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Despacho de bagagem poderá ser pago com milhas na Gol
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Companhia não informou os valores cobrados (foto: Divulgação)

Os passageiros que emitirem passagens da Gol pelo programa de fidelidade da companhia, o Smiles, poderão usar as milhas para pagar também pelo serviço de despacho de bagagem. Até então, a única opção era o pagamento desse serviço em dinheiro ou cartão de crédito. A opção valerá apenas para compras antecipadas do serviço.

A companhia não informou a quantidade de milhas necessárias, nem se terá um valor fixo ou se o preço irá variar conforme o voo escolhido.

Em uma simulação feita pela reportagem no site da Smiles, o sistema mostrou apenas a quantidade de milhas para a emissão da passagem e para o pagamento da taxa de embarque. Segundo a empresa, o pagamento para o despacho de bagagem é feito após a emissão do bilhete.

A nova opção, no entanto, não é válida para os clientes que compram passagem diretamente no site da Gol. Nesse caso, o valor para despachar bagagem nos voos nacionais é de R$ 30 para compras antecipadas e R$ 60 no momento do check-in. Nas viagens internacionais, os valores são de US$ 10 para compras com antecedência e US$ 20 no aeroporto.

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Para fazer a compra do serviço de despacho de bagagem com milhas Smiles, o pagamento deve ser feito de forma antecipada apenas pelo site do programa e, em breve, pelo aplicativo da Smiles. No momento do check-in no aeroporto, a única opção será pagamento em dinheiro ou cartão de crédito.

Segundo a empresa, os passageiros que já emitiram um bilhete pela Smiles e ainda não adquiriram o serviço de despacho de bagagem também terão a opção de fazer o pagamento do serviço com milhas do programa de fidelidade.

Os bilhetes emitidos com milhas Smiles para a classe econômica não tem o serviço de bagagem despachada incluído. A única exceção são as passagens para a classe Gol Premium (disponível somente nos voos internacionais da companhia), que incluem duas malas de até 23 kg por passageiro.

Os clientes das categorias Prata, Ouro e Diamante que emitirem bilhetes nacionais e internacionais com milhas da Smiles também têm direito a franquias de bagagem gratuitas, desde que coloquem o número de fidelização no ato da compra. Os clientes Prata podem levar uma mala de 23 kg, os da categoria Ouro até duas malas de 23 kg e os da categoria Diamante até três malas de 23 kg.

Cobrança começou em 20 de junho

A Gol começou a cobrar pela bagagem despachada em voos nacionais e internacionais no dia 20 de junho. A nova taxa é cobrada dos clientes que compram passagens com a tarifa mais baixa praticada pela companhia aérea, chamada de “Light”. Passagens mais caras, nas tarifas “Programada” e “Flexível”, dão direito ao transporte de uma mala de até 23 kg.

A cobrança da bagagem foi permitida em dezembro do ano passado em uma nova resolução da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e deveria entrar em vigor em 14 de março. Uma liminar da Justiça Federal chegou a barrar a entrada em vigor das novas regras. A decisão, no entanto, foi suspensa no final de abril e as companhias aéreas passaram a ter o direito de cobrar pela bagagem despachada.

A Azul iniciou a cobrança de bagagem em voos nacionais no dia 1º de junho. A empresa criou uma nova classe tarifária, chamada de Azul, na qual os passageiros não terão direito ao transporte de bagagem, somente à mala de mão de até 10 kg. Caso decidam levar uma mala de até 23 kg no porão do avião, o valor adicional cobrado também será de R$ 30.

A Latam começou a cobrar pelo despacho de bagagem no dia 24 de junho. A cobrança de bagagem é feita nas tarifas Promo e Light, as mais baratas da empresa. Ao adquirir o despacho no momento da compra da passagem, o valor cobrado é de R$ 30. Se adquirir o serviço após efetivar a compra, o valor sobe para R$ 50 e chega a R$ 80 para pagamento no momento do check-in.

A Avianca foi a última companhia aérea brasileira a iniciar a cobrança de bagagem. A nova taxa começou a vigorar no dia 25 de setembro para passagens compradas na tarifa Promo. Para o pagamento pela internet até seis horas antes do voo, o valor é de R$ 30. Se deixar para fazer o pagamento no balcão do check-in, o preço sobe para R$ 60.

