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Aéreas oferecem salário de até R$ 100 mil, mas faltam pilotos de avião
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Falta de pilotos afeta diversas companhias aéreas do mundo (Vinícius Casagrande/UOL)

Companhias aéreas de diversas regiões do mundo estão enfrentando um mesmo problema para continuar crescendo: a falta de pilotos comerciais de avião. Nos últimos meses, algumas das principais empresas tiveram que cancelar voos pela falta de tripulação. A crise afeta desde a australiana Qantas, a árabe Emirates Airlines, a low-cost europeia Ryanair até a pequena Great Lakes Airlines, que encerrou suas operações nos Estados Unidos por falta de tripulantes.

A Emirates, por exemplo, tem feito processos seletivos constantemente no país para contratar novos pilotos. Para atrair os profissionais brasileiros, a empresa oferece uma gama de benefício que inclui salário de mais de R$ 60 mil livre de impostos.

Na China, segundo a agência Reuters, as companhias aéreas oferecem salários de até US$ 314 mil por ano, o equivalente a cerca de R$ 100 mil por mês. E com rendimentos também livres de impostos.

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Os altos salários atraem profissionais do mundo inteiro. Para não perderem profissionais, muitas empresas são obrigadas a aumentar os salários de seus pilotos, algo que o diretor-geral de companhias aéreas da Ásia e Pacífico, Andrew Herdman, definiu como uma “guerra de salários”.

Crescimento do setor causa falta de funcionários

A falta de pilotos acontece por diversos fatores, mas um dos principais responsáveis é o forte crescimento da aviação nos mercados asiáticos. A região da Ásia e Pacífico respondeu por 33,7% do tráfego mundial no último ano, segundo dados da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo). Somente em 2017, a região teve um crescimento de 9,4% em comparação ao ano anterior. O crescimento médio no mundo foi de 7,6%.

Nos Estados Unidos, por exemplo, até 2026, deve haver um déficit de cerca de 15 mil pilotos nas principais companhias aéreas do país, segundo um estudo de 2016 do Departamento de Aviação da Universidade de Dakota do Norte. No país, o problema deve se agravar com a grande quantidade de pilotos com idade próxima à da aposentadoria e poucos jovens procurando formação profissional.

No Brasil, com a retração do mercado de aviação comercial nos últimos anos, as companhias aéreas chegaram a reduzir seu quadro de funcionários. Nos últimos meses, porém, o mercado começou a se recuperar novamente, e as contratações podem voltar a acontecer.

Segundo um relatório recente da Boeing, serão necessários 637 mil novos pilotos em todo o mundo para suprir o crescimento da aviação. Somente a região da Ásia e Pacífico vai precisar de 253 mil novos pilotos nesse período, ou 40% do total de novos profissionais. A América Latina vai demandar apenas um quinto dessa quantidade, ou 52 mil novos pilotos.

Jato da Embraer é utilizado na formação de novos pilotos da Emirates (Divulgação)

Empresas criam programas de treinamento

Um dos problemas enfrentados para a formação de novos pilotos são os altos custos de treinamento. No Brasil, por exemplo, da matrícula no curso teórico de piloto privado de avião até receber a licença de piloto comercial, o futuro profissional vai ter de desembolsar entre R$ 90 mil e R$ 140 mil.

Para facilitar o acesso de jovens na carreira, diversas companhias aéreas têm investido em centros próprios de treinamento de pilotos. A Emirates, por exemplo, inaugurou no final do ano passado sua escola de formação de novos pilotos, chamada de Emirates Flight Training Academy. A escola utiliza até o jato executivo Phenom 100EV, da Embraer, no treinamento dos pilotos.

Também localizada nos Emirados Árabes Unidos, a Etihad tem um centro semelhante ao da rival Emirates. Outra empresa que deve criar uma escola de formação é a australiana Qantas.

Em abril, a American Airlines anunciou um programa de treinamento e financiamento para candidatos a pilotos. Os alunos selecionados para a nova Academia de Cadetes da American Airlines treinariam por até 18 meses em uma das três escolas de aviação vinculadas à empresa aérea. Os estudantes teriam a opção de obter financiamento para o custo total, incluindo hospedagem e alimentação, por meio da Discover Financial Services.

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Réplica de Boeing 737 em SP treinará situações como fogo e despressurização
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Mockup utiliza a fuselagem de um Boeing 737-300 (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Por Vinícius Casagrande

A companhia aérea Gol inaugurou nesta quinta-feira (10) seu novo centro de treinamento para pilotos e comissários de bordo. A nova estrutura de 900 m² tem como principal destaque um mockup (réplica) de um Boeing 737-700 configurado com 66 assentos.

A réplica do avião, instalada dentro de um dos prédios da sede administrativa da empresa no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, servirá para treinamentos de procedimentos de emergência como retirada de passageiros, despressurização de cabine, simulação de fogo a bordo, atendimento a passageiros com algum tipo de distúrbio e primeiros socorros.

A fuselagem foi montada na mesma altura dos aviões utilizados pela companhia aérea. Esse detalhe é importante para realizar com precisão o treinamento de evacuação dos passageiros. Em casos de pouso de emergência, quando os comissários abrem a porta do avião uma grande escorregadeira se infla automaticamente para permitir a saída rápida dos passageiros. Toda essa simulação poderá ser feita dentro do novo centro de treinamento da Gol em Congonhas.

Para criar o mockup, a Gol utilizou partes da fuselagem de um antigo Boeing 737-300 que estava parado no aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Na parte interna, a réplica segue o mesmo padrão utilizado nos atuais aviões da companhia, como os bagageiros e a iluminação interna.

