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Aéreas são suspeitas de separar famílias para cobrar mais por assento junto
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Reino Unido abriu investigação sobre prática das companhias aéreas (Getty Images)

A Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido (CAA, na sigla em inglês) abriu uma investigação para verificar se as companhias aéreas que operam no país estão separando de forma proposital os passageiros que viajam acompanhados para forçá-los a pagar a taxa extra de marcação de assentos, e só assim terem a garantia de viajarem lado a lado.

No momento da reserva da passagem, os clientes podem optar pelo preço mais baixo, que não permite a marcação antecipada de assento, ou pagar uma tarifa mais cara para reservar uma poltrona específica. Sem pagar a taxa extra, a companhia aérea determina qual o assento de cada passageiro, sem a garantia de que viajarão juntos.

Um relatório da CAA aponta que 18% dos passageiros que não pagaram a taxa extra tiveram de viajar separados de seus acompanhantes no avião.

A Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido afirmou que vai solicitar mais informações das companhias aéreas sobre políticas de marcação de assentos para averiguar se os passageiros estão sendo tratados de forma justa e se as políticas de preços são transparentes.

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“As práticas de marcação de assento das companhias aéreas estão claramente causando confusões nos clientes. As companhias aéreas estão no direito de cobrar a marcação de lugares, mas, se elas o fazem, isso deve ser de maneira justa e transparente. Nossa pesquisa mostra que alguns passageiros estão pagando para sentarem juntos quando, de fato, não precisariam”, afirma Andrew Haines, chefe-executivo da CAA.

No Brasil, as companhias aéreas também podem cobrar pela marcação de assento. Nos voos nacionais, nenhuma delas faz esse tipo de cobrança por enquanto. Porém, nos voos internacionais o valor por um assento comum pode passar de R$ 100.

Pesquisa diz que maioria paga só para ter a certeza de viajar acompanhada (Joel Silveira/Folhapress)

Aumento da receita das companhias aéreas

A cobrança pela marcação de assento tem representado um bom reforço de caixa para as companhias aéreas. “Resultados das nossas pesquisas mostram que os passageiros do Reino Unido podem estar pagando entre 160 milhões de libras esterlinas (R$ 722 milhões) e 390 milhões de libras esterlinas (R$ 1,7 bilhão) por ano para marcação de assentos”, afirma o relatório da CAA.

A CAA fez uma pesquisa com 4.296 passageiros que viajaram acompanhados, e cujas passagens haviam sido compradas juntas. Segundo a pesquisa, apenas metade afirmou ter sido avisada pelas empresas, antes da compra da passagem, que teria de pagar para ter a certeza de sentar junto com seu acompanhante. Outros 10% afirmaram terem sido avisados somente após a compra dos bilhetes. O restante disse que nunca foi avisado do risco de terem de sentar separados.

“Embora a maioria dos pesquisados tenha sido informada que eles poderiam não sentar juntos mesmo fazendo a reserva em grupo, quase metade acreditava que a companhia aérea os colocariam automaticamente juntos. Por outro lado, dois em cada cinco [40%] responderam que achavam que as empresas não os colocariam juntos automaticamente”, diz o relatório da CAA.

Segundo a pesquisa do órgão do Reino Unido, entre os passageiros que pagaram a mais para reservar o assento antecipadamente, 60% afirmaram que só fizeram por conta do risco de a companhia aérea separar o grupo que viajaria junto.

Risco para a segurança do voo

A questão não trata apenas de conforto ou conveniência dos passageiros e pode afetar até mesmo a segurança do voo, conforme a Autoridade de Aviação do Reino Unido afirma em seu site.

A recomendação da CAA é de que “crianças e bebês acompanhados por adultos deveriam, idealmente, sentar na mesma fileira. Quando isso não for possível, deverão ser separados por não mais do que uma fileira dos adultos acompanhantes”.

“Isso é necessário porque a velocidade de evacuação de emergência pode ser afetada pelos adultos tentando pegar suas crianças”, afirma a CAA.

Ryanair é a empresa que mais separa passageiros no Reino Unido (Divulgação)

Companhias que mais separam os passageiros

O risco de viajar separado do seu grupo pode variar de acordo com cada companhia aérea. “A pesquisa sugere que os passageiros têm melhor chance de sentarem juntos sem pagar a mais em algumas companhias aéreas do que em outras”, afirma a CAA.

Veja o ranking elaborado pela Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido com as empresas que mais separam passageiros que viajam acompanhados.

Ryanair: 35%

Emirates: 22%

Virgin Atlantic: 18%

Jet2.com: 16%

British Airways: 15%

easyJet: 15%

Thomas Cook: 15%

Flybe: 12%

TUI Airways: 12%

Monarch Airlines (empresa faliu no ano passado): 12%

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