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Uber quer voos mais baratos que viagens de carro, mas há muitos desafios
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Veículo elétrico terá capacidade para quatro passageiros e um piloto (Divulgação/Embraer)

Por Vinícius Casagrande
Em Los Angeles (EUA)*

A Uber diz que quer transformar o seu futuro serviço de transporte aéreo urbano em algo popular e acessível à população. A empresa pretende fazer com que as viagens com o seu táxi aéreo elétrico (que no início teria a presença de um piloto e no futuro seria autônomo) sejam mais baratas do que as corridas do serviço UberX, o mais popular da companhia. Até o projeto se tornar uma realidade, no entanto, a Uber e todos os seus parceiros ainda têm um longo caminho pela frente.

Os principais desafios para implementar o novo projeto foram discutidos nesta semana em Los Angeles (EUA), durante a Uber Elevate Summit. A empresa diz que pretende realizar os primeiros voos de demonstração em 2020 e iniciar as viagens com passageiros a partir de 2023.

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As duas primeiras cidades a receber o novo serviço serão Dallas e Los Angeles, ambas nos Estados Unidos, mas a Uber procura também uma terceira cidade fora daquele país para implementar o transporte aéreo urbano. A empresa acredita que o modelo deve ser usado para viagens com distância média entre 35 e 40 quilômetros, dentro da mesma cidade ou na região metropolitana.

A expectativa da Uber é que as tarifas comecem a US$ 5,73 (R$ 20,60) para cada milha (1,6 km) voada, caindo para US$ 1,84 (R$ 6,60) a médio prazo e a US$ 0,44 R$ 1,60 a longo prazo.

A Uber já assinou acordos de cooperação com fabricantes de aeronaves (incluindo a brasileira Embraer), desenvolvedores de baterias elétricas, além de órgãos como Nasa, Exército dos Estados Unidos e FAA (órgão de administração da aviação nos Estados Unidos).

“Nossa visão é que nenhuma companhia pode fazer isso sozinha. Há muita coisa a ser feita, como infraestrutura, veículos e controle de tráfego aéreo. São muitas coisas que têm de trabalhar juntas para que esse sistema possa funcionar. Se algum desses pedaços não funcionar, não faz sentido. Por isso, estamos reunindo as pessoas para identificar os grandes problemas”, afirma Eric Allison, diretor do projeto Elevate, da Uber.

Para que o projeto funcione, a Uber precisa trabalhar com os fabricantes no desenvolvimento dos veículos voadores, criar infraestrutura para pouso e decolagem, solucionar questões de controle de tráfego aéreo e receber autorização de operação das autoridades aeronáuticas. Tudo isso em apenas cinco anos.

“Para falar a verdade, acho que o prazo é agressivo, mas que é algo possível. Até 2020, que é o prazo para os voos de demonstração, acho que teremos diversos parceiros com o veículo desenvolvido. Para os voos comerciais, precisamos ter os veículos certificados. Há muito trabalho para ser feito, e estamos trabalhando com nossos parceiros e com a FAA sobre o caminho para a certificação dessas novas tecnologias que nunca foram certificadas antes”, afirma o diretor do projeto Elevate.

Maquete de modelo desenvolvido pela Uber (Divulgação)

Veículo elétrico

A intenção da companhia é realizar os voos com um veículo elétrico de pouso e decolagem vertical, chamado de eVTOL, que teria capacidade para até quatro passageiros. Inicialmente comparado a um “carro voador”, o projeto tende a ser muito mais semelhante a um grande drone tripulado. No início, seria comandado por um piloto, mas o objetivo é que seja autônomo no futuro.

Para desenvolver o seu veículo, a Uber firmou parcerias com cinco fabricantes de aeronaves: Embraer, Aurora Flight Sciences (subsidiária da Boeing), Bell, Pipistrel e Karem Aircraft. Até o momento, apenas algumas imagens de conceito foram divulgadas. Os veículos só devem ficar prontos efetivamente próximo à data prevista para a realização do primeiro voo, em 2020.

Todos os fabricantes devem seguir as especificações básicas do projeto, como a de ser um veículo elétrico com múltiplos rotores (hélices), capacidade para quatro passageiros, velocidade de até 320 km/h, altitude de 600 metros e autonomia de voo para cem quilômetros.

Segundo o diretor do projeto Elevate, com um padrão estabelecido, a Uber poderá operar veículos de fabricantes diferentes em uma mesma cidade. “Acreditamos que, por conta da demanda, vamos precisar de veículos de vários parceiros. Isso vai nos ajudar a derrubar o preço ao longo do tempo”, diz.

A brasileira Embraer, por exemplo, apresentou durante o evento as primeiras imagens do conceito que está desenvolvendo. O presidente da EmbraerX, braço da companhia que trabalha no projeto, Antonio Campello, afirmou que se trata de uma aeronave que nunca foi desenvolvida antes no mundo. “Mas o desafio é igual para todos os fabricantes”, diz.

Conceito criado pela Embraer em parceria com a Uber (Divulgação)

Voos sem piloto no futuro

Uma das exigências para o desenvolvimento dos veículos voadores é de que no futuro eles possam ser operados de forma autônoma, sem a presença de um piloto. O diretor do projeto Elevate afirma que isso é essencial para atingir o objetivo de ter viagens baratas, que possam aumentar a demanda pelo serviço.

Com um veículo autônomo, seriam cortados os custos com contratação e treinamento de pilotos. Além de problemas na regulação e certificação das autoridades aeronáuticas, há o desafio de convencer as pessoas de que voar em um drone gigante sem ninguém no comando é algo seguro.

