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Fogo, fumaça, água: saiba como é o treinamento para emergências aéreas

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02/10/2015 06h00

Funcionários fazem treinamento para situações de emergência (Foto: Divulgação)

Funcionários fazem treinamento para situações de emergência (Foto: Gladstone Campos/Divulgação)

Apagar altas labaredas de fogo, resgatar um 'passageiro' que ficou preso, esvaziar rapidamente o avião, remar com as mãos para afastar o bote da aeronave. Estas são algumas situações que comissários de bordo novatos e veteranos de uma companhia aérea precisam enfrentar em simulações durante os treinamentos. O blog acompanhou um dia de atividades de um grupo de funcionários da TAM em São Paulo e traz os detalhes desse trabalho.

As aulas são feitas anualmente e abrangem desde aspectos de legislação até a parte prática. É o tipo de treinamento que todos precisam fazer, mas, é claro, ninguém quer usar na realidade. Isso porque envolvem situações extremas, como pousos de emergência.

Na TAM, o treinamento é dividido em blocos. Um deles é dedicado a simulações de situações de emergência a bordo, nas quais os profissionais terão de saber quais procedimentos adotar e quais equipamentos utilizar. Outro inclui técnicas de sobrevivência na água e na selva, primeiros socorros e orientações sobre os procedimentos a serem adotados com passageiros indisciplinados – eles aprendem a lidar até com quem exagerou na bebida. Há ainda o bloco de legislação, que inclui informações sobre documentação, atendimento a passageiros especiais e regras do setor de aviação.

Emergência a bordo

Em um avião adaptado ao treinamento, um grupo de comissários reproduz o trabalho do dia a dia, auxiliando os passageiros (outros comissários) durante o voo fictício. De repente, uma luz de alerta perto do cockpit começa a piscar, e os comissários interrompem o serviço de bordo.

Pouco depois, uma aeromoça informa aos passageiros que, devido a problemas técnicos, em cinco minutos será feito um pouso de emergência na água. Ressalta, ainda, que a tripulação está preparada para lidar com a situação. Enquanto isso, outro comissário demonstra como usar o colete salva-vidas.

Em seguida, os tripulantes pedem para todos ficarem nas posições de impacto – aquelas ilustradas no cartão de informações que fica no bolsão dos assentos e a maioria ignora, a saber: abraçado aos joelhos nas fileiras onde a distância para a poltrona da frente é maior, ou com a cabeça apoiada no assento à frente.

Depois do impacto, mais gritos de comando orientando os passageiros: "Corram para mim! Corram para mim! Come this way! Come this way!"

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A simulação inclui passageiros com necessidades especiais, que precisam de ajuda para sair do avião. O procedimento precisa ser o mais rápido possível: pelas normas internacionais, o tempo para esvaziar um avião, independentemente do tamanho da aeronave ou do número de pessoas a bordo, é de 90 segundos.

Todos descem do avião pelo tobogã, para em seguida subir novamente e treinar uma situação emergencial diferente. Detalhe: nenhum dos comissários em treinamento sabe de antemão qual será a situação apresentada. A definição é feita pelos instrutores para ser uma surpresa também para os funcionários, que têm de saber como agir.

Comissários ouvem explicações sobre técnicas de sobrevivência na água (Foto: Claudia Andrade)

Comissários ouvem explicações sobre técnicas de sobrevivência na água (Foto: Claudia Andrade)

Piscina e labirinto

Há ainda outras simulações, como o pouso na água. Em uma piscina, os comissários repassam as técnicas para desprender o bote do avião, revisam a melhor forma de acomodar um grande número de pessoas, relembram como se movimentar na água.

Em uma área externa, devem combater chamas com extintores e, em uma estrutura montada para reproduzir uma situação de resgate, a missão é encontrar uma pessoa (no caso, um boneco) que ficou presa no avião. A busca é feita no escuro, em meio a muita fumaça. Paredes móveis são deslocadas para que o comissário não decore o caminho até o objetivo.

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Mais do que atendentes

A reciclagem regular tem como objetivo assegurar que os comissários estarão prontos para uma de suas funções mais importantes: transmitir tranquilidade, confiança e autoridade ao passageiro em uma situação de emergência.

Como os próprios profissionais admitem, eles também sentem medo, é claro, mas precisam estar prontos para prestar assistência. Afinal, a função deles vai muito além de servir água e snacks.

O treinamento pode ser descrito como o ensaio de um balé para uma apresentação que pode nunca ocorrer. Mesmo assim, a coreografia deve estar bem afiada, e os participantes devem saber de cor qual material usar, em que momento e de que forma.

(Claudia Andrade)

Sobre o blog

Todos a Bordo é o blog de aviação do UOL. Aqui você encontra notícias sobre aviões, helicópteros, viagens, passagens, companhias aéreas e curiosidades sobre a fascinante experiência de voar.