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Incidentes causados por passageiro de avião diminuem, mas ficam mais graves
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Houve queda de 9,37% no número de incidentes causados por passageiros (Foto: Getty Images)

O número de incidentes causados por passageiros de avião caiu 9,37% no ano passado, segundo um relatório da Iata, a associação internacional de companhias aéreas, divulgado neste mês. Em 2016, passageiros causaram problemas em 9.837 voos em todo o mundo, contra 10.854 casos registrados no ano anterior.

Isso representa um incidente a cada 1.424 voos. Em 2015, esse índice era de um caso para cada 1.205 voos. Desde que os dados começaram a ser analisados, em 2007, foram registrados 58.921 incidentes causados por passageiros durante as viagens aéreas.

Incidentes são situações que fogem dos padrões durante o voo, mas que não necessariamente chegam a causar um acidente de fato.

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Casos mais graves aumentam

Apesar da queda no número total de casos reportados para a Iata, a associação das companhias aéreas se mostra preocupada com o aumento de casos mais graves.

A grande maioria das ocorrências ainda é de situações mais leves, como agressões verbais, desrespeito às instruções da tripulação ou recusa de seguir alguns procedimentos de segurança. Esses casos representam 87% das ocorrências.

Os incidentes de nível 2 tiveram um aumento de 11% em 2015 para 12% no último ano. São problemas causados por agressões físicas, atos obscenos, ameaças de violência ou danos aos equipamentos de emergência e segurança. “São situações difíceis de gerenciar dentro de um avião”, afirma o relatório da Iata.

Apesar de representar apenas 1% dos casos, os incidentes mais graves foram os que tiveram o maior aumento proporcional, com crescimento de 49,5%. Enquanto 2015 registrou 113 situações de perigo real, no ano passado foram 169 incidentes graves causados pelos passageiros. São casos que podem colocar a vida de outros passageiros em risco ou tentativas de abrir a porta da cabine dos pilotos.

Álcool é a principal causa de problemas

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas e outras drogas é o principal responsável pelos incidentes causados por passageiros de avião, com 33,4% das ocorrências.

“O problema está relacionado ao consumo antes do embarque na aeronave ou álcool comprado nos aeroportos para ser consumido a bordo sem a conhecimento da tripulação. O nível de intoxicação pode não ser aparente no tempo de embarque”, afirma o relatório da Iata.

Entre os problemas de passageiros que se recusaram a seguir os procedimentos de segurança, mais da metade está relacionada a pessoas que tentaram fumar a bordo. Outros casos são de passageiros que se recusaram a desligar os aparelhos eletrônicos ou a afivelar o cinto de segurança.

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Conserto em Boeing atingido por tiro de fuzil pode custar até R$ 460 mil
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Incidente foi descoberto durante revisão geral no Boeing 767 (Foto: Divulgação)

Incidente foi descoberto durante revisão geral no Boeing 767 (Foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

O centro de manutenção da Latam, em São Carlos, a 232 quilômetros de São Paulo, ainda aguarda a perícia da Polícia Federal para decidir como fará o conserto da peça de um Boeing 767 da companhia que foi atingido por um tiro de fuzil.

Somente após as autoridades liberarem a peça é que os mecânicos da empresa poderão verificar se ela poderá ser reparada ou se será necessário substituí-la por uma nova. A avaliação será feita pelos mecânicos da companhia após avaliar os danos causados e consultar os manuais de manutenção do avião e os técnicos da própria Boeing.

O tiro atingiu o slat, uma peça que fica na frente da asa e que ajuda a aumentar a sustentação do avião no momento do pouso. Caso seja necessária a troca, um slat novo de um Boeing 767 custa US$ 145 mil (cerca de R$ 460 mil).

Revisão geral

Os mecânicos da Latam descobriram que o avião havia sido atingido por um tiro durante a revisão geral da aeronave, chamada tecnicamente de check C. Durante o trabalho, diversas peças são desmontadas para verificar eventuais problemas.

“A cada 18 meses ou 6.000 horas de voo, o avião tem de passar por uma manutenção pesada. Durante a manutenção, a gente remove diversas partes para conseguir cumprir toda a inspeção”, afirma o diretor do centro de manutenção da Latam, Alexandre Peronti.

O projétil foi descoberto por um mecânico que fazia a inspeção detalhada da asa do avião. Em uma plataforma, o mecânico subiu até a altura da asa e estendeu o slat para fazer as inspeções internas. “Foi nesse momento que ele detectou um furo de mais ou menos 1 cm com um projétil encravado”, conta Peronti.

O trabalho de manutenção foi, então, interrompido imediatamente, para que a área de manutenção da Latam pudesse comunicar as autoridades, como Polícia Federal, Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

A investigação

Um dos focos da investigação será tentar descobrir onde e quando o Boeing 767 foi atingido. Procurada pelo Todos a Bordo, a Polícia Federal afirmou que não comenta investigações em andamento.

O diretor do centro de manutenção da Latam afirmou que a última revisão geral do avião havia sido feita em outubro de 2015. Desde então, o avião passou por outras manutenções, mas não de forma tão detalhada. “O acesso a essa área só é feito nessa manutenção pesada. Então, foi em qualquer momento entre outubro de 2015 e o último voo, em 15 de janeiro”, afirma.

Sem danos à segurança do voo

O avião, em teoria, pode ter realizado diversos voos com um projétil de fuzil encravado na asa. Mas o diretor do centro de manutenção da Latam garante que o incidente não causou nenhum problema à segurança de voo. “O projétil afetou a área de carenagem (do slat). Entrou, ficou cravada nessa estrutura e não chegou a afetar a estrutura da asa em si. Foi só esse componente”, afirma Peronti.

Antes de todos os voos, pilotos e mecânicos realizam uma inspeção visual para verificar as condições do avião antes de uma nova decolagem. No entanto, em nenhum momento foi verificado o furo causado pelo projétil. “É um avião que tem uma envergadura de 56 metros e o furo era de 1 cm, próximo à ponta da asa e em um local alto”, diz.

Além disso, o diretor do centro de manutenção afirma que esse tipo de peça é desenvolvida para resistir a pequenos danos. “O conceito moderno dos projetos dos aviões é ser tolerante a danos. Essa peça é projetada e certificada para suportar impacto de alta energia. Durante o processo de desenvolvimento de uma nova aeronave, essas peças são submetidas a uma série de impactos para verificar o comportamento da estrutura e, a partir daí, determinar se ela pode ou não entrar em operação”, afirma.

A decisão de reparo ou substituição do slat será feita em conjunto entre mecânicos da Latam e técnicos da Boeing, consultando as recomendações dos manuais do avião. Caso a troca seja necessário, o trabalho será realizado por três mecânicos e deve durar entre três e cinco horas.

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Lembre pilotos de avião heróis que enfrentaram panes e evitaram tragédias
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Piloto pousou Airbus 320 no rio Hudson, em Nova York, e todos saíram ilesos (Brendan McDermid/Reuters)

Piloto pousou Airbus no rio Hudson e todos os passageiros saíram ilesos (Brendan McDermid/Reuters)

Por Vinícius Casagrande

O caso do piloto chinês He Chao, que na semana passada recebeu um prêmio de R$ 1,4 milhão por evitar um acidente na decolagem que poderia matar 439 pessoas, é apenas o mais recente exemplo de como muitas vezes os pilotos de avião podem se tornar heróis.

Os pilotos recebem treinamento intensivo para agir em situações de risco que possam ocorrer durante o voo. Mas na hora em que algo imprevisto acontece na vida real, é preciso muito sangue frio para tomar todas as atitudes corretas para evitar uma tragédia.

Panes de motores, pouso na água, falhas dos instrumentos e até a quebra do para-brisa da cabine de comando foram alguns dos problemas enfrentados pelos pilotos e que tiveram um final feliz.

Veja os casos mais emblemáticos da história da aviação mundial.

American Airlines voo 96

De Los Angeles a Nova York – 12 de junho de 1972

Logo após uma escala no aeroporto de Detroit, nos EUA, a porta traseira do compartimento de carga se abriu. O incidente causou uma forte descompressão do avião, que fez ceder uma parte do piso da cabine de passageiros e rompeu alguns cabos que acabaram por desligar um dos motores e inviabilizar alguns comandos de voo.

Mesmo com sérias dificuldades para manter o controle do avião, modelo McDonnell Douglas DC-10-10, o comandante Bryce McCormick e o copiloto Peter Whitney conseguiram regressar ao aeroporto de Detroit e fazer o pouso em segurança, apesar de terem sido obrigados a tocar o chão com velocidade bem acima do normal. O incidente deixou 11 feridos, todos sem gravidade.

British Airways voo 9

De Londres a Auckland – 24 de junho de 1982

Quando sobrevoava a ilha de Java, o Boeing 747-200 se chocou com um grande nuvem de cinzas vulcânicas. Como consequência, os quatro motores do avião pararam de funcionar. O comandante Eric Moody iniciou, então, um voo de planeio em direção a Jacarta.

Com toda tranquilidade, Moody anunciou o problema aos 248 passageiros. “Senhoras e senhores, aqui é o comandante falando. Temos um pequeno problema. Os quatro motores pararam. Nós estamos fazendo o possível para religá-los. Confio que não estejam muito angustiados”, disse.

Ao se afastar das cinzas vulcânicas, os quatro motores voltaram a funcionar quando o avião atingiu a altitude de 4.000 metros. O comandante conseguiu aterrizar o Boeing 747-200 sem nenhum ferido a bordo.

Air Canada voo 143

De Montreal para Edmonton – 23 de julho de 1983

A 12,5 mil metros de altitude, o Boeing 767-200 ficou completamente sem combustível por conta de um erro de cálculo no reabastecimento do avião. O problema foi causado pela recente troca do sistema imperial para o métrico.

Mesmo sem combustível e, consequentemente, com os motores desligados, o comandante Robert Pearson, que também era piloto de planador, e o copiloto Maurice Quintal conseguiram planar o avião até chegar à base de Gimli, no Canadá.

Mesmo com sérios danos no trem de pouso dianteiro, que quebrou ao tocar o solo, das 69 pessoas a bordo, apenas dez tiveram ferimentos leves.

Boeing 737 da Aloha Airlines ficou com a fuselagem destruída durante o voo (Divulgação/NTSB)

Boeing 737 da Aloha Airlines ficou com a fuselagem destruída durante o voo (Divulgação/NTSB)

Aloha Airlines voo 243

De Hilo a Honolulu – 28 de abril de 1988

Uma rachadura no teto do Boeing 737-200 causou uma descompressão explosiva que arrancou parte da fuselagem quando o avião voava a uma altitude de mais de 7.000 metros.

Apesar dos severos danos, o comandante Robert Schornstheimer e a copiloto Madeline Tompkins conseguiram pousar em segurança na ilha de Maui 13 minutos depois da explosão.

O avião voava com 90 passageiros e cinco tripulantes. Houve uma vítima fatal, a aeromoça Clarabelle Lansing, que foi sugada para fora do avião.

British Airways voo 5390

De Londres a Málaga – 10 de junho de 1990

Em um dos casos mais impressionantes da história da aviação, um para-brisa da cabine de comando se rompeu em pleno voo, sugando o comandante Tim Lancaster para fora do avião modelo BAC 1-11. O comandante, no entanto, ficou somente com metade do corpo no lado de fora. Dentro da cabine, um membro da tripulação segurava as pernas de Lancaster.

O comando do avião foi assumido pelo copiloto Alastair Atchison, que fez uma rápida descida de emergência até pousar no aeroporto de Southampton. O comandante ficou 21 minutos com a cabeça para fora do avião, encarando fortes ventos. Lancaster sofreu apenas pequenas fraturas.

British Airways voo 38

De Pequim a Londres – 17 de janeiro de 2008

Quando se preparava para pousar, a apenas 3 km do aeroporto de Heathrow, em Londres, o Boeing 777-200 perdeu potência repentinamente. O comandante John Coward conseguiu levar o avião até bem próximo da cabeceira da pista, mas quando faltavam apenas 270 metros para chegar o avião tocou o solo.

A perda de potência ocorreu em virtude de um congelamento no sistema de combustível. Apesar dos diversos danos sofridos no avião, das 152 pessoas a bordo, apenas 13 tiveram ferimentos leves.

US Airways voo 1549

De Nova York a Charlotte – 15 de janeiro de 2009

Em um dos casos mais conhecidos, o comandante Chesley Sullenberger III fez um pouso surpreendente nas águas do rio Hudson, em Nova York, nos EUA. Logo após a decolagem do aeroporto de LaGuardia, o Airbus A320 foi atingido por um grupo de gansos-do-Canadá. Com a colisão, os dois motores pararam de funcionar.

Sem condições de retornar ao aeroporto, a única alternativa foi pousar o avião no rio Hudson. Nenhuma das 155 pessoas a bordo ficou ferida. Todos aguardaram o resgate nas asas do avião.

Gol voo 1536

De São Paulo ao Rio de Janeiro – 16 de outubro de 2011

Logo depois de decolar do aeroporto de Congonhas, o Boeing 737-800 sofreu uma pane nos equipamentos que medem velocidade e altitude do avião. Sem as referências necessárias para o controle do avião, o comandante Cesídio Sampaio declarou emergência ao controle de tráfego aéreo e informou o problema.

A partir de então, o controlador Ricardo Blanco foi decisivo para guiar o avião até o aeroporto de Viracopos, em Campinas. A todo instante, Blanco informava ao comandante, com base nas informações que recebia no radar, a velocidade e a altitude do avião, além da direção que deveria seguir.

Assim, 14 minutos depois de identificar o problema, o Boeing da Gol pousou em segurança e nenhuma das 105 pessoas a bordo ficou ferida.

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