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Arquivo : aviação

Feira em SP tem jato executivo de R$ 220 mi que voa até Moscou sem escala
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Dassault Falcon 8X voa de São Paulo a Moscou sem escala (Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

O aeroporto de Congonhas, em São Paulo, recebe nesta semana a maior feira de aviação executiva da América Latina. Em sua 15ª edição, a Labace (Latin American Business Aviation Conference & Exhibition) será aberta na terça-feira (14) com a expectativa de retomada no mercado da aviação de negócios no Brasil e de movimentar mais de R$ 1 bilhão em negócios.

No total, a feira deve reunir 47 aviões e helicópteros. Das mais de 90 empresas participantes da feira, 20 estarão na Labace pela primeira vez.

Um dos grandes destaques será o Dassault Falcon 8X, avaliado em US$ 57,5 milhões (R$ 222,2 milhões). Com capacidade para até 19 passageiros, o jato de três motores tem autonomia para voar de São Paulo a Moscou (Rússia) sem parar para reabastecer.

O jato tem cabine interna dividida em três áreas, além de uma cozinha completa e banheiro. Os dois sofás podem ser abertos e transformados em uma cama de casal. Os passageiros contam ainda com sistema individual de entretenimento a bordo, que permite acessar a Netflix.

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A Embraer expõe pela primeira vez na Labace os jatos executivos Phenom 100EV, Phenom 300E e Legacy 650E com interior completo. Os aviões receberam recentemente inovações tecnológicas para melhorar o desempenho e uma nova configuração interna para aumentar o conforto dos passageiros.

Cabine interna do Citation Longitude, uma das novidades da Labace (Divulgação)

Outra novidade da feira é o Cessna Citation Longitude. Será a primeira vez que o jato vem ao Brasil. Com capacidade para até 12 passageiros, o jato tem velocidade de cruzeiro de 880 km/h e pode percorrer mais de 6.000 quilômetros. É o maior jato executivo fabricado pela Cessna.

O helicóptero Bell 505 Jet Ranger X também vem ao Brasil pela primeira vez. Com capacidade para quatro passageiros, além do piloto, e velocidade máxima de 230 km/h, o helicóptero recebeu a certificação operacional no ano passado e tem mais de 30 encomendas no mercado brasileiro. O modelo é avaliado em US$ 1,1 milhão (R$ 4,2 milhões).

Avaliado em US$ 62,3 milhões (R$ 240 milhões), o Bombardier Global 6000 é o jato mais caro da Labace neste ano. Segundo a fabricante, o jato pode ligar São Paulo a Lisboa, Madrid, Nice ou Londres sem escalas, com oito passageiros e quatro tripulantes a bordo.

Primeiros sinais de recuperação do setor

O Brasil é dono da segunda maior frota do mundo da aviação geral, que inclui jatos executivos, helicópteros e aviões de pequeno porte. Dados de maio deste ano mostram que são 15.419 aeronaves em operação no país, sendo 769 jatos, 1.325 turboélices, 2.084 helicópteros, 11.201 aeronaves convencionais de pequeno porte e 40 aviões anfíbios.

Apesar de o tamanho da frota brasileira se manter estável nos últimos anos, o número de operações de pouso e decolagem vinha apresentando queda desde 2012. No ano passado, no entanto, o setor deu os primeiros sinais de recuperação, com crescimento de 13%. Em 2017, foram 583 mil pousos e decolagens, contra 514 mil do ano anterior.

O volume total de voos, no entanto, ainda está bem abaixo do pico de 2012. Naquele ano, houve 772 mil operações de pousos e decolagens na aviação geral. Os dados foram compilados pelo Instituto Brasileiro de Aviação nos 33 principais aeroportos do país, que abrangem 80% dos voos no Brasil.

Setor agrícola puxa crescimento

“Nosso negócio é totalmente ligado à economia do país. Com a perspectiva de crescimento, já vemos alguns sinais de melhora”, afirma Leonardo Fiuza, presidente do conselho da Abag (Associação Brasileira de Aviação Geral), organizadora da Labace.

O diretor-geral da Abag, Flavio Pires, afirma que o setor agrícola tem sido o responsável por garantir o crescimento da aviação geral no país. “A tendência é de melhora para os próximos meses graças ao setor agrícola”, afirma.

O presidente do conselho da Abag afirma que, apesar dos sinais de recuperação, ainda há incertezas do que pode acontecer no país nos próximos meses por conta das eleições. “Nosso crescimento depende de como a economia vai ser impactada com as eleições. Dependendo do impacto, a aviação geral também será afetada”, diz.

