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Último voo comercial do jato supersônico Concorde completa 15 anos

Vinícius Casagrande

24/10/2018 04h00

Último voo do Concorde aconteceu em 2003 entre Nova York e Londres (Divulgação/British Airways)

O jato supersônico de passageiros Concorde completa nesta quarta-feira (24) 15 anos de aposentadoria. O avião de fabricação franco-britânica ficou famoso em todo o mundo por realizar voos comerciais entre diversos destinos a velocidades supersônicas (acima de velocidade do som), inclusive Rio-Paris.

O último voo foi em 24 de outubro de 2003, entre Nova York (EUA) e Londres (Reino Unido) com a British Airways. Havia cerca de cem convidados a bordo, incluindo celebridades como a modelo americana Christie Brinkley e a atriz Joan Collins.

Depois do último voo comercial, o Concorde ainda faria alguns voos de traslado, sem passageiros, para alguns museus na Europa e nos Estados Unidos. O Concorde ainda pode ser visto atualmente no Museu do Ar e Espaço, no aeroporto de Le Bourget, em Paris (França), no Museu do Voo, em Seattle (EUA), e no aeroporto de Heathrow, em Londres, entre outros.

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O Concorde foi apresentado em dezembro de 1967, mas realizou seu primeiro voo de testes somente em março de 1969. Foram mais sete anos de testes até o que supersônico finalmente realizasse seu primeiro voo comercial em 1976.

O Concorde foi um projeto desenvolvido em conjunto entre a França e o Reino Unido. Apesar da promessa de revolucionar o mercado da aviação, apenas cerca de 20 unidades do supersônico foram construídas. A Air France e a British Airways foram as únicas companhias aéreas a ter voos comerciais com o Concorde.

Rio-Paris em seis horas

O supersônico chegou a fazer voos com regularidade no Brasil. A Air France voava para o país na rota entre Paris, Dakar (Senegal) e Rio de Janeiro. A escala no Senegal era necessária, pois o Concorde não tinha capacidade de combustível para um voo direto de Paris ao Rio de Janeiro, um trajeto de mais de 9.000 quilômetros.

A rota para o Brasil foi a primeira da Air France com o jato supersônico, marcando a estreia do Concorde nas operações de voos comerciais de passageiros. O primeiro voo foi realizado no dia 21 de janeiro de 1976.

Mesmo com a parada para reabastecimento em Dakar, a viagem entre o Rio de Janeiro e Paris durava a metade do tempo em relação aos demais aviões que faziam a mesma rota sem parada. O tempo total da viagem era de apenas seis horas.

Apesar de toda essa comodidade, os passageiros costumavam reclamar do aperto a bordo do Concorde. O projeto do supersônico era de um avião compacto, que priorizava mais a velocidade do que o conforto interno.

Os voos do Concorde ao Rio de Janeiro foram extintos em 1982 por causa do seu alto custo. Para compensar financeiramente, cada voo precisava decolar com pelo menos 90% de sua capacidade. A ocupação média dos voos no último ano de operação do Concorde para o Rio não chegava a 50%, segundo reportagem da Folha de S.Paulo da época. O Concorde tinha capacidade entre 90 e 120 passageiros.

De Londres a Nova York em 3 horas e meia

Um voo de Londres a Nova York tinha duração média de 3 horas e meia. Com as cinco horas de diferença do fuso horário, a passageiros chegavam a Nova York mais cedo do que haviam deixado Londres. Nos jatos atuais, o mesmo percurso demora cerca de 8 horas na ida e 6 horas e meia na volta.

Avião russo era mais rápido

O Concorde atingia a velocidade máxima de 2.213 km/h (2,04 vezes a velocidade do som) e foi o segundo avião mais rápido da aviação mundial a realizar voos comerciais. O campeão foi o avião russo Tupolev TU-144, que chegava a até 2.550 km/h (2,35 vezes a velocidade do som). No entanto, o TU-144 ficou somente três anos em operação na década de 1970.

Os principais jatos comerciais do mundo na atualidade têm velocidades entre 850 km/h (78% da velocidade do som) e 965 km/h (89% da velocidade do som). Entre os aviões comerciais que continuam em operação, os que podem atingir as maiores velocidades são os Airbus A350 e A380.

O acidente e a aposentadoria

Durante toda a sua vida, o Concorde sofreu um único acidente. Em julho de 2000, após decolar de Paris, o jato supersônico da Air France explodiu no ar a poucos metros do aeroporto, matando 113 pessoas (100 passageiros, nove tripulantes e quatro pessoas que estavam em terra). O acidente foi causado por uma peça que havia caído de um DC-10 que acabara de decolar.

O fim dos voos comerciais ocorreu três anos mais tarde, mas por conta do aumento dos custos de manutenção e do insuficiente número de passageiros em seus voos.

A Air France foi a primeira a encerrar as operações de voos comerciais com o Concorde no dia 31 de maio de 2003. Cinco meses depois foi a vez de a British Airways aposentar definitivamente um dos aviões mais emblemáticos da história da aviação.

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