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Réplica de Boeing 737 em SP treinará situações como fogo e despressurização
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Mockup utiliza a fuselagem de um Boeing 737-300 (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Por Vinícius Casagrande

A companhia aérea Gol inaugurou nesta quinta-feira (10) seu novo centro de treinamento para pilotos e comissários de bordo. A nova estrutura de 900 m² tem como principal destaque um mockup (réplica) de um Boeing 737-700 configurado com 66 assentos.

A réplica do avião, instalada dentro de um dos prédios da sede administrativa da empresa no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, servirá para treinamentos de procedimentos de emergência como retirada de passageiros, despressurização de cabine, simulação de fogo a bordo, atendimento a passageiros com algum tipo de distúrbio e primeiros socorros.

A fuselagem foi montada na mesma altura dos aviões utilizados pela companhia aérea. Esse detalhe é importante para realizar com precisão o treinamento de evacuação dos passageiros. Em casos de pouso de emergência, quando os comissários abrem a porta do avião uma grande escorregadeira se infla automaticamente para permitir a saída rápida dos passageiros. Toda essa simulação poderá ser feita dentro do novo centro de treinamento da Gol em Congonhas.

Para criar o mockup, a Gol utilizou partes da fuselagem de um antigo Boeing 737-300 que estava parado no aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Na parte interna, a réplica segue o mesmo padrão utilizado nos atuais aviões da companhia, como os bagageiros e a iluminação interna.

Cabine de pilotos foi recriada para auxiliar treinamento de comissários (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Embora a réplica do avião tenha como foco o treinamento dos comissários, até mesmo a cabine de pilotagem foi recriada. “Em casos de emergência com os pilotos, os comissários precisam entrar na cabine e saber como cortar (desligar) os motores. Por isso, é importante que estejam familiarizados com todo o ambiente”, afirma Carlos Junqueira, diretor de operações da Gol.

Além das situações de emergência, os comissários também recebem treinamento em relação ao serviço de bordo aos passageiros, demonstração dos procedimentos de segurança e até mesmo sobre os anúncios que devem ser feitos no sistema de som do avião.

O centro de treinamento da companhia ainda conta com um auditório com 114 lugares. Na área do palco, um outro mockup de avião com apenas três fileiras de assentos foi instalado. Nesse caso, no entanto, o foco é o treinamento conjunto entre pilotos e comissários de bordo.

Auditório será utilizado para treinamento integrado entre pilotos e comissários (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Segundo o diretor de operações da companhia, a intenção é que os pilotos possam entender melhor o trabalho dos comissários nas situações de emergência e que os comissários também saibam os procedimentos adotados pelos pilotos.

Além dos treinamentos obrigatórios exigidos dos tripulantes, o local também terá cursos adicionais como segurança operacional, tráfego aéreo internacional, identificação de problemas a bordo, cargas perigosas e gerenciamento de cabine. “A aviação é uma das atividades mais seguras do mundo por conta desses vários treinamentos”, afirma Junqueira.

Avião foi instalado em um dos prédios da sede administrativa da Gol em Congonhas (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

A Gol conta atualmente com 2.900 comissários de bordo que devem fazer o treinamento uma vez por ano. Além disso, são 1.600 pilotos que fazem a reciclagem duas vezes por ano. A parte teórica do treinamento dos pilotos será feita no centro de treinamento de Congonhas enquanto as atividades nos simuladores de voo serão feitas em Guarulhos na sede da CAE, empresa que presta esse tipo de serviço.

A nova estrutura criada no aeroporto de Congonhas deve receber cerca de 400 tripulantes por dia e 70% dos comissários e pilotos da companhia. Além de São Paulo, a Gol realiza treinamento no Rio de Janeiro, Porto Alegre (RS) e Brasília (DF).

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Argentina proíbe voos do Brasil para o aeroporto central de Buenos Aires
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Voos de companhias aéreas brasileiras serão transferidos para aeroporto de Ezeiza (Foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

O governo da Argentina proibiu a operação de voos internacionais no aeroporto central de Buenos Aires, o Aeroparque Jorge Newbery, distante 9 km do centro da cidade. Com a mudança, todos os voos internacionais serão transferidos para o aeroporto Ministro Pistarini, em Ezeiza, na região metropolitana de Buenos Aires e a 32 km do centro da capital argentina.

