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Que avião pousa antes: o do presidente ou um com órgão para transplante?
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Avião presidencial é o sexto na lista de prioridades (foto: Agência Força Aérea)

Nas manobras de pouso e decolagem, alguns aviões e helicópteros têm prioridade nas chegadas e saídas dos aeroportos. A ordem das aeronaves que vão decolar ou pousar em primeiro lugar segue regulamentos internacionais de tráfego aéreo.

A prioridade é dada aos aviões em emergência, que estejam transportando alguém doente em estado grave ou órgãos para transplante, aeronaves militares ou até mesmo com a presença do presidente da República.

A lista de prioridades é praticamente a mesma em todos os países e tem como intenção garantir as missões de segurança nacional e dos aviões e helicópteros que estão em operação, assegurar os cuidados com pacientes graves e agilizar as missões de resgate.

Há uma ordem de prioridade para a decolagem e outra para o pouso. Nos dois casos, no entanto, a aeronave presidencial é a sexta na lista de prioridades, sempre à frente dos aviões comerciais.

Quando não há esses casos de prioridade, os aviões comerciais ou mesmo aeronaves particulares ou militares que não estejam em nenhum tipo de missão entram em uma fila de acordo com a ordem de chegada. Eventualmente, a torre de controle até pode alterar essa ordem para dar mais agilidade ao tráfego aéreo.

Nos aeroportos mais congestionados, como o de Congonhas, em São Paulo, as aeronaves particulares precisam solicitar uma autorização prévia para decolar ou pousar, o chamado slot. Assim, é designado um horário específico para o pouso ou a decolagem daquele avião.

Isso não quer dizer, no entanto, que ele terá prioridade sobre outros aviões. Quando solicitar autorização para decolagem ou para o pouso, ele entrará na fila existente naquele momento.

A ordem completa de prioridades na decolagem é para as seguintes aeronaves:

1 – Em missão de defesa aérea para interceptação e ataque

2 – Em missão de defesa aérea para interceptação e escolta

3 – Em operação militar, em missão real de guerra ou segurança interna

4 – Transportando pacientes graves ou órgão vital para transplante

5 – Em missão de busca e salvamento

6 – Conduzindo o presidente da República

7 – Em operações militares, realizando manobras de treinamento

8 – Demais situações, na sequência em que a torre de controle julgar melhor operacionalmente

Prioridades para o pouso

Na hora do pouso, a prioridade máxima é para garantir a segurança dos aviões em voo e de seus passageiros. Assim, as aeronaves com algum tipo de emergência, como falha no motor, ganham prioridade para tentar garantir um pouso seguro o mais rápido possível.

Na sequência, vêm os planadores. Como são aviões sem motor, eles não conseguem esperar por muito tempo para pousar e, por isso, também precisam de prioridade. Aviões e helicópteros transportando pacientes graves vêm logo em seguida e só depois as aeronaves militares. Veja a ordem completa das aeronaves:

1 – Em emergência

2 – Planadores

3 – Transportando pacientes graves ou órgão vital para transplante

4 – Em missão de busca e salvamento

5 – Em operação militar, em missão real de guerra ou segurança interna

6 – Conduzindo o presidente da República

7 – Em operações militares, realizando manobras de treinamento

8 – Demais situações, na sequência em que a torre de controle julgar melhor operacionalmente

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Manobra de autorrotação garante pouso seguro do helicóptero (foto: Divulgação)

Se o motor de um helicóptero para de funcionar, o que acontece? Ele cai totalmente na vertical, como uma pedra? Na verdade, não é bem assim. A manobra de emergência precisa ser iniciada em apenas dois segundos, mas o problema pode ser contornado pelo piloto, que poderá fazer um pouso em total segurança.

Para ter a sustentação necessária ao voo, o helicóptero precisa do movimento da hélice (tecnicamente chamada de rotor principal). Esse movimento é gerado graças à força do motor. Mesmo com uma falha do motor, a hélice precisa continuar girando. Para isso, o piloto adota uma manobra chamada de autorrotação.

A hélice do helicóptero tem o formato semelhante ao das asas dos aviões. Por isso, são chamados de aeronaves de asas rotativas. Nos dois casos, a sustentação que mantém o equipamento no ar é gerada pelo fluxo do ar pelas as asas, fixa ou rotativa. No caso do helicóptero, quando a hélice começa a girar, ele começa a ganhar sustentação imediatamente. Já os aviões precisam ganhar velocidade horizontal na pista para gerar a sustentação necessária para a decolagem.