“No começo vai haver pilotos, mas será um veículo de fácil pilotagem porque haverá muitos recursos autônomos. Se as pessoas se acostumarem com a experiência com pilotos, quando se transformar em autônomo já vão estar acostumadas com o serviço e confiantes nele. Isso vai levar um tempo, mas tudo tem um período de adaptação”, diz Alisson.

Projeto de skyport apresentado pela Uber (Divulgação)

Uber quer pontos de pouso em prédios

Um dos grandes desafios da Uber para a implementação do projeto é a infraestrutura das cidades. Os veículos aéreos precisam de um local específico para os pousos e decolagens, que até podem ser os mesmos já utilizados pelos helicópteros.

No entanto, a Uber pretende criar o que chamou de skyports. São grandes prédios com vários helipontos juntos. O problema é que a Uber quer implementar o serviço em cidades populosas, nas quais há pouco espaço livre para novas construções.

“Estamos olhando para diferentes modelos. Uma opção é criar prédio próprios para os skyports. É algo que entendemos que pode surgir com tempo e não no começo. O que estamos focados para o início das operações são skyports menores, como o topo de um edifício-garagem. Podemos tirar as linhas das vagas de carro e pintar de acordo com as nossas configurações”, afirma Allison.

Além do local de pouso dos veículos aéreos da Uber, os skyports também precisam de infraestrutura para embarque e desembarque dos passageiros e pontos para recarga das baterias.

Problemas para o controle de tráfego aéreo

Outra questão a ser resolvida para o início das operações é com o controle de tráfego aéreo. O serviço deve ser implementado em cidades com trânsito congestionado, nas quais o uso de helicópteros já é um padrão.

Para solucionar o problema, a Uber trabalha em parceria com a Nasa e com a FAA. O diretor de engenharia para sistemas de espaço aéreo da Uber, Tom Prevot, trabalhou por mais de 20 anos na Nasa em projetos de controle do espaço aéreo. Segundo ele, todo o sistema funcionará de forma autônoma, com capacidade para controlar e orientar uma grande quantidade de aeronaves simultaneamente.

“Tem de ser feito dentro da nossa rede. O problema do tráfego aéreo comercial é que os os controladores têm uma limitação humana e não conseguem gerenciar um número maior, e não adianta simplesmente contratar mais controladores que isso não resolveria. Dentro da nossa rede, a quantidade pode ser bem maior”, diz.

Há ainda o risco de conflito do tráfego dos veículos da Uber Elevate com os aviões e helicópteros que voam nas mesmas cidades. Prevot afirma que uma solução para o problema já está sendo avaliada com a FAA. “Em relação aos aviões comerciais, nossos veículos voam a uma altitude mais baixa. Acredito que também não haverá problemas com os helicópteros”, afirma.

* O jornalista viajou a convite da Uber

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Presidente da Embraer diz que novo incidente não deve atrasar avião militar
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KC-390 em pátio da Embraer. Divulgação

Por Vinícius Casagrande

Em Los Angeles (EUA)*

O presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, afirmou nesta terça-feira (8), em Los Angeles, que o novo incidente com o protótipo do cargueiro militar KC-390 não deve atrasar o programa de certificação do avião.

O novo avião saiu da pista no último sábado (5) quando realizava um teste de solo. A aeronave parou a cerca de 300 metros da cabeceira da pista. Em outubro do ano passado, o mesmo avião quase sofreu um acidente durante um voo de testes, quando perdeu altitude rapidamente. Na ocasião, o KC-390 teve algumas peças danificados e teve de ficar seis meses sem voar. O novo incidente aconteceu dois meses após a retomada dos testes em voo.

Segundo o presidente da Embraer, as causas do incidente ainda estão sendo apuradas. “Estamos avaliando ainda e é preciso esperar mais um pouco”, disse. Questionado se isso pode atrasar as primeiras entregas do avião, previstas para acontecer até o final deste ano, respondeu apenas: “Eu acredito que não”.

Paulo Cesar esteve em Los Angeles para participar do Uber Elevate Summit, onde apresentou o primeiro conceito de táxi aéreo elétrico que está sendo desenvolvido em parceria com a Uber.

Negociação com a Boeing ainda sem data para ser concluída

Em relação às negociações para uma união com a Boeing, o presidente da Embraer disse que ainda não é possível afirmar quando todo o processo será concluído.

“As negociações estão avançando e acho que é possível ainda esse ano, mas é impossível falar, não é viável falar o momento que vai ser”, afirmou.

Em março desse ano, Paulo Cesar chegou a afirmar que esperava uma conclusão ainda no primeiro semestre do ano. Logo depois, no entanto, passou a adotar uma postura mais cautelosa sobre o tema. Além das duas empresas, é preciso negociar também com o governo brasileiro, que possui o direito de veto no negócio.

“As conversas com o grupo de trabalho continuam com o governo. A operação é bastante complexa e ainda não há nada definido. Temos de aguardar ainda um pouco mais”, afirmou.

Por outro lado, o ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, disse na terça-feira (8) estar otimista com as negociações. “Está em fase avançada e é coisa para este ano”, afirmou

Em relação ao prejuízo de US$ 40 milhões registrado pela Embraer no primeiro trimestre do ano, Paulo Cesar negou que o fato tenha relação com o impasse nas negociações com Boeing.

“De forma alguma. Não tem nada a ver. Se você olhar anteriormente, o primeiro trimestre nosso é sempre mais fraco. É uma característica da nossa operação e da indústria. O primeiro trimestre é sempre mais fraco e não tem absolutamente nada a ver com isso”, disse.

No entanto, no mesmo período do ano passado, a Embraer havia registrado um lucro líquido de R$ 168,5 milhões, de acordo com o balanço.

* O jornalista viajou a convite da Uber


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