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Arquivo : Aeroporto Internacional de Guarulhos

Após privatização, aeroportos pioraram ou melhoraram? Especialistas avaliam
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Capacidade do aeroporto de Brasília subiu para 25 milhões de passageiros (foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

O governo federal anunciou na semana passada a intenção de privatizar mais 14 aeroportos brasileiros. O destaque nessa rodada de privatização deve ser o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, atualmente o maior terminal operado pela Infraero. Além disso, o governo pretende vender a participação de 49% que tem, por meio da Infraero, em quatro aeroportos parcialmente privatizados.

Ao todo, dez aeroportos já estão sob controle de empresas privadas. Desses dez, seis – Guarulhos (SP), Galeão (RJ), Confins (MG), Brasília (DF), Natal (RN) e Viracopos (SP) – foram concedidos entre 2011 e 2013. Desde então, receberam mais de R$ 12,1 bilhões de investimentos para a construção de novos terminais de passageiros e estacionamentos, ampliação do pátio de aviões e melhorias nas pistas de pouso e decolagem, entre outros.

Eles também tiveram aumento significativo na capacidade de passageiros. Antes das concessões, os seis terminais podiam transportar 93,9 milhões de passageiros ao ano. Hoje, essa capacidade pulou para 161 milhões, um aumento de 71,5%.

Investimentos já realizados pelos aeroportos privatizados

Guarulhos – R$ 4 bilhões (capacidade aumentou de 36,6 milhões para 50,5 milhões de passageiros)

Viracopos – R$ 3 bilhões (capacidade aumentou de 9,3 milhões para 25 milhões de passageiros)

Galeão – R$ 2 bilhões (capacidade aumentou de 17 milhões para 37 milhões de passageiros)

Brasília – R$ 1,7 bilhão (capacidade aumentou de 14 milhões para 25 milhões de passageiros)

Confins – R$ 900 milhões (capacidade aumentou de 11 milhões para 22 milhões de passageiros)

Natal – R$ 500 milhões (capacidade para 6 milhões de passageiros – o aeroporto atual foi construído do zero e o antigo, desativado)

Novas pontes de embarque do terminal 3 de Guarulhos (Foto: Lucas Lima/UOL)

Especialistas dizem que houve melhorias

Para especialistas ouvidos pelo Todos a Bordo, os investimentos feitos nos aeroportos já privatizados melhoraram a infraestrutura aeroportuária do país, algo que, segundo eles, não seria possível casos permanecessem sob controle da Infraero.

“Os aeroportos tendem a funcionar melhor e o capital privado é muito mais ágil para fazer os investimentos. Em Guarulhos, por exemplo, tinha um aeroporto que era uma lástima e hoje funciona bem”, afirma o engenheiro aeronáutico e professor de transporte aéreo e aeroportos da Escola Politécnica da USP, Jorge Eduardo Leal Medeiros.

Mais do que a parte estética e o conforto dos passageiros, o especialista em direito aeronáutico Guilherme Amaral, sócio do escritório ASBZ Advogados, destaca a eficiência operacional dos novos aeroportos. “As pessoas não perdem mais voo porque ficaram presas em filas burocráticas de segurança, de imigração e Polícia Federal como acontecia no passado. O aeroporto novo é mais adaptado e eficiente”, afirma.

Outro ponto importante está na capacidade de operação dos aviões. Em Guarulhos, por exemplo, o número de vagas para estacionamento dos aviões subiu de 79 para 123, enquanto as pontes de embarque que dão acesso aos aviões pularam de 25 para 45. Em Confins, as pontes de embarque subiram de nove para 26.

O vice-presidente da Avianca, Tarcísio Gargioni, afirma que sem os investimentos feitos nos aeroportos concedidos à iniciativa privada, o crescimento da companhia teria sido limitado. “Para a companhia aérea, o que é bom é o cliente ser bem atendido e a companhia ter capacidade para voar para onde for necessário. Antes, a gente estava estrangulado”, afirma.

Na semana passada, a Avianca inaugurou uma nova rota entre Guarulhos e o aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). “Os investimentos geram aumento de capacidade, o que permite voar mais. Se não tivesse o aeroporto de Guarulhos e aqui (Confins) privatizados, não estaríamos com quatro voos diários. A quantidade de voos que existe em Brasília não seria possível sem ter acontecido a privatização” afirma Gargioni.

Aeroporto de Confins (MG) teve queda no fluxo de passageiros (foto: Divulgação)

Lava Jato, Infraero e queda de passageiros trouxeram problemas

Apesar das melhorias apontadas na infraestrutura dos aeroportos, alguns terminais enfrentam graves dificuldades financeiras. O caso mais emblemático é do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Depois de investir R$ 3 bilhões e acumular dívidas, os acionistas decidiram devolver a concessão ao governo.

