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Arquivo : passagens aéreas

Senado rejeita redução do teto para o ICMS sobre combustível de aviação
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Teto do ICMS sobre combustível de aviação segue em 25%  (foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

O Senado rejeitou nesta quarta-feira (29) a redução do teto de 25% para 12% para a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o combustível de aviação. O projeto precisava de 54 votos favoráveis, mas só obteve o apoio de 43 senadores.

Com a rejeição da proposta, os Estados continuam livres para cobrar o ICMS até o teto máximo de 25% sobre o preço do querosene de aviação. A maior parte dos Estados brasileiros já cobra alíquota abaixo do teto atual. Apenas sete Estados cobram acima da alíquota de 12%, que era a proposta para o novo teto, para o ICMS sobre o combustível de aviação. O problema é que esses Estados são justamente aqueles com o maior número de voos no país.

A redução para limitar o teto para a cobrança do ICMS do combustível de aviação era defendida pelas companhias aéreas como forma de redução de custos operacionais, o que permitiria baixar o preço das passagens aéreas. Segundo o presidente da Abear (Associação Brasileira de Empresas Aéreas), Eduardo Sanovicz, o combustível representa cerca de um terço dos custos das passagens aéreas.

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Apesar da defesa da redução do imposto, o presidente da Abear não soube informar o quanto a medida poderia baixar o preço das passagens no país. “O projeto sozinho não gera queda. O cenário que nós estamos vivendo aponta nesse sentido (de queda de preços). Da mesma forma que as bagagens novas geraram tarifas novas e mais acessíveis das que haviam anteriormente”, afirma.

São Paulo seria o maior afetado

Os senadores paulistas José Serra (PSDB) e Marta Suplicy (PMDB) foram os principais críticos quanto a redução da alíquota máxima para a cobrança do ICMS. Segundo a senadora Marta Suplicy, que votou contra o projeto, o Estado perderia cerca de R$ 300 milhões ao ano na arrecadação do imposto.

O senador José Serra também alegou perdas para a arrecadação do Estado. “Nunca vi uma aberração desse tamanho. A medida só beneficia o lobby das companhias aéreas e tira dinheiro de outras áreas, como saúde e educação”, afirma.

O presidente da Abear concorda que o Estado seria o maior afetado com a medida. No entanto, ele ressalta que haveria compensações com o aumento do número de voos.

“São Paulo cobra o imposto mais caro sobre o querosene de aviação, cujo impacto é de um terço do preço do bilhete. Então, o ICMS de São Paulo chega a impactar em 6% a 7% no preço final do bilhete aéreo e esse custo vai cair”, afirmou, antes da rejeição do projeto.

Projeto previa aumento de voos no país

Em contrapartida para a redução do imposto, os senadores incluíram uma emenda que obrigaria as companhias aéreas a criarem 198 novos voos, divididos em todos os Estados do país. Esse foi o argumento para que muitos senadores votassem a favor do projeto.

O senador Jorge Viana (PT-AC) argumentou que a medida que iria beneficiar especialmente os Estados menores. O Acre, por exemplo, ganharia mais dois voos. “Temos de abrir o mercado e aumentar a concorrência”, afirma. Segundo Viana, o pouco número de voos que atende o Acre faz com que as passagens fiquem mais caras.

O projeto para a redução do ICMS foi apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que afirmou que a medida tinha como principal intenção reduzir o preço das passagens, permitindo o aumento do número de passageiros e a maior integração nacional.

Abear lamenta rejeição da proposta

Após a rejeição do projeto pelo Senado, a Abear divulgou uma nota na qual diz lamentar a manutenção do teto de 25% para a alíquota sobre o combustível de aviação. Segundo a associação das empresas, a decisão “impedirá a retomada e a criação de voos no país, já que 198 novas frequências seriam viabilizadas”.

“A Abear entende que a decisão afasta a aviação comercial das boas práticas internacionais e coloca obstáculos para o aumento da competitividade do setor e à sua vocação de promover a integração nacional pela democratização do transporte aéreo. O projeto também iria possibilitar a ampliação do mercado de táxi aéreo para a Amazônia e Nordeste, além do fortalecimento do agronegócio”, afirma.

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Companhias aéreas oferecem desconto de até 21% em passagens na Black Friday
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Companhias lançam promoções para a Black Friday (foto: iStock)

A Black Friday também pode ser uma boa oportunidade para planejar uma viagem gastando menos. As promoções das companhias aéreas devem durar até o próximo domingo (26), com descontos que chegam a 21%.

Para aproveitar as promoções, no entanto, é preciso ficar atento às regras de cada companhia aérea. O percentual de desconto pode variar de acordo com o trecho a ser voado e a data da viagem. Em muitos casos, o desconto só é válido se o passageiro adquirir o bilhete de ida e volta.

As passagens promocionais para voos nacionais também não dão direito ao despacho de bagagem. O passageiro pode transportar somente uma mala de mão de até 10 kg.

As ofertas da Black Friday também incluem os programas de fidelidade das companhias aéreas. Entre as opções estão acúmulo extra de pontos por trecho voado, desconto para o resgate de passagens e bônus para novos clientes se cadastrarem.

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Avianca oferece desconto de até 21% em todos os voos nacionais e internacionais (Foto: Divulgação)

Avianca

A Avianca afirmou que está com descontos de 21% em todos os seus voos nacionais e internacionais. A promoção estará disponível até a meia-noite de domingo (26). As passagens com desconto são válidas somente para voos a serem realizados entre 19 de fevereiro e 30 de junho, exceto feriados.

As compras feitas por meio do site ou aplicativo da companhia receberão um bônus de 2.000 pontos no programa Amigo, o programa de fidelidade da empresa. O limite da bonificação será de, no máximo, 4.000 pontos por CPF cadastrado.

Para a emissão de passagens com pontos do programa Amigo, há passagens nacionais a partir de 3.500 pontos, como nos trechos entre o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e Florianópolis (SC), ou entre o aeroporto de Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e Brasília (DF).

Nos voos internacionais, as passagens podem ser emitidas com a partir de 7 mil pontos na rota entre São Paulo e Santiago, no Chile, e a partir de 30 mil pontos para o novo voo da empresa entre São Paulo e Nova York, nos Estados Unidos, que estreia no próximo dia 15 de dezembro.

Desconto de 20% só é válido com uso de código promocional AZUL20 (Foto: Divulgação)

Azul

A companhia aérea Azul está com uma promoção de 20% de desconto para voos nacionais. A promoção, no entanto, só vale para alguns períodos específicos. Os voos devem ser realizados entre os dias 21 de fevereiro a 28 de março, de 3 de abril a 25 de abril, de 3 de maio a 29 de maio ou 5 de junho a 28 junho. Além disso, a promoção de Black Friday só é válida para a compra de passagens de ida e volta.

A campanha da Azul dura até a meia-noite de domingo (26). Os preços apresentados no site da companhia não apresentam automaticamente a redução do preço da passagem. Na hora de finalizar a compra, o passageiro deverá inserir o código promocional AZUL20 para obter o desconto de 20%.

A agência Azul Viagens terá descontos de 10% de desconto para pacotes com passagem aérea e hotel com valores acima de R$ 1.500. A promoção é válida para viagens realizadas até o dia 30 de junho. Na hora de finalizar a compra do pacote, o cliente deve inserir o código promocional BLACK10 em compras realizadas até a próxima terça-feira (28).

A cada R$ 1 gasto com pacotes do Azul Viagens, o cliente recebe dois pontos no programa de fidelidade Tudo Azul. O programa também terá bônus de 50% nas transferências de pontos de empresas parceiras para o Tudo Azul. No entanto, antes de fazer a transferência é necessário se cadastrar no site da promoção.

Latam tem voos a partir de R$ 80 no trecho entre Bauru e Congonhas (Foto: Divulgação)

Latam

A promoção de Black Friday da Latam também dura até a meia-noite de domingo. Para viagens nacionais, as passagens têm preços a partir de R$ 80, como no trecho entre Bauru (SP) e o aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Para os voos entre o aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), e Congonhas, as passagens custam a partir de R$ 98 (ou 3.500 pontos Multiplus). Já os voos entre Congonhas e Curitiba (PR) estão disponíveis a partir de R$ 99 (ou 3.500 pontos Multiplus). A empresa, no entanto, não informou qual o percentual de desconto em relação a outras épocas do ano.

Nos voos internacionais, a passagem mais barata liga São Paulo a Santiago, no Chile, a partir de R$ 834 (16 mil pontos Multiplus), ida e volta. O trecho entre São Paulo e Johanesburgo, na África do Sul, custa R$ 1.848, ida e volta.

O novo voo da empresa entre São Paulo e Roma, na Itália, que começa a ser operado em março, também entrou na promoção com a tarifa mais barata de voos para a Europa. A passagem de ida e volta custa a partir de R$ 3.045 (65 mil pontos Multiplus).

Segundo a empresa, há passagens promocionais com saídas de diversas cidades brasileiras. Para voos nacionais, as viagens devem ser feitas entre fevereiro e maio de 2018. Nos voos internacionais, a promoção é válida para viagens a serem realizadas entre fevereiro e junho de 2018.

O Smiles terá bônus de até 80% na transferência de pontos do cartão de crédito (Foto: Divulgação)

Gol

Na Gol, os descontos valem somente para o trecho de volta. O passageiros tem de comprar a passagem de ida e volta, mas a promoção vale somente para o segundo voo. A promoção só vale para comprar feitas até a meia-noite desta sexta-feira (24). Além disso, as viagens devem ser realizadas entre os dias 20 de fevereiro e 31 de maio de 2018. A promoção não é válida nos voos para Jericoacoara (CE) e Fernando de Noronha (PE).

A principal promoção da empresa está relacionada ao Smiles, o programa de fidelidade da Gol. A companhia afirma que há desconto de até 80% para a compra de passagens aéreas com o uso de milhas. Os trechos entre São Paulo e Rio de Janeiro custam a partir de 2.100 milhas para clientes do Clube Smiles e da categoria Diamante.

A promoção inclui também os voos de companhias aéreas parceiras do programa Smiles. As viagens entre São Paulo e Nova York ou Rio de Janeiro e Orlando, nos Estados Unidos, custam a partir de 29.900 milhas por trecho, voando com a companhia norte-americana Delta.

O Smiles também está com promoção de bônus para os clientes que transferirem os pontos do cartão de crédito de qualquer banco para a conta do programa. A partir de 5.000 milhas, haverá um bônus de 60% sobre o montante transferido. Para clientes do Clube Smiles e da categoria Diamante, o bônus é de 80%. As milhas são creditadas em até 10 dias úteis e é preciso fazer um cadastro no site da Smiles.

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Seguro vai bloquear o valor da passagem aérea para compra futura
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Valor do seguro vai variar de acordo com o risco da passagem aumentar (foto: Getty Images)

A situação é bastante comum: o passageiro encontra uma passagem aérea com preço promocional, mas não pode concluir a compra naquele momento, seja porque ainda não tem certeza se poderá viajar, porque está sem o dinheiro naquele dia ou qualquer outro motivo. Nesses casos, há sempre o risco de o preço da passagem subir até ele poder efetivamente comprar a passagem.

Uma nova ferramenta pretende acabar com essa variação de preços. O FareKeep funciona como um seguro que bloqueia o preço da passagem para uma compra em até sete dias. Ao adquirir o seguro, a reserva não é concluída. Ele somente garante que, caso o passageiro resolva realmente comprar o bilhete, o valor será mantido.

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O valor do seguro varia entre US$ 5 (R$ 15,89) e US$ 25 (R$ 79,43). O preço exato é definido por um algoritmo que calcula a probabilidade daquela passagem aumentar de preço no prazo de uma semana. Quanto maior a chance de o valor do bilhete subir, mais caro é o seguro.

Ao efetuar a compra da passagem, caso o preço tenha realmente subido, o FareKeep faz o reembolso da diferença. No entanto, o limite máximo para reembolso é de US$ 200 (R$ 635,40).

O seguro não é oferecido em todos os voos por causa do alto risco de variação de preço das passagens, mas a empresa Amadeus afirma que o Farekeep está disponível para 93% dos voos comercializados.

Solução promete aumento de vendas para as agências

A ferramenta foi lançada há pouco mais de um mês no Brasil e até o momento nenhuma agência do país adotou a venda do seguro para bloquear o preço da passagem.

Revendedores de passagens aéreas nos Estados Unidos e na Europa já oferecem a solução aos seus clientes, segundo a Amadeus, empresa especializada em tecnologia para o setor de viagens e investidora do FareKeep.

O seguro promete aumentar o faturamento das agências de viagens. Segundo dados da Amadeus, as agências de viagens online gastam até um terço de suas verbas de marketing para a captação de clientes, mas 95% deles saem do site sem fazer uma reserva. A expectativa da empresa é que a taxa de compra aumente com a disponibilidade do seguro para bloquear o preço da passagem.

“As agências online perdem muitas vendas porque o cliente vê a tarifa, passa a checar sua disponibilidade e, quando volta para efetuar a compra, o preço já mudou. Da mesma forma, o consumidor se frustra depois de um momento inicial de êxtase por uma boa tarifa encontrada”, diz Fernanda Assunção, gerente de alianças da Amadeus para a América Latina e o Caribe.

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Voo com conexão é ruim, mas você pode poupar 25% e conhecer outro lugar
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Voos com conexão são mais baratos em 60% dos casos (foto: Merelize/FreeRange)

Fazer um voo direto para chegar ao destino final da viagem é bem mais rápido e confortável do que ter de fazer uma parada no meio do caminho para trocar de avião. Mas esse conforto e agilidade podem fazer a viagem ficar mais cara na maioria das vezes. Um estudo do buscador de passagens aéreas Skyscanner aponta em 60% dos casos as viagens com conexão ficam mais baratas.

O levantamento, segundo a empresa, analisou milhões de dados, considerando os destinos internacionais mais procurados pelos brasileiros. A pesquisa comparou os valores cobrados pelas companhias aéreas em rotas diretas com os voos que exigem uma troca de avião no meio do caminho. A pesquisa foi feita entre os dias 1º de janeiro de 2016 e 30 de junho de 2017.

Os voos com conexão normalmente são mais econômicos nas rotas longas saindo do Brasil. Nas viagens para a Cidade do México, os voos com uma parada intermediária podem ficar, em média, 25% mais baratos. Para a Europa, o destino que gera a maior economia ao se optar por um voo com conexão é Lisboa, em Portugal, com uma redução de 16% em relação aos voos diretos. Nos Estados Unidos, Miami e Orlando têm preços 12% mais baratos quando há uma parada.

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Por outro lado, nas viagens internacionais para destinos mais próximos do Brasil, acontece o contrário: o mais barato é pegar voos diretos. Para viagens a Buenos Aires, na Argentina, a economia em voos diretos pode chegar a 12%, enquanto Santiago, no Chile, tem preços 6% mais baratos nos voos diretos.

A lista traz também algumas exceções, como o caso de Madri, na Espanha, para onde os voos diretos são 12% mais baratos. Segundo o Skyscanner, isso acontece pela maior oferta de voos para a capital espanhola. O maior desconto nos voos diretos é para Punta Cana, na República Dominicana, cuja economia pode chegar a 48% nas viagens sem conexão.

Na hora de comprar uma passagem aérea, no entanto, o passageiro não deve analisar somente esse fator, já que há outras variáveis que também influenciam no valor final da viagem. “Normalmente, o preço é influenciado pela disponibilidade dos voos e também pela procura por passagens”, afirma Tahiana Rodrigues, gerente de comunicação do Skyscanner.

Mesmo nos casos em que os voos com conexão são mais baratos, o passageiro também tem de analisar outras questões, como o intervalo entre os voos, a duração total da viagem e quantos dias ficará naquele destino. “O importante é o viajante avaliar, além do preço, se a parada vale a pena pelo tempo que ele tem disponível”, orienta Tahiana.

O passageiro que tem períodos mais longos de férias ainda pode aproveitar a conexão para conhecer mais de uma cidade na viagem. De acordo com o tempo entre os voos, é possível fazer somente um passeio curto, mas muitas companhias aéreas permitem que se faça um “stopover” sem custos adicionais. É quando o passageiro para na primeira cidade em que o avião pousar e fica ali por uma ou mais noites antes de prosseguir para seu destino final.

Destinos onde há mais economia ao viajar com voos de conexão:

Cidade do México – 25%

Lisboa – 16%

Amsterdã – 15%

Miami – 12%

Orlando – 12%

Paris – 11%

Roma – 11%

Nova York – 7%

Destinos que são mais baratos com voos diretos:

Punta Cana – 48%

Buenos Aires – 12%

Madri – 12%

Santiago – 6%

Montevidéu – 2%

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Avianca vai começar a cobrar pela bagagem em voo nacional ainda neste ano
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Valores e data exata ainda não foram definidos (Foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

A companhia aérea Avianca é a única que ainda não cobra o despacho de bagagem em voos nacionais, mas isso vai mudar até o final do ano. O vice-presidente da companhia, Tarcísio Gargioni, afirmou que a equipe técnica está fazendo os últimos testes no sistema para dar começar a cobrança. A data exata e os valores que serão cobrados ainda não foram divulgados.

“O conceito de cobrar bagagem é universal e usado em todo o mundo. É um conceito lógico. Quem usa paga, e quem não usa não paga. Temos 40% dos clientes no Brasil que não têm bagagem. Então, por que eles têm de pagar para os outros 60%? Com o tempo, as pessoas vão perceber que quando têm bagagem vão pagar mais, e quando não têm bagagem vão pagar menos”, afirma Gargioni.

O vice-presidente da Avianca afirmou que a empresa aposta na qualidade do serviço para crescer. A companhia tem 14% de participação no mercado brasileiro, atrás de Gol, Latam e Azul. No entanto, quando analisadas somente as rotas em que opera, esse índice sobe para 27%.

Segundo Gargioni, os principais diferenciais da companhia estão exatamente no serviço de bordo, com sanduíches quentes sem cobrança adicional, sistema individual de entretenimento, internet a bordo e mais espaço entre as poltronas. A Avianca descarta totalmente cobrar pela alimentação nos voos.

“No mercado recessivo, o cliente fica mais seletivo. Havia uma lacuna de um serviço diferenciado e mais qualificado. A gente apostou nisso e deu certo. Apostamos em uma qualidade de serviço, com o mesmo preço, e acabamos avançando na nossa participação. Isso nos animou a fazer os investimentos”, diz. A empresa tem criado rotas e adquirido aviões novos, como o Airbus A320neo e o Airbus A330-200.

O vice-presidente da companhia afirma que a aposta na qualidade do serviço gera um aumento dos custos operacionais. Para ter mais espaço entre as poltronas, por exemplo, a Avianca teve de retirar 12 assentos em cada avião. Os Airbus A320 utilizados pela companhia têm capacidade para 174 assentos, mas a empresa utiliza a configuração com 162 poltronas.

“O brasileiro ainda não está acostumado a pagar mais pelo serviço. Temos o equilíbrio dessa fórmula com o fator de ocupação mais alto. É um círculo virtuoso. Eu cobro a mesma coisa, tenho um serviço melhor e, portanto, tenho uma ocupação mais alta, que me cobre o custo. No fim, o cliente viaja pagando a mesma coisa e eu tenho o equilíbrio econômico”, afirma.

Novas rotas

A Avianca também tem apostado em novas rotas nacionais e internacionais para continuar crescendo. Somente neste ano, já abriu novos voos para Navegantes (SC), Foz do Iguaçu (PR), Miami (EUA) e Santiago (Chile). Na última segunda-feira (21), foi a vez de iniciar as operações no aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, ligando o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, com quatro voos diários em cada sentido.

Até o final do ano, a empresa ainda deve ter um voo diário, sem escala, entre São Paulo e Nova York (EUA) e dois voos semanais entre Salvador (BA) e Bogotá (Colômbia) e entre Recife (PE) e Bogotá.

Cerimônia de batismo do voo da Avianca na chegada a Belo Horizonte (foto: Divulgação)

Por que aposta em Salvador e Recife?

Os voos de Salvador e Recife, além do atual de Fortaleza (CE), para a Colômbia foram criados para aproveitar incentivos estaduais com a redução da alíquota do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o combustível.

Atualmente, cada Estado pode definir sua alíquota de ICMS e alguns, como São Paulo, por exemplo, cobram até 25% de imposto sobre o combustível de aviação. Um projeto de lei que tramita no Senado tenta unificar esse valor em todo o país em 12%.

“Se você imaginar que o combustível tem um impacto de 37% nos custos das companhias aéreas, baixando a alíquota de 25% para 12%, essa diferença dá uma redução razoável”, diz o vice-presidente da Avianca.

Para Gargioni, a medida permitirá uma queda nos preços das passagens aéreas. “Baixou o custo, a gente tem condição de baixar um pouco a tarifa para estimular o mercado. Interessa para nós estimular o mercado. Não temos intenção de subir tarifa e tirar do mercado as pessoas que são sensíveis a preço.”

Além disso, a redução do ICMS também pode trazer benefícios ambientais, segundo Gargioni. Para aproveitar preços melhores praticados em determinados Estados, as companhias aéreas abastecem os aviões com mais combustível do que seria o necessário para cumprir determinada rota. O maior peso dos aviões, no entanto, acaba gerando também um consumo maior de combustível.

“Com essa homogenização da alíquota, só vou abastecer aquilo que realmente precisa. Vou decolar com o peso necessário para fazer a segurança do voo, mas não vou gastar combustível para transportar combustível”, afirma.

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Latam anuncia tarifa promocional sem direito a bagagem e reserva de assento
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Mudanças em voos nacionais começam em 50 dias (Foto: Divulgação)

A Latam anunciou nesta sexta-feira (12) uma nova classe tarifária para voos nacionais na qual o passageiro não terá direito a despachar bagagem, reservar assento antecipadamente e não poderá acumular pontos no programa de fidelidade da companhia. Segundo a empresa, a nova tarifa deve entrar em operação dentro de 50 dias.

Os passageiros que comprarem passagens na tarifa promocional e quiserem despachar uma mala de até 23 kg terão de pagar um valor adicional de R$ 30. Inicialmente, a Latam havia anunciado o valor de R$ 50. Com a mudança do preço, a empresa iguala o mesmo valor que será cobrado pelas concorrentes Azul e Gol.

A Latam terá quatro perfis de tarifas nos voos nacionais: Promo, Light, Plus e Top. As faixas de preço de cada perfil de tarifa irão variar de acordo com os pacotes de benefícios que oferecem, como despacho de bagagem, acúmulo de pontos no programa Latam Fidelidade, reserva antecipada de assento, Espaço+ e remarcação ou reembolso do bilhete.

Para os voos internacionais, as mudanças começam para passagens vendidas a partir do próximo dia 18 de maio. Os clientes que adquirirem bilhetes da Latam para Europa e Estados Unidos passam a ter o direito de despachar gratuitamente duas malas de até 23 kg – o limite atual é de duas malas de até 32 kg.

Nas viagens para destinos na América da Sul, os passageiros terão direito a somente uma mala de até 23 kg. Caso queira despachar uma segunda mala, será cobrado o valor de US$ 90 (R$ 286).

Excesso de bagagem

A Latam também divulgou valores fixos para os casos de excessos de bagagem. Até então, era cobrado um percentual da tarifa-base da passagem, o que nem sempre deixa claro o valor dobrado.

De 24 kg a 33 kg:

— Voos domésticos: R$ 120

— Voos para América do Sul: US$ 90 (R$ 280)

— Voos para demais destinos internacionais: US$ 100 (R$ 312)

De 34 kg a 45 kg:

— Voos domésticos: R$ 200

— Voos para América do Sul: US$ 180 (R$ 560)

— Voos para demais destinos internacionais: US$ 200 (R$ 624)

Disputa judicial

A Latam pretendia implementar as mudanças em março, quando passaria a vigorar a nova resolução da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) que permitiu a cobrança de bagagem em voo. No entanto, uma liminar da Justiça Federal suspendeu a resolução. No último dia 28, a Justiça liberou novamente a cobrança.

Uma das alegações para a decisão inicial era de que não havia garantia de que a medida reduziria o valor das passagens aéreas no Brasil. No comunicado divulgado nesta sexta-feira, a Latam não fala em queda imediata dos preços, mas projeta uma redução das tarifas em até 20% até 2020. “Nossa meta é aumentar em 50% nossos passageiros transportados até 2020”, afirma Jerome Cadier, presidente da Latam Airlines Brasil.

O problema é que os preços das passagens variam constantemente, de acordo com a demanda e data do voos. Com isso, não é possível para o consumidor ter certeza se houve o desconto ou não. Por exemplo, uma passagem que tivesse o custo atual de R$ 500 deveria sair por R$ 470 para quem não despachasse bagagem (desconto de R$ 30). No entanto, nada impediria que as empresas cobrassem R$ 530 com bagagem e R$ 500 sem bagagem. Para o usuário, pareceria um desconto, mas, na verdade, não haveria desconto nenhum, apenas acréscimo.

Segundo a empresa, todas as alterações serão feitas de forma gradual para ajudar o cliente a se adaptar a esta nova dinâmica. “A partir desta mudança, o cliente que viajar sem despachar a mala em voos dentro do Brasil vai pagar tarifas mais acessíveis”, afirma Cadier.

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Vender mais passagens do que a capacidade do avião é comum. Sabe por quê?
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Empresas usam dados estatísticos para calcular quantidade de passagens à venda (Foto: Wilson Dias)

No último domingo (9), um passageiro foi expulso à força de um voo da United Airlines após a companhia aérea vender mais passagens do que a capacidade do avião. A prática de overbooking, no entanto, é bastante comum em todas as companhias aéreas do mundo. Isso acontece porque, na maioria dos voos, há passageiros que cancelam de última hora ou simplesmente não aparecem para o embarque. Se as empresas vendessem somente o número exato de assentos disponíveis, os aviões quase sempre viajariam com lugares vazios.

Para evitar perdas ou mesmo maximizar os lucros, as companhias aéreas colocam à disposição dos passageiros um número maior de passagens à venda. Essa quantidade a mais é definida pela companhia aérea de acordo com dados estatísticos do número de passageiros que compram a passagem, mas não embarcam naquele determinado voo. Esses dados podem variar de acordo com a origem, o destino, o dia da semana e até o horário do voo.

Em um avião cuja a capacidade total é de 180 passageiros, por exemplo, se a média de desistência for de 10%, isso significa que o voo teria, em média, 18 assentos vazios. No entanto, nem sempre a empresa colocaria um total de 198 passagens à venda.

Fator de risco

Os cálculos feitos pelas companhias aéreas também levam em conta o fator de risco caso todos os passageiros compareçam para o embarque. Quando isso acontece, não há lugares para todos e alguns são impedidos de voar. Além dos transtornos e danos à imagem da companhia, a legislação ainda prevê o pagamento de multas por parte da empresa e compensação para o passageiro, como pagamento de hotel.

No Brasil, de acordo com as novas regras da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) que entraram em vigor no dia 14 de março, a multa para voos nacionais é de 250 DES (Direito Especial de Saque), o equivalente a R$ 1.060,75. Nas viagens internacionais, o valor é de 500 DES (R$ 2.121,50).

A empresa ganha receita quando vende passagens além da capacidade do avião, mas também perde quando todos os passageiros realizam o check-in. Assim, a companhia precisa calcular até onde vai o seu risco. Porém, mais do que uma simples conta matemática, o cálculo é feito também com a probabilidade de o evento acontecer.

Com isso, ela evita que o avião voe com assentos vazios, mas também minimiza o risco de ter de pagar muitas indenizações caso todos os passageiros compareçam para o embarque. Mesmo quando o overbooking acontece, as passagens vendidas a mais nos demais voos ainda garantem o lucro da operação.

Negociação com os passageiros

Além de estipular um valor fixo para as multas em caso de overbooking, as novas regras da Anac também abriram a possibilidade de as companhias aéreas se anteciparem ao problema. Quando a empresa verifica que um determinado voo não terá lugares suficientes para todos os passageiros que fizeram o check-in, ela poderá procurar voluntários que aceitem alterar seu voo.

Nesse caso, o valor da indenização será negociado na hora entre a companhia aérea e o passageiro. Assim, alguém que não tenha compromissos urgentes, mas tinha a garantia do embarque, pode se candidatar para alterar seu voo e receber uma indenização por isso. Pelo lado da companhia, ela tentará oferecer um valor menor do que a multa obrigatória, reduzindo suas perdas.

Caso não tenha voluntários suficientes, a companhia pode determinar seus próprios critérios para decidir quais passageiros não poderão embarcar no voo. Nesse caso, a multa prevista na resolução da Anac deverá ser paga de forma integral e imediatamente.

Além da multa, a companhia aérea terá de oferecer as alternativas de reacomodação em outro voo, reembolso do preço da passagem ou execução do serviço por outra modalidade de transporte, de acordo com a opção do passageiro.

Se o passageiro optar pela reacomodação ou execução do serviço por outra modalidade, tem o direito ainda à assistência material, que prevê acesso a comunicação após uma hora do voo e alimentação após duas horas. Se a viagem só acontecer no dia seguinte, caso esteja fora de seu domicílio, tem direito também ao serviço de hospedagem e traslado de ida e volta ao aeroporto.

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No 1º dia, aéreas e agências descumprem regra sobre valor total da passagem
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Valor da passagem tem de ser divulgado com todas as taxas incluídas (Foto: Apu Gomes/Folhapress)

Por Vinícius Casagrande

Companhias aéreas e agências de viagem estão descumprindo a nova regra da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) que determina que seja informado o valor total da passagem, incluindo todas as taxas, no momento da pesquisa de preços. A nova norma entrou em vigor nesta terça-feira (14).

A Anac confirmou que o procedimento não está de acordo com a nova resolução de transporte aéreo. “As companhias aéreas serão notificadas para que adequem o site conforme solicitado pela norma, além de prestarem esclarecimentos à agência pelo ocorrido. Somente após esse procedimento é que a Anac definirá se caberá multa a alguma companhia pela questão”, afirmou a agência em nota.

O artigo quarto da resolução da Anac determina que “a oferta de serviços de transporte aéreo de passageiros, em quaisquer canais de comercialização, conjugado ou não com serviços de turismo, deverá apresentar o valor total da passagem aérea a ser pago pelo consumidor”.

Latam informa preço da passagem sem a taxa de embarque (Imagem: reprodução)

O Todos a Bordo realizou pesquisas de preços nesta terça-feira (14) e verificou que somente a Gol está seguindo corretamente a nova norma. Nos sites da Latam e da Avianca, os preços informados ao lado dos voos não incluem a taxa de embarque. Somente após o usuário clicar na tarifa escolhida é que surge um quadro ao lado com o valor total da passagem.

Em nota, a Latam afirmou que “está cumprindo com as regras da Anac e com o Código de Defesa do Consumidor uma vez que, ao selecionar o voo desejado, o cliente visualiza o preço da passagem com todas as taxas discriminadas na mesma página, automaticamente”.

A Avianca foi procurada, mas até a publicação desta reportagem ainda não havia se manifestado.

Avianca só informa o valor total após o passageiro escolher o voo (Imagem: reprodução)

 No caso da Azul, a taxas estão ainda mais escondidas dos passageiros. Após a escolha da origem, destino e data da viagem, o site apresenta a lista de voos com os valores sem incluir a taxa de embarque. O valor final só surge após várias etapas, como a escolha da compra ou não do seguro de viagem, reserva do assento e preenchimento dos dados do passageiro.

A Azul afirmou que “protocolou hoje um pedido à Anac requerendo prazo suplementar de 30 dias para adequação de todos os seus sistemas”. A empresa disse que a liminar da Justiça Federal de São Paulo, que suspendeu a cobrança de bagagem, impediu a implementação completa do sistema.

Azul só informa taxa de embarque após várias etapas da reserva (Imagem: reprodução)

Agências de viagem

A regra da Anac também vale para as agências de viagens. As principais empresas do setor no país também estão descumprindo a regra nesta terça-feira. Em pesquisa nos sites Submarino Viagens e CVC, o passageiro só é informado do valor final da passagem, com todas as taxas, após selecionar o voo e clicar em comprar.

O valor total deveria aparecer imediatamente após a pesquisa da origem, destino e data da viagem. A Submarino Viagens e a CVC foram procuradas pela reportagem, mas não se manifestaram.

Submarino Viagens apresenta o valor total somente na última etapa da compra da passagem (imagens: reprodução)

Por outro lado, o sistema de busca de preços de passagens do Google, chamado Google Flights, já se enquadrou na nova determinação da Anac. Após a realização da pesquisa, o site apresenta o valor total a ser pago. O sistema não é nem mesmo uma agência de viagem. Ele simplesmente faz a pesquisa e redireciona o usuário para o site da companhia aérea.

Durante a manhã, a Decolar estava descumprindo a regra, mas corrigiu o problema no período da tarde e já informa o valor total da passagem.

Melhor comparação dos preços

Quando anunciou as novas regras do transporte aéreo no Brasil, a Anac afirmou que essa era uma medida para que os passageiros pudessem comparar melhor os preços das diversas empresas.

“Muitas vezes isso não fica claro e é importante para que o passageiro tenha uma base de comparação e possa decidir sem o fator surpresa no preço final”, afirmou, na ocasião, Ricardo Catanant, superintendente de acompanhamento de serviços aéreos da Anac.

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Foto: Getty Images

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Executivos de duas companhias aéreas europeias revelaram recentemente suas expectativas de que, no futuro, as passagens aéreas poderão ser de graça ou tão baratas a ponto de serem consideradas quase de graça. Mas isso é possível? E, principalmente, é razoável imaginar isso acontecendo no Brasil?

Na visão de Michel O’Leary, da companhia irlandesa de baixo custo Ryanair, a receita das aéreas passaria a vir de produtos e serviços vendidos nos aeroportos. “Tenho esta visão de que, nos próximos cinco ou dez anos, as tarifas aéreas da Ryanair serão gratuitas, no caso de os voos estarem cheios”, disse o executivo durante uma conferência realizada no final do ano passado. “Nós vamos fazer dinheiro com a partilha da receita dos aeroportos, de todas as pessoas que vão passar pelos aeroportos”.

Skúli Mogensen, da Wow Air – islandesa de baixo custo, que anunciou tarifas dos Estados Unidos para a Europa por US$ 70 (cerca de R$ 220) – também acredita que as passagens aéreas deixarão de ser a fonte principal de recursos, como afirmou ao site “Business Insider”. O dinheiro passaria a vir de taxas extras e despesas de viagens, como reserva de hotel, aluguel de carro, alimentação. Os voos baratos serviriam para atrair os clientes.

Chances de chegar por aqui

Os dois executivos comandam aéreas consideradas de “ultra” baixo custo, por oferecerem menos serviços a bordo em troca de tarifas mais baixas. No site da Ryanair, depois que a tarifa mais baixa é selecionada, são oferecidos à parte a escolha do lugar no avião, despacho de bagagem (com preços diferentes para pesos diferentes), embarque prioritário, taxa para levar instrumentos ou equipamentos esportivos e até mesmo, em parceria com outras empresas, a contratação de transfer, aluguel de carro ou reserva em hotel.

No Brasil, a discussão sobre a cobrança de serviços ainda é incipiente. O debate do momento é a liberação para a cobrança por bagagem despachada, com a promessa de que a medida resultará em redução do preço das passagens.

Levando em consideração essas diferenças, é possível pensar em um futuro em que as tarifas por aqui também serão tão baixas até chegar a zero, como o cenário imaginado na Europa?

“Não acho impossível, mas só em condições bastante especiais”, diz o economista Cláudio Frischtak, presidente da consultoria internacional de negócios Inter.B.

Uma possibilidade que ele aponta é a adoção deste modelo em rotas mais competitivas, com volume elevado de passageiros, como a ponte aérea Rio-São Paulo ou o corredor Washington – Nova York – Boston. No entanto, o economista não acredita que esse conceito vá se generalizar, e questiona a viabilidade de sua implantação em voos longos.

Para ele, no Brasil, a adoção desse modelo de tarifa zero, se ocorrer, ainda vai demorar. Entre outros motivos, porque não há nenhuma companhia aérea nacional de baixo custo equivalente a uma Ryanair. “A Europa tem um mercado muito aberto e muito competitivo. Acho que pode ser uma tendência de médio prazo na Europa e nos Estados Unidos, talvez.”

Receita vinda dos aeroportos

Em relação ao cenário em que as aéreas passam a compartilhar a receita dos aeroportos, o economista acha isso possível. Ele explica que os aeroportos reúnem três operações: logística, que envolve o transporte de carga e de passageiros, imobiliária, com estacionamento, torres de escritório e hotéis próximos ao aeroporto, e comercial, funcionando como um grande shopping center. E o grande atrativo para frequentar esse “shopping” são as companhias aéreas.

“Ninguém te cobra para entrar num shopping. As pessoas que estão indo para o aeroporto, inclusive para esperar alguém, estão indo por causa da companhia aérea. Então, ela tem que participar desse ganho”, afirma.

Para Márcio Peppe, sócio da consultoria KPMG no Brasil, as aéreas também podem investir em produtos e serviços nos aeroportos, se considerarem o investimento vantajoso. Como exemplo, ele cita uma mudança no conceito das salas vip, que hoje estão relacionadas ao status de quem viaja na primeira classe e na classe executiva.

“Para a companhia poder tirar um fluxo de receita a partir daí, ela pode criar uma sala vip para todos os passageiros, com serviço diferenciado para quem paga mais, porém para quem voa na classe turística, a locação do espaço em uma sala reservada seria paga”, diz. “A empresa aérea tem que entender se, dentro de sua estratégia de negócio, faz sentido investir nisso”.

Peppe menciona também um exemplo do passado, ao lembrar que a Varig chegou a ser operadora de hotéis. “Naquele momento, fazia sentido oferecer hospedagem”. Nada impede que alguma companhia aérea hoje entre no segmento de hotelaria – sabendo, contudo, que competirá com empresas muito experientes no setor, diz ele.

Custos no Brasil

Ao comentar a tendência de passagem “zero” apontada pelas companhias europeias, Peppe afirma que é preciso levar em consideração que a realidade de cada região é diferente. Ele chama a atenção para a “maturidade econômica do continente europeu”, em contraste com a “juventude da economia brasileira”, como fator que favorece a redução de tarifas na Europa, onde o mercado de aviação é mais desenvolvido.

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas aéreas brasileiras, em sua opinião, está relacionada à moeda. “Aqui, o fluxo de receita é em real, porém existe um custo muito grande denominado em dólar. Isso impacta diretamente o mercado da companhia aérea”. Com exceção dos salários, pagos em reais, custos importantes estão atrelados à moeda norte-americana, incluindo o leasing (arrendamento) do avião e combustível.

Em sua página na internet, a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) afirma que “se uma europeia de baixo custo operasse no Brasil, sua operação seria, aproximadamente, 27% mais cara. O acréscimo viria das despesas com o combustível no país, além dos encargos trabalhistas, entre outros itens”. A associação não quis comentar a possibilidade de, no futuro, a passagem chegar a zero no Brasil.

(Claudia Andrade)

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Foto: Getty Images

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A companhia aérea American Airlines anunciou esta semana como funcionará sua nova classe tarifária, a econômica “básica”, que estará disponível a partir do mês que vem. A nova tarifa não permite nem mesmo colocar uma bagagem no compartimento acima dos assentos. Será possível embarcar somente com uma bolsa ou mochila pequena que caiba no espaço embaixo da poltrona.

Quem levar mala maiores, terá de despachar o objeto e pagar por isso. Se o passageiro chegar ao portão de embarque com bagagem que não caiba sob o assento, terá de pagar o preço por mala despachada (US$ 25) e mais uma taxa de US$ 25 por item (um total de aproximadamente R$ 160).

A empresa não informou qual deve ser a faixa de preço dos bilhetes comprados pelo novo sistema. Inicialmente, a tarifa econômica básica será disponibilizada para 10 aeroportos dos Estados Unidos. Os planos são de ampliar a venda futuramente para todo o país e também para destinos internacionais próximos dos EUA, como a região do Caribe, segundo informação da agência Associated Press.

A American Airlines disse que a expansão da classe tarifária para outros mercados terá como base o interesse dos passageiros. “Estamos sempre avaliando a combinação certa de produtos, que pode ser alterada dependendo da demanda dos clientes”.

Não há previsão de que os voos para o Brasil ofereçam a tarifa básica. Lembrando que as novas regras sobre cobrança de bagagem ainda não entraram em vigor por aqui.

Dimensões da bagagem

Nos Estados Unidos, a Delta Air Lines já oferece uma passagem básica desde 2015, que não é tão restrita em relação à bagagem de mão, mas limita a escolha de assento. A United Airlines também anunciou recentemente que vai implantar a nova classe tarifária e passará a cobrar a taxa extra do passageiro que tiver comprado a passagem mais barata e chegar para o embarque com mala.

O site da United aponta as diferenças entre a bagagem de mão e o item pessoal que vai embaixo da poltrona. A bagagem de mão deve ter no máximo 22 cm (lateral) x 35 cm (largura) x 56 cm (altura), incluindo puxador e rodinhas. O item pessoal (bolsa, mochila, bolsa para notebook, etc) pode ter dimensões de até 22 cm x 25 cm x 43 cm.

As empresas esperam que a triagem de malas ocorra antes do embarque, já que as aeromoças não serão obrigadas a monitorar os itens que os passageiros colocaram no compartimento de bagagens.

Classe econômica da American Airlines. Foto: Divulgação

Classe econômica da American Airlines. Foto: Divulgação

Tendência

Ao seguir a tendência da tarifa básica, a American Airlines quer fazer frente a aéreas de baixo custo, como afirmou o presidente da companhia, Robert Isom.

“A American Airlines agora tem algo a oferecer para cada cliente, daquele que quer uma viagem simples, com preço baixo, ao que busca uma experiência premium na primeira classe”, disse Isom, em comunicado. “E o mais importante, esta nova tarifa também dá à American condições para competir de forma mais eficaz com o número cada vez maior de aéreas de ultra baixo custo”.

O presidente da United Airlines, Scott Kirby, por sua vez, disse que a segmentação de assentos no avião (com a criação de novas classes tarifárias, como a econômica básica) pode render US$ 250 milhões (cerca de R$ 800 milhões) à empresa este ano e US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 1,6 bilhão) no ano que vem.

Famílias podem ficar separadas 

As restrições da nova tarifa da American Airlines, assim como as que serão adotadas pela United, também atingem a seleção de assentos. O local onde o passageiro vai ficar durante o voo será definido de forma aleatória, no momento do check-in.

A American Airlines afirma que o sistema de reservas tentará manter crianças menores de 13 anos junto com um adulto da família. Quem preferir, poderá pagar para escolher a poltrona 48 horas antes do voo.

Os clientes que compraram a passagem econômica básica também serão os últimos a embarcar e não poderão conseguir upgrade. Alterações de voo e reembolso não são permitidos.

Quem comprar uma passagem econômica básica terá direito às mesmas bebidas não alcoólicas e snacks servidos a todos os clientes da classe econômica. A aérea afirmou que não tem planos de alterar as poltronas ou o interior de seus aviões por causa da nova classe tarifária.

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