipe de manutenção.

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Os dados são transmitidos via internet, por uma rede de telefonia móvel, automaticamente assim que os motores do avião são desligados, sem qualquer interferência dos pilotos. No Departamento de Segurança Operacional das companhias aéreas, as informações são avaliadas pelo sistema FOQA (Flight Operational Quality Assurance, ou Garantia de Qualidade Operacional de Voo), também chamado de FDM (Flight Data Monitoring, ou Monitoramento de Dados de Voo).

Esse sistema de controle de qualidade dos voos começou a ser implementado pelas companhias aéreas no Brasil em 2002 por determinação do antigo DAC (Departamento de Aviação Civil), que foi substituído pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

O coordenador de segurança operacional da Latam e copiloto de Boeing 777, Ricardo Virgílio, afirma que o objetivo do FOQA é monitorar constantemente os voos para identificar com antecedência se algum fator pode vir a colocar em risco a segurança operacional.

“A principal função é uma análise de tendência de todo o trabalho e como está o resultado final do voo. O nosso objetivo é que haja zero acidente. Quando o FOQA identifica alguma tendência, a gente analisa os motivos de isso acontecer. Com essas informações, podemos solicitar mudanças na legislação e até nos manuais dos aviões, como melhorar uma figura, por exemplo, para haver uma interpretação mais precisa dos mecânicos. Tudo o que gente faz é a gestão da segurança”, afirma.

Voo pode ser recriado em simulador para análise de todos os detalhes (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Controle de qualidade dos pilotos

O sistema FOQA funciona também como um vigia da ação dos pilotos. As companhias aéreas têm rígidos padrões que devem ser seguidos por todos os tripulantes em todas as etapas do voo. Se durante o voo essas regras não são seguidas, o sistema emite um alerta.

Quando isso acontece, o Departamento de Segurança Operacional faz uma análise completa de todo o voo. Com os dados coletados, o voo pode ser inteiramente recriado em um simulador. A equipe de controle de qualidade avalia todos os procedimentos adotados e pode até mesmo chamar os pilotos para dar explicações sobre as atitudes tomadas.

Segundo o coordenador de segurança operacional da Latam, nos mais de 19 mil voos mensais da companhia, há uma média de cinco ocorrências mensais. O caso mais comum são falhas durante a aproximação para o pouso.

Os pilotos são orientados a deixar o avião completamente ajustado para o pouso quando estão a uma altura de 1.000 pés (305 metros) em relação ao solo. Isso significa ajustar a velocidade correta, baixar o trem de pouso e estender os flapes do avião, entre outros procedimentos.

“Às vezes, o avião só fica completamente estabilizado a 900 pés (275 metros). Isso não chega a ser um risco, mas já está fora dos padrões determinados pela companhia. Nesse caso, a recomendação é que o piloto arremeta e faça uma nova aproximação. Quando isso não acontece, ele pode ser chamado para dar explicações”, afirma Virgílio.

Isso não significa, no entanto, que o piloto poderá ser punido pela companhia aérea. “Quando trazemos os pilotos, é de forma preventiva para entender o que aconteceu. Ele pode ter feito algo por determinação do controle de tráfego aéreo, para desviar de uma tempestade ou por outro motivo. O importante é analisar a situação”, relata.

Outro caso citado pelo coordenador de segurança operacional da Latam é o de um voo que tocou a pista próximo ao limite estabelecido pela companhia. Os padrões da Latam determinam que o trem de pouso deve tocar no solo antes de percorrer 40% da pista (tendo pelo menos mais 60% da pista para frear). Nesse caso, o avião pousou após sobrevoar 37% da pista.

“Foi um caso em que nem os passageiros nem os pilotos perceberam nada de diferente. Ainda estava dentro do padrão, mas próximo do limite. Então, quisemos entender o que tinha acontecido”, explica.

Outros casos que podem ser avaliados são pouso brusco, arremetida anormal, decolagem abortada e proximidade com outro avião em voo.

Sistema avalia até a qualidade das pistas

Com os dados analisados pelo sistema FOQA, as companhias aéreas podem determinar algumas ações para mitigar os riscos de um acidente aéreo por conta da deficiência da infraestrutura aeroportuária. O piloto da Latam cita o caso, por exemplo, do aeroporto de Rio Branco (AC). O sistema de controle de qualidade dos voos mostrou que os aviões estavam demorando mais para frear.