Os grupos que venceram as licitações dos primeiros aeroportos privatizados tinham como participantes grandes empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato. Para o professor da USP, a presença de empresas que não tinham como foco a administração de aeroportos foi um problema.

“Essas primeiras concessões tiveram uma participação forte das empreiteiras, que queriam resultado a curto prazo e isso não foi possível porque houve uma queda de demanda. Isso resultou em um problema grave com saída de algumas delas e a devolução de Viracopos”, afirma.

Após investir R$ 3 bilhões, controladora de Viracopos decidiu devolver o aeroporto (foto: Divulgação)

Além disso, uma cláusula que obrigava a participação acionária de 49% para a Infraero também é vista pelos especialistas consultados como algo negativo para as concessionárias.

“Você carrega um sócio pesado e ineficiente com quase metade do seu negócio. Sem ele, tem mais liberdade de investimento e de gerenciamento e mais possibilidade de retorno. Você vai abrir um restaurante que pode te dar R$ 15 mil de lucro, mas se você tiver que dar metade disso para alguém que não te ajuda, o negócio fica menos interessante”, afirma Guilherme Amaral.

Essa questão, no entanto, foi alterada na última licitação para os aeroportos de Fortaleza, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre. O controle desses terminais não terá mais a participação da Infraero. “Acho que essas novas concessões serão muito bem-sucedidas. O modelo que foi feito é muito mais profissional”, avalia o professor Jorge Eduardo Leal Medeiros.

As concessionárias também sofreram com a queda no movimento nos aeroportos por causa da crise econômica. As companhias aéreas registraram 18 meses de baixa no número de passageiros transportados entre agosto de 2015 e janeiro de 2017. Nos últimos meses, o mercado tem apresentado uma recuperação.

“Tivemos uma retração de quase 15% no movimento de passageiros, mas somos investidores de longo prazo. Nossos acionistas acreditam no crescimento da demanda e continuamos com a melhoria na infraestrutura e planejando os próximos passos”, afirma Adriano Pinho, diretor-presidente da BH Airport, controladora do aeroporto de Confins.

Aeroporto de Congonhas deve ser a estrela do próximo lote de privatização (Foto: Agência Brasil)

Próximos passos

Na próxima rodada de privatização, os 14 aeroportos devem ser divididos em quatro blocos:

— Um bloco inclui somente o aeroporto de Congonhas, o segundo maior do país, com movimento de 21 milhões de passageiros por ano;

— O bloco do Nordeste incluirá os aeroportos de Recife (PE), Maceió (AL), João Pessoa (PB), Aracaju (SE), Juazeiro do Norte (CE) e Campina Grande (PB);

— O bloco do Mato Grosso incluirá os terminais de Várzea Grande (MT), Rondonópolis (MT), Sinop (MT), Barra do Garças (MT) e Alta Floresta (MT);

— Um quarto bloco terá os aeroportos de Vitória (ES) e de Macaé (RJ)

“Acho complicado fazer a concessão de um bloco de aeroportos do Nordeste todos juntos. Não sei até que ponto isso vai ficar de pé e quem vai estar interessado. Por outro lado, acho que tem vários aeroportos regionais que tem atraído interesse”, afirma o professor Jorge Eduardo Leal Medeiros.

Para o aeroporto de Congonhas, Guilherme Amaral avalia que, em virtude da localização do aeroporto, não há muitas possibilidades de investimento para ampliação de voos. “Serão investimentos mais voltados para o conforto dos passageiros, com mais áreas e lojas”, diz.

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Maior avião do mundo, A380 estreia no Brasil com 1ª classe a R$ 57 mil
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Por Vinícius Casagrande

O maior avião de passageiros do mundo, o Airbus A380 inicia neste domingo (26) os voos diários para o Brasil. A chegada ao aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, está prevista para ocorrer às 16h30.

Logo após o pouso do gigante, é esperado o tradicional batismo do avião com jatos de água. O ritual é tradicional em todo o mundo quando uma nova companhia, rota ou avião inicia suas operações em um determinado aeroporto.

O A380 deve permanecer em solo por cerca de nove horas. O gigante deve decolar com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, à 1h25.

Uma passagem para o voo inagural do A380 custa R$ 2.840 na classe econômica, R$ 14.238 na executiva e R$ 28.468 na primeira classe. Os valores são somente para o trecho de ida. Para outras datas, os valores podem sofrer alterações.