Labace (Latin American Business Aviation Conference & Exhibition)

Dias 14, 15 e 16 de agosto de 2018
Aeroporto de Congonhas – acesso pela Rua Tamoios, 361, Jardim Aeroporto, São Paulo
Horário: das 12h às 20h (dia 14) – das 12h às 19h (dias 15 e 16)
Ingressos: R$ 450 (compras somente pela internet)
www.labace.com.br

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Clima influencia segurança do avião. É melhor voar no frio ou no calor?
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Clima influencia principalmente nos pousos e decolagens (Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

Para voar, os aviões precisam que o ar passe em velocidade pelas asas. Os motores precisam do ar para poder funcionar e gerar a máxima potência. É natural, então, que a condição do ar influencie diretamente no desempenho do avião. Mas qual a condição ideal do ar para o avião voar melhor? Frio ou calor?

A qualidade do ar para o voo sofre diversas influências, como temperatura local, altitude da pista de decolagem, umidade e pressão atmosférica. A condição ideal é que o conjunto de todas essas variáveis proporcione um ar com densidade elevada. Com um ar mais denso, há mais partículas em contato com as asas e alimentando os motores do avião, gerando mais sustentação e potência.

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O maior problema para os aviões ocorre nas fases críticas de decolagem e pouso. Na decolagem, o avião precisa de potência para ganhar velocidade e sustentação o mais rápido possível. No pouso, é necessário ter sustentação com a menor velocidade possível para facilitar a frenagem.

As condições ideais do ar para pousos e decolagens são:

– Ar seco
– Baixa temperatura
– Baixa altitude
– Alta pressão

Quando encontra todas essas situações, o avião consegue decolar e pousar percorrendo uma menor extensão da pista. Isso garante mais segurança às operações aéreas.

No momento da decolagem, os pilotos têm de estar atentos a diversas velocidades do avião. A principal é chamada de V1. É a velocidade limite para que o avião consiga abortar a decolagem em caso de alguma pane e frear com segurança ainda dentro da pista. Esse cálculo é feito levando em consideração o peso do avião, o tamanho da pista, a altitude do aeroporto e as condições do ar, como temperatura, pressão e umidade.

Durante o verão, é comum casos de voos cancelados ou nos quais o avião precisa decolar com menos peso por conta da baixa densidade do ar. Como não é possível alterar as condições do ar, é necessário diminuir o peso do avião para que a velocidade de segurança seja atingida no ponto ideal da pista.

No inverno com baixas temperaturas e geralmente com o ar mais seco, a densidade do ar aumenta. Assim, os aviões conseguem decolar e pousar com mais facilidade.

Além de mais seguro, o voo também costuma ser mais confortável para os passageiros nos dias frios. Com a temperatura mais baixa, a atmosfera tende a ser mais calma, gerando menos turbulência no avião especialmente nas fases de pouso e decolagem.

Voo de cruzeiro

Em altitude de voo de cruzeiro (geralmente a cerca de 10 quilômetros de altitude), os aviões encontram uma condição de ar rarefeito. Quanto maior a altitude, menor a temperatura e a densidade do ar. Essa é uma condição da própria atmosfera terrestre, e os aviões são projetados para voar nessas condições.

Quando atingem a altitude de cruzeiro, os aviões precisam de menos potência nos motores para manter a velocidade, já que a resistência do ar (arrasto) também é menor. Além disso, com o ar rarefeito há uma maior economia de combustível. Como existem menos moléculas de ar na altitude, também são necessárias menos moléculas de combustível.

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Por que os aviões precisam arremeter? Manobra é segura?
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Arremetida ocorre quando condições de pouso não são adequadas (foto: iStock)

Por Vinícius Casagrande

As arremetidas de aviões costumam causar certo desconforto aos passageiros e são muitas vezes vistas como uma manobra perigosa. Na prática, no entanto, a arremetida tem como objetivo exatamente aumentar a segurança e diminuir o risco de um pouso problemático.

A manobra ficou em evidência após a queda de um avião bimotor King Air C90 no último domingo (29)  no aeroporto Campo de Marte, em São Paulo. Antes de se chocar com a pista do aeroporto, o avião já teria feito duas arremetidas por conta de problemas no trem de pouso, segundo relatos de testemunhas. Na hora da queda, no entanto, o avião estaria preparado para o pouso. As causas do acidente estão sendo investigadas pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

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Manobra é segura, diz comandante

A arremetida acontece quando, ao se aproximar para o pouso, o piloto da aeronave verifica que nem todas as condições de voo do avião estão corretas para tocar o solo com segurança. Isso pode acontecer por uma falha dos procedimentos, como velocidade ou altitude inadequadas para o pouso, ou por fatores externos, como mudança repentina do vento, objetos na pista ou mesmo orientação do controle de tráfego aéreo.