“A gente começou a identificar uma deficiência na frenagem naquela pista. Falamos com as outras empresas e eles também estavam identificando o problema, mas não podíamos parar a operação de todas companhias aéreas, até pelo impacto social que isso causaria. Para mitigar esse risco, proibimos as operações com pista molhada e passamos a utilizar um avião menor para reduzir o peso até que a pista ficasse melhor novamente”, afirma.

Vírgilo afirma que muitas vezes os próprios administradores dos aeroportos entram em contato com o Departamento de Segurança Operacional das companhias aéreas para solicitar uma análise das condições de suas pistas. “Quando pedem isso, a gente para tudo o que está fazendo para realizar essa análise. É esse trabalho conjunto que garante a segurança operacional”, diz.

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Quanto mais alto, melhor: como a altitude afeta o desempenho dos aviões
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Aviões comerciais voam entre 10 km e 12 km de altitude

Os aviões comerciais, independentemente da rota que estão fazendo, costumam voar sempre na mesma altitude, entre 10 km e 12 km em relação ao nível do mar. A escolha dessa altitude padrão tem uma razão bem simples: economia de combustível, mais segurança e conforto dos passageiros.

Conforme sobem, os aviões encontram uma atmosfera com ar mais rarefeito, com uma concentração menor de gases. Com isso, precisam de menos combustível para realizar a queima dentro do motor. Como existem menos moléculas de ar na altitude, também são necessárias menos moléculas de combustível.

Além disso, com o ar rarefeito, o avião encontra menos resistência para se deslocar, o que faz com que a força que o motor tem de fazer em altitude também seja menor, economizando ainda mais combustível.

Seria lógico imaginar, então, que se os aviões voassem ainda mais alto, a economia de consumo seria maior. O problema é que a partir de uma determinada altitude, que varia de acordo com cada modelo de avião, eles atingem o chamado teto operacional (em torno dos 12 km de altitude). Quando isso acontece, o ar fica tão rarefeito que já não é suficiente para realizar a queima do combustível no motor.

Quanto mais longe do chão, mais seguro para um pouso de emergência

Outra vantagem de voar o mais alto possível é que, caso haja algum problema durante o voo, os pilotos têm mais tempo para tentar encontrar uma solução. Mesmo que todos os motores do avião parem, por exemplo, o avião ainda consegue fazer uma descida suave, como se estivesse se aproximando para o pouso.

Quanto mais alto o avião estiver, mais tempo ele terá para chegar até o solo e maiores as chances de os pilotos encontrarem uma pista para pousar em segurança. Em 2001, por exemplo, um Airbus A330 da companhia aérea Air Transat com 306 pessoas a bordo ficou sem combustível quando sobrevoava o oceano Atlântico. O avião conseguiu planar por meia hora e percorrer 120 km até pousar em segurança na pequena Ilha Terceira, no arquipélago dos Açores, em Portugal.

Altitude também aumenta o conforto

A altitude também aumenta o conforto dos passageiros. No nível de voo dos aviões comerciais, a atmosfera também é mais calma. O resultado é que os aviões encontram bem menos turbulência.

A formação de nuvens e chuva ocorrem somente próximas à superfície da Terra. É por isso que sempre que os passageiros olharem pela janela do avião encontrarão o céu limpo. O único fenômeno que pode causar turbulência por ali é o vento.

Em altitudes elevadas, existem as chamadas correntes de jato. São grandes corredores de vento que atingem velocidades acima dos 100 km/h. O problema é que os radares meteorológicos dos aviões não conseguem identificar essas correntes, e a turbulência pode acontecer de forma repentina, sem dar chances para o piloto desviar. Por isso, mesmo com o céu limpo, é recomendado estar sempre com o cinto de segurança.

As maiores altitudes já atingidas por aviões

Enquanto os aviões comerciais tradicionais voam a altitudes entre 10 km e 12 km, as viagens no supersônico Concorde, além de bem mais rápidas, atingiam altitudes bem maiores. O Concorde podia chegar a mais de 18 km de altitude. A bordo do avião, os passageiros podiam ver até mesmo a curvatura da Terra.

O recorde de altitude em voo, no entanto, pertence a um avião militar. Em 1997, o russo Alexandr Fedotov, a bordo de um caça soviético MiG-25M, atingiu 37,6 km acima do nível do mar.

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Mudança climática vai elevar em 150% turbulência grave em avião, diz estudo
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Turbulências em altitudes elevadas devem ser mais frequentes (Foto: Getty Images)

As mudanças climáticas devem deixar os voos mais instáveis no futuro. Segundo um estudo publicado na revista científica Advances in Atmospheric Sciences, as turbulências de ar claro – quando não há a presença de nuvens – em altitudes elevadas devem crescer.