A medida vinha sendo especulada pela imprensa do país desde a semana passada e confirmada nesta segunda-feira (10) pela Anac (Administración Nacional de Aviación Civil) da Argentina.

A decisão afeta diversos voos do Brasil para Buenos Aires, que atualmente chegam ao aeroporto central de Buenos Aires. Os voos são operados pelas companhias aéreas Latam, Gol, Aerolíneas Argentinas e Austral e partem de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador (BA), Porto Seguro (BA), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR).

A medida começa a ser implementada de forma gradativa a partir de abril de 2018, quando metade dos voos internacionais devem ser transferidos para Ezeiza. A outra metade dos voos deve mudar de aeroporto até o dia 1º de abril de 2019. O governo da Argentina abriu exceção somente para os voos para Montevidéu, no Uruguai.

Aumento de voos domésticos na Argentina

Segundo a Anac argentina, a medida tem como intenção abrir espaço para o aumento de voos domésticos no aeroporto central de Buenos Aires. O governo argentino tem como meta dobrar o número de passageiros do transporte aéreo no país, especialmente nos voos domésticos.

No final do ano passado, o governo da Argentina autorizou a criação de cinco novas companhias aéreas. A intenção é que o país adote um novo modelo de baixas tarifas que possa exatamente fomentar o incremento da aviação na Argentina.

Parte dos novos voos domésticos deve ser operada justamente no Aeroparque Jorge Newbery. Segundo o jornal argentino “La Nacion”, o aeroporto central de Buenos Aires tem, atualmente, 340 voos diários, sendo que 40 deles são internacionais, o que representa apenas 12% do total das operações locais.

Companhias brasileiras terão de alterar seus voos

A Gol afirmou que “neste momento, a companhia aguarda a oficialização da medida pela entidade argentina para que possa iniciar, se necessário, as alterações de malha.” A companhia conta, atualmente, com 76 voos semanais para a Argentina, sendo três voos diários (21 semanais) para o Aeroparque Jorge Newbery, todos saindo do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Na Argentina, a Gol também já opera 38 voos semanais para o aeroporto de Ezeiza, além de voar para Mendoza, Córdoba e Rosário.

A Latam afirmou que “em virtude do anúncio de desregionalização do Aeroparque Jorge Newbery para 2018, a companhia se ajustará à regulação como define a resolução”. Atualmente, o grupo Latam opera mais de 30 voos diários nacionais e dez voos diários internacionais (para Santiago e para Guarulhos) a partir do Aeroparque.

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Três empresas aéreas cobram mesmo valor (R$ 30) por mala, mas negam acordo
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Empresas cobram R$ 30 para o despacho de uma mala de 23 kg (Foto: Lucas Lima/UOL)

As três principais companhias aéreas brasileiras (Azul, Gol e Latam) anunciaram nos últimos dias exatamente o mesmo valor para o despacho de malas. Todas vão cobrar R$ 30 por uma mala de até 23 kg em voos nacionais. A coincidência pode causar suspeitas de uma espécie de cartel, com combinação de preços.

As empresas e a associação do setor negam acordo e dizem que a competição é livre. A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) afirma que acompanha o mercado, mas que qualquer conclusão agora é “prematura”.

A advogada do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) Claudia de Moraes Pontes Almeida diz que a cobrança dos mesmos preços não é ilegal e resolução da Anac dá total autonomia para as empresas definirem o valor do serviço. “Não dá para dizer que as empresas têm de cobrar preços diferentes. Não existe uma ilegalidade nesse fato, mas existe sim a necessidade de o consumidor ter atenção porque é só uma aparência de que os preços são iguais em todas as empresas, mas não são”, afirma.”

Preços são diferentes em várias situações

A coincidência de preços também pode dar a impressão de que o valor é sempre o mesmo, independentemente da empresa. A advogada do Idec afirma que é preciso prestar atenção nas diferenças de preços de acordo com o momento da compra do serviço e em caso de excesso de peso.

Ela diz que cobrar preços iguais para a primeira mala dentro do limite de peso, pode ser uma tática para não perderem mercado para as concorrentes. “O consumidor precisa ficar atento. Existe a aparência de que é tudo igual, mas na verdade não é. Os R$ 30 são só na compra da primeira bagagem, via online e com antecedência. Depois desse primeiro momento, existem muitas mudanças e o consumidor precisa ir além ao analisar o que ele vai precisar”, orienta a advogada do Idec.

