Todos A Bordo

Para espantar aves, aeroportos usam falcão-robô, cão e sabre de ‘Star Wars’

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A presença de pássaros em rotas e locais próximos a pistas de pouso e decolagem de aviões é uma das grandes preocupações dos aeroportos. Embora tão pequenas, as aves podem causar sérios danos ao se chocar com as aeronaves ou serem sugadas pelo seus motores. O tamanho do estrago depende do tamanho do pássaro e, principalmente, da velocidade do avião.

Em 2009, por exemplo, um piloto da US Airways teve que fazer um pouso de emergência nas águas do rio Hudson após seu avião bater em aves durante uma decolagem do aeroporto de La Guardia, em Nova York.

No Brasil, em 2015, foram registrados mais de 1600 incidentes envolvendo aviões e pássaros em áreas de segurança aeroportuária. Há 10 anos, a estatística era de 500 incidentes por ano.

Um avião da companhia egípcia EgyptAir ficou danificado ao se chocar com um pássaro durante uma aterrissagem no aeroporto de Heathrow, na Inglaterra. Créditos: Amir Hashim/Facebook

Um avião da companhia egípcia EgyptAir ficou danificado ao se chocar com um pássaro durante uma aterrissagem no aeroporto de Heathrow, na Inglaterra. Créditos: Amir Hashim/Facebook

Para tentar reduzir o número de colisões, que geram gastos na casa de US$ 2 bilhões por ano, aeroportos de todo o mundo buscam alternativas para espantar tais aves. Conheça algumas:

Falcões robóticos

Créditos: Reprodução/ Universidade de Twente

Créditos: Reprodução/ Universidade de Twente

Pesquisadores da Universidade de Twente, na Holanda, criaram um robô com aparência e comportamento idêntico ao de um falcão peregrino, uma ave de rapina de médio porte que se alimenta exclusivamente de outras aves. O objetivo é usar o robô, batizado de Robird, para espantar outros pássaros que costumam voar próximo de aeroportos e que podem causar sérios acidentes ao se chocarem com aviões.

De acordo com os pesquisadores, o grande trunfo do Robird é que sua alta tecnologia imita perfeitamente o vôo do falcão peregrino. Seu comportamento é tão verdadeiro que as aves (que seriam suas presas) acreditam imediatamente que seu inimigo natural está presente na área.

Modelos parecidos com o Robird também são usados em outros países, inclusive no Brasil. Em 2010, o aeroporto de Joinville (SC) usou um pássaro feito de carbono e plástico. O falcão-robô também já havia sido testado nos aeroportos Tom Jobim, no Rio de Janeiro, Juscelino Kubitschek, em Brasília, e Navegantes, em Santa Catarina.

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Crédito: Ricardo Duarte/Agência RBS

Aves de rapina verdadeiras

Outra ação bastante comum nos aeroportos é treinar aves de rapina para que elas capturem outros pássaros que estão por perto. No Brasil, há experiências nesse sentido desde 2008. Os aeroportos de Porto Alegre (RS) e Belo Horizonte (MG), por exemplo, são alguns dos que já fizeram os testes. Entre as aves mais utilizadas para a caça, estão o gavião-de-penacho e o peregrino. Em 2013, uma turma de 16 aves, entre falcões e gaviões, começou a trabalhar no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

Creditos: Rayder Bragon/UOL

Creditos: Rayder Bragon/UOL

Cães

O aeroporto de Traverse (no Estado americano de Michigan) encontrou um jeito diferente para espantar as aves. A equipe do aeroporto contratou um simpático cachorro de sete anos da raça border collie para a missão.

Desde o final de 2014, K-9 Piper trabalha quatro dias por semana e passa a maior parte do tempo perseguindo pássaros e os mantendo bem longe das pistas do aeroporto. Durante o expediente, usa óculos de esquiar para proteger os olhos do vento e botas nas patas por causa do calor do asfalto. Isso sem contar os extras, como boné, jalecos e casacos para dias frios.

Outros lugares do mundo também usam cães para espantar aves. Mas, definitivamente, nenhum deles tem a elegância do K9-Piper.

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Sabre de luz no estilo Star Wars

O aeroporto de Dundee, na Escócia, está usando uma espécie de ''sabre de luz'', inspirado no do filme Star Wars, para espantar os animais. O dispositivo, que custa £ 8.000 (cerca de R$ 41 mil) emite uma luz verde brilhante que tem um alcance de mais de um quilômetro.

Ao ver o feixe de luz verde, as aves entendem como uma ameaça e tendem a voar para longe dele, na direção oposta. Um dos pontos positivos do aerolaser, como é chamado, é que ele é totalmente silencioso.

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