Para viagens no mês de junho, com ida no dia 6 e retorno ao Brasil no dia 20, as passagens custam R$ 4.223 na classe econômica, R$ R$ 17.572 na executiva e R$ 56.920 na primeira classe.

Voos diários da Emirates com o Airbus A380 começam neste domingo (Foto: Divulgação)

Aumento de capacidade

O Airbus A380-800 da companhia aérea Emirates passa a operar a rota entre São Paulo e Dubai em substituição ao Boeing 777-300ER, utilizado na mesma rota por quase dez anos.

Com a mudança de avião, a Emirates aumentou a capacidade do voo em 137 assentos. O A380 poderá transportar 491 passageiros, divididos em três classes, sendo 14 nas suítes da primeira classe, 76 na executiva e 401 na econômica.

A entrada em serviço do maior avião de passageiros coincide com o encerramento das operações de outra companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos. Também neste domingo, a Etihad deixa de realizar os voos diários entre São Paulo e Abu Dhabi.

Embarque e desembarque será feito pelo portão 605 (Foto: Lucas Lima/UOL)

Reforma das pistas em Guarulhos

A operação do A380 só foi possível após uma série de reformas nas pistas do aeroporto de Guarulhos. Para que a operação do avião fosse viabilizada, as pistas de pouso e decolagem e de manobras em terra tiveram de ser alargadas em 15 metros, passando de 45 metros para 60 metros de largura.

Com as pistas mais estreitas, havia o risco de que os motores mais próximos às pontas das asas passassem sobre a área gramada, com o perigo de que detritos pudessem ser sugados para dentro dos motores. Com a nova largura, os motores ficam dentro da área pavimentada.

Durante o embarque e desembarque dos passageiros, serão utilizados dois fingers (túneis para passageiros) simultaneamente. O acesso de todos os passageiros deverá ser feito somente pelo piso inferior do avião. Um finger deve ser acoplado na porta dianteira, próxima ao nariz do avião, e o segundo na porta do meio, perto da asa.

Em 2015, a Emirates já havia feito um voo de testes com o A380 para o Brasil. Além de Guarulhos, o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, também já recebeu o avião. Durante os Jogos Olímpicos do ano passado, a Air France realizou um voo para buscar os atletas franceses. Apenas 13 companhias aéreas de todo o mundo voam com o A380, que tem preço de tabela de US$ 432,6 milhões (R$ 1,3 bilhão).

Emirates fará mudanças no bar a bordo do A380 (Foto: Divulgação)

Luxo a bordo

A Emirates foi eleita pelo ranking Skytrax World Airline Awards a melhor companhia aérea do mundo. Os passageiros que embarcarem no A380 da empresa em São Paulo poderão conferir alguns dos itens que levaram a companhia a ostentar esse título.

O A380 da Emirates é famoso pelo spa a bordo, com chuveiro para os clientes da primeira classe. Para aproveitar o espaço, os passageiros recebem um kit com uma linha exclusiva criada pela marca irlandesa Voya. São itens como xampu, condicionador, sabonete líquido, hidratante corporal e creme para as mãos, entre outros.

Recentemente, a companhia passou a oferecer novos mimos para os passageiros da primeira classe, como pijamas hidratantes. O tecido usado na fabricação da roupa libera um composto de algas marinhas que, de acordo com a aérea, minimiza a desidratação e estimula a circulação.

A empresa também planeja remodelar o lounge bar destinado a passageiros da primeira classe e da executiva. O espaço terá cortinas à prova de som separando o lounge das outras áreas do avião, além de cores mais claras e nova iluminação.

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Voos diários da Emirates com o Airbus A380 começam em 26 de março (Foto: Divulgação)

Voos diários da Emirates com o Airbus A380 começam em 26 de março (Foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

O início das operações do gigante Airbus A380, o maior avião de passageiros do mundo, deve mudar a rotina do aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, a partir do dia 26 de março.

A companhia aérea Emirates vai operar com o A380 na rota entre Dubai e São Paulo em substituição ao modelo Boeing 777. A troca do modelo do avião utilizado vai aumentar a capacidade do voo dos atuais 354 passageiros para 491 passageiros.

O aumento implica ampliar a estrutura para os procedimentos de imigração dos passageiros, entrega das bagagens e fiscalização da Receita Federal, já que mais passageiros estarão chegando ao mesmo tempo.

O impacto só não deve ser maior em virtude do horário dos voos. O A380 chega às 16h30 e decola à 1h25, períodos normalmente de menor movimento no aeroporto.