“Podem ser vários fatores, mas a arremetida é uma manobra extremamente segura e que não envolve nenhum risco. Os pilotos são muito treinados para isso. Na prática, é só continuar voando o avião”, afirma o comandante Miguel Ângelo, diretor de segurança operacional da Aopa Brasil (Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves).

Piloto deve verificar todas as informações do avião

Para os pilotos, o pouso começa assim que se iniciam os procedimentos de descida para o aeroporto de destino. Conforme o avião perde altitude, o piloto também tem de diminuir a velocidade da aeronave e seguir as regras de aproximação para aquele aeroporto.

Ao atingir a altura de 1.000 pés (305 metros) em relação ao solo, o avião já deve estar na configuração ideal para pouso. Alguns critérios que devem ser checados pelo piloto é a velocidade correta, posicionamento do trem de pouso, razão de descida (velocidade vertical) e posicionamento dos flapes. “Existe uma janela de segurança. Quando algo está fora dessa janela, o piloto deve arremeter”, diz o comandante.

Mesmo quando o avião está com todas as configurações corretas, outros problemas podem dificultar o pouso. Um dos mais comuns é conhecido como tesoura de vento. É quando ventos fortes estão presentes próximo à cabeceira da pista e desestabilizam a aproximação do avião.

Em aeroportos muito movimentados, se um avião pousa e demora muito para sair da pista, a aeronave que está se aproximando na sequência pode ter que arremeter. Os aviões só podem tocar no solo quando a pista estiver completamente livre.

Piloto tem de acelerar e subir

Ao iniciar uma arremetida, o piloto basicamente abandona os procedimentos de descida e volta a ganhar altitude com o avião. Para isso, é necessário aumentar a potência dos motores (acelerar o avião) e levantar o nariz do avião para ele subir novamente. Além disso, o piloto precisa recolher o trem de pouso e fazer outras mudanças nas configurações, como posicionamento dos flapes, por exemplo.

O comandante Miguel Ângelo afirma que, desde 1971, quando iniciou sua carreira de piloto, já foi obrigado a realizar algumas arremetidas. “Mas não foram muitas. Já para as companhias aéreas, que têm entre 800 e 900 voos por dia, é comum ter uma ou duas arremetidas por dia”, diz.

Durante a carreira, um piloto faz inúmeros treinamentos de arremetida. Assim que inicia o curso de formação básica, o aluno faz suas primeiras arremetidas já nas primeiras aulas de voo. Mesmo com milhares de horas de experiência, o treinamento continua a ser feito nas constantes sessões de simulador que são obrigados a fazer.

“Não existe aquilo de que o piloto fez uma manobra arriscada para evitar uma tragédia. Em vez de pousar, o piloto simplesmente continuou voando o avião, o que é mais seguro do que pousar em condições inadequadas. É algo normal e que envolve muito treinamento”, afirma o comandante Miguel Ângelo.

Embora muitos passageiros fiquem com medo de uma arremetida, o fato é que a manobra está garantindo a segurança do voo. São raríssimos os casos de acidente durante a arremetida. Em todo o mundo, ocorrem várias arremetidas todos os dias, e quase nenhuma vira notícia.

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Réplica de avião da Pan Am que não voa cobra R$ 3.330 por jantar com caviar
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Jantar de gala servido em réplica de avião da Pan Am (Divulgação)

A extinta companhia aérea Pan Am é um dos principais símbolos da chamada era de ouro da aviação mundial. A empresa, extinta em 1991, era reconhecida pelo seu serviço de bordo de primeira linha, com poltronas amplas e refeições comparáveis a de restaurantes premiados.

Com um serviço de luxo, eram poucos os passageiros que podiam pagar as tarifas cobradas na época. Em troca da popularização do transporte aéreo e redução dos preços das passagens, ao longo dos anos, o espaço para esticar as pernas foi reduzido, e as refeições ficaram bem mais simples.

Mas uma experiência em Los Angeles (EUA) promete relembrar em detalhes a sensação de voar com todo o requinte da Era de Ouro da aviação. O único detalhe é que o “avião” não sai do chão. A ideia é fazer um grande jantar de volta ao passado.

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Funcionários vestidos como nos anos de ouro da Pan Am (Divulgação)

Cenário de cinema

O Pan Am Experience foi criado dentro dos estúdios da Air Hollywood, empresa especializada em criar cenários de cinema tendo os aviões como pano de fundo. Dessa vez, no entanto, o objetivo era fazer algo além do cinema e que pudesse ser vivido por qualquer pessoa. O Pan Am Experience começou em 2014 e atualmente conta com eventos mensais. O próximo será no dia 21 de julho.

