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Latam muda código de voos de JJ para LA. O que isso significa?
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Mudança faz parte da integração com sistema de todo o grupo Latam (Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

Os códigos dos voos da antiga TAM no Brasil sempre começaram com as letras JJ. Desde a última sexta-feira, no entanto, a Latam (resultado da fusão da TAM com a LAN) alterou esse código para LA, o mesmo que já era utilizado pela antiga LAN Chile. Dessa forma, o voo JJ3579 (de São Paulo a Brasília) passa a ser identificado como LA3579, por exemplo. A exceção são os voos de e para os EUA, que permanecem com o código JJ.

A mudança, segundo a companhia, é mais um passo da integração de todo o grupo na América do Sul e ocorre após a mudança do sistema de reserva de voo. Os braços brasileiro e paraguaio do grupo utilizavam o sistema da marca Amadeus, enquanto nos mercados da Argentina, Chile, Colômbia, Equador e Peru era adotado o sistema Sabre.

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“Este é um dos passos mais importantes na criação da nova marca Latam. A adoção do Sabre como sistema único de inventário, reservas, vendas e check-in tornará ainda mais simples as conexões em voos internacionais e domésticos de passageiros de toda a malha da Latam, independentemente do país em que ele adquira seu bilhete”, afirma, em nota, Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil.

Segundo a Latam, a mudança não afeta os horários dos voos, e os passageiros com bilhetes comprados foram informados das alterações no código dos voos. “No Brasil, desde 2 de fevereiro, a emissão de bilhetes para voos a partir de 11 de maio passou a ser feita com o novo código LA. Já os bilhetes emitidos antes de 2 de fevereiro para voos a partir de 11 de maio tiveram seus códigos de voos alterados automaticamente para o sistema Sabre”, diz a empresa em comunicado.

Após fusão, prevalece sistemas da LAN Chile

A mudança do código dos voos é mais um caso no qual a empresa brasileira teve de se adaptar aos padrões da companhia chilena. O ponto mais emblemático para os passageiros foi a escolha da aliança internacional de companhias aéreas.

Antes da criação da Latam, a brasileira TAM fazia parte da Star Alliance, enquanto a LAN era integrante da One World. Com a integração do grupo, a Latam optou por ficar na One World, forçando a mudança de aliança da companhia brasileira. Com a saída da Latam, a Avianca passou a fazer parte da Star Alliance.

No final de março, um levantamento do site Airway, parceiro do UOL, apontou que enquanto a Latam Chile recebe novos aviões, a Latam Brasil vê sua frota envelhecer.

Em nota, a Latam nega que a mudança dos códigos dos voos no Brasil seja uma comprovação de que o comando de todas as empresas do grupo é dos chilenos. “A Latam Airlines Brasil é uma companhia aérea brasileira, que faz parte do maior grupo de companhias aéreas da América Latina”, diz a empresa. “A Latam também optou por implementar uma estratégia inovadora de migração para minimizar os impactos deste processo para os passageiros, algo que só foi possível por causa da adoção de um código único de operação”, completa.

Segundo a empresa, com a mudança, os passageiros passam a ter acesso, em todos os canais de vendas, aos mais de 140 destinos em 25 países para os quais a Latam voa. Outra mudança é em relação ao check-in realizado por meio da internet, que foi reduzido de 72 horas para até 48 horas antes do horário previsto para decolagem.

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Como pilotos determinam qual é a hora certa cruzando vários fusos horários?
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Aviação usa a mesma hora em qualquer lugar do mundo (Divulgação)

Durante um voo, os pilotos podem cruzar diversos fusos horários, passar por locais com ou sem horário de verão e regiões que adotam um horário diferente por questões estratégicas e legais. Seria impossível para os pilotos ficarem arrumando o relógio a todo o momento durante o voo. Pior ainda, isso poderia gerar sérias falhas de comunicação entre pilotos e órgãos de controle de tráfego aéreo.

Quando um piloto preenche um plano de voo, todos os dados são repassados para os órgãos de controle de tráfego aéreo dos locais por onde ele passará. O piloto informa, por exemplo, que a decolagem está prevista para as 11h00 e que o tempo de voo é de 4 horas.

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Se informasse o horário local do aeroporto de partida, o controlador de tráfego aéreo teria de descobrir qual é a diferença de fuso entre os dois locais para saber a que horas aquele avião estaria sobrevoando o espaço aéreo sob seu controle. E essa diferença pode variar ao longo do ano em virtude dos horários de verão de cada local.

