Todos A Bordo

Por que hoje os voos são mais lentos do que há 40 anos?

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Imagem: Divulgação/Airbus

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Por Vinícius Casagrande

A indústria aeronáutica investe todos os anos bilhões de dólares para o desenvolvimento e aprimoramento de novos aviões e equipamentos de bordo. No entanto, embora os aviões tenham se tornado mais eficientes, isso não se refletiu em viagens mais rápidas, muito pelo contrário.

Segundo o site Business Insider, em 1973 um voo entre Nova York e Houston, nos EUA, durava 2h37, enquanto hoje o tempo total é de 3h50.

No Brasil, embora essa diferença não seja tão grande, atualmente os voos também demoram mais do que há 40 anos. Em 1973, um voo da antiga Transbrasil entre Belém e Brasília tinha previsão de 2h20 de duração. Hoje, um voo no mesmo trecho tem previsão entre 2h25 e 2h38.

A rota entre o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e Porto Alegre levava 1h20. Hoje, o tempo estimado é de 1h40.

Nas rotas internacionais, uma propaganda da Varig nos anos 1960 anunciava o voo direto entre Rio de Janeiro e Nova York com o moderno Boeing 707 em 9h45. Mais de 50 anos depois, o mesmo trecho feito com um Boeing 777 demora 10h05.

Propaganda da Varig veiculada nos EUA nos anos 1960

Propaganda da Varig veiculada nos EUA nos anos 1960

Economia de combustível

Uma das principais razões para os voos não serem mais velozes do que poderiam é a eficiência no consumo de combustível. Ao voar um pouco mais devagar, o avião gasta menos.

Segundo o site Business Insider, um levantamento da agência de notícias Associated Press de 2008 apontava que a companhia americana JetBlue havia economizado R$ 48,5 milhões em um ano apenas deixando todos os voos dois minutos mais lentos.

“O avião tem vários regimes de voo de cruzeiro e o mais lento é sempre o mais econômico. O combustível representa, em média, 40% dos gastos de uma companhia aérea, então é preciso reduzir a velocidade”, afirma o engenheiro aeronáutico e professor de transporte aéreo e aeroportos da Escola Politécnica da USP, Jorge Eduardo Leal Medeiros.

Outro motivo para as viagens de avião terem ficado mais lentas é o aumento no tráfego aéreo dos aeroportos. “Hoje é um espaço muito mais congestionado, o que faz com que o avião tenha de esperar mais tempo para receber autorização de pouso”, diz.

É também com a missão de economizar combustível que as companhias aéreas lutam para voar com aviões com peso reduzido. As aeronaves mais modernas já são fabricadas com materiais compostos, que são mais leves e mais resistentes.

Foto: g-stockstudio/Getty Images

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Efeito placebo

Em muitos casos, no entanto, os voos são mais rápidos do que o anunciado pelas companhias aéreas. É que na escala de horário divulgada pelas empresas, elas tendem a acrescentar alguns minutos como margem de segurança.

Dessa forma, mesmo que o voo decole com um pequeno atraso, ele chegará no horário oficial anunciado pela empresa. E quando for pontual, o passageiro terá a sensação de que chegou com antecedência, aumentando seu grau de satisfação.

Velocidade estável nos próximos anos

Para quem espera viagens mais rápidas no futuro, o professor da USP afirma que voos mais velozes são improváveis no futuro. A razão é que os aviões já voam próximos à velocidade do som. “E não pode passar disso. A velocidade do avião não vai aumentar, a não ser que tenha um avião supersônico. Isso dificilmente vai acontecer”, diz.

Embora haja alguns projetos de aviões supersônicos em desenvolvimento, eles dificilmente seriam produzidos em larga escala em virtude do alto custo de operação. Mesmo que sejam viabilizados, os voos supersônicos deverão ser um privilégio para poucos.

O único avião supersônico a realizar voos comerciais em larga escala no mundo foi o Concorde, que esteve em operação entre 1976 e 2003. Foram produzidas 20 unidades, sendo 14 para voos comerciais. Em 1997, o avião bateu o recorde de velocidade ao voar de Londres a Nova York em duas horas, 53 minutos e 59 segundos. O Concorde sofreu apenas um acidente, causado pelo choque com a peça de um outro avião, que havia caído na pista. Acabou sendo aposentado pelas aéreas devido aos altos custos operacionais.

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