Assim, a Air Hollywood criou uma réplica de um Boeing 747 dentro dos estúdios da empresa. Do lado de fora do “avião”, uma sala VIP é utilizada para fazer o check-in dos passageiros. Enquanto aguardam a hora do embarque, os passageiros podem degustar diversos drinques e aperitivos.

Quando as portas do avião se abrem, os passageiros são recebidos por uma tripulação devidamente trajada com uniformes iguais aos dos anos 1960 e 1970 que eram utilizados pelos funcionários da Pan Am. Antes do “voo”, há até mesmo a demonstração dos procedimentos de segurança.

Em um época em que era permitido até mesmo fumar a bordo dos aviões, o Pan Am Experience conta com cigarros cenográficos para os passageiros da experiência se divertirem. Mas é tudo encenação, porque fumar de verdade é proibido.

Há três opções de serviços na Pan Am Experience (Divulgação)

Jantar de gala

Com todos os passageiros sentados e relaxados, é hora de servir o jantar. A empresa afirma que a ideia é recriar até mesmo os cardápios que eram servidos a bordo dos aviões da Pan Am. E, por incrível que pareça nos dias atuais, são verdadeiros banquetes.

Os passageiros podem escolher entre três classes de serviço, que inclui até caviar: o lounge do andar superior, cabine de primeira classe ou a cabine Clipper, equivalente à executiva. O cardápio em todas elas é bastante semelhante, com diversas opções de entrada, prato principal e sobremesa, além de bebidas liberadas. A principal diferença está na ambientação do espaço.

O único problema é que, para relembrar a Era de Ouro da aviação, o preço continua alto, como eram as passagens naquela época. Os ingressos custam de US$ 475 (R$ 1.800) a US$ 875 (R$ 3.330) para duas pessoas (não há venda de ingressos individuais).

Pan Am Experience

Site: www.panamexperience.com

Endereço: 13240 Weidner Street – Los Angeles (EUA)

Próxima data: 21 de julho

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Como surgiu a divisão de classes de cabine nas companhias aéreas?
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Classe econômica em voo da KLM nos anos 1950 (Divulgação)

Na história da aviação, nem sempre foi assim. Até os anos 1950, todos os passageiros eram tratados de forma igual, sem nenhuma divisão de classe de cabine ou serviço de bordo diferenciado. Era uma época, porém, em que os aviões eram menores e mais lentos, e as passagens eram bem mais caras.

Muitas das mais antigas companhias aéreas do mundo foram criadas não necessariamente para o transporte de passageiros. O foco nos anos 1920 e 1930, principalmente, era o transporte de cargas, em especial o correio aéreo.

Com o desenvolvimento da aviação, as fabricantes passaram a produzir aviões maiores, com capacidade para transportar cada vez mais passageiros. Mas foi somente após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945, que as companhias aéreas começaram a criar estratégias para aumentar a quantidade de passageiros.

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Ter mais pessoas viajando de avião, no entanto, só seria possível com a redução dos altos valores cobrados até então. E reduzir o preço da passagem só era viável colocando mais pessoas dentro do mesmo avião.

Dessa forma, as companhias aéreas decidiram criar o primeiro tipo de classe de cabine dos aviões, chamada naquela época de classe turística.

Preocupada com questões de segurança operacional, a Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo) impôs diversas regras. A primeira rota aérea autorizada a ter uma classe turística foi entre Londres (Inglaterra) e Nova York (EUA). Com a novidade, a passagem passou a custar até 30% a menos do que os preços cobrados anteriormente e, aos poucos, a Iata liberou a classe turística em outras rotas.

Primeiro voo da KLM para Nova York com a classe turística (Divulgação)

Companhia aérea mais antiga do mundo em operação, a KLM, por exemplo, passou a adotar essa divisão de classe em 1952. Segundo a empresa, naquela época, chá, café, chicletes e doces eram gratuitos, mas os passageiros precisavam pagar separadamente pelas suas refeições durante o voo ou nas escalas da viagem.

Dados da KLM mostram que a introdução de uma classe mais popular permitiu um rápido crescimento no número de passageiros transportados. Em 1951, cerca de 340 mil pessoas cruzaram o Atlântico Norte de avião. Três anos mais tarde, esse número já subia para 580 mil passageiros.

Em 1957, 1 milhão de passageiros viajavam de avião entre a Europa e os Estados Unidos, sendo que 770 mil voavam com tarifas da classe turística. Segundo a KLM, as vendas da empresa aumentaram 67% somente no primeiro ano.

