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Quer economizar na passagem aérea? Aprenda a usar programas de fidelidade
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Foto: Getty Images

Por Vinícius Casagrande

Os programas de fidelidade das companhias aéreas podem ajudar a viajar sem gastar muito, e não é preciso ser um viajante frequente para acumular pontos e milhas. As aéreas têm parcerias com diversas lojas e cartões de crédito. Quando você faz alguma compra, ganha pontos nos programas parceiros, que podem ser usados para comprar passagem.

Esses programas ainda são pouco usados no Brasil: apenas 10% dos brasileiros usam algum programa de fidelização, seja de empresas aéreas ou de outros setores, segundo a Abemf (Associação Brasileira de Empresas do Mercado de Fidelização).

Entenda como esses programas programas funcionam e como usá-los para economizar com passagens.

Latam faz parte da aliança global One World (Foto: Divulgação)

1. Os principais programas de fidelidade

As quatro principais companhias do país têm seus próprios programas de fidelidade:

Em todos, os passageiros precisam fazer um cadastro com seus dados pessoais e ganham um número. Basta informar esse número no momento da compra ou do check-in para acumular pontos.

Se o cadastro no programa for feito depois do voo, o passageiro não receberá os pontos e milhas referentes às viagens anteriores. Se já é cadastrado e esqueceu de informar seu número do programa de fidelidade na hora da compra ou do check-in, pode pedir o crédito dos pontos pelos canais de atendimento das empresas.

As companhias também têm parcerias com cartões de créditos e programas de fidelidade de outras empresas brasileiras, como lojas, postos de gasolina, sites de reservas de hotéis e companhias aéreas internacionais, como Walmart, Lojas Renner, Fast Shop, postos Ipiranga e Petrobrás, entre outros.

Algumas aéreas têm cartões de créditos específicos, que levam a marca da companhia, para o acúmulo de pontos e milhas.

Para conseguir acumular milhas mais rapidamente, o ideal é concentrar-se em uma mesma companhia aérea e fazer compras sempre com o cartão de crédito que gera novos pontos.

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2. As alianças de companhias aéreas

Existem três grandes alianças mundiais de companhias aéreas: Star Alliance, One World e Sky Team. A Latam é integrante da One World, com um total de 13 companhias aéreas. A Avianca faz parte da Star Alliance, que tem, no total, 28 empresas.

Quando um passageiro voa em uma das empresas membro da aliança, pode acumular os pontos em qualquer outra companhia que faz parte do grupo. Assim, mesmo que faça um voo pela Japan Airlines, da One World, acumula pontos no Latam Fidelidade. Ao voar pela Air New Zealand, da Star Alliance, os pontos podem ser acumulados no programa Amigo, da Avianca.

Mesmo Gol e Azul, que não fazem parte de uma aliança global, também contam com parcerias individuais. A Gol, por exemplo, tem parceria com 12 companhias aéreas, como Delta, Air France, KLM, Etihad e AirCanada. O Tudo Azul tem como principais parceiros a portuguesa TAP e a norte-americana United Airlines. Essas parcerias funcionam da mesma forma que as alianças. Ao voar da Delta, o passageiro acumula pontos no Smiles, enquanto ao voar pela United Airlines pode somar pontos no Tudo Azul.

Avianca é integrante da maior aliança do mundo, a Star Alliance (foto: Divulgação)

3. Quantas milhas são acumuladas por voo?

Antigamente, as companhias aéreas adotavam uma tabela fixa para o acúmulo de milhas e pontos, de acordo com os locais de origem e destino da viagem. Nos últimos anos, as empresas passaram a adotar um novo sistema que varia de acordo com o valor pago na passagem.

Outra variável é a categoria do cliente dentro do programa de fidelidade. Conforme viaja, o passageiro sobe de categoria e passa a ter direito a mais benefícios. Com isso, também acumula mais pontos a cada viagem. Cada companhia tem uma tabela própria:

Latam: um passageiro da categoria de entrada recebe 2,5 pontos para cada real gasto (excluindo a taxa de embarque) em voos nacionais. Assim, uma passagem que custou R$ 200 dá o direito a 500 pontos. Na categoria Black Signature, o valor da passagem é multiplicado por oito. Consulte aqui a tabela completa.

Azul: O programa Tudo Azul adota formula semelhante, variando entre dois pontos por cada real gasto na passagem na categoria de entrada a até 3,5 pontos por real na categoria principal(principal ou na mais alta?). Veja a tabela completa do Tudo Azul.

Gol: No Smiles, o cálculo de milhas acumuladas também é de acordo com o valor pago no bilhete. As tarifas promocionais e dos feirões têm a proporção de uma milha para cada real gasto. Na tarifa programada, a relação é de dois para um e, na flexível, de três para um.

Avianca: é a única que segue com uma tabela fixa para o acúmulo de pontos em seu programa de fidelidade. Os pontos variam de acordo com a categoria do passageiro dentro do programa e o tipo de tarifa comprada. Nos voos nacionais, a premiação pode variar entre 500 e 3.000 pontos. Veja a tabela completa de pontuação.

4. Transferência de cartão de crédito e outros programas

As companhias aéreas são parceiras de outros programas de fidelidade. Os mais comuns são os de cartões de crédito. Os bancos calculam os pontos dos clientes de acordo com os valores gastos. Cartões com mais benefícios, e geralmente com anuidade mais altas, permitem acumular pontos mais rapidamente.