Área destina ao processo de imigração dos passageiros (Foto: Lucas Lima/UOL)

Área destina ao processo de imigração dos passageiros (Foto: Lucas Lima/UOL)

O diretor de operações do aeroporto de Guarulhos, comandante Miguel Dau, garante o aeroporto está preparado para receber diariamente o maior avião de passageiros do mundo. Segundo ele, os maiores desafios não estão relacionados à quantidade de passageiros, mas sim ao tamanho físico do avião.

“A maior dificuldade é em relação aos espaços de manobra e para as curvas, principalmente em virtude dos motores externos”, afirma. O A380 tem 72,7 metros de comprimento e 79,8 metros de envergadura (distância entre as pontas das asas).

Para que a operação do avião fosse viabilizada, as pistas de pouso e decolagem e de taxiamento tiveram de ser alargadas em 15 metros, passando de 45 metros para 60 metros de largura.

Com as pistas mais estreitas, havia o risco de que os motores mais próximos às pontas das asas passassem sobre a área gramada, com o perigo de que detritos pudessem ser sugados para dentro dos motores. Com a nova largura, os motores ficam dentro da área pavimentada.

Embarque e desembarque será feito pelo portão 605 (Foto: Lucas Lima/UOL)

Embarque e desembarque será feito pelo portão 605 (Foto: Lucas Lima/UOL)

Mudança na rotina de pouso

O aeroporto de Guarulhos conta com duas pistas. Nas operações normais, a menor delas, com 3.000 metros de comprimento, é utilizada para os pousos, enquanto a maior, com 3.700 metros, é destinada às decolagens. Essa separação agiliza o fluxo do tráfego aéreo.

Para receber o A380, apenas a pista maior foi alargada e está apta para receber o avião. Com isso, na hora do pouso, o avião vai utilizar a pista normalmente dedicada às decolagens. Como trata-se de apenas um voo, a mudança não deve gerar nenhum impacto ao fluxo do tráfego aéreo, segundo o comandante Miguel Dau.

Serão utilizados dois túneis para o embarque dos passageiros (Foto: Lucas Lima/UOL)

Serão utilizados dois túneis para o embarque dos passageiros (Foto: Lucas Lima/UOL)

Embarque e desembarque

O A380 também terá um portão de embarque fixo e até mesmo uma esteira da bagagem dedicada ao voo. Após o pouso, o avião será direcionado para o portão 605, localizado em uma das extremidades do terminal 3 do aeroporto.

Dois fingers (túneis de passagem dos passageiros) deverão ser utilizados para o embarque e desembarque. O acesso, no entanto, deverá ser feito somente pelo piso inferior do avião. Um finger deve ser aclopado na porta dianteira, próxima ao nariz do avião, e segunda na porta do meio, perto da asa.

A expectativa é que o processo de desembarque demore entre 35 e 40 minutos (tempo para que o último dos 491 passageiros deixe o avião). Com o Boeing 777 utilizado atualmente, o tempo médio do desembarque é de 25 a 30 minutos.

Depois de realizarem os procedimentos de imigração, os passageiros deverão retirar as bagagens na última esteira, localizada no final da sala. Ela é a maior do aeroporto, com capacidade para mil malas por hora. Como cada passageiro ainda tem direito a despachar até duas malas, caso o voo esteja lotado e todos levem duas bagagens, seriam 982 malas por voo.

No entanto, com as novas regras da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) que acabam com a franquia obrigatória para passagens vendidas a partir de 14 de março, esse número deve cair ao longo do ano.

Maior esteira de Guarulhos tem capacidade para mil malas por hora (Foto: Lucas Lima/UOL)

Maior esteira de Guarulhos tem capacidade para mil malas por hora (Foto: Lucas Lima/UOL)

Preparação do avião

O A380 deverá ficar no aeroporto de Guarulhos durante quase nove horas. Durante esse tempo, será preparado para um novo voo, com reabastecimento de combustível, limpeza da área de passageiros, retirada de esgoto, reposição de comidas e bebidas e eventuais manutenções necessárias.

Segundo a Emirates, cerca de 70 a 80 pessoas deverão trabalhar diariamente para deixar tudo em ordem para um novo voo. Somente para o carregamento das bagagens, por exemplo, serão utilizados oito tratores. Um A380 tem capacidade para até 320 mil litros de combustível.

Durante todo o trabalho em terra, o avião não deve ficar estacionado no portão de embarque. Após o desembarque dos passageiros, bagagens e demais cargas, o avião é deslocado para uma área reservada para esse serviço. O local, no entanto, fica próximo ao terminal 3 e deve virar uma atração para os passageiros que forem embarcar em outros voo.

Centro de controle do aeroporto de Guarulhos (Foto: Lucas Lima/UOL)

Centro de controle do aeroporto de Guarulhos (Foto: Lucas Lima/UOL)

Ganhos econômicos para o aeroporto

A presença do gigante A380 em Guarulhos promete trazer muitos benefícios financeiros para a concessionária que administra atualmente o aeroporto. O ponto mais óbvio está no aumento da capacidade do voo, que gera ganhos nas taxas de embarque dos passageiros, gastos nas lojas e aumento na tarifa de pouso. Enquanto, o Boeing 777-300 tem uma taxa de pouso de cerca de R$ 8.000, o A380 tem de pagar R$ 13 mil a cada aterrissagem.

Para o gerente de negócios aéreos do aeroporto, João Pedro Pita, o mais importante, no entanto, é a visibilidade que a operação do A380 gera para Guarulhos. “A importância é muito mais ampla e envolve todo o negócio”, diz.

Pita cita como exemplos o aumento do número de passageiros de conexão em viagens para a Ásia. Apenas 25% dos passageiros têm como destino final a cidade de Dubai. Japão e China são alguns dos principais destinos, com destaque para as cidades de Shangai (7%), Tóquio (7%), Osaka (6%) e Hong Kong (6%).

A administradora de Guarulhos tinha a expectativa de que o A380 começasse as operações no Brasil já no ano passado. No entanto, a crise econômica fez com que a Emirates revisse seus planos. A partir de agora, a expectativa é para que outras companhias coloquem o gigante em operação nas rotas para São Paulo.

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Sala de crise em Cumbica tem até fax para enfrentar apagão tecnológico
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Crédito: Divulgação

O video-wall pode exibir imagens do aeroporto, sites e noticiários de TV. (Foto: Divulgação)

O Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, mantém uma sala planejada e equipada para reuniões de prevenção, acompanhamento e reação a episódios de crise de qualquer natureza – acidentes, ataques, grandes eventos, manifestações e catástrofes naturais, entre outras possibilidades. Por precaução, o ambiente conta com sistemas de comunicação “em redundância” – o que inclui itens tidos como ultrapassados, como aparelhos de fax e rádio, que podem substituir tecnologias contemporâneas em caso de falhas eventuais.

A “sala de situação” é o núcleo do Complexo de Gerenciamento de Crises (CGC) de Cumbica e foi apelidada como “sala de crise”. Além da ampla mesa de reunião com computadores, telefones e cadeiras ergonômicas, há um video-wall (parede de vídeo) de um lado e um telão do outro, para que gestores de diferentes áreas do aeroporto (do país ou do mundo, de acordo com caso) possam tomar decisões em conjunto, a partir da visualização de imagens dos terminais, websites ou mesmo noticiários de televisão.

De acordo com a assessoria de imprensa do GRU Airport, marca adotada pela concessionária que administra o aeroporto, o ambiente foi concebido “para o controle do potencial de impacto de cada situação possível numa indústria tão complexa como a aeronáutica”.

Nesse contexto, entende-se “crise” como qualquer evento que possa atingir a capacidade produtiva da organização – ou sua reputação –, preferencialmente de forma preventiva, com base em cinco princípios da sigla C5I: comando, controle, comunicação, computação, colaboração e inteligência. Ainda segundo a concessionária, “o ambiente vem sendo aperfeiçoado desde o início da concessão (2012) e hoje se encontra em ‘estado de arte'”. O formato atual foi concluído em agosto de 2014.

Ênfase no conforto

“A sala tem proteção acústica e controle de temperatura e luminosidade, para que seja o mais confortável possível permanecer ali por muitas horas, caso necessário”, explica o diretor de operações, Miguel Dau, responsável pela área. Também há um serviço de alimentação integrado, que pode ser acionado a qualquer momento.

Há também duas alas laterais, separadas do ambiente principal por janelões de vidro, com um total de 12 estações de trabalho, equipadas com ramais dedicados e pontos de rede, para que técnicos, consultores ou outros profissionais possam trabalhar em paralelo aos gestores em reunião. O usuário pode, dependendo do caso, utilizar o próprio notebook ou um equipamento do aeroporto, desde que cumpra as regras de segurança estabelecidas.

Embora Cumbica não tenha passado por crises graves desde a instalação da sala de situação, o ambiente vem sendo utilizado desde a implantação, em episódios como o das manifestações de junho de 2013, da Copa do Mundo de 2014 e da erupção do vulcão Calbuco, no Chile, ao final de abril.

Leandro Quintanilha – leandroq@gmail.com


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