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Comissários de bordo podem ser baixos? Há idade limite? Conheça as regras

Todos a Bordo

08/09/2018 04h00

Comissários de bordo precisam ter, no mínimo, 18 anos e ensino médio completo (Vinícius Casagrande/UOL)

Por Vinícius Casagrande

Durante muito tempo as comissárias de bordo, chamadas antigamente de aeromoças, conviviam com o estereótipo de mulheres jovens, altas e bonitas. Com o fim do glamour das companhias aéreas e da popularização da aviação, muitos desses estereótipos já não existem mais. Para seguir a profissão, no entanto, sejam homens ou mulheres, ainda há algumas regras que são indispensáveis.

Uma das principais preocupações de quem pretende entrar na carreira é em relação à altura e à idade. Nos dois casos, porém, a gerente de tripulação comercial da Gol, Maria Rita Micheletto, disse que não há restrições específicas. "Não existe uma altura mínima. O candidato precisa apenas conseguir abrir o bagageiro da cabine de passageiros. Não lembro de ter reprovado ninguém por conta disso", afirmou.

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Algumas escolas de aviação, no entanto, afirmam que é necessário ter uma altura mínima de 1,56 metro para se inscrever no curso de comissário de bordo. "Essa é uma exigência das próprias escolas, porque não existe nada na lei sobre isso", declarou Maria Rita. Consultadas, a Azul e a Latam também afirmaram que não há exigência de altura mínima para os comissários de bordo.

A Avianca também afirmou que não há exigência de altura mínima ou máxima, mas que os profissionais são alocados levando em consideração a altura adequada à configuração de cada aeronave. "Dessa forma garantimos a segurança do profissional na execução de todas as funções exigidas para o cargo e para o voo", afirmou, em nota.

Outra questão sobre a profissão é em relação à idade. Mas a gerente da Gol afirma que não há nenhum empecilho em permanecer na profissão durante toda a vida. "Temos um caso atual de uma seleção que estamos fazendo que é um comissário de 52 anos que trabalhou por 20 anos na British Airways e agora está entrando na Gol", disse.

Outro exemplo é o da norte-americana Bette Nash. Considerada a comissária de bordo mais velha do mundo, com 82 anos, ela comemorou seus 60 anos de carreira na aviação, no ano passado.

A legislação exige apenas uma idade mínima de 18 anos para obter a licença profissional emitida pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

O estereótipo de que as comissárias de bordo precisavam ser quase modelos de moda também já ficou no passado. "O que a gente procura é a harmonia, e não há nenhuma restrição. Trabalhamos com a diversidade e temos pessoas de todos os biotipos e classe sociais, além da primeira comissária transgênero do Brasil", afirmou a gerente de tripulação comercial da Gol.

Formação acadêmica e exames médicos

Para ser comissário de bordo, é necessário fazer um curso com duração entre quatro e seis meses em uma escola homologada pela Anac. No Aeroclube de São Paulo, localizado no aeroporto de Campo de Marte, o valor do curso é de R$ 2.880.

Para fazer a matrícula, o aluno deve ter 18 anos e ensino médio completo e obter também, antes do início das aulas, o Certificado Médico Aeronáutico de segunda classe. Os médicos credenciados pela Anac verificam uma série de exames médicos, como hemograma completo, eletroencefalograma, testes de audição e visão, entre outros.

Com os exames médicos aprovados, o aluno pode iniciar o curso. As aulas teóricas têm matérias como conhecimentos gerais de aeronaves, navegação aérea, meteorologia, segurança de voo, relações interpessoais, higiene, medicina aeroespacial e primeiros socorros. Durante o curso, há também aulas práticas de combate ao fogo e sobrevivência na selva e no mar.

Após a conclusão do curso, o aluno passa por uma prova de conhecimentos técnicos na Anac. Se aprovado, o aluno recebe a licença de comissário de bordo e já está apto a procurar emprego nas companhias aéreas ou de táxi aéreo.

Salário e rotina da profissão

O salário de um comissário de bordo é formado por uma parte fixa e outra variável, de acordo com as horas de voo realizadas no mês. Segundo a Azul, o salário médio inicial da função é de R$ 4.500. A Gol e a Latam afirmaram apenas que praticam a média do mercado. A Avianca disse que essa é uma questão estratégica da empresa e, por isso, não revela os valores.

"Depois de um ano de casa, e se houver vaga disponível, o comissário pode ser promovido a chefe de cabine, que tem a função de fazer o gerenciamento do voo e o elo entre a cabine de passageiros e os pilotos", afirmou a gerente de tripulação comercial da Gol.

Na rotina da profissão, os comissários podem passar vários dias fora de casa. A legislação exige dez folgas por mês, mas é possível que haja somente um final de semana completo de descanso. Além disso, há casos em que a tripulação pode ficar até seis dias consecutivos fora da sua base, dormindo em outras cidades.

O planejamento social também pode ser um problema. A legislação exige que a escala de trabalho do mês seguinte seja divulgada com um mínimo de 48 horas antes da virada do mês. A Gol afirmou que repassa a escala aos funcionários com uma semana de antecedência, e a Azul diz que faz isso com 15 dias.

Ao longo da carreira, os comissários passam por treinamentos constantes de procedimentos operacionais e exames médicos. Como voar pode ser um risco para gestantes, as comissárias são afastadas dos voos assim que a gravidez é constatada.

Há vagas?

A gerente de tripulação comercial da Gol afirmou que a companhia tem processos seletivos periódicos para a contratação de novos comissários de bordo. Segundo Maria Rita, neste ano a Gol já contratou 75 novos profissionais e está finalizando o processo seletivo para mais 50 comissários de bordo.

A Azul afirmou que também está com processo seletivo em andamento para contratação de novos funcionários para a função. A Latam afirmou apenas que "os interessados em trabalhar na companhia devem verificar as oportunidades disponíveis e realizar o seu cadastro diretamente na seção Trabalhe Conosco, no site www.latam.com".

A Avianca afirmou que as contratações previstas para esse ano aconteceram no primeiro semestre. "Nossos processos seletivos serão retomados em 2019", disse a empresa, em nota.

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