Hora Universal Coordenada

Para evitar esse tipo de confusão, a aviação em todo o mundo adota a chamada Hora Universal Coordenada (UTC, na sigla em inglês). Ela tem como parâmetro o horário marcado no meridiano de Greenwich, cuja longitude é de 0º00’.

Com isso, não importa em que local do planeta o avião esteja, ele vai sempre registrar o horário em relação ao meridiano de Greenwich. Da mesma forma, os controladores de tráfego aéreo vão trabalhar sempre tendo como base o horário de Greenwich.

O fuso horário de Brasília, por exemplo, é de três horas a menos em relação à Hora Universal Coordenada. Com isso, um avião que decola de Brasília às 8h00 no horário local deve informar nos registros que a decolagem foi às 11h00, que é o horário registrado em Greenwich naquele momento.

Um avião que decole de Tóquio (Japão) no mesmo momento também deve informar que a decolagem foi às 11h00, embora na hora local do Japão já fosse 20h00 (o padrão vai de 00h00 a 23h59). Como todos os órgãos da aviação estão trabalhando com o mesmo horário, não existe risco de confusões.

Utilizar um horário padrão também ajuda os pilotos no planejamento do voo. Antes de decolar, é necessário avaliar todas as condições meteorológicas da rota. Como nos boletins de previsão consta sempre a Hora Universal Coordenada, o piloto precisa apenas calcular em quanto tempo estará em determinado local para ver como estará o tempo naquele momento.

Hora Zulu e outros tipos

A Hora Universal Coordenada (UTC) também é conhecida como Hora Média de Greenwich (GMT, na sigla em inglês), Hora Z ou Hora Zulu. Cada faixa de fuso horário tem uma denominação própria. O fuso onde está o meridiano de Greenwich recebe como designação a letra Z, que no alfabeto fonético internacional corresponde a Zulu, ou GMT 0. O fuso horário de Brasília é o P ou GMT -3, o que significa que devem ser subtraídas 3 horas em relação ao horário de Greenwich.

O horário de cada local não necessariamente segue os padrões dos fusos horários e pode ser alterado por determinação dos governos locais. A Argentina, por exemplo, está geograficamente no fuso horário Q ou GMT -4. No entanto, o governo argentino decidiu que o país devia adotar o horário do fuso P ou GMT -3, o mesmo do Brasil.

Na Europa acontece situação semelhante. Embora sejam cortadas pelo meridiano de Greenwich, a França e a Espanha decidiram adotar o fuso com uma hora a mais, ficando assim com o mesmo horário da maior parte da Europa. Esse horário estabelecido por lei é chamado de Hora Legal.

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Sonha em comandar um avião? Veja quanto custa formação básica de um piloto
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Comandante de companhias aéreas é o ponto alto da carreira (Foto: Divulgaçao/Air France)

Por Vinícius Casagrande

Os custos em todas as áreas da aviação são sempre muito altos. A formação de um piloto de avião não é diferente. Da matrícula no curso teórico de piloto privado de avião até receber a licença de piloto comercial, o futuro profissional vai ter desembolsar a partir de R$ 90 mil. Isso se optar por aprender a voar nos aviões mais simples, como o Paulistinha, utilizado para instrução de voo desde a década de 1950.

Caso o futuro piloto prefira aprender a voar em uma aeronave mais moderna, que já seja equipada com painel digital, como é o caso do Cessna 172 de algumas escolas privadas, o custo total da formação pode pular para cerca de R$ 140 mil.

O valor investido é somente para obter a experiência mínima exigida pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

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Cessna 172 é um dos mais modernos para a instrução inicial de pilotos (foto: Divulgação)

Todos devem fazer dois cursos teóricos, que custam entre R$ 2.500 e R$ 3.000 cada. Depois, é preciso fazer aulas práticas:

– somente para tirar a licença de piloto privado (que não permite exercer atividade remunerada), são necessárias 40 horas de voo;

– para ser piloto comercial (para exercer atividade remunerada), são exigidas as 40 horas citadas acima, mais 110 horas adicionais;

– para trabalhar em empresas aéreas, além das horas de voo exigidas de um piloto comercial, é preciso pelo menos 12 horas em aviões bimotores (como Seneca ou Tecnam P2006T).

Os valores de R$ 90 mil a R$ 140 mil já incluem os cursos teóricos e todas as horas de voo. A diferença do custo total é referente ao modelo do avião utilizado na instrução.

Após a conclusão do curso de piloto comercial de avião, o profissional já está habilitado para ingressar na carreira. As primeiras oportunidades geralmente são para funções mais desgastantes e até mesmo mais arriscadas.