O estudo simulou, em um supercomputador, como as correntes de vento devem ser alteradas por conta do aumento de dióxido de carbônico na atmosfera. A principal mudança será o aumento das tesouras de vento, o movimento vertical do vento que causa a turbulência.

“Estudos de modelos climáticos indicam que a quantidade de turbulências moderadas ou severas de ar claro em voos transatlânticos no inverno vão crescer significativamente no futuro conforme o clima muda”, afirma o pesquisador Paul D. Williams, que conduziu a pesquisa na Universidade de Reading.

Williams utilizou dados de 21 modelos de turbulência e a referência de um avião em voo transatlântico a 12 mil metros de altitude. No computador, simulou a atmosfera com o dobro de dióxido de carbono em relação ao atualmente presente na atmosfera. O resultado foi o aumento na frequência de todos os níveis de turbulência.

– Turbulência leve: aumento de 59%

– Turbulência de leve a moderada: aumento de 75%

– Turbulência moderada: aumento de 94%%

– Turbulência de moderada a severa: aumento de 127%

– Turbulência severa: aumento de 149%

Enquanto as mais leves geram apenas um leve balanço no avião, nas severas alguns passageiros podem até mesmo se machucar ao caírem no corredor ou mesmo serem arremessados contra o teto do avião.

O que é a turbulência de ar claro?

Normalmente, as turbulências são associadas a períodos de clima ruim. No entanto, mesmo sem nenhuma nuvem no céu, pode ocorrer uma instabilidade no ar que gera a turbulência de céu claro, normalmente formadas pelas correntes de jato em altitudes elevadas.

As correntes de jato são áreas com ventos que chegam a mais de 100 km/h, presentes em regiões de clima subtropical. Elas são causadas por variações na temperatura do ar em virtude do encontro do ar polar com o ar quente equatorial, que se intensificam no inverno.

Nessas regiões, há ainda a movimentação vertical do ar, conhecida como tesouras de vento. A circulação do vento em diferentes direções é que causa a turbulência.

Como a turbulência de ar claro não pode ser prevista nem mesmo pelos radares meteorológicos dos aviões, ela surgem de forma repentina. Nos casos mais graves, pode gerar diversos danos, como derrubar objetos e até mesmo arremessar os passageiros contra o teto do avião. É por isso que os especialistas em segurança de voo recomendam que os passageiros utilizem o cinto de segurança durante todo o voo.

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Treino do A380 inclui remover 500 pessoas em 90 segundos e fazer maquiagem
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Simulador do A380 é usado no treinamento de novos tripulantes. Foto: Claudia Andrade/UOL

Trabalhar a bordo do maior avião de passageiros do mundo, o A380, exige um treinamento de oito semanas. No centro de preparação de comissários da Emirates, em Dubai, nos Emirados Árabes, os tripulantes recém-contratados têm aulas de segurança em simuladores, são preparados para lidar com situações de emergência e também recebem dicas sobre apresentação pessoal, o que inclui orientações sobre maquiagem e uso do uniforme.

No final de março, a Emirates começou a usar o A380 na rota São Paulo – Dubai, o primeiro voo comercial regular do gigante para a América do Sul. A configuração do avião tem capacidade para 491 passageiros, nas classes econômica, executiva e na primeira classe, em dois andares.

Um dos escorregadores infláveis utilizados em saídas de emergência do A380. Foto: Claudia Andrade/UOL

Um dos principais pontos do treinamento é aprender como reagir em situações de emergência. Por exemplo, é preciso retirar os quase 500 passageiros do avião em no máximo 90 segundos. Ao todo, o avião tem dez saídas de emergência no andar inferior e seis no superior.

Os tripulantes também aprendem a abrir e fechar as portas do avião. Foto: Claudia Andrade/UOL

No centro de treinamento da companhia aérea há uma réplica do A380, com os escorregadores infláveis usados para saída rápida do avião, e uma piscina usada para simular uma aterrissagem na água.

No simulador são reproduzidas diferentes situações a bordo, incluindo o barulho dos motores no momento da decolagem, ou como seria a visão pela janela do avião no caso de um motor pegar fogo. Há ainda uma sala somente para os comissários aprenderem a abrir e fechar as portas do avião.

Reprodução da classe executiva no centro de treinamento. Foto: Claudia Andrade/UOL

As simulações também são feitas em uma reprodução do Boeing 777, o outro avião operado pela Emirates.

O treinamento aborda também cuidados médicos, uso de equipamentos de segurança e como se defender contra ameaças como sequestro ou ameaça de bomba, por exemplo.