A nova regra vale para as passagens vendidas com as tarifas mais baratas e só para quem comprou bilhetes após a entrada em vigor da medida (dia 1º/6 na Azul, dia 20/6 na Gol e dia 24/6 na Latam). Quem adquiriu passagens antes dessas datas, independentemente do dia da viagem, continua com o direito de transportar gratuitamente uma mala de 23 kg nos voos nacionais.

Anac diz que está acompanhando o mercado

A Anac afirmou que “está acompanhando o comportamento do mercado desde o início da vigência da medida em 29 de abril”. No entanto, devido ao curto período em vigor das novas medidas adotadas pelas companhias aérea, a agência afirmou que ainda é “prematura qualquer avaliação neste período inicial de transição, em que tanto empresas quanto passageiros ainda estão se adaptando”.

A Anac ressalta o fato de que “as principais empresas aéreas adotaram posicionamentos diferentes na oferta dos serviços e que algumas delas sequer iniciaram a oferta de passagens aéreas sem franquia de bagagem despachada”.

A agência afirma, ainda, que a resolução que liberou a cobrança pela bagagem despachada prevê o acompanhamento constante das novas regras e que, caso haja problemas, há uma cláusula de revisão das medidas e a elaboração de relatórios sobre a aplicação, eficácia e resultados do regulamento.

Associação diz que concorrência aumentou

A Abear (Associação Brasileira de Empresas Aéreas) afirma que, entre todas as mudanças promovidas pela resolução da Anac, “a desregulamentação do transporte de bagagem despachada é o elemento que traz o maior potencial de diferenciação entre as empresas e de novo aumento da concorrência”.

Para a associação das empresas aéreas, a Latam ter reduzido o preço cobrado pelo despacho de bagagem [eram R$ 50, mas passaram a R$ 30] mostra os benefícios da concorrência. “O fato dessa revisão ter resultado em preços semelhantes, mas no patamar mais baixo suscitado, só comprova que a maior concorrência atua em benefício dos consumidores”, afirma.

Empresas negam combinação de tarifa

A Latam negou que haja preços combinados. “Não há qualquer tipo de acordo com as demais companhias aéreas para a formação de preços para a cobrança de bagagem. A empresa segue rigorosamente todas as normas do setor e a legislação concorrencial em vigor”, diz nota da empresa.

Também diz “acreditar que a concorrência é saudável e sempre vai beneficiar o cliente”. A empresa afirmou que reduziu o valor inicialmente anunciado “com o objetivo beneficiar o consumidor e contribuir com sua meta de possibilitar que cada vez mais pessoas possam adotar o avião como meio de transporte”.

Para a Gol, “a concorrência entre as companhias aéreas no Brasil se dá pelo melhor valor da tarifa, não pelo valor da cobrança de despacho de mala (ou qualquer outra bagagem) não programada no momento da compra do bilhete”. A empresa afirma que a criação de novas tarifas fará com que “os clientes terão opções ainda mais em conta para emissão de passagens.”

A Azul afirmou que “segue sua própria política tarifária para estabelecer os valores de seus produtos” e que “o cálculo para chegar aos descontos para quem não despacha bagagem é um dado estratégico”.

Despacho da primeira mala pode custar até R$ 80

A coincidência dos valores na cobrança de bagagem só vale para o despacho de uma única mala e para pagamentos feitos no momento da compra da passagem aérea.

O preço de R$ 30 na Latam só vale para o pagamento do serviço no momento da compra da passagem. O valor sobe para R$ 50 após a emissão do bilhete e chega a R$ 80 para pagamento no momento do check-in. Inicialmente, a Latam havia divulgado o custo básico de R$ 50 para o transporte de bagagem. Após o anúncio dos preços da Gol e da Azul, a empresa reduziu o valor para R$ 30.

A Gol também tem tarifas diferenciadas de acordo com o momento da compra do serviço. Nos voos nacionais, o valor da primeira mala de até 23 kg é de R$ 30 para quem comprar antecipadamente o serviço de despacho nos canais de autoatendimento da empresa ou em agência de viagens e R$ 60 para quem efetuar o pagamento somente no momento do check-in.

A Azul é a única que não faz distinção de valores de acordo com o momento do pagamento pelo serviço de despacho de bagagem. Os passageiros da companhia poderão incluir os 23 kg de bagagem, a qualquer momento, pelo valor de R$ 30.

