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Qual avião é mais seguro de voar: um grande ou um pequeno?
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Manutenção e treinamento dos pilotos são os fatores principais para garantir a segurança (foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

Considerado o meio de transporte mais seguro do mundo, o avião ainda causa medo em muitos passageiros. Quando a viagem tem de ser feita em um avião de pequeno porte, esse medo tende a ser maior. Essa preocupação faz sentido?

“Um avião pequeno tem a mesma segurança que um avião grande, desde que bem voado. O piloto bem treinado vai fazer um voo seguro tanto no avião grande como no avião pequeno”, afirma o comandante Miguel Ângelo, diretor de segurança operacional da Aopa Brasil (Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves).

Segundo o comandante Miguel Ângelo, os principais fatores que afetam a segurança do voo são a capacitação dos pilotos, a manutenção das aeronaves e a padronização das operações. A principal diferença entre os aviões de pequeno porte e os de grande porte está nos limites operacionais.

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Cessna Skylane é o modelo mais popular no Brasil (Foto: Divulgação)

É que as aeronaves menores são muito mais sensíveis às condições climáticas do que as maiores. Os jatos comerciais, por exemplo, conseguem pousar com ventos fortes que inviabilizariam a operação de aviões pequenos.

“Se você respeitar as características do voo e da máquina que você está voando, ele é seguro.

Tem de conhecer as limitações do local em que você está voando, as limitações da máquina e as próprias limitações do piloto. Não dá para voar um avião pequeno e achar que vai ter a performance e o desempenho de um avião grande”, afirma o comandante.

Pressão sobre os pilotos

No entanto, muitos pilotos da aviação de pequeno porte, mesmo sabendo das condições desfavoráveis para um voo seguro, acabam decolando por conta da pressão do patrão ou de clientes e medo de demissão. Para o diretor de segurança operacional da Aopa, isso é um dos fatores que fazem com o índice de acidentes com aviões de pequeno porte seja maior do que na aviação comercial.

“Isso ocorre por conta dos padrões de segurança e do treinamento. Uma das nossas brigas, que trabalhamos com segurança de voo, é como aplicar tudo o que nós sabemos na aviação grande também na aviação pequena”, afirma.

O comandante afirma, no entanto, que a maioria dos pilotos da aviação de pequeno porte segue à risca de os padrões de segurança. “Tem muito piloto de avião pequeno que faz simulador nos Estados Unidos tanto quanto os pilotos de Boeing ou Airbus. O avião só não é seguro quando o piloto não tem treinamento e o avião não tem manutenção. Todos os aviões são seguros se respeitar as regras e os limites de segurança”, diz.

Aviões maiores voam em altitudes maiores e, por isso, sofrem menos turbulência (Foto: Getty Images)

Aviões menores sofrem mais turbulência?

Outra reclamação comum dos passageiros é que os aviões de pequeno porte sofrem mais turbulência durante o voo. O comandante Miguel Ângelo afirma que isso, de fato, acontece, mas o problema não está relacionado com o tamanho do avião, mas sim com a velocidade e a altitude do voo.

Os aviões comerciais voam, geralmente, a 10 mil metros de altitude, enquanto os turboélices não passam de 5.000 metros e aviões monomotores chegam somente a 3.000 metros de altitude. O problema é que quanto mais baixo o voo, mais agitado é o ar. “Não é que o avião pequeno sofre mais com a turbulência. O lugar onde ele voa é que tem mais turbulência. Além disso, os aviões a jato voam mais rápido e ficam menos tempo nessas condições desfavoráveis”, diz.

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Mudança climática vai elevar em 150% turbulência grave em avião, diz estudo
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Turbulências em altitudes elevadas devem ser mais frequentes (Foto: Getty Images)

As mudanças climáticas devem deixar os voos mais instáveis no futuro. Segundo um estudo publicado na revista científica Advances in Atmospheric Sciences, as turbulências de ar claro – quando não há a presença de nuvens – em altitudes elevadas devem crescer.

O estudo simulou, em um supercomputador, como as correntes de vento devem ser alteradas por conta do aumento de dióxido de carbônico na atmosfera. A principal mudança será o aumento das tesouras de vento, o movimento vertical do vento que causa a turbulência.

“Estudos de modelos climáticos indicam que a quantidade de turbulências moderadas ou severas de ar claro em voos transatlânticos no inverno vão crescer significativamente no futuro conforme o clima muda”, afirma o pesquisador Paul D. Williams, que conduziu a pesquisa na Universidade de Reading.

Williams utilizou dados de 21 modelos de turbulência e a referência de um avião em voo transatlântico a 12 mil metros de altitude. No computador, simulou a atmosfera com o dobro de dióxido de carbono em relação ao atualmente presente na atmosfera. O resultado foi o aumento na frequência de todos os níveis de turbulência.

– Turbulência leve: aumento de 59%

– Turbulência de leve a moderada: aumento de 75%

– Turbulência moderada: aumento de 94%%

– Turbulência de moderada a severa: aumento de 127%

– Turbulência severa: aumento de 149%

Enquanto as mais leves geram apenas um leve balanço no avião, nas severas alguns passageiros podem até mesmo se machucar ao caírem no corredor ou mesmo serem arremessados contra o teto do avião.

O que é a turbulência de ar claro?

Normalmente, as turbulências são associadas a períodos de clima ruim. No entanto, mesmo sem nenhuma nuvem no céu, pode ocorrer uma instabilidade no ar que gera a turbulência de céu claro, normalmente formadas pelas correntes de jato em altitudes elevadas.

As correntes de jato são áreas com ventos que chegam a mais de 100 km/h, presentes em regiões de clima subtropical. Elas são causadas por variações na temperatura do ar em virtude do encontro do ar polar com o ar quente equatorial, que se intensificam no inverno.

Nessas regiões, há ainda a movimentação vertical do ar, conhecida como tesouras de vento. A circulação do vento em diferentes direções é que causa a turbulência.

Como a turbulência de ar claro não pode ser prevista nem mesmo pelos radares meteorológicos dos aviões, ela surgem de forma repentina. Nos casos mais graves, pode gerar diversos danos, como derrubar objetos e até mesmo arremessar os passageiros contra o teto do avião. É por isso que os especialistas em segurança de voo recomendam que os passageiros utilizem o cinto de segurança durante todo o voo.

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