Quando já estão voando, os aviões não sofrem uma queda brusca de sustentação quando há uma falha no motor. Como as asas são fixas, o avião consegue planar até mesmo por longas distâncias em uma descida relativamente lenta.

Por outro lado, os helicópteros precisam da força do motor para manter a hélice girando. Quando há uma falha, a perda de sustentação é quase imediata. No entanto, a hélice não para de girar automaticamente e o piloto ainda consegue manter o voo controlado até o pouso. A diferença para os aviões é que a velocidade de descida é mais rápida. Além disso, os helicópteros voam mais baixo, o que também diminui o tempo até o pouso.

Hélice passa a funcionar como um catavento

Em situações de emergência, o piloto adota um procedimento chamado de autorrotação. Quando o helicóptero perde potência e inicia a descida, o deslocamento vertical do ar (de baixo para cima) gera força suficiente para manter o movimento da hélice.

“É uma manobra que o piloto faz quando o helicóptero tem uma perda súbita de potência e gera um efeito aerodinâmico similar ao catavento, que faz com que o rotor (hélice) continue girando. Isso vai manter a inércia do rotor para que possa chegar próximo ao solo com condições de desacelerar e amortecer o pouso”, afirma o comandante Arthur Fioratti, presidente da Abraphe (Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero).

Assim que o motor do helicóptero apresenta algum problema, o comandante Fioratti afirma que os pilotos têm, em média, dois segundos para tomar as primeiras atitudes. E o passo inicial é exatamente começar uma descida rápida do helicóptero, já que é esse deslocamento que vai permitir que a hélice continue girando.

Embora a descida possa ser um pouco brusca, é ela que permite que o piloto mantenha o controle do helicóptero para fazer o pouso em segurança, desacelerando a descida e tocando o solo suavemente. Normalmente, o tempo entre a falha do motor e o pouso do helicóptero é de menos de um minuto.

Basicamente, a manobra é composta de três etapas:

1. Quando o motor apresenta a falha, o piloto inicia a descida para manter o rotor (hélice) girando. A decisão deve ser feita imediatamente após o problema ser detectado.

2. Durante a descida, o piloto tem de manter a rotação da hélice nos padrões determinados para aquele modelo de helicóptero. Para isso, ele ajusta também a velocidade de deslocamento horizontal do helicóptero. A descida dura, normalmente, menos de um minuto. É esse o tempo que o piloto tem para escolher um local de pouso.

3. Manter a velocidade das hélices é fundamental para que o piloto possa ter o controle total do helicóptero durante o pouso. Ao se aproximar do solo, o piloto reduz a velocidade de descida do helicóptero para pousar mais suavemente.

Mesmo sendo um procedimento de emergência que exige uma decisão rápida do piloto, o comandante Fioratti afirma que a manobra pode ser feita com total segurança. “É uma ação que não tem muita chance de errar e tem de ser muito rápida, mas é uma manobra muito exigida em todos os treinamentos dos pilotos, nos simuladores e nos voos de avaliação”, afirma.

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Direção do vento é fundamental para um pouso seguro (Foto: Divulgação/Airbus)

Por Vinícius Casagrande

Quem está acostumado a passar sempre perto de aeroportos já deve ter reparado que em um determinado dia os aviões pousam em um lado da pista e, em outros, no lado oposto. Os sentidos dos pousos e decolagens podem ser alterados, inclusive, no mesmo dia.

A escolha da direção na qual os aviões chegam ou saem depende da direção do vento naquele momento. Todas as aeronaves – aviões e helicópteros – devem decolar e pousar com vento de frente para garantir a segurança das operações.

“Deve-se decolar sempre com vento de proa (frente) para diminuir a distância de decolagem e aumentar o ângulo de subida. Caso o vento diminua repentinamente, a segurança não será afetada se o piloto decolou com 120% a 130% da velocidade de estol (a mínima necessária para dar sustentação ao voo)”, afirma o engenheiro aeronáutico Jorge Homa no livro “Aerodinâmica e Teoria de Voo”.

No pouso, os ventos frontais permitem uma aproximação com velocidade mais baixa em relação ao solo. Isso faz com que, ao tocar o chão mais lentamente, se percorra uma distância menor para frear o avião.