Cabine de pilotos foi recriada para auxiliar treinamento de comissários (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Embora a réplica do avião tenha como foco o treinamento dos comissários, até mesmo a cabine de pilotagem foi recriada. “Em casos de emergência com os pilotos, os comissários precisam entrar na cabine e saber como cortar (desligar) os motores. Por isso, é importante que estejam familiarizados com todo o ambiente”, afirma Carlos Junqueira, diretor de operações da Gol.

Além das situações de emergência, os comissários também recebem treinamento em relação ao serviço de bordo aos passageiros, demonstração dos procedimentos de segurança e até mesmo sobre os anúncios que devem ser feitos no sistema de som do avião.

O centro de treinamento da companhia ainda conta com um auditório com 114 lugares. Na área do palco, um outro mockup de avião com apenas três fileiras de assentos foi instalado. Nesse caso, no entanto, o foco é o treinamento conjunto entre pilotos e comissários de bordo.

Auditório será utilizado para treinamento integrado entre pilotos e comissários (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Segundo o diretor de operações da companhia, a intenção é que os pilotos possam entender melhor o trabalho dos comissários nas situações de emergência e que os comissários também saibam os procedimentos adotados pelos pilotos.

Além dos treinamentos obrigatórios exigidos dos tripulantes, o local também terá cursos adicionais como segurança operacional, tráfego aéreo internacional, identificação de problemas a bordo, cargas perigosas e gerenciamento de cabine. “A aviação é uma das atividades mais seguras do mundo por conta desses vários treinamentos”, afirma Junqueira.

Avião foi instalado em um dos prédios da sede administrativa da Gol em Congonhas (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

A Gol conta atualmente com 2.900 comissários de bordo que devem fazer o treinamento uma vez por ano. Além disso, são 1.600 pilotos que fazem a reciclagem duas vezes por ano. A parte teórica do treinamento dos pilotos será feita no centro de treinamento de Congonhas enquanto as atividades nos simuladores de voo serão feitas em Guarulhos na sede da CAE, empresa que presta esse tipo de serviço.

A nova estrutura criada no aeroporto de Congonhas deve receber cerca de 400 tripulantes por dia e 70% dos comissários e pilotos da companhia. Além de São Paulo, a Gol realiza treinamento no Rio de Janeiro, Porto Alegre (RS) e Brasília (DF).

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Simulador do Airbus A320 na sede da Azul, em Campinas (Foto: Vinícius Casagrande/UOL)

A Airbus inaugurou nesta quinta-feira (8) o seu primeiro centro de treinamento de pilotos na América do Sul. O local é resultado de uma parceria com a companhia aérea brasileira Azul e fica localizado na sede da empresa, em Campinas (SP).

Apesar de estar localizado na sede da Azul, outras empresas aéreas poderão usar o espaço para o treinamento de seus pilotos. O espaço já está sendo utilizado por tripulantes da Avianca e pela Smile Aviation, uma empresa de recrutamento chinesa que utiliza o simulador para testes com pilotos brasileiros que serão contratados por companhias aéreas da China.

Atualmente, está disponível somente o treinamento para o modelo Airbus A320. A Azul também utiliza o modelo A330, da Airbus. No entanto, não há planos no médio prazo para instalar um simulador desse modelo de avião. “Não temos demanda que justifique esse investimento. Para o futuro, faria mais sentido ter um segundo simulador do A320”, afirmou Antonoaldo Neves, presidente da Azul.

Os treinamentos no novo centro da Airbus em Campinas devem seguir o mesmo padrão internacional da fabricante. “Temos um padrão comum no mundo inteiro. Vamos dar todo o treinamento que temos em outros lugares do mundo”, afirmou o Fabrice Hamel, vice-presidente de treinamento da Airbus. O centro de treinamento em Campinas é o 12º do mundo.

Os investimentos para a instalação do simulador foram custeados pela Airbus, enquanto a Azul cedeu o espaço físico na UniAzul, que treina pilotos de outros modelos de avião e comissários de bordo.

Pilotos recebem treinamento no simulador do Airbus A320 (Foto: Vinícius Casagrande/UOL)

A instalação de um centro de treinamento próprio reduz o custo na formação de pilotos, mas para o presidente da Azul o ponto principal está na qualidade do treinamento. “Tenho certeza de que todos os pilotos preferem ficar no Brasil. É muito mais conveniente e prático para todos. Isso, com certeza, melhora a qualidade”, afirmou.

O local tem capacidade para treinamento de 600 pilotos por ano. A Azul tem cerca de 50 pilotos voando com o modelo A320neo. Para atender a capacidade disponível, a Airbus pretende fechar contratos com outras companhias aéreas do continente.

“Nossa perspectiva é de crescimento, tanto no número de clientes como de companhias aéreas da América do Sul”, afirmou o vice-presidente de treinamento da Airbus.

“Construímos esse centro para a Azul, mas isso é um negócio e, enquanto houver capacidade, vamos negociar com outras empresas”, disse Arturo Barreira, vice-presidente da Airbus para América Latina e Caribe.

Em tom de descontraído, o presidente da Azul brincou com a presença de pilotos de outras companhias aérea na sede da empresa. “Tenho de ser sincero. Não gosto muito quando vejo pilotos de outras companhias aqui”, disse. “Mas não há brigas entre as empresas quando se trata de treinamento. Essa é uma questão de segurança na qual estão todas juntas”, completou.

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