A Avianca ainda não definiu as regras e disse que avalia internamente quais medidas serão adotadas no futuro.

Como foi a mudança nas regras

A cobrança foi liberada em uma resolução da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) aprovada em dezembro do ano passado. A medida deveria entrar em vigor no dia 14 de março. Na véspera, no entanto, uma liminar da Justiça Federal barrou a cobrança. A Anac recorreu da decisão e, no dia 29 de abril, conseguiu que a Justiça liberasse a entrada em vigor da medida. Desde então, as empresas têm divulgado valores iguais para a cobrança da primeira mala despachada em voos nacionais.

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Passageiros duvidam que cobrança de mala em avião baixe preço de voos
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Cobrança de bagagem despachada já está em vigor no Brasil (Foto: Lucas Lima/UOL)

A cobrança de bagagens em voo começou a ser implementada no início do mês pelas companhias aéreas. As novas regras, no entanto, ainda têm gerado muitas dúvidas, desconfiança e dividido opiniões dos passageiros de viagens aéreas.

A Azul foi primeira a praticar as novas normas no dia 1º de junho e a Gol iniciou a cobrança na última terça-feira (20). A nova medida é válida somente para quem comprou passagens a partir dessas datas. Bilhetes comprados antes da medida entrar em vigor, independentemente da data da viagem, continuam com o direito de transporte gratuito de uma mala de 23 kg nos voos nacionais.

O Todos a Bordo ouviu passageiros na área de check-in do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A principal crítica está relacionada à desconfiança de que essa será apenas uma taxa a mais que deverá ser custeada pelos passageiros, sem a garantia de redução dos preços das passagens. Por outro lado, há também esperança em relação à redução do custo por excesso de bagagem e até um controle mais rígido do tamanho das bagagens de mão.

A empresária Neiva Fuzinato acha a cobrança indevida (Foto: Vinícius Casagrande/UOL)

“Cobrança indevida”

A empresária Neiva Fuzinato considera que “essa é uma cobrança indevida que jamais deveria acontecer”. Residente no Mato Grosso, estava em São Paulo para uma convenção. Segundo ela, não teria como viajar somente com a bagagem de mão. “Uso muita bagagem quando venho para cá. Isso (a cobrança) é algo que vai acabar prejudicando”, afirma.

Além do custo para despachar mala, a empresária diz que a nova medida ainda vai gerar mais transtorno aos passageiros. “Para nós (passageiros), é uma garantia. Quando a gente compra uma passagem, quer comodidade e não ficar se preocupando com tanta cobrança. Acho que isso aí é uma cobrança injusta”, declara.

A empresária também não acredita em uma possível redução dos preços. “Você vai ter de pagar de alguma forma. Se não for na passagem, vai ter de pagar a bagagem. Então, automaticamente isso não vai mudar nada”, diz.

Os bancários Daniel Gubert (esq.) e Alisson Martins (dir.) são contra a cobrança (Foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Prejudica quem está em férias

Mesmo quem viajava somente com a bagagem de mão criticou as novas normas de cobrança pela bagagem despachada. É o caso dos bancários Alisson Martins e Daniel Gubert, que esperavam um voo para Maringá (PR).

Para eles, essa é uma medida que vai prejudicar, especialmente, os passageiros que viajam de férias no Brasil e não podem levar somente uma mala de mão. “Normalmente, levo mala pequena, mas isso vai afetar o pessoal que faz turismo. Mais uma vez o brasileiro é onerado”, afirma Martins.

Ele diz que deveriam ser cobrados somente os casos em que há excesso de bagagem. “Quando se compra uma passagem aérea, acho que já está incluso no valor e não tem cabimento cobrar a bagagem despachada. Se for um excedente muito grande, tudo bem. Mas a gente leva somente o realmente necessário”, declara.

Gubert avalia que, em virtude dos preços atuais das passagens, não deveria haver mais uma taxa para o despacho de bagagem. “Quando viajo a trabalho, levo uma bagagem menor que não precisa ser despachada, mas acredito que não deveria ser cobrado”, diz

O bancário afirma se preocupar com futuras viagens mais longas que terá de fazer a trabalho ou mesmo de férias. “Sou contra porque, no momento em que for viajar em um período de férias ou um período maior de trabalho, entendo que vai ser um custo que não deveria desembolsar.”