As funções mais procuradas são para pilotar aviões que carregam faixas publicitárias no litoral ou serviços de táxi-aéreo em locais remotos do país. No entanto, o mais comum é encontrar jovens pilotos recém-formados nos aeroclubes e escolas de aviação atuando como instrutores de voo.

Seja qual for a opção escolhida, essas três áreas são vistas pelos jovens pilotos como uma forma de acumular mais horas de voo para buscar uma oportunidade para pilotar um jato executivo ou ingressar em alguma companhia aérea.

Na Azul, por exemplo, são exigidas, no mínimo, 500 horas de voo para se candidatar a uma vaga de copiloto na companhia. Além de todas as licenças de voo, o candidato ainda precisa ter outros cursos, como treinamento em simulador de avião a jato e certificado de inglês com nível mínimo exigido pela Organização de Aviação Civil Internacional.

Painel digital do avião modelo Cessna 172 (foto: Divulgação)

Custo é semelhante ao de uma faculdade

A formação de um piloto de avião, no entanto, pode sair até mais barata do que muitas faculdades particulares. Considerando o valor mais baixo, de R$ 90 mil para a conclusão de todos os cursos, seria o equivalente a pagar uma mensalidade de R$ 1.875 em um curso de quatro anos de duração (48 meses). No cenário mais caro, a mensalidade seria de R$ 2.916.

A diferença é que o recomendado é que os voos sejam feitos em intervalos curtos de tempo. O ideal é que a formação não demore mais do que dois anos.

Como forma de comparação, uma faculdade de Administração na Universidade Mackenzie, por exemplo tem mensalidade de R$ 2.130. Durante os quatro anos do curso, o valor investido chega a R$ 102 mil. Já para se formar em medicina na Universidade Anhembi Morumbi, o valor fica bem mais alto. O curso tem mensalidade de R$ 8.200 durante seis anos, o que dá um valor total de R$ 590 mil.

Para que serve a graduação em Aviação Civil

A Universidade Anhembi Morumbi também oferece o curso de graduação em Aviação Civil. A faculdade não é obrigatória para a formação de um piloto de avião, mas é vista como um diferencial na hora da contratação pelas companhias aéreas. Segundo a Azul, “Faculdade de Ciências Aeronáuticas é uma vantagem (não é mínimo)”. Os cursos de Aviação Civil e Ciências Aeronáuticas têm currículo bastante semelhante.

Os alunos do curso de Aviação Civil recebem as licenças teóricas de piloto privado e piloto comercial (não inclui as horas de voo), mas a graduação também pode ser feita por quem pretende seguir outro caminho dentro da aviação.

O curso aborda outros temas gerais que envolvem o setor aéreo, como prevenção de acidentes aeronáuticos, planejamento de tráfego aéreo, direito e manutenção aeronáutica. O curso tem duração de três anos e mensalidade de R$ 1.650.

Aviões Cessna 152 utilizados na instrução inicial de pilotos (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Confira abaixo os requisitos mínimos exigidos pela Anac para se obter uma licença de piloto de avião:

Piloto privado

Mínimo de 40 horas de voo, como pelo menos:

20 horas em duplo comando

10 horas de voo solo

3 horas de voo noturno

Piloto comercial

Mínimo de 150 horas de voo se realizadas, de forma contínua, em um curso homologado pela Anac. Caso contrário, são necessárias 200 horas de voo. Esse total já inclui as horas realizadas no curso de piloto privado. Outros requisitos são:

100 horas como piloto em comando (70 se for em curso homologado pela Anac)

10 horas de instrução de voo por instrumento (sendo que cinco horas podem ser feitas em simuladores de voo)

5 horas de voo noturno

Habilitação para aviões com mais de um motor:

Mínimo de 12 horas de voo

Aviões utilizados para instrução:

Paulistinha P56C: R$ 389 por hora de voo (Aeroclube de Campinas)

Cessna 152: R$ 429 por hora de voo (Aeroclube de Campinas)

Cherokee PA28A-140: R$ 521 por hora de voo (Aeroclube de São Paulo)

Diamond DA20-C1 Eclipse: R$ 554 (Aeroclube de São Paulo)

Corisco PA28-R: R$ 569 (Aeroclube de Campinas)

Tupi PA28A-180: R$ 733 (Aeroclube de São Paulo)

Cessna 172: R$ 750 por hora de voo (EJ Escola de Aeronáutica Civil)

Seneca I PA-34-200 (bimotor): R$ 1.616 (Aeroclube de São Paulo)

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