A classe econômica

A chegada dos aviões a jato fez surgir uma nova categoria de classe de cabine, a econômica. Os jatos eram ainda maiores, e as companhias aéreas precisavam atrair mais passageiros. Com mais assentos dentro do avião, os preços caíram novamente, e o transporte aéreo começava a ficar mais “popular”. Pelo menos para aquela época.

Baixar os preços ainda não significava que as passagens aéreas naquela época eram, de fato, baratas. Um bilhete só de ida para cruzar o Atlântico equivalia na época a cerca de 3.000 euros hoje (R$ 13,1 mil).

Os anos seguintes ficaram conhecidos com a era de ouro da aviação. Para se diferenciar, as companhias aéreas passaram a prestar um serviço de bordo que hoje é considerado luxuoso, com refeições fartas e muitas bebidas.

Nas últimas décadas, o conceito de classe econômica passou a ser levado cada vez mais a sério. As poltronas diminuíram de tamanho, o espaço entre elas foi reduzido e as refeições são cada vez mais simples ou não existem. Por outro lado, o preço também teve forte redução.

Para atender a um público mais exigente e que pode pagar mais caro pelo conforto, há as opções de econômica premium, com poltronas mais largas e mais espaço, a executiva, com assentos que reclinam 180º e viram cama, e a primeira classe, com luxos que podem incluir até banheiros com chuveiro.

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Maior companhia aérea do mundo tem quase 1.000 aviões; veja ranking
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Boeing 777 da American Airlines. Foto: Santiago Rodrigues Fonto/Getty Images

Por Vinícius Casagrande

As companhias aéreas norte-americanas dominam a lista de maiores empresas de aviação do mundo. Elas ocupam as quatro primeiras colocações do ranking de empresas com o maior número de aviões. Entre as 20 maiores, oito são dos Estados Unidos. Na sequência, aparecem as companhias aéreas chinesas, com três empresas.

A Latam, resultado da fusão da TAM com a LAN, ocupa a 11ª colocação entre as maiores companhias aéreas do mundo. Somando a frota das nove empresas do grupo, que atualmente operam com o mesmo nome, são 308 aviões em operação. A Latam Brasil é a líder dentro do grupo, com 142 aeronaves.

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O ranking das maiores companhias aéreas do mundo reúne algumas empresas que são pouco conhecidas no Brasil. É o caso, por exemplo, da SkyWest USA. A empresa tem na frota apenas aviões de menor porte e presta serviço para subsidiárias regionais das grandes companhias aéreas dos Estados Unidos. O ranking ainda conta com duas gigantes do transporte de cargas, como a Federal Express e a UPS.

Veja o ranking das cinco maiores companhias aéreas do mundo em número de aviões: 

Empresa tem quase 1.000 aviões na frota (foto: Divulgação)

1º lugar: American Airlines (952 aviões)

São 952 aeronaves em operação atualmente. Fundada em 15 de abril de 1926 para o transporte de correspondência para os correios dos Estados Unidos, a empresa passou a focar no transporte de passageiros em 1934 com a chegada do avião DC-3. Atualmente, a empresa voa com 11 modelos diferentes de aviões. Entre eles, há 20 Embraer 190.

O modelo mais usado pela American Airlines, no entanto, é o Boeing 737. São 304 aviões da versão 737-800 e mais nove da recente versão 737 MAX8. A companhia também tem modelos da europeia Airbus e da McDonnell Douglas.

A Delta surgiu como empresa de pulverização agrícola e hoje é uma das maiores do mundo (Foto: Divulgação)

2º lugar: Delta Airlines (877 aviões)

A segunda maior companhia aérea do mundo foi criada em 1924 para prestar serviços de pulverização aérea em regiões agrícolas. Atualmente com 877 aviões na frota, a Delta transporta cerca de 160 milhões de passageiros por ano.

A empresa voa com 12 modelos diferentes de aviões. O mais utilizado é o Boeing 737, com 184 aviões. São dez da versão 737-700, 77 da versão 737-800 e 97 da versão 737-900. O segundo modelo mais popular é o McDonnell Douglas MD-80/90. Os aviões do modelo começaram a ser entregues em 1987. São 105 da versão MD-88 e 53 MD-90.

Boeing 787 da United Airlines (Divulgação)

3º lugar: United Airlines (753 aviões)

Em 1927, o fundador da fabricante de aviões Boeing, William Boeing, criou uma companhia aérea própria, chamada Boeing Air Transport, para prestar serviços aos correios dos Estados Unidos. Anos mais tarde, a empresa se tornaria a United Airlines, atualmente a terceira maior companhia aérea do mundo com 753 aviões.