Excesso de bagagem foi descomplicado

Quando a medida foi anunciada pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a alegação era de que os passageiros que viajam somente com a bagagem de mão seriam os mais beneficiados com a nova medida. No entanto, foi um passageiro com bastante excesso de bagagem quem mais comemorou as mudanças.

É que, ao liberar a cobrança das bagagens despachadas, a Anac também determinou que as empresas cobrem valores fixos para o excesso de peso ou malas extras. No caso da Gol, por exemplo, as bagagens que passarem dos 23 kg terão de pagar R$ 12 por quilo mais. Antes, esse cálculo era feito de acordo com um percentual da tarifa-base para o trecho voado, o que dificultava o cálculo por parte do passageiro.

O comerciante Antonio Mesquita espera pagar menos excesso de bagagem (Foto: Vinícius Casagrande/UOL)

O comerciante Antônio Mesquita, de Brasília, costuma viajar a São Paulo para fazer compras na região do Brás, área central de São Paulo especializada em roupas. No entanto, costuma enfrentar problemas para levar a mercadoria para sua cidade. “Já cheguei a pagar até R$ 500 de excesso de bagagem”, diz.

Na noite da última terça-feira, Mesquita embarcava no aeroporto de Congonhas com uma mala grande e duas mochilas. Para não pagar excesso de bagagem, Mesquita levava as duas mochilas como bagagem de mão. As duas somavam mais de 20 kg (o limite total a bordo é 10kg).

O comerciante confiava na fiscalização falha no momento do embarque, já que o limite máximo é de 10 kg. “Hoje, o grande problema é o valor muito alto cobrado pelo excesso de bagagem. Às vezes, a taxa come todo o lucro das mercadorias que comprei”, declara.

Mesquita afirma que se os preços fossem menores, preferiria despachar mais uma mochila. Com as novas regras, a Gol, companhia na qual viajava, passa a cobrar R$ 50 para despachar uma segunda mala. Ao ser informado sobre os novos valores, o comerciante comemorou as mudanças. “Com esse valor, fica ótimo para mim. Vai melhorar agora.”

O consultor Marino Roberto Rodilha reclama do excesso de bagagem de mão (Foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Mais espaço dentro do avião

Com todas as mudanças de regras, as companhias aéreas devem ser mais rígidas no controle da bagagem de mão. Algumas empresas criaram caixas para medir o tamanho das malas. Se elas não couberem ali dentro, deverão ser despachadas no porão do avião.

Para o consultor de recursos humanos, Marino Roberto Rodilha, o excesso de bagagem de mão gera transtornos a todos os passageiros. “O que noto na prática dos passageiros é algo muito triste. Você vê entrar no avião uma pessoa com três malas e enfia tudo em cima. Aí, você não tem espaço para colocar sua mala”, afirmou.

Rodilha acredita que com a cobrança pelo despacho de bagagem, as companhias aéreas devem ser mais rígidas com os limites da bagagem de mão, o que vai diminuir os excessos de alguns passageiros. “Pressuponho que a cobrança possa facilitar esse embarque e desembarque. As pessoas terão de ser mais controladas. Se você tem mais malas, que elas sejam despachadas”, disse.

Essa prática também é uma preocupação da enfermeira Andreia Barbosa. “O pessoal acha que vai pagar tudo, e o bagageiro dentro do avião está uma coisa infernal. Estão levando malas e ninguém está fazendo essa conferência. No último voo, estava sentada na fila oito, mas tive de colocar a bagagem na fila 20 porque não tinha espaço”, afirmou.

Apesar do problema, a enfermeira afirma ser a favor das novas regras por cobrar apenas de quem transporta mais bagagem. “Só espero que haja uma fiscalização maior na bagagem de mão”, disse.

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Gol começa a cobrar de R$ 30 a R$ 60 por mala despachada em voo nesta terça
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Gol mudou os elementos gráficos, mas o predomínio do branco segue intocável (Foto: Divulgação)

A companhia aérea Gol inicia nesta terça-feira (20) a cobrança pela bagagem despachada em voos nacionais e internacionais. A Gol será a segunda empresa a cobrar pelo serviço – a Azul iniciou a cobrança no dia 1º de junho. Para transportar uma mala de até 23 kg nos voos nacionais, os passageiros terão de pagar entre R$ 30 (pagamento antecipado) ou R$ 60 (compra do serviço no momento do check-in).