Instantes antes da decolagem ou do pouso, os pilotos são sempre informados pela torre de controle da direção e velocidade do vento. Em aeroportos pequenos, que não contam com controle de tráfego aéreo, a indicação é feita pela biruta – um cone de tecido com abertura nas duas extremidades que fica localizado no alto de um poste próximo à pista.

Nem sempre, no entanto, os aviões conseguem pousar ou decolar com ventos frontais. Quando o ar sopra lateralmente, a atenção dos pilotos deve ser redobrada. É que o vento pode empurrar o avião para fora do eixo da pista e o piloto precisa corrigir esse desvio.

No entanto, cada modelo de avião conta com uma velocidade limite dos ventos laterais para os pousos ou decolagens.

Sem vento

Quando os ventos estiverem abaixo de 10 km/h, independentemente da direção em que sopram, os pilotos ou os controladores de tráfego aéreo poderão decidir qual a melhor cabeceira da pista a ser utilizada para as operações naquele momento.

Os critérios podem ser a condição do piso, a inclinação da pista, obstáculos como montanhas ou prédios ou simplesmente o melhor fluxo para o tráfego aéreo.

Planejamento de novos aeroportos

A direção dos ventos é um dos primeiros fatores a serem analisados na hora de fazer o planejamento de construção de novos aeroportos. A predominância dos ventos ao longo do ano é o que vai determinar onde a pista de pouso e decolagem será construída.

A intenção é que, na maior parte do ano, os aviões possam se aproximar ou partir com os ventos mais frontais possíveis.

Em maio deste ano, um aeroporto em um território ultramarino britânico não pôde ser inaugurado por conta dos fortes ventos. Durante os testes, os pilotos tiveram de arremeter e na segunda tentativa quase não conseguiram pousar por conta dos ventos.

Em grandes aeroportos nos quais a direção do vento varia constantemente pode haver, inclusive, a construção de pistas perpendiculares.

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Imagem: Stefan Wermuth/Reuters

Imagem: Stefan Wermuth/Reuters

Quem mora nos arredores de um aeroporto conhece bem o transtorno provocado pelo barulho do tráfego de aviões. A região onde está localizado o aeroporto de Londres Heathrow é uma das que enfrenta esse problema. Para tentar contorná-lo, mudanças serão feitas no processo de aproximação para pouso.

Durante um período de teste que começa no dia 17 deste mês e vai até 16 de março do ano que vem, os aviões devem passar do padrão de 3 graus na aproximação para 3,2 graus. “Heathrow acredita que um ângulo mais íngreme é possível e vai resultar em aproximações mais silenciosas ao aeroporto”, afirmou a administração, em comunicado. Se o resultado for satisfatório, a ideia é aumentar para um ângulo de 3,5 graus.

Quanto mais íngreme o ângulo na descida, menor o tempo que o avião permanece em baixa altitude, o que teria como resultado uma redução no nível de ruído. Segundo o comunicado, a alteração deixará o avião a uma altitude 170 pés acima do usual no momento da aterrissagem. A aproximação a 3,2 graus só será permitida quando houver boas condições de visibilidade.

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A mudança é opcional, mas o aeroporto espera, é claro, a adesão do maior número possível de companhias aéreas que contem com os equipamentos de navegação necessários. Dados serão reunidos com o uso de sensores para verificar se houve mudanças significativas no nível de ruído nos arredores. Os resultados serão publicados em um relatório no final do período de testes.

O piloto comercial e consultor de aviação Douglas M. Moss afirmou à revista Wired que a mudança passará despercebida para quem estiver a bordo do avião. “Será imperceptível para os passageiros”. O aeroporto londrino é um dos mais movimentados do mundo, com 470.695 voos no ano passado e 73,4 milhões de passageiros atendidos.

Em uma sessão de perguntas e respostas sobre a mudança publicada no site de Heathrow uma interessante questão foi abordada. Por que no pequeno aeroporto London City  a aproximação é feita a 5,5 graus? A inclinação maior deve-se a exigências estabelecidas para evitar obstáculos na hora do pouso. Os aviões que aterrissam em aeroportos com essas características são preparados para enfrentar tal situação, o que não é ocorre na maioria dos aeroportos internacionais, incluindo Heathrow.


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