Seguindo suas raízes históricas, os aviões da Boeing são maioria na frota da companhia aérea. São 589 aviões da Boeing e 164 da Airbus. O modelo mais popular é o Boeing 737, sendo 40 737-700, 141 737-800, 148 737-900 e quatro 737 MAX9.

Frota da Southwest é composta 100% de aviões modelo Boeing 737 (Divulgação)

4º lugar: Southwest Airlines (716 aviões)

A Southwest Airlines é a maior companhia aérea low-cost do mundo. Criada em 1967, até abril deste ano, a empresa nunca havia registrado um incidente com morte. A história mudou quando uma janela foi quebrada, e uma passageira morreu sugada parcialmente para fora do avião durante o voo. Pouco mais de 15 dias depois, outro avião da Southwest enfrentou problemas com a quebra de uma janela. Dessa vez, não houve vítimas.

A grande maioria dos voos da Southwest é para destinos dentro dos Estados Unidos, com alguns voos também para ilhas do Caribe e México. A frota da empresa é composta 100% de aviões Boeing 737, sendo 506 da versão 737-700, 195 da versão 737-800 e 15 novos 737 MAX8.

China Southern é a maior companhia aérea chinesa (Divulgação)

5º lugar: China Southern (552 aviões)

Maior companhia aérea chinesa, a China Southern ocupa o quinto lugar no ranking das empresas com maior quantidade de aviões do mundo. Foi criada em 1988 a partir da fusão de diversas companhias aéreas chinesas. A empresa tem voos para mais de 200 destinos no mundo.

A frota da China Southern é formada por dez modelos de aviões. Ela é uma das 13 companhias aéreas do mundo a voar com o maior avião de passageiros do mundo, o Airbus A380, configurado, em média, para 500 passageiros. Assim como nas demais companhias que lideram o ranking, o modelo mais popular é o Boeing 737, com 192 aviões. No entanto, há uma forte concorrência com a rival Airbus. A companhia chinesa também tem 127 aviões Airbus A320.

Veja o ranking completo das 20 maiores companhias aéreas do mundo:

1º – American Airlines (EUA): 952 aviões
2º – Delta Airlines (EUA): 877 aviões
3º – United Airlines (EUA): 753 aviões
4º – Southwest Airlines (EUA): 716 aviões
5º – China Southern (China): 552 aviões
6º – China Eastern (China): 466 aviões
7º – Skywest (EUA): 456 aviões
8º – Ryanair (Irlanda): 442 aviões
9º – Air China (China): 407 aviões
10º – Federal Express (EUA): 405 aviões
11º – Latam (América do Sul): 308 aviões
12º – EasyJet (Reino Unido): 298 aviões
13º – Lufthansa (Alemanha): 293 aviões
14º – Turkish Airlines (Turquia): 276 aviões
15º – British Airlines (Reino Unido): 270 aviões
16º – Ana (Japão): 257 aviões
17º – Emirates Airlines (Emirados Árabes Unidos): 257 aviões
18º – JetBlue (EUA): 246 aviões
19º – UPS (EUA): 241 aviões
20º – Aeroflot (Rússia): 232 aviões

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Mais um avião tem problemas com janela em pleno voo; veja vídeo
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Após sofrer uma forte turbulência durante o voo entre Amritsar e Nova Déli, ambas na Índia, um Boeing 787-8 da Air India com 240 pessoas a bordo perdeu a parte interna de uma das janelas da cabine de passageiros. As janelas dos aviões são feitas em duas camadas, com um espaço entre elas. A parte externa permaneceu intacta, sem causar a despressurização do avião.

O incidente causou pânico entre alguns passageiros, especialmente na mulher que estava sentada ao lado da janela danificada. O problema aconteceu na última quinta-feira (19), apenas dois dias após um Boeing 737-700 da companhia norte-americana Southwest ter uma janela destruída por peças que se soltaram do motor. O novo caso, no entanto, só foi divulgado neste final de semana, após um dos passageiros publicar um vídeo no YouTube.

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Depois de recolocar a parte interna da janela na posição original, uma comissária de bordo tentou acalmar a passageira sentada ao lado da janela danificada. O vídeo mostra também outros passageiros aflitos com a situação.

A Diretoria Geral de Aviação Civil da Índia afirmou que já abriu uma investigação para apurar as causas do problema.

Turbulência durou de 10 a 15 minutos

O Boeing 787-8 da Air India enfrentou uma forte turbulência durante 10 a 15 minutos – o voo teve duração total de 55 minutos. Alguns painéis se soltaram do teto e três passageiros ficaram levemente feridos durante a turbulência.