A cobrança vale para bilhetes comprados a partir desta terça. Quem comprou passagens até segunda-feira (19) para embarcar em qualquer data no futuro, independentemente do dia da viagem, não pagará pelo despacho.

Nas viagens internacionais, os valores serão de US$ 10 para compras com antecedência nos canais de autoatendimento da empresa ou em agências de viagens e US$ 20 no momento do check-in.

A nova taxa será cobrada somente dos clientes que adquirem passagens com a tarifa mais baixa praticada pela companhia aérea, chamada de “Light”. Passagens mais caras, nas tarifas “Programada” e “Flexível”, darão direito ao transporte de uma mala de até 23 kg. 

Caso necessite transportar mais de uma mala na viagem, a taxa a ser cobrada será a mesma para todos os passageiros. De acordo com o momento da compra, os valores serão de R$ 50 (com antecedência) e R$ 100 (no check-in) nos voos nacionais e de US$ 30 (com antecedência) e US$ 60 (no check-in) nas viagens internacionais. Somente a tarifa “Gol Premium”, exclusiva nos voos internacionais, dará direito a uma segunda mala.

O excesso de peso, até então calculado de acordo com a tarifa cheia do voo, passa a ser mais barato e de fácil entendimento. O passageiro pagará apenas por quilo adicional, além dos 23 kg, que custará R$ 12 nos voos domésticos e US$ 4 nos internacionais.

A cobrança da bagagem foi permitida em dezembro do ano passado em uma nova resolução da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e deveria entrar em vigor em 14 de março. Uma liminar da Justiça Federal, no entanto, chegou a barrar a entrada em vigor das novas regras. A decisão, no entanto, foi suspensa no final de abril e as companhias aéreas passaram a ter o direito de cobrar pela bagagem despachada.

Na mesma resolução, a Anac aumentou o limite de peso que os passageiros têm o direito de transportar como bagagem de mão, passando de 5 kg para 10 kg. No entanto, as malas não podem ter tamanho superior a 40 cm de comprimento, 25 cm de largura e 55 cm de altura. A Gol já está medindo algumas bagagens de mão no momento do embarque. As malas maiores que o tamanho permitido têm de ser despachadas no porão no avião.

Outras empresas anunciaram a cobrança

A Azul iniciou a cobrança de bagagem em voos nacionais no dia 1º de junho. A empresa criou uma nova classe tarifária, chamada de Azul, na qual os passageiros não terão direito ao transporte de bagagem, somente à mala de mão de até 10 kg. Caso decidam levar uma mala de até 23 kg no porão do avião, o valor adicional cobrado também será de R$ 30.

A cobrança acontece, inicialmente, em 14 rotas da companhia. A intenção é implementar as novas regras para todos os voos da Azul de forma gradativa ao longo dos próximos meses.

Além da cobrança, a empresa também anunciou a redução do limite máximo de peso das malas nos voos para Estados Unidos e Europa. Os passageiros poderão transportar duas malas de até 23 kg. Pelas regras antigas da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), as empresas eram obrigadas a aceitar duas malas de até 32 kg por passageiro.

Nos voos internacionais da Azul para destinos da América do Sul, o limite de bagagem despachada permanece em apenas uma mala de 23 kg. Nesse caso, no entanto, não haverá cobrança adicional.

A Latam deve começar a cobrar pelo despacho de bagagem na próxima semana,  mas ainda não há uma data específica para isso. A Latam terá quatro perfis de tarifas nos voos nacionais: Promo, Light, Plus e Top.

As faixas de preço de cada perfil de tarifa irão variar de acordo com os pacotes de benefícios que oferecem, como despacho de bagagem, acúmulo de pontos no programa Latam Fidelidade, reserva antecipada de assento, Espaço+ e remarcação ou reembolso do bilhete.

A cobrança de bagagem será feita nas tarifas Promo e Light, as mais baratas da empresa. Ao adquirir o despacho no momento da compra da passagem, o valor cobrado será de R$ 30. Se adquirir o serviço após efetivar a compra, o valor sobe para R$ 50 e chega a R$ 80 para pagamento no momento do check-in. Nas duas tarifas, futuramente a reserva antecipada de assento também será cobrada.

Na mesma data, a Latam também vai passar a vender comidas e bebidas a bordo dos aviões nos voos nacionais. Os produtