Todos A Bordo http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br Todos a Bordo é o blog de aviação do UOL. Aqui você encontra as últimas informações, análises e notícias sobre o movimentado mundo das companhias aéreas, das fabricantes de aviões e de empresas aeroportuárias. Mon, 16 Oct 2017 18:49:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Jato da Embraer é o único a pousar na ilha de Napoleão com vento de 90 km/h http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2017/10/14/embraer-e190-pouso-vento-forte-santa-helena/ http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2017/10/14/embraer-e190-pouso-vento-forte-santa-helena/#comments Sat, 14 Oct 2017 07:00:55 +0000 http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/?p=6307
Por Vinícius Casagrande

A remota ilha de Santa Helena, território ultramarino britânico no Atlântico Sul, conhecida por ter sido o exílio de Napoleão Bonaparte, não podia ter voos comerciais por causa de seus ventos fortes de até 90 km/h.

Isso mudou com a ajuda de um avião brasileiro. A única aeronave que provou ter condições de fazer essa ligação comercial com segurança foi o E190, da fabricante brasileira Embraer.

O aeroporto de Santa Helena foi concluído em meados do ano passado após investimentos de 285 milhões de libras esterlinas (R$ 1,2 bilhão). No entanto, logo após a entrega das obras, ele chegou a ser chamado de “o aeroporto mais inútil do mundo”.

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No dia 14 de outubro, a ilha de Santa Helena recebeu o primeiro voo da companhia aérea Airlink, uma subsidiária da South African Airways, com um avião Embraer 190. A rota parte de Johannesburgo, na África do Sul, e faz uma escala em Windhoek, na Namíbia.

Aeroporto foi considerado inseguro por causa dos ventos

Nos primeiros testes realizados com um Boeing 737-800 da companhia aérea Comair, uma subsidiária da British Airways, as fortes rajadas de vento próximas à cabeceira da pista fizeram com que a companhia desistisse de voar para a ilha. Os pilotos do voo de teste tiveram de fazer três arremetidas até conseguirem pousar somente na quarta tentativa.

No relatório apresentado, os pilotos afirmaram que o aeroporto local não apresentava as condições mínimas de segurança para a operação de voos comerciais regulares.

A pista de 1.950 metros foi construída no alto de uma montanha entre dois rochedos. Isso faz com que a área final da aproximação para o pouso tenha fortes rajadas de vento, que mudam constantemente de direção e velocidade e podem chegar a mais de 90 km/h.

Embraer 190 fará voos regulares para a remota ilha de Santa Helena (foto: Divulgação)

Pilotos brasileiros decidiram desafiar os ventos

Os pilotos brasileiros da Embraer, no entanto, avaliaram que o jato produzido pela fabricante brasileira tinha condições de operar com segurança na ilha. O comandante Guilherme de Miranda Cará, diretor de treinamento e operações de voo da Embraer, decidiu utilizar o primeiro protótipo do Embraer 190 para fazer testes na ilha. “A gente sabia que tinha o avião ideal para voar ali”, afirma.

Antes de decolar rumo à ilha de Santa Helena, toda a equipe de testes fez diversos voos nos simuladores do avião, reproduzindo as mesmas condições que encontrariam no local. Depois de concluir o treinamento, a equipe do comandante Cará partiu de Recife (PE) com destino à ilha de Santa Helena.

O avião utilizado estava equipado com diversos sensores para captar todos os dados necessários para uma análise precisa sobre as condições de pouso no aeroporto local. Durante os testes, foram feitos 12 pousos. Algumas arremetidas foram feitas apenas para coleta de dados.

“Fomos muito bem preparados, e os dados coletados mostraram que é possível operar com segurança. Provamos com dados, e deixou de ser apenas uma opinião dos pilotos. Mas, realmente, é um aeroporto que exige uma condição especial”, afirma o comandante Cará.

Antes dos testes feitos pela Embraer, a Airlink não tinha nenhum avião Embraer 190, apenas do modelo Embraer 145. Com a possibilidade de voar para a ilha de Santa Helena, a empresa adquiriu 13 aviões do modelo 190, que também serão utilizados em outras rotas da empresa. “Mas, com certeza, isso foi um diferencial importante”, afirma Cará.

Um avião “esportivo”

O comandante afirma que as operações com o avião brasileiro foram possíveis em virtude de algumas características particulares do Embraer 190. “Nosso avião é extremamente fácil de operar e com muita performance e potência disponível. Ele tem uma pilotagem que eu diria que é quase esportiva”, diz.

Os aviões devem pousar sempre com o vento de frente. Com ventos traseiros, há diversas restrições, pois os aviões devem se aproximar com velocidade maior em relação ao solo e têm mais dificuldade para frear. Nessas condições, normalmente, os ventos não podem ser superiores a 18 km/h. No caso do Embraer 190, o avião pode pousar com ventos traseiros de até 28 km/h.

Com isso, caso encontre rajadas de vento muito fortes em uma cabeceira, os pilotos têm mais condições de inverter o sentido da aproximação e pousar pela cabeceira oposta. No caso do aeroporto de Santa Helena, é justamente a cabeceira que tem a predominância dos ventos frontais a que tem mais rajadas de ventos causadas pelo relevo do terreno.

Outro ponto apontado pelo comandante Cará como diferencial do Embraer 190 para pousar no aeroporto de Santa Helena é o sistema de controle de potência dos motores, que permite que os comandos manuais dos pilotos se sobreponham ao controle automático. “Isso permite uma resposta mais rápida e foi fundamental para o avião receber a autorização para pousar em Santa Helena”, afirma.

Airlink comprou 13 aviões do modelo E190 (foto: Divulgação)

Mudanças nos procedimentos de pouso

Para pousar na ilha de Santa Helena, os pilotos da companhia aérea Airlink também tiveram de receber um treinamento especial. O aeroporto local é classificado com de categoria C, o que exige uma preparação diferente dos pilotos. Outros aeroportos de categoria C são Santos Dumont, no Rio de Janeiro, Congonhas, em São Paulo, e London City, em Londres, na Inglaterra.

Para a operação em Santa Helena, os pilotos da Embraer determinaram algumas modificações nos procedimentos de aproximação para pouso. A descida, por exemplo, deve ser realizada com um ângulo maior. “Isso faz com que o avião passe por cima das zonas de turbulência”, afirma o comandante Cará.

Outra mudança está relacionada ao desligamento do piloto automático do avião. Normalmente, ele é desligado somente alguns segundos antes do pouso. Em Santa Helena, a determinação da Embraer é que os pilotos assumam os controles do avião no início do procedimento de aproximação para o pouso, de três a quatro minutos antes do pouso. A intenção é que o piloto não seja pego de surpresa caso tenha de fazer alguma manobra em função das rajadas de vento.

A preparação dos pilotos da companhia aérea Airlink pode ser feita nos centros de treinamento da Embraer em São José dos Campos (SP), em Nashville, nos Estados Unidos, ou em Lisboa, em Portugal. No primeiro semestre do ano que vem, a empresa vai abrir um novo centro de treinamento em Johannesburgo. O projeto está sendo feito em parceria com a própria Airlink.

A ilha de Napoleão

A ilha de Santa Helena é conhecida por ter servido de exílio a Napoleão Bonaparte após ser derrotado na batalha de Waterloo. A casa onde ele morou — com o mobiliário original — é uma das principais atrações turísticas da ilha.

Durante séculos, a ilha viveu isolada do mundo. O único acesso possível era feito pelo navio St. Helena, do Royal Mail, que leva cerca de cinco dias para chegar à ilha. Nas próximas semanas, a ilha também deve ganhar seu primeiro hotel de luxo. Veja mais informações sobre a ilha de Santa Helena.

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    Valor do seguro vai variar de acordo com o risco da passagem aumentar (foto: Getty Images)

    A situação é bastante comum: o passageiro encontra uma passagem aérea com preço promocional, mas não pode concluir a compra naquele momento, seja porque ainda não tem certeza se poderá viajar, porque está sem o dinheiro naquele dia ou qualquer outro motivo. Nesses casos, há sempre o risco de o preço da passagem subir até ele poder efetivamente comprar a passagem.

    Uma nova ferramenta pretende acabar com essa variação de preços. O FareKeep funciona como um seguro que bloqueia o preço da passagem para uma compra em até sete dias. Ao adquirir o seguro, a reserva não é concluída. Ele somente garante que, caso o passageiro resolva realmente comprar o bilhete, o valor será mantido.

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    O valor do seguro varia entre US$ 5 (R$ 15,89) e US$ 25 (R$ 79,43). O preço exato é definido por um algoritmo que calcula a probabilidade daquela passagem aumentar de preço no prazo de uma semana. Quanto maior a chance de o valor do bilhete subir, mais caro é o seguro.

    Ao efetuar a compra da passagem, caso o preço tenha realmente subido, o FareKeep faz o reembolso da diferença. No entanto, o limite máximo para reembolso é de US$ 200 (R$ 635,40).

    O seguro não é oferecido em todos os voos por causa do alto risco de variação de preço das passagens, mas a empresa Amadeus afirma que o Farekeep está disponível para 93% dos voos comercializados.

    Solução promete aumento de vendas para as agências

    A ferramenta foi lançada há pouco mais de um mês no Brasil e até o momento nenhuma agência do país adotou a venda do seguro para bloquear o preço da passagem.

    Revendedores de passagens aéreas nos Estados Unidos e na Europa já oferecem a solução aos seus clientes, segundo a Amadeus, empresa especializada em tecnologia para o setor de viagens e investidora do FareKeep.

    O seguro promete aumentar o faturamento das agências de viagens. Segundo dados da Amadeus, as agências de viagens online gastam até um terço de suas verbas de marketing para a captação de clientes, mas 95% deles saem do site sem fazer uma reserva. A expectativa da empresa é que a taxa de compra aumente com a disponibilidade do seguro para bloquear o preço da passagem.

    “As agências online perdem muitas vendas porque o cliente vê a tarifa, passa a checar sua disponibilidade e, quando volta para efetuar a compra, o preço já mudou. Da mesma forma, o consumidor se frustra depois de um momento inicial de êxtase por uma boa tarifa encontrada”, diz Fernanda Assunção, gerente de alianças da Amadeus para a América Latina e o Caribe.

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    Piscina ao ar livre deve ser aberta ao público em dezembro (foto: Divulgação)

    Os passageiros que viajam para o destino caribenho de Punta Cana, na República Dominicana, vão poder aproveitar suas férias até o último minuto, inclusive enquanto aguardam seu voo. A nova sala VIP do aeroporto, prevista para ser inaugurada em dezembro, vai ter como principal atração uma piscina ao ar livre, com vista para o pátio dos aviões.

    A área externa onde ficará a piscina terá também poltronas, espreguiçadeiras e sofás para quem quiser tomar mais um pouco de sol antes de retornar para casa. As dimensões do espaço e capacidade de pessoas, no entanto, ainda não foram divulgadas pelo aeroporto de Punta Cana.

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    A expectativa é que o local deverá ser destinado aos passageiros que voam na primeira classe ou executiva, que façam parte de categorias superiores dos programas de fidelidade de companhias aéreas ou que sejam membros do programa Priority Pass, um serviço pago que dá acesso às salas VIPs de diversos aeroportos do mundo.

    Além disso, existe a possibilidade de que os passageiros que não se enquadrem nesses requisitos também possam pagar para ter acesso à sala VIP. Todos os detalhes, no entanto, só serão confirmados em data próxima à inauguração do espaço.

    Área fechada da sala VIP terá vista para a piscina (foto: Divulgação)

    O projeto do arquiteto dominicano Antonio Segundo Imbert inclui também uma área fechada para os passageiros aguardarem os voos. O local será separado do espaço da piscina por uma parede de vidro e também terá vista para o pátio dos aviões.

    Atualmente, o aeroporto de Punta Cana conta com duas salas VIPs nos terminais A e B, que deverão continuar em funcionamento após a inauguração do novo lounge para os passageiros em dezembro.

    Aeroporto de Cingapura também tem piscina

    O aeroporto de Punta Cana não será o primeiro a ter uma piscina dentro de suas instalações. Os passageiros que passam pelo aeroporto de Changi, em Cingapura, também podem relaxar à beira da piscina enquanto aguardam o voo. Changi foi eleito o melhor aeroporto do mundo nos últimos cinco anos pelo ranking Skytrax, uma espécie de “Oscar” da aviação.

    A piscina do aeroporto de Cingapura fica dentro do Aerotel Airport Transit Hotel, localizado no terminal 1. Hóspedes do hotel podem usar gratuitamente a piscina ao ar livre, que fica no terraço do edifício. Mas quem não quiser ficar hospedado no local também pode aproveitar a piscina. É só pagar a taxa de acesso ao local, que custa 17 dólares de Cingapura (R$ 40).

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    Tupolev voava a 2,35 vezes acima da velocidade do som (foto: Divulgação/Tupolev)

    Por Vinícius Casagrande

    O franco-britânico Concorde fez fama em todo o mundo por realizar voos comerciais entre diversos destinos a velocidades supersônicas (acima de velocidade do som). No entanto, é um avião russo bem menos famoso que ostenta o título de avião comercial mais rápido da história: o Tupolev TU-144. É que o jato russo voou somente por três anos como avião de passageiros, entre 1975 e 1978.

    Enquanto o Concorde voava a uma velocidade de cerca de 2.213 km/h (2,04 vezes a velocidade do som), o avião russo chegava a até 2.550 km/h (2,35 vezes a velocidade do som).

    Os dois aviões foram desenvolvidos na década de 1960, em meio à Guerra Fria, e são até hoje os únicos modelos supersônicos criados para o transporte de passageiros. Ao longo da história, diversos outros aviões foram desenvolvidos para voar acima da velocidade do som, mas todos para uso militar.

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    O último voo supersônico de passageiros aconteceu em 2003, quando o Concorde foi aposentado em virtude de seu alto custo operacional, já que o consumo de combustível era muito alto. Desde então, os principais jatos comerciais do mundo têm velocidades entre 850 km/h e 930 km/h.

    Último voo do Concorde aconteceu em 2003 (Imagem: Divulgação/British Airways)

    A briga para ter o atual avião mais rápido do mundo deixou de ser algo relevante na indústria aeronáutica. É que os aviões atuais já atingem velocidades que chegam entre 80% e 90% da velocidade do som (cerca de 1.085 km/h na altitude de 10.500 metros acima do nível do mar – ao nível do mar a velocidade do som é de 1.225 km/h).

    Para ir além disso, seriam necessárias mudanças de projeto que deixariam os aviões mais caros e os custos operacionais muito elevados. E o que as companhias aéreas mais desejam são aviões que gastem cada vez menos para voar.

    Muitas vezes, inclusive, um determinado avião tem capacidade para voar mais rápido, mas o departamento de operações das companhias aéreas orienta os pilotos a voarem a uma velocidade menor. Tudo para economizar combustível e deixar o voo economicamente mais eficiente.

    Apesar dos altos custos, há alguns projetos em desenvolvimento para criar novos aviões supersônicos. As empresas Aerion e Airbus têm um projeto de um jato executivo que voaria a 1,5 vez a velocidade do som. A Nasa desenvolve também um novo avião supersônico para transporte de passageiros. A expectativa é que os testes comecem em 2021. A Boom Technology também pretende lançar um avião para voar acima da velocidade do som.

    Comparar a velocidade de um avião comercial é algo bem mais complexo do que fazer o mesmo exercício com carros, por exemplo. No ar, o avião sofre diversas influências, como variação da pressão atmosférica, temperatura do ar, altitude em que voa, velocidade e direção do vento, entre outros.

    Nos aviões a jato, o parâmetro mais utilizado para se comparar a velocidade de diversos aviões é o percentual em relação à velocidade do som. O Tupolev TU-144, por exemplo, podia voar a velocidade de Mach 2.35 (2,35 vezes a velocidade do som), enquanto um Airbus A380 voa a velocidade de Mach 0.89 (89% da velocidade do som).

    Veja o ranking dos aviões comerciais mais rápidos, segundo dados divulgados pelas fabricantes dos jatos comerciais.

    Tupolev TU-144 – Mach 2.35 (2.550 km/h)

    Concorde – Mach 2.04 (2.215 km/h)

    Airbus A350 (todas as versões) – Mach 0.89 (965 km/h)

    Airbus A380 – Mach 0.89 (965 km/h)

    Airbus A330 (todas as versões) – Mach 0.86 (933 km/h)

    Airbus A340 (todas as versões) – Mach 0.86 (933 km/h)

    Boeing 747-8 de passageiros – Mach 0.86 (933 km/h)

    Boeing 747-8 cargueiro – Mach 0.85 (922 km/h)

    Boeing 787 (todas as versões) – Mach 0.85 (922 km/h)

    Boeing 777 (todas as versões) – Mach 0.84 (911 km/h)

    Bombardier CRJ-900 – Mach 0.83 (900 km/h)

    Bombardier CRJ-705 – Mach 0.83 (900 km/h)

    Bombardier CRJ-700 – Mach 0.825 (895 km/h)

    Embraer E170 – Mach 0.82 (889 km/h)

    Embraer E175 – Mach 0.82 (889 km/h)

    Embraer E190 – Mach 0.82 (889 km/h)

    Embraer E195 – Mach 0.82 (889 km/h)

    Airbus A320 (toda as versões) – Mach 0.82 (889 km/h)

    Bombardier CS-100 – Mach 0.82 (889 km/h)

    Bombardier CS-300 – Mach 0.82 (889 km/h)

    Bombardier CRJ-200 – Mach 0.81 (879 km/h)

    Boeing 767 (todas as versões) – Mach 0.80 (868 km/h)

    Boeing 737 MAX (todas as versões) – Mach 0.79 (857 km/h)

    Boeing 737-900ER – Mach 0.79 (857 km/h)

    Boeing 737-800 – Mach 0.789 (856 km/h)

    Boeing 737-600 – Mach 0.785 (852 km/h)

    Boeing 737-700 – Mach 0.781 (847 km/h)

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    Despacho de bagagem poderá ser pago com milhas na Gol http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2017/10/06/cobranca-bagagem-despachada-milhas-smiles-gol/ http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2017/10/06/cobranca-bagagem-despachada-milhas-smiles-gol/#comments Fri, 06 Oct 2017 16:39:00 +0000 http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/?p=6278

    Companhia não informou os valores cobrados (foto: Divulgação)

    Os passageiros que emitirem passagens da Gol pelo programa de fidelidade da companhia, o Smiles, poderão usar as milhas para pagar também pelo serviço de despacho de bagagem. Até então, a única opção era o pagamento desse serviço em dinheiro ou cartão de crédito. A opção valerá apenas para compras antecipadas do serviço.

    A companhia não informou a quantidade de milhas necessárias, nem se terá um valor fixo ou se o preço irá variar conforme o voo escolhido.

    Em uma simulação feita pela reportagem no site da Smiles, o sistema mostrou apenas a quantidade de milhas para a emissão da passagem e para o pagamento da taxa de embarque. Segundo a empresa, o pagamento para o despacho de bagagem é feito após a emissão do bilhete.

    A nova opção, no entanto, não é válida para os clientes que compram passagem diretamente no site da Gol. Nesse caso, o valor para despachar bagagem nos voos nacionais é de R$ 30 para compras antecipadas e R$ 60 no momento do check-in. Nas viagens internacionais, os valores são de US$ 10 para compras com antecedência e US$ 20 no aeroporto.

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    Para fazer a compra do serviço de despacho de bagagem com milhas Smiles, o pagamento deve ser feito de forma antecipada apenas pelo site do programa e, em breve, pelo aplicativo da Smiles. No momento do check-in no aeroporto, a única opção será pagamento em dinheiro ou cartão de crédito.

    Segundo a empresa, os passageiros que já emitiram um bilhete pela Smiles e ainda não adquiriram o serviço de despacho de bagagem também terão a opção de fazer o pagamento do serviço com milhas do programa de fidelidade.

    Os bilhetes emitidos com milhas Smiles para a classe econômica não tem o serviço de bagagem despachada incluído. A única exceção são as passagens para a classe Gol Premium (disponível somente nos voos internacionais da companhia), que incluem duas malas de até 23 kg por passageiro.

    Os clientes das categorias Prata, Ouro e Diamante que emitirem bilhetes nacionais e internacionais com milhas da Smiles também têm direito a franquias de bagagem gratuitas, desde que coloquem o número de fidelização no ato da compra. Os clientes Prata podem levar uma mala de 23 kg, os da categoria Ouro até duas malas de 23 kg e os da categoria Diamante até três malas de 23 kg.

    Cobrança começou em 20 de junho

    A Gol começou a cobrar pela bagagem despachada em voos nacionais e internacionais no dia 20 de junho. A nova taxa é cobrada dos clientes que compram passagens com a tarifa mais baixa praticada pela companhia aérea, chamada de “Light”. Passagens mais caras, nas tarifas “Programada” e “Flexível”, dão direito ao transporte de uma mala de até 23 kg.

    A cobrança da bagagem foi permitida em dezembro do ano passado em uma nova resolução da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e deveria entrar em vigor em 14 de março. Uma liminar da Justiça Federal chegou a barrar a entrada em vigor das novas regras. A decisão, no entanto, foi suspensa no final de abril e as companhias aéreas passaram a ter o direito de cobrar pela bagagem despachada.

    A Azul iniciou a cobrança de bagagem em voos nacionais no dia 1º de junho. A empresa criou uma nova classe tarifária, chamada de Azul, na qual os passageiros não terão direito ao transporte de bagagem, somente à mala de mão de até 10 kg. Caso decidam levar uma mala de até 23 kg no porão do avião, o valor adicional cobrado também será de R$ 30.

    A Latam começou a cobrar pelo despacho de bagagem no dia 24 de junho. A cobrança de bagagem é feita nas tarifas Promo e Light, as mais baratas da empresa. Ao adquirir o despacho no momento da compra da passagem, o valor cobrado é de R$ 30. Se adquirir o serviço após efetivar a compra, o valor sobe para R$ 50 e chega a R$ 80 para pagamento no momento do check-in.

    A Avianca foi a última companhia aérea brasileira a iniciar a cobrança de bagagem. A nova taxa começou a vigorar no dia 25 de setembro para passagens compradas na tarifa Promo. Para o pagamento pela internet até seis horas antes do voo, o valor é de R$ 30. Se deixar para fazer o pagamento no balcão do check-in, o preço sobe para R$ 60.

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    Voo com conexão é ruim, mas você pode poupar 25% e conhecer outro lugar http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2017/10/04/voo-internacional-com-conexao-mais-barato-pesquisa/ http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2017/10/04/voo-internacional-com-conexao-mais-barato-pesquisa/#comments Wed, 04 Oct 2017 07:00:05 +0000 http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/?p=6273

    Voos com conexão são mais baratos em 60% dos casos (foto: Merelize/FreeRange)

    Fazer um voo direto para chegar ao destino final da viagem é bem mais rápido e confortável do que ter de fazer uma parada no meio do caminho para trocar de avião. Mas esse conforto e agilidade podem fazer a viagem ficar mais cara na maioria das vezes. Um estudo do buscador de passagens aéreas Skyscanner aponta em 60% dos casos as viagens com conexão ficam mais baratas.

    O levantamento, segundo a empresa, analisou milhões de dados, considerando os destinos internacionais mais procurados pelos brasileiros. A pesquisa comparou os valores cobrados pelas companhias aéreas em rotas diretas com os voos que exigem uma troca de avião no meio do caminho. A pesquisa foi feita entre os dias 1º de janeiro de 2016 e 30 de junho de 2017.

    Os voos com conexão normalmente são mais econômicos nas rotas longas saindo do Brasil. Nas viagens para a Cidade do México, os voos com uma parada intermediária podem ficar, em média, 25% mais baratos. Para a Europa, o destino que gera a maior economia ao se optar por um voo com conexão é Lisboa, em Portugal, com uma redução de 16% em relação aos voos diretos. Nos Estados Unidos, Miami e Orlando têm preços 12% mais baratos quando há uma parada.

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    Por outro lado, nas viagens internacionais para destinos mais próximos do Brasil, acontece o contrário: o mais barato é pegar voos diretos. Para viagens a Buenos Aires, na Argentina, a economia em voos diretos pode chegar a 12%, enquanto Santiago, no Chile, tem preços 6% mais baratos nos voos diretos.

    A lista traz também algumas exceções, como o caso de Madri, na Espanha, para onde os voos diretos são 12% mais baratos. Segundo o Skyscanner, isso acontece pela maior oferta de voos para a capital espanhola. O maior desconto nos voos diretos é para Punta Cana, na República Dominicana, cuja economia pode chegar a 48% nas viagens sem conexão.

    Na hora de comprar uma passagem aérea, no entanto, o passageiro não deve analisar somente esse fator, já que há outras variáveis que também influenciam no valor final da viagem. “Normalmente, o preço é influenciado pela disponibilidade dos voos e também pela procura por passagens”, afirma Tahiana Rodrigues, gerente de comunicação do Skyscanner.

    Mesmo nos casos em que os voos com conexão são mais baratos, o passageiro também tem de analisar outras questões, como o intervalo entre os voos, a duração total da viagem e quantos dias ficará naquele destino. “O importante é o viajante avaliar, além do preço, se a parada vale a pena pelo tempo que ele tem disponível”, orienta Tahiana.

    O passageiro que tem períodos mais longos de férias ainda pode aproveitar a conexão para conhecer mais de uma cidade na viagem. De acordo com o tempo entre os voos, é possível fazer somente um passeio curto, mas muitas companhias aéreas permitem que se faça um “stopover” sem custos adicionais. É quando o passageiro para na primeira cidade em que o avião pousar e fica ali por uma ou mais noites antes de prosseguir para seu destino final.

    Destinos onde há mais economia ao viajar com voos de conexão:

    Cidade do México – 25%

    Lisboa – 16%

    Amsterdã – 15%

    Miami – 12%

    Orlando – 12%

    Paris – 11%

    Roma – 11%

    Nova York – 7%

    Destinos que são mais baratos com voos diretos:

    Punta Cana – 48%

    Buenos Aires – 12%

    Madri – 12%

    Santiago – 6%

    Montevidéu – 2%

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    Vai para Europa, EUA ou América do Sul? Veja os novos voos de 10 empresas http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2017/10/02/aumento-voos-internacionais-companhias-aereas/ http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2017/10/02/aumento-voos-internacionais-companhias-aereas/#comments Mon, 02 Oct 2017 07:00:47 +0000 http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/?p=6261

    Companhias aéreas terão novos voos internacionais para o Brasil (Foto: Divulgação)

    Depois de registrar queda de 7,9% nos voos internacionais no último ano, as companhias aéreas dão sinais de recuperação. Dados da Abear (Associação Brasileira de Empresas Aéreas) apontam que houve crescimento no número de passageiros transportados para o exterior pelas empresas brasileiras. No acumulado do ano, a alta já chega a 10%.

    O crescimento do mercado internacional também tem animado as companhias aéreas estrangeiras. Nas últimas semanas, diversas empresas têm anunciado a criação de novos voos, aumento das frequências semanais ou mesmo a utilização de aviões maiores para as rotas já existentes.

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    É um movimento semelhante ao adotado pela Emirates em março, quando a companhia substituiu o Boeing 777 pelo Airbus A380, o maior avião de passageiros do mundo, na rota entre São Paulo e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

    Além do aumento de voos nos mercados mais tradicionais, como São Paulo e Rio de Janeiro, as companhias aéreas também planejam novos voos internacionais a partir de cidades do Norte e Nordeste do Brasil, como Fortaleza (CE), Recife (PE) e Belém (PA).

    Alguns desses novos voos estão programados para iniciar as operações já no final deste ano, enquanto outros devem começar somente no primeiro semestre do próximo. Veja as novidades já anunciadas nos voos internacionais pelas principais companhias aéreas.

    Air France vai ter novas rotas e aumentar capacidade dos voos (foto: Divulgação)

    Air France – KLM

    O grupo Air France/KLM anunciou na última segunda-feira o início de suas operações em Fortaleza a partir de maio do próximo ano. Serão três voos semanais (segundas, quintas e sábados) da KLM entre Amsterdã, na Holanda, e Fortaleza. A Air France terá mais dois voos semanais (sextas e domingos) entre Paris, na França, e a capital cearense.

    Apesar de os voos para Paris serem vendidos pela Air France, a companhia já anunciou que o avião utilizado na rota será da nova empresa do grupo, a Joon. “Será um avião da Joon, mas com o mesmo espaço, o mesmo sistema de entretenimento e o mesmo serviço de bordo da Air France”, afirma o diretor-geral do grupo Air France/KLM para a América do Sul, Jean-Marc Pouchol.

    Na rota entre Paris e Fortaleza, será utilizado um Airbus A340 com capacidade para 278 passageiros, enquanto a KLM deve usar o Airbus A330 para 268 passageiros.

    Além dos novos voos para Fortaleza, o grupo Air France/KLM também já anunciou aumento na oferta de assentos em São Paulo e no Rio de Janeiro.

    A Air France prevê um aumento de 14% na oferta de assentos com novas frequências e aeronaves mais espaçosas. A empresa tem dois voos diários entre São Paulo e Paris e trocou o Boeing 777-200 pelo Boeing 777-300, o que aumento a capacidade do voo de 280 para 322 passageiros. A partir de fevereiro do próximo ano, o Boeing 787 deverá ser utilizado em um dos dois voos diários da empresa.

    Na KLM, a previsão de aumento da oferta de assentos é de 13%. A companhia passará a ter mais um voo semanal entre o Rio de Janeiro e Amsterdã, o que fará com que a companhia tenha voos diários entre as duas cidades. O Boeing 777-200 também será substituído pelo Boeing 777-300. Em alguns dias, a rota será feita com o Boeing 787.

    Air Europa

    A Air Europa também pretende lançar novos voos entre o Nordeste do Brasil e a Europa. A partir de 7 de dezembro, a rota entre Madri, na Espanha, e Salvador (BA) ganhará mais um voo semanal, passando a três frequências por semana.

    Além disso, em 20 dezembro, a companhia inaugura uma nova rota para o Nordeste com dois voos semanais (quartas e sextas) entre a capital espanhola e Recife (PE). A companhia também tem voos diários entre São Paulo e Madri, que não devem sofrer alterações.

    Alitalia

    A italiana Alitalia terá um aumento de 55% no número de voos diretos entre o Brasil e a Itália. A companhia opera voos diários entre São Paulo e Roma e passará a ter dez voos semanais. Na rota entre o Rio de Janeiro e Roma, os voos serão diários – atualmente são três voos semanais.

    O aumento no número de voos está previsto para começar a partir de 29 de outubro. Com o crescimento das frequências semanais, a companhia passará de 2.930 assentos oferecidos por semana para 4.673.

    Com o Boeing 777-300ER, Swiss vai aumentar a capacidade do voo em 55% (foto: Divulgação)

    Swiss

    A Swiss prevê uma oferta de 55% a mais no número de assentos disponíveis na rota entre São Paulo e Zurique, na Suíça, apenas com a substituição do modelo de avião utilizado. A partir de 9 março do próximo ano, o Airbus A340-300, com capacidade para 219 passageiros, será substituído pelo Boeing 777-300ER, que pode levar 340 passageiros. A mudança vai acrescentar 121 assentos em cada voo.

    A Swiss faz parte do grupo Lufthansa. A companhia alemã tem 14 voos semanais entre o Brasil e a Alemanha, ligando São Paulo e Rio de Janeiro a Frankfurt. A empresa, no entanto, não tem previsão de aumento da oferta para os próximos meses.

    Outra empresa do grupo, a Edelweiss tem dois voos semanais entre Rio de Janeiro e Zurique. A companhia também não tem previsão de mudanças.

    Iberia

    No Brasil, a Iberia opera voos diários de Madri, na Espanha, para São Paulo e quatro voos semanais entre a capital espanhola e o Rio de Janeiro. Até o final deste ano, os Airbus A330-300 da empresa que voam para a capital paulista terão uma configuração diferente, com a introdução da classe Premium Economy. Com isso, a oferta de assentos em cada voo aumenta de 278 lugares para 292.

    British Airways

    Com voos diários entre São Paulo e Londres, na Inglaterra, e cinco voos semanais entre Rio de Janeiro e Londres, a British Airways deve fazer mudanças nas duas rotas a partir de 29 de outubro.

    Os voos para São Paulo terão a mesma frequência, mas o Boeing 777-200 será substituído pelo Boeing 777-300, o que deve gerar aumento de 35% na oferta de assentos disponíveis no avião, segundo a empresa. O novo modelo terá capacidade para 297 passageiros.

    Na rota para o Rio de Janeiro, a companhia terá mais um voo semanal, passando a seis frequências por semana. A rota é operada pelo Boeing 787 com capacidade para 214 passageiros.

    Boeing 777 da American Airlines fará mais voos para o Brasil (foto: Getty Images)

    American Airlines

    A American Airlines opera atualmente com 72 frequências semanais nas rotas entre os Estados Unidos e o Brasil. A partir de dezembro, a companhia irá criar novas rotas, adotar aviões com capacidade maior e aumentar a frequência de alguns voos. As mudanças têm como foco a alta temporada do final de ano e não devem ser permanentes ao longo do próximo ano.

    A principal novidade é criação da rota entre Dallas, nos Estados Unidos, e Rio de Janeiro, com voos três vezes por semana a partir de 16 de dezembro com o avião Boeing 767-300. No dia seguinte, a rota entre o Rio de Janeiro e Miami ganha mais um voo diário com o avião Boeing 777-200.

    A partir do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, a companhia também terá mais dois voos semanais para Miami com o Boeing 777-300. O mesmo avião também será utilizado na rota para Dallas, em substituição ao Boeing 787, de menor capacidade de passageiros.

    Nos voos entre São Paulo e Los Angeles, vai acontecer o movimento contrário, com a saída do Boeing 777-300 da rota para a utilização do Boeing 787-900. No entanto, entre 14 de dezembro e 7 de janeiro, o voo será diário – atualmente são cinco frequências semanais.

    Delta

    A Delta afirmou que avalia as demandas do mercado e faz os ajustes de acordo com as necessidades. Recentemente, a companhia aérea anunciou um novo voo sazonal sem escalas entre o Rio de Janeiro e Nova York, que terá início em dezembro e vai até março.

    United Airlines

    A United Airlines, que completa 25 anos de operação no Brasil em outubro, vai substituir os aviões Boeing 767-400ER na rota entre São Paulo e Washington pelos novos Boeing 787-8 para 219 passageiros. Apesar da utilização de um avião mais moderno, a capacidade de passageiros deve ser reduzida em 23 lugares.

    Avianca Brasil terá voos para Nova York a partir de dezembro (Foto: Divulgação)

    Avianca Brasil

    A brasileira Avianca fez a sua estreia internacional neste ano. A primeira rota foi entre Fortaleza (CE) e Bogotá, na Colômbia, com um voo semanal. Logo depois, em junho, veio o primeiro voo de longa duração da companhia na rota entre São Paulo e Miami. Em agosto, a companhia passou a voar também para Santiago, no Chile.

    Até o final do ano, a empresa ainda deve ter um voo diário, sem escala, entre São Paulo e Nova York e dois voos semanais entre Salvador (BA) e Bogotá e entre Recife (PE) e Bogotá.

    Latam

    A brasileira Latam tem diversas novidades nas suas rotas internacionais, como a retomada de voos na rota entre Brasília e Punta Cana, na República Dominicana, o aumento gradual de frequências na rota entre São Paulo e Nova York e as novas rotas sazonais entre Salvador e Buenos Aires, na Argentina, e entre Florianópolis e Montevidéu, no Uruguai.

    No Rio de Janeiro, a companhia inaugurou a rota entre Rio de Janeiro e Orlando, nos Estados Unidos, anunciou a rota entre o Rio de Janeiro e Lima, no Peru, e ampliou o número de voos para Miami.

    Na alta temporada do fim de ano, a companhia também vai ampliar de três para cinco frequências semanais os voos entre São Paulo e Johannesburgo, na África do Sul. A mudança vale a partir de 13 de novembro.

    Gol tem voos de 12 cidades brasileiras para Buenos Aires (Foto: Divulgação)

    Gol

    A Gol tem como foco principal nas rotas internacionais os voos para a América do Sul. Somente para Buenos Aires, a companhia opera a partir de 12 cidades brasileiras. Nos últimos meses, a Gol iniciou os voos a partir de João Pessoa (PB), Manaus (AM) e Belo Horizonte (MG) para a capital argentina.

    Em junho, a companhia também iniciou uma nova operação direta entre o Rio de Janeiro e Santiago, no Chile.

    A companhia afirma também que faz constantes aumentos de frequência de seus voos para atender a demanda em períodos de maior procura, como na alta temporada. “A Gol faz avaliações frequentes do mercado para atender a sazonalidade do setor aéreo”, diz a empresa em nota.

    A Gol também deve se beneficiar do aumento dos voos de suas companhias parceiras. Com a criação dos voos da Air France e da KLM em Fortaleza, a companhia deve aumentar em 35% seus voos na capital cearense.

    Azul

    A Azul irá aumentar sua participação no mercado dos Estados Unidos com a criação de duas novas rotas entre Belém (PA) e Fort Lauderdale e entre Belo Horizonte (MG) e Orlando. Nos voos entre Belo Horizonte e Buenos Aires, a companhia irá substituir os jatos Embraer 195, com 118 assentos, pelos Airbus A320, com capacidade para 174 passageiros. Todas as mudanças acontecerão a partir de dezembro.

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    Jatinho mais barato do mundo tem só um motor e paraquedas de emergência http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2017/10/01/jato-executivo-mais-barato-do-mundo-cirrus/ http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2017/10/01/jato-executivo-mais-barato-do-mundo-cirrus/#comments Sun, 01 Oct 2017 07:00:35 +0000 http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/?p=6244

    Jatinho da Cirrus tem só um motor em cima da cabine de passageios (foto: Divulgação)

    O jatinho executivo mais barato do mundo, o Cirrus SF50 Vision Jet, virá ao Brasil pela primeira vez na próxima semana. Com preço de venda a partir de US$ 1,9 milhão (R$ 6 milhões), o modelo custa menos da metade do jato mais barato da Embraer, o Phenon 100, avaliado em US$ 4,5 milhões (R$ 14,2 milhões).

    Além do preço mais baixo, o modelo também chama atenção pelas diversas inovações. O Cirrus SF50 Vision Jet é o único jato executivo monomotor do mundo e o único a contar com um sistema que aciona um paraquedas de emergência para o avião em caso de alguma falha do motor.

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    O jatinho estará no país entre os dias 6 e 8 de outubro para fazer demonstrações a clientes do avião no Hotel Portobello Resort, em Mangaratiba (RJ). Antes mesmo de voar no país, o modelo já tem feito sucesso entre o público brasileiro.

    Segundo a Plane Aviation, representante da Cirrus no Brasil, o Vision Jet já tem 600 encomendas em todo o mundo, sendo que o Brasil representa 10% das vendas. A expectativa da empresa é de que os primeiros aviões sejam entregues no país a partir do próximo ano.

    A Cirrus, no entanto, ainda aguarda a certificação do modelo no Brasil pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Nos Estados Unidos, onde o modelo é fabricado, o Cirrus SF50 Vision Jet recebeu a certificação da FAA, autoridade norte-americana de aviação, no final do ano passado.

    Monomotor e com paraquedas de emergência

    O primeiro jato monomotor tem como foco principal os donos de avião que também são pilotos. “É um jato projetado para ser pilotado pelo proprietário, sem a necessidade de um piloto profissional em tempo integral”, afirma a empresa. Nos Estados Unidos, o avião já foi certificado para ter apenas um piloto a bordo.

    Paraquedas permite o pouso seguro em caso de falha no motor (foto: Divulgação)

    O único motor do avião está instalado em cima da cabine de passageiros. Por conta disso, o jato ganhou uma cauda em V, o que deixa seu design mais curioso. Em caso de falha do motor e sem um local adequado para o pouso, o piloto pode acionar o sistema de emergência que abre um paraquedas para o avião.

    É um esquema para o avião, e não para os passageiros. Ou seja, o paraquedas segura a aeronave, fazendo com que ela pouse mais lentamente numa situação de emergência.

    Esse sistema está presente em todos os aviões fabricados pela Cirrus. Os modelos SR 20 e SR 22 também são monomotores, mas utilizam um motor a pistão com hélice na frente do avião. Segundo a Cirrus, o sistema de paraquedas de emergência já salvou mais de 100 vidas.

    O SF50 Vision Jet voa a 550 km/h, com autonomia para alcançar até 1.800 km de distância, a uma altitude máxima de 8.500 metros em relação ao nível do mar. O avião tem 9,4 metros de comprimento, 11,7 metros de envergadura (distância entre as pontas das asas) e 3,2 metros de altura.

    Na área interna, o jatinho pode ser configurado para transportar até sete pessoas, sendo cinco adultos e duas crianças. São dois assentos na cabine de comando e os demais na área de passageiros. Todas as poltronas são revestidas em couro e contam com entradas USB e para fones de ouvido.

    Na cabine de piloto, todos os equipamentos são digitais. O piloto pode acessar todas as informações do voo e os parâmetros de funcionamento do avião em telas sensíveis ao toque. No lugar do manche tradicional, a Cirrus optou pelo sidestick (semelhante ao joysitick de videogame). É o mesmo padrão utilizado nos mais modernos jatos executivos da Embraer ou nos grandes aviões da Airbus.

    Depois da primeira passagem pelo Brasil, a Plane Aviation pretende manter um exemplar do Cirrus SF50 Vision Jet de forma permanente no país a partir de dezembro deste ano para servir de demonstração a potenciais clientes.

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    American vai pôr mais passageiros no avião, mas diz que não vai apertá-los http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2017/09/30/espaco-assento-aviao-american-airlines/ http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2017/09/30/espaco-assento-aviao-american-airlines/#comments Sat, 30 Sep 2017 07:00:39 +0000 http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/?p=6252

    Empresa afirma que o limite entre os assentos é de 76 cm (foto: Divulgação)

    Por Vinícius Casagrande

    Em Dallas (EUA)

    O CEO da American Airlines, Doug Parker, afirmou que a companhia vai aumentar o número de passageiros por avião, mas que isso não vai reduzir ainda mais o espaço entre as poltronas dentro de seus aviões. Segundo o executivo, o limite estabelecido pela empresa é de uma distância de, no mínimo, 76 cm entre as poltronas. “Não vamos reduzir o espaço além disso”, diz.

    A companhia área tem feito a reconfiguração interna de seus aviões para ter o mesmo padrão tanto nas aeronaves provenientes da US Airways como da própria American Airlines – as duas empresas realizaram a fusão no final de 2013.

    No caso do Airbus A321, por exemplo, os aviões originários da American Airlines tinha capacidade para 181 passageiros, enquanto os que eram da US Airways contavam com 187 assentos. Com a reconfiguração interna, todos os aviões do modelo passam a ter capacidade para 190 passageiros.

    O aumento do número de lugares dentro dos aviões, segundo a companhia, é possível com o uso de assentos mais finos.

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    Mesma quantidade de aviões, mais capacidade de passageiros

    Com 1.544 aviões em operação nas rotas domésticas e internacionais, a companhia aérea norte-americana American Airlines tem planos de aumentar sua oferta de assentos sem alterar a quantidade de aviões. Para isso, a empresa tem realizado desde 2014 uma forte renovação de sua frota.

    A principal mudança está na aquisição de aeronaves maiores tanto para as rotas domésticas como internacionais. No mercado dentro dos Estados Unidos, a estratégia da empresa é ter mais aviões com capacidade entre 161 e 200 passageiros, reduzindo a quantidade de aviões entre 99 e 160 assentos.

    Em 2014, a empresa tinha 587 aviões com capacidade entre 99 e 160 lugares. Esse número deve cair para cerca de 200 aeronaves em 2021. Por outro lado, o número de aviões entre 161 e 200 assentos deve subir de 245 unidades para cerca de 600 aviões.

    Outra novidade é chegada dos novos aviões Boeing 737 MAX. A companhia recebeu nesta quinta-feira (28) a primeira aeronave da nova família de jatos comerciais da fabricante norte-americana. A American Airlines tem encomenda para 100 aeronaves desse modelo, que devem ser entregues ao longo dos próximos cinco anos.

    A tendência de utilizar aviões maiores também deve ocorrer nas rotas de longa duração. As aeronaves com capacidade entre 201 e 250 passageiros vão ser reduzidas de 111 unidades para cerca de 50 até 2021, enquanto os aviões com mais de 250 assentos devem mais do que dobrar, passando de 40 unidades em 2014 para aproximadamente 100 aviões em 2021.

    Desde que começou a sua renovação da frota, a American Airlines já recebeu 496 novos aviões. No mesmo período, a companhia aposentou 469 aeronaves antigas. Atualmente, a frota da companhia tem uma idade média de dez anos.

    Plano de frota da American Airlines para 2021:

    150 a 200 jatos regionais de até 98 passageiros (eram 328 em 2014)

    400 a 450 jatos regionais configurados com duas classes de cabine (eram 238 em 2014)

    200 aviões entre 99 e 160 passageiros (eram 587 em 2014)

    600 aviões entre 161 e 200 passageiros (eram 245 em 2014)

    50 aviões entre 201 e 250 passageiros (eram 111 em 2014)

    100 aviões acima de 250 passageiros (eram 40 em 2014)

    Mais eficiência e novas receitas

    Com a renovação da maior frota de aviões entre todas as companhias aéreas do mundo, a American Airlines busca operar com mais eficiência para reduzir seus custos e aumentar a capacidade de passageiros.

    O CEO da companhia apresentou dados que apontam que, entre 1978 e 2013, o lucro total da American Airlines naquele período foi de US$ 1 bilhão. Desde 2014, no entanto, a rentabilidade da companhia tem apresentado resultados bem melhores. Nos últimos quatro anos, o lucro acumulado da companhia saltou para US$ 19,2 bilhões.

    Além de aumentar o número de passageiros, a companhia também busca novas receitas com a venda de serviços adicionais, como a reserva antecipada de assento, o despacho de bagagem nos voos domésticos ou o acesso à conexão wi-fi dentro dos aviões.

    Para o presidente da American Airlines, Robert Isom, a cobrança por esses serviços extras permite que a companhia reduza o preço das passagens aéreas para competir em melhores condições com as companhias norte-americanas de baixo custo.

    “O que estamos fazendo agora não é um corte de custos, mas combinar um preço do produto com a expectativa do cliente. Isso nos permite competir melhor. O cliente pode voar pela American com o preço de low cost e ter alguns benefícios adicionais”, afirma.

    Além da venda de serviços extras, a companhia aérea também tem adotado a estratégia de criar novas classes de cabine a bordo de seus aviões, especialmente nas aeronaves maiores. A classe Premium Economy, categoria intermediária entre a econômica e a executiva, por exemplo, atualmente está presente em 26% dos aviões de dois corredores da empresa. A previsão é que todos os aviões dessa categoria tenham a classe Premium Economy até o final do próximo ano.

    União com a Latam

    Com uma forte presença no Brasil – atualmente são 72 voos semanais no país – e na América do Sul, a American Airlines tem a expectativa de concluir o processo de joint-venture com a Latam até o ano que vem.

    O acordo já foi aprovado em diversos mercados operados pelas duas companhias aéreas, como Colômbia, Peru e Uruguai. No Brasil, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) já emitiu parecer positivo.

    Para que o negócio seja concretizado, no entanto, ainda falta a aprovação das autoridades chilenas e do acordo de céus abertos entre o Brasil e os Estados Unidos. “O resultado será de crescimento do mercado, aumento da oferta e redução dos preços”, afirma Joe Mohan, vice-presidente de Alianças e Parcerias da American Airlines.

    O jornalista viajou a convite da American Airlines.

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    Comandante de avião pode desviar voo, barrar, prender ou casar passageiros? http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2017/09/26/piloto-comandante-aviao-comercial-passageiros/ http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2017/09/26/piloto-comandante-aviao-comercial-passageiros/#comments Tue, 26 Sep 2017 07:00:27 +0000 http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/?p=6231

    Comandante é a principal autoridade a bordo do avião (Foto: Divulgaçao/Air France)

    A bordo de um avião, o comandante é considerado a autoridade máxima durante o voo. Segundo determina o Código Brasileiro de Aeronáutica, o comandante é um “membro da tripulação, designado pelo proprietário ou explorador (da aeronave) e que será seu preposto durante a viagem”. Ele é responsável pela operação e segurança da aeronave desde o momento em que se apresenta para o voo até a entrega da aeronave, após a viagem.

    Na parte operacional do voo, o comandante é o responsável pela garantir a segurança, mas não necessariamente é ele quem deve estar nos comandos do voo, pilotando de fato o avião, durante todo o tempo. Em todas as companhias aéreas do mundo, essa tarefa é sempre compartilhada com o copiloto. “Os dois são pilotos e recebem o mesmo treinamento para operar o avião em segurança”, afirma o comandante Carlos Junqueira, diretor operacional da Gol.

    Além de pilotar o avião, o comandante também deve administrar qualquer imprevisto a bordo. É ele o responsável por determinar se será necessário fazer um pouso não programado em outro aeroporto que não seja o do destino final do avião, se um passageiro deve ser imobilizado para ser entregue às autoridades policiais e por registrar todas as ocorrências no livro de bordo do avião.

    “O comandante é o gestor, o CEO de uma unidade de negócios de US$ 56 milhões, que é o valor, por exemplo de um Airbus A319”, afirma o comandante Celso Giannini, piloto-chefe da Latam.

