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Médicos em solo auxiliam a tripulação <br>em emergências durante o voo

Todos a Bordo

07/06/2015 06h00

Os comissários são treinados para usar o desfibrilador em caso de parada cardíaca. (Foto: Divulgação)

Quando alguém passa mal no ar, o comandante do avião pode acionar um serviço médico em solo para contar com a orientação de especialistas, por comunicação via satélite ou rádio. Até recentemente, esse serviço era usado apenas em viagens de longa distância, mas hoje também é adotado em trechos domésticos.

Todo avião comercial também leva diferentes tipos de kits de emergência. Alguns contêm medicamentos que só podem ser administrados com orientação médica – seja via assistência remota em solo, seja pela presença um médico passageiro, que calhou de estar a bordo durante um incidente. O voluntário, no entanto, precisa estar munido de uma identidade profissional com seu número no Conselho Regional de Medicina (CRM).

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Gol explica que, segundo as diretrizes estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), medicar é um ato de responsabilidade médica. Por isso, os comissários só podem utilizar livremente equipamentos de proteção individual, materiais para curativos e um termômetro digital.

Mas, bem, a tripulação também pode fazer uso do desfibrilador, aquele aparelho usado para dar choques no peito de um paciente com parada cardíaca. O equipamento é item obrigatório em voos comerciais. Além disso, todos os comissários passam obrigatoriamente por treinamentos de primeiros socorros durante seu processo de formação. Podem usar o desfibrilador e mesmo conduzir um parto normal.

O conteúdo dessa qualificação deve seguir os padrões do Curso de Suporte Básico à Vida (ou BLS, na sigla em inglês), concebido pela American Heart Association, entidade norte-americana responsável pelas normas internacionais de atendimentos de emergência na aviação. Os comissários passam por revalidações periódicas, com provas e simulações.

Voo abreviado

"Estatisticamente, os incidentes mais comuns no ar são problemas cardíacos e respiratórios", afirma Rafael Rodrigues, médico aeroespacial da TAM. Mas a tripulação está preparada para lidar com ocorrências de toda ordem. Um dos kits de bordo, por exemplo, é de "precaução universal" – inclui luvas e óculos para evitar contaminação com fluidos corporais de passageiros com sintomas considerados suspeitos.

Sempre que necessário, o comandante pode "alternar" um voo – isto é, retornar ao ponto de origem ou aterrissar em um local próximo, para viabilizar uma prestação de socorro mais complexa. Quando um passageiro se torna agressivo durante um surto psicótico, o comandante também tem autoridade para imobilizá-lo, até que se possa contar com o apoio de policiais em solo. Essa é mais uma medida de segurança que de saúde, propriamente.

A Gol informa que, no caso de uma eventual morte a bordo, há um protocolo a seguir. "Caso o cliente esteja desacompanhado, os comissários chamam uma testemunha e inventariam seus pertences." Seus dados pessoais também são coletados para a informação das autoridades competentes em solo.

Leandro Quintanilha – leandroq@gmail.com

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