A cada ano, os tripulantes devem voltar ao centro de treinamento por 2 dias para renovar seus conhecimentos e sua licença de voo.

Cuidados com a maquiagem e com os cabelos fazem parte do treinamento. Foto: Claudia Andrade/UOL

Batom vermelho deve combinar com uniforme

O treinamento inicial abrange outros aspectos além da segurança. Um deles é a maquiagem usada pelas comissárias. Na aula, as funcionárias são orientadas sobre cuidados com a pele, sobre como prender os cabelos, e sobre maquiagem.

Por exemplo, aprendem que devem usar batom vermelho num tom que combine com a marca da empresa.

Os homens também participam da aula, com foco maior nos cuidados com a pele. Nesta aula os tripulantes também são orientados sobre os cuidados com o uniforme.

Comissários devem conhecer os produtos vendidos a bordo, como joias. Foto: Claudia Andrade/UOL

10% de comissão na venda de perfumes e afins

Os funcionários também são treinados para vender produtos durante o voo. Eles ganham 10% de comissão sobre o que for vendido.

Segundo a aérea, os tripulantes com melhor desempenho na função chegam a vender entre US$ 10 mil e US$ 15 mil por mês.

BRASIL ENTRA NA ROTA DO A380

No A380, sempre há quatro operadores do duty free e existe um rodízio entre os responsáveis pela função.

O catálogo é o mesmo em todas as rotas e a oferta de produtos muda a cada três meses.

As opções vão de perfumes a joias, passando por cosméticos, relógios, acessórios e produtos infantis. Os preços são variados. Uma caneta Montblanc, por exemplo, pode custar US$ 800 (cerca de R$ 2.500).

Comissários também são treinados para servir as refeições durante os voos. Foto: Claudia Andrade/UOL

Dois funcionários cuidam só do spa com chuveiro

Os comissários também fazem um rodízio para cuidar do bar lounge da classe executiva – todos são treinados em coquetelaria.

Na primeira classe, dois tripulantes cuidam exclusivamente do spa com chuveiro, organizando o uso do espaço, repondo produtos, etc.

(A repórter Claudia Andrade viajou a convite da Emirates)

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Aeroportos do país devem adotar fila rápida para passageiro pré-selecionado
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Todos a Bordo

Foto: Getty Images

Alguns passageiros deverão gastar menos tempo para passar pelas barreiras de segurança antes de embarcar em voos domésticos no Brasil. A Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo) está trabalhando junto com autoridades brasileiras para implantar um sistema de filas separadas em aeroportos destinadas a passageiros pré-avaliados que poderão passar pelo raio X de forma mais rápida.

A ideia é inspirada no sistema utilizado nos Estados Unidos, onde passageiros são dispensados, por exemplo, de tirar o cinto, os sapatos ou o casaco, ou tirar o computador da mala. No Brasil, a medida deverá ter como principal alvo, inicialmente, viajantes a negócios. Algumas rotas, como São Paulo-Rio de Janeiro ou São Paulo-Brasília devem ter maior demanda pelo modelo.

As exigências para que um passageiro seja selecionado para passar mais rápido pela segurança serão definidas pela Polícia Federal. A Iata diz que ainda não há prazo para implantação da mudança, uma vez que o processo ainda está em estágio inicial e o tempo para que seja experimentado pelos passageiros vai depender do que for estabelecido pelas autoridades nacionais.

“O processo vai levar algum tempo, porque as autoridades terão de definir em quais aeroportos isso é aplicável, quais podem colocar a infraestrutura em funcionamento rapidamente, e depois será preciso começar a convidar os clientes a se inscrever. Certamente não é uma coisa de curto prazo, vai levar algum tempo para o programa estar em funcionamento, mas o governo está realmente interessado em melhorar o sistema para o passageiro e, ao mesmo tempo, aumentar a segurança nos aeroportos”, diz Peter Cerda, vice-presidente da Iata para as Américas.

Para a Iata, o procedimento de fila rápida também beneficia a segurança nos aeroportos porque descongestiona a área de segurança. Ao criar uma fila exclusiva para viajantes pré-selecionados, o objetivo é que também a fila comum diminua.

Ainda sobre o tempo que deverá levar até que a fila rápida esteja presente nos principais aeroportos do país, Cerda aponta uma questão que pode ser levantada durante o processo. “Nos Estados Unidos, é feita uma checagem de antecedentes dos passageiros. Para que isso seja feito no Brasil, pode ser necessário ou não mudar alguma lei”.

Outras adaptações necessárias envolvem a tecnologia para verificação de documentos, além da questão logística de separar os grupos de passageiros e destinar equipes de funcionários para o atendimento separado.

Como funciona nos EUA

Nos Estados Unidos, quem quer entrar para o sistema conhecido como TSA PreCheck precisa preencher uma solicitação pela internet, pagar uma taxa de US$ 85 (cerca de R$ 260) e agendar uma entrevista. Na entrevista, é feita a verificação de antecedentes, e as digitais do passageiro são recolhidas.

Se for considerado de risco baixo e, portanto, qualificado para a fila rápida, o viajante passa a ter um indicador desta condição acrescentado ao código de barras do cartão de embarque.

Condutas como interferir nas operações de segurança, apresentar documentação falsa ou carregar objetos proibidos podem levar o passageiro a ser desclassificado do programa.

Na prática, os passageiros nos EUA demoram menos de 5 minutos para passar pelos procedimentos de segurança quando fazem parte do sistema rápido, segundo o órgão responsável pela segurança no transporte. Em um período de grande movimento nos aeroportos norte-americanos, no início de julho de 2014, o órgão afirmou que os passageiros que estavam na fila normal demoravam o dobro desse tempo para passar pelo raio X. A Iata considera que a tempo de espera na fila rápida também deverá ficar abaixo de 5 minutos depois que o sistema for implantado no Brasil.

E o programa deve crescer com o passar dos anos. Nos Estados Unidos, inicialmente apenas as companhias aéreas norte-americanas podiam participar do programa. Hoje são 30 empresas, incluindo estrangeiras. O benefício, que antes era destinado somente a viajantes ‘vip’, atualmente tem mais de 4 milhões de pessoas selecionadas — a meta das autoridades é atingir 25 milhões. Mais de 180 aeroportos nos EUA operam com o sistema de fila rápida.

(Claudia Andrade)

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Todos a Bordo

Área de raio X em aeroporto. Na escocesa Campbeltown, o procedimento foi simplificado. Foto: Getty Images

Área de raio X em aeroporto. Na escocesa Campbeltown, o procedimento foi simplificado. Foto: iStock

Quinze passageiros embarcaram nesta semana em um voo entre Campbeltown e Glasgow, na Escócia sem passar por nenhum detector de metais. Nada de colocar a bagagem no raio X ou ter de tirar cintos, relógio e celular do bolso para passar pela segurança.

A proibição a levar armas, objetos pontiagudos e líquidos em embalagens com mais de 100ml na bagagem de mão não foi descartada, mas, para serem liberados, os passageiros tiveram apenas de dizer que não estavam levando nenhum item proibido.

Além da cidade de Campbeltown, os aeroportos das ilhas escocesas Barra e Tiree também adotam o procedimento. Os três são operados pela Hial – Highlands and Islands Airports Ltd.

A companhia aérea regional escocesa Loganair, ao informar seus clientes sobre as mudanças, afirmou que elas tornarão a viagem “mais conveniente para a grande maioria dos passageiros que voam para Glasgow”.

Ao jornal “The Independent”, do Reino Unido, ele afirmou que nos voos curtos regionais realizados na Escócia, “todo mundo se conhece muito bem”. Segundo ele, a maioria das pessoas usa esses voos como se fosse um serviço de ônibus local.

Segurança

Quem for fazer uma conexão no aeroporto de Glasgow terá de passar pelos procedimentos de segurança normalmente adotados pelos aeroportos do mundo todo, desde o momento do check-in, antes de seguir viagem.

A eliminação das barreiras de segurança não agradou a todos. Para o sindicato dos trabalhadores do aeroporto regional, o processo facilita a ocorrência de ataques terroristas. O representante da associação, David Avery, afirmou ainda que os aviões, mesmo sendo de pequeno porte, sobrevoam áreas urbanas e depósitos de petróleo.

Avery disse à rede britânica BBC que o atual sistema de segurança foi adotado há mais de dez anos e tem sido bem-sucedido. Mesmo assim, os profissionais de segurança encontram regularmente passageiros levando itens proibidos.

A empresa Hial afirma que a implantação do procedimento simplificado foi aprovada pelas autoridades e que a segurança continua sendo uma prioridade.

Ao “Independent”, o especialista em segurança da aviação Philip Baum disse que o procedimento de segurança “rotineiro e previsível é inimigo da segurança eficaz”. “A segurança não precisa ser feita através de sistemas de raio X. Que lugar melhor para realizar análise comportamental do que em uma comunidade onde os viajantes são conhecidos e onde o comportamento é fácil de ser identificado?”.

O especialista diz que nada impede que medidas adicionais sejam implementadas quando for necessário.

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