Nas lojas parceiras, quando o cliente faz uma compra, pode acumular pontos no programa de fidelidade da companhia aérea. Antes do pagamento da compra, o cliente precisa informar o número do programa de fidelidade para que os pontos sejam transferidos para a empresa aérea. As lojas parceiras podem ser consultadas no site de cada programa.

Depois de transferir os pontos das lojas parceiras ou dos cartões de crédito, o cliente pode usar esses pontos para emitir uma passagem aérea.

Cuidado com ‘pegadinhas’!

É comum que tanto os cartões de crédito como as lojas parceiras ofereçam promoções de bônus de pontos e milhas para a transferência para as aéreas. No entanto, antes de sair correndo para aproveitar a promoção é sempre importante ler com atenção as regras.

Na maioria dos casos, o cliente só recebe os pontos bônus caso se cadastre naquela promoção específica. No comércio eletrônico, as empresas também costumam criar um site específico para ativar as promoções de milhas. Quem não segue essas regras recebe apenas os pontos normais. Essa burocracia extra é uma forma de todas as empresas envolvidas avaliarem o retorno da campanha que foi realizada.

Além disso, também pode haver outros tipos de restrições. Alguns cartões de crédito exigem uma quantidade mínima de pontos para a transferência aos programas de fidelidade das companhias. Os valores dependem de cada banco e do tipo de cartão de crédito. Outros programas parceiros também podem cobrar taxas para a transferência. O KM de Vantagens, dos pontos Ipiranga, por exemplo, cobra R$ 31 para transferir 500 km, que viram 1.000 pontos no programa de fidelidade da Latam.

Milhas do programa Smiles podem ser usadas em diversas companhias internacionais (foto: Divulgação)

5. Quantas milhas são necessárias para emitir uma passagem?

As regras para o resgate de passagens aéreas também não seguem uma tabela fixa de acordo com a origem e o destino da viagem. As companhias passaram a permitir que todas os assentos do avião possam ser comprados com o uso de pontos e milhas, mas os valores mudam de acordo com a procura, data do voo e antecedência da compra. Quanto mais cara a passagem estiver, mais pontos ou milhas serão necessários.

“A precificação das passagens aéreas em pontos acompanha o sistema de precificação dinâmica das compras com dinheiro. A quantidade de pontos necessários para resgatar as passagens varia de acordo com a antecedência da sua reserva, o período da viagem, do destino, da rota, os horários dos voos e a disponibilidade de assentos”, afirma a Latam.

Nesse caso, a regra é a mesma utilizada para quem compra com dinheiro: quanto antes o passageiro se programar, menos pontos ou milhas serão necessários para a emissão do bilhete.

No sistema anterior com a tabela fixa de pontos, era mais fácil adquirir passagens dos programas de fidelidade para épocas concorridas do ano, como ano novo e carnaval. Agora, essas passagens estão mais caras nesse sistema. Por outro lado, quem viaja fora da alta temporada e consegue se programar com antecedência pode aproveitar diversas promoções.

Mesmo quando o passageiro ainda não acumulou pontos suficientes para trocar para uma passagem, é possível emitir uma passagem de forma mista. Dessa forma, parte do pagamento é feita com pontos e milhas e o restante em dinheiro.

Exemplo: Um voo da Gol de São Paulo a Salvador (BA) no dia 13 de março, com saída às 6h25, por exemplo, custa R$ 374. O mesmo voo pode ser reservado com 11.700 milhas do programa Smiles. Se o passageiro tiver apenas 5.900 milhas disponíveis, pode completar o pagamento em dinheiro. Nesse caso, utilizaria as 5.900 milhas e pagaria mais de R$ 174.

6. Onde posso comprar uma passagem aérea com pontos ou milhas?

A emissão das passagens com milhas para voos nacionais e internacionais pode ser feita diretamente no site dos programas de fidelidade das companhias aéreas, utilizando os dados de login e senha criados durante o cadastro.

O sistema on-line permite que alguns voos de empresas parceiras ou que façam parte da mesma aliança de companhias aéreas também possam ser reservados diretamente pela internet.

No entanto, caso algum voo não esteja disponível para reserva pela internet, será necessário consultar em alguma loja da empresa aérea ou pelo atendimento telefônico se aquele voo específico pode ser reservado com pontos ou milhas. Nas companhias aéreas parceiras, a quantidade de pontos ou milhas necessários para emitir uma passagem também pode variar, já que a precificação é determinada pela empresa que efetivamente realiza o voo.

O programa Tudo Azul tem como principais parceiras aéreas a TAP e a United (foto: Divulgação)

7. Quando é melhor comprar a passagem com dinheiro ou utilizar as milhas?

Apesar de as companhias aéreas afirmarem que o preço das passagens em pontos ou milhas varia de acordo com a disponibilidade dos assentos no voo, exatamente como acontece com os preços em dinheiro, não existe uma relação direta entre os valores do bilhete. Assim, uma passagem de R$ 200 e outra de R$ 300, por exemplo, podem ter o mesmo valor em pontos ou milhas. Esse cálculo é o grande segredo das companhias aéreas.

O ideal é sempre comparar os preços em real e em pontos e milhas para analisar qual é a mais vantajoso para aquele momento. Além do valor, é preciso ficar atento também ao prazo de validade dos pontos e milhas. Geralmente, eles devem ser utilizado no período máximo de dois a três anos, dependendo da companhia aérea. Quando esse prazo expira, eles perdem a validade.

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