“A turbulência no voo AI 462 foi tanta que um passageiro, que provavelmente estava sem o cinto de segurança, bateu a cabeça no teto do avião. Ele e outros dois passageiros ficaram feridos. O painel interno de uma janela (no assento 18A) se soltou. O lado de fora da janela não quebrou e não houve despressurização. Os passageiros estavam naturalmente aterrorizados”, disse um dos passageiros ao jornal “The Times of India”.

Após o pouso, os três passageiros feridos foram encaminhados ao hospital para receber curativos e liberados para prosseguir viagem aos seus destinos finais.

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Pesquisa mostra perfil de dono de jatinho: patrimônio médio é de US$ 1,5 bi
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Ser dono de um jato executivo próprio é algo exclusivo para os mais ricos entre os super-ricos. Um relatório conjunto das empresas Wealth-X e VistaJet apontou que o patrimônio médio de quem tem um jato executivo é de US$ 1,5 bilhão (R$ 5 bilhões).

A empresa Wealth-X, com sede em Cingapura, é especializada na análise de dados da população super-rica (patrimônio de mais de US$ 30 milhões, ou R$ 100 milhões), enquanto a VistaJet é uma empresa de aviação executiva. As empresas cruzaram seus dados para traçar o perfil dos usuários de jatos executivos em todo o mundo, além de consultar especialistas do setor.

O estudo mostra que o perfil típico dos proprietários de jatos executivos é formado por homens mais velhos e casados. A maioria tem mais de 60 anos e 75% deles criaram totalmente a sua própria riqueza. Entre os proprietários de jatos executivos, 19% deles fizeram sua fortuna no mercado financeiro, bancário ou de investimentos, seguido pelo mercado imobiliário (7%).

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Segundo o relatório, os usuários dos programas de assinaturas ou compra compartilhada são mais ricos do que a média dos super-ricos, sendo que 28% tem patrimônio de mais de US$ 500 milhões. O estudo aponta a forte participação de empresários dos setores financeiro, bancário e de investimento. No total, 21% fazem parte desses três mercados.

Maioria dos super-ricos não tem jato próprio

O estudo aponta que a maioria dos super-ricos prefere outras alternativas para usar jatos particulares  (veja as opções mais abaixo). É que os custos para aquisição e manutenção de um jato executivo podem ser altos até mesmo para os super-ricos. Os cinco jatos mais vendidos do mundo custam entre US$ 4,9 milhões (R$ 16,4 milhões) e US$ 62,5 milhões (R$ 209 milhões).

Bombardier Global 6000 é o jato executivo mais caro entre os mais vendidos do mundo (Divulgação)

Isso tem feito com que muitos milionários prefiram outras alternativas para evitar comprar seu próprio avião. Nos Estados Unidos, maior mercado de aviação executiva do mundo, enquanto a população de super-ricos cresceu 46% nos últimos dez anos, a quantidade de proprietários de aviões particulares teve aumento de 34%.

Na China, o número de donos de jatos executivos cresceu 347% nos últimos dez anos. Ainda assim, é bem menor do que a alta de 840% na população de super-ricos no mesmo período.

“Muito do crescimento da aviação executiva é resultado da explosão dos voos fretados sob demanda, programas de assinatura e compra compartilhada em todo o mundo. Essas opções atendem às necessidades das pessoas mais ricas do mundo e executivos empresariais”, afirma o relatório.

Entenda como funcionam as opções para voar em um jato executivo

Voos fretados sob demanda: é quando o passageiro aluga um jato executivo em algum táxi-aéreo para uma determinada viagem. É mais utilizado por quem não viaja com tanta frequência.

Programas de assinaturas: é uma opção para quem precisa viajar constantemente em aviões privados. O usuário paga uma mensalidade que dá direito a uma determinada quantidade de horas de voo.

Compra compartilhada: É um misto entre programas de assinatura e ter o avião próprio. Nesse caso, o usuário compra apenas uma fração do avião, paga uma taxa mensal para manutenção e tem direito a uma determinada quantidade de horas de voo, pagando os custos de combustível.

Challenger 350 pode voar de São Paulo ou Rio para qualquer ponto da América do Sul (Divulgação)

Mesmo quem tem o seu próprio avião também utiliza os programas de assinatura. “Mais da metade dos proprietários também usam os programas de assinatura porque, em muitas ocasiões, isso pode ser mais eficiente que usar o avião próprio para alguns tipos de voo”, afirma o relatório.

Entre os passageiros de jatos executivos que apenas alugam um avião quando há necessidade, o patrimônio médio é de US$ 67 milhões. “Isso sugere que ter um avião próprio ou fazer parte de um programa de assinatura de voos está fora do alcance até mesmo da grande maioria dos super-ricos do mundo”, afirma o relatório.

O estudo aponta que esse grupo é formado por pessoas mais jovens, que ainda não tiveram tempo suficiente para criar sua própria fortuna, sendo que 12% herdaram a riqueza que possuem. Os setores financeiro, bancário e de investimento continuam no topo da lista de atividades econômicas, mas com participação menor, de 14%, em relação a quem freta um jato executivo. Na sequência, aparecem as áreas industrial (8%) e de tecnologia (7%).

Interior do Bombardier Challenger 350 (Divulgação)

Razões para usar jatos executivos

O relatório do perfil de passageiros de jatos executivos aponta também as cinco razões para a utilização de aviões particulares. São elas:

Economia de tempo: os empresários precisam de agilidade para se deslocar de um ponto a outro.

Controle: eles não querem o risco de terem voos cancelados ou enfrentar outros problemas comuns de passageiros de companhias aéreas.

Segurança: os super-ricos estão sempre preocupados com a segurança pessoal e acreditam que ao voarem em aviões privadas estão mais protegidos.

Privacidade: além da segurança pessoal, há a preocupação com a privacidade, reputação e segurança de informações críticas. É que durante os voos privados, empresários podem fazer reuniões durante a viagem, algo que não seria possível em aviões comerciais.

Custo-benefício: apesar de ser mais caro que voar em companhias aéreas, os empresários avaliam que a soma de todos os fatores faz com que o custo-benefício seja vantajoso, já que economizam tempo, têm mais segurança e podem continuar a fazer negócios enquanto se deslocam.

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Velocímetro do avião marca velocidade diferente da real. Entenda
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Avião Beechcraft Baron G58 (Divulgação)

O velocímetro é fundamental para orientar um piloto de avião, mas não basta ele olhar o número exibido pelo velocímetro. Essa velocidade nem sempre corresponde à velocidade real da aeronave, que está sujeita a influências da pressão atmosférica, da temperatura e dos ventos. É preciso fazer algumas contas.

Como a velocidade do avião é medida

Diferentemente dos carros, que marcam a velocidade em km/h (quilômetros por hora), os velocímetros dos aviões registram a velocidade em nós (milhas náuticas por hora). Uma milha náutica equivale a 1.852 metros. Um avião voando a 100 KT (sigla para nós) tem velocidade de 185,2 km/h.

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A velocidade do ar é captada pelo tubo de Pitot, uma espécie de cano com um furo na ponta que fica pendurado no lado de fora do avião. A força de impacto com que o ar entra pelo tubo de Pitot faz o velocímetro registrar a velocidade do avião. Esse número mostrado no velocímetro é chamado de velocidade indicada (VI).

A velocidade indicada precisa sofrer ajustes, que podem ser calculados pelo piloto ou pelo computador de bordo, dependendo do modelo do avião.

Influência do ar rarefeito

Quanto maior a altitude, mais rarefeito fica o ar. Com menos resistência, o avião voa mais rápido. Mas como o velocímetro depende do ar que entra no tubo de Pitot, ele não consegue registrar essa diferença.

A velocidade aerodinâmica (VA) aumenta cerca de 2% em relação à indicada nos instrumentos do avião a cada 1.000 pés (305 metros) de altitude.

Então, por exemplo, quando o velocímetro do avião a 1.000 pés de altitude indicar a velocidade de 100 KT, ele estará, na verdade, a 102 KT em relação ao ar. Quando chegar a 10.000 pés, a velocidade passa a ser de 116 KT.

A velocidade é mostrada na barra vertical da esquerda no painel do avião (Divulgação)

Efeito dos ventos

Além disso, o avião ainda sofre influência dos ventos durante a rota. Quando voa na mesma direção do vento, o avião é “empurrado”. Isso faz com que aumente a velocidade em relação ao solo (VS). Quando o vento está na direção contrária, ele segura o avião, e diminui sua velocidade em relação ao solo.

Nos dois casos, no entanto, o velocímetro vai marcar a mesma velocidade, já que ele considera apenas a força do impacto do ar com o tubo de Pitot.

Diferentes velocidades

Velocidade Indicada (VI): aquela registrada no velocímetro do avião

Velocidade Aerodinâmica (VA): a VI corrigida de acordo com a densidade do ar

Velocidade no Solo (VS): a VA corrigida com a influência dos ventos. É a velocidade com que o avião efetivamente se desloca em relação a dois pontos da superfície terrestre

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