    Todas as funções e obrigações do comandante da aeronave estão designadas no capítulo três do Código Brasileiro de Aeronáutica. A lei federal afirma que o “comandante exerce autoridade sobre as pessoas e coisas que se encontrem a bordo”, mas até que ponto vão os poderes do comandante?

    O comandante pode impedir o embarque de algum passageiro?

    Segundo o Código Brasileiro da Aeronáutica, o comandante tem o poder de desembarcar qualquer pessoa ou carga do avião, “desde que comprometa a boa ordem, a disciplina, ponha em risco a segurança da aeronave ou das pessoas e bens a bordo”.

    O piloto-chefe da Latam afirma que no momento do embarque, além de dar as boas-vindas, os comissários também avaliam as condições de cada passageiro. “Às vezes, a pessoa tem medo de voar e bebe a mais na sala de espera para relaxar. Quando um comissário avalia que esse passageiro pode trazer algum problema, avisa o comandante para ele tomar uma decisão”, afirma Giannini.

    O comandante lembra de um caso que impediu o embarque de uma passageira argentina, no aeroporto de Miami, que se recuperava de um transplante de médula. Ao entrar no avião, a passageira avisou a uma comissária que havia perdido sua bolsa com metade dos medicamentos que precisaria tomar durante o voo, além da autorização médica para a viagem.

    Após consultar o serviço médico que dá suporte às companhias aéreas, o comandante decidiu impedir o embarque da passageira. “Foi uma decisão para garantir a segurança da própria passageira. Se ela se sentisse mal, talvez teria de fazer um pouso em alguma ilha do Caribe que não tivesse condições para atendê-la adequadamente”, afirma o piloto-chefe da Latam.

    Comandante não pode prender um passageiro, mas avisa a polícia no primeiro pouso (foto: southerlycourse/Getty Images)

    O comandante pode prender algum passageiro?

    Quando algum passageiro causa distúrbios a bordo do avião que podem afetar a segurança do voo, de outros passageiros ou de membros da tripulação, o comandante não tem poder de polícia para determinar a prisão.

    “A gente realmente não tem poder de polícia e não pode prender uma pessoa. O que existe é um procedimento especial de imobilização de um passageiro que possa trazer riscos para outros passageiros ou para a segurança da aeronave”, afirma o diretor de operações da Gol.

    Nesses casos, após a imobilização, o comandante comunica o ocorrido aos órgãos de controle de tráfego aéreo, que acionam a Polícia Federal (ou a polícia de outro país). É o comandante que decide se o avião prosseguirá até o destino programado ou se terá de fazer um pouso em outro aeroporto para o desembarque do passageiro. “No primeiro pouso, entregamos às autoridades competentes para proceder a prisão ou o que for a consequência do fato”, diz Junqueira.

    Se necessário, comandante muda a rota do avião (fFoto: Getty Images/iStockphoto)

    Quais as responsabilidades do comandante quando um passageiro passa mal a bordo?

    Os comissários de bordo são treinados para prestar os primeiros socorros quando um passageiro passa mal a bordo do avião. Se o caso for mais grave, no entanto, a primeira providência é verificar se há um médico a bordo para prestar assistência. Se não houver um médico dentro do avião, as companhias contam com um suporte remoto.

    Depois de avaliar as reais condições do passageiro que está passando mal dentro do avião, o comandante pode decidir desviar a rota do avião e fazer um pouso em outro aeroporto. “Nesse caso, o comandante escolhe, entre os aeroportos mais próximos, aquele que tem mais condições para um pouso seguro e recursos para prestar assistência ao passageiro”, afirma o comandante Giannini.

    O comandante pode homologar testamento durante o voo?

    O comandante Junqueira tem 38 anos de experiência como piloto de avião. O comandante Giannini tem 29 anos de voo. Ambos afirmaram que nunca souberam de um caso de algum passageiro que, sentindo-se mal e com medo de morrer, tenha decidido fazer um testamento ainda dentro do avião. Mas e se essa situação inusitada acontecer um dia?

    “De acordo com o Código Civil, o testamento pode ser feito a bordo da aeronave na presença de duas testemunhas e de forma semelhante ao testamento público”, afirma o diretor de operações da Gol. Nesse caso, a única função do comandante é registrar o ato no livro de bordo do avião.

    E realizar casamentos?

    O comandante pode até ser a autoridade máxima durante o voo, mas realizar casamentos está longe de seus poderes a bordo do avião. “Esse mito de que o comandante pode fazer tudo é um pouco da herança dos capitães de navio, que faziam viagens longas e era normal ter um casamento a bordo. Mas as viagens de avião são rápidas e não temos o poder de ser juiz de paz”, afirma o comandante Junqueira.

    Para o piloto-chefe da Latam, o cargo de comandante de avião é cercado de muitos mitos. “Existe muito folclore envolvido. As pessoas acham que temos poderes muito maiores do que são na realidade”, afirma o comandante Giannini.

    O que o comandante deve fazer quando morre alguém durante o voo?

    Nenhum membro da tripulação, nem mesmo o comandante do voo, pode declarar o óbito de algum passageiro. Essa responsabilidade é exclusiva dos médicos. Por isso, quando um passageiro tem algum mal súbito a bordo, o procedimento mais comum é o comandante alterar o destino do avião, pousar no aeroporto mais próximo e solicitar a assistência médica.

    No entanto, se houver um médico a bordo que ateste que o passageiro morreu durante o voo, o comandante não precisa procurar um outro aeroporto para pousar e pode continuar até o seu destino final. “Nesse caso, é pensado até mesmo no conforto da família. Ir até o destino final causa bem menos problemas do que se pousasse em algum outro lugar, o que ia exigir o deslocamento de outros familiares”, afirma o comandante Giannini.

    Dentro do avião, não existe uma área específica para que colocar o corpo de um passageiro que morreu a bordo. Quando isso acontece, os comissários procuram uma fileira de assentos vazia ou podem colocá-lo até mesmo na área dos comissários.

    Após o pouso, o óbito dever ser registrado no livro de bordo do avião, que será utilizado para a emissão dos documentos necessários.

    E quando nasce um bebê?

    Essa é outra situação na qual a função do comandante é apenas garantir a segurança do voo e dos passageiros a bordo. Quando alguma mulher entra em trabalho de parto durante o voo, o comandante apenas avalia se é possível chegar até o destino final ou se é necessário pousar em outro aeroporto.

    Durante o parto, os cuidados à passageira são feitos pelos comissários de bordo ou por algum médico, caso tenha algum durante o voo. Nesse caso, também não há uma área específica para realizar o parto e os comissários procuram um local que seja mais adequado. Ao comandante, resta apenas comunicar o controle de tráfego aéreo para solicitar assistência após o pouso e registrar o nascimento do bebê no livro de bordo do avião.

    O comandante pode afastar algum membro da tripulação?

    O comandante do voo é o chefe de toda a tripulação. Os comandantes Junqueira e Giannini afirmam que são raros os casos de conflitos entre membros da tripulação. No entanto, se houver qualquer tipo de animosidade, a responsabilidade para resolver o problema é do comandante.

    Se verificar que algum membro, por qualquer motivo, não tem condição de voar, o comandante pode solicitar a sua retirada da escala e a substituição por um tripulante reserva.

    No entanto, o comandante não pode demitir ninguém. Ele afasta o membro da tripulação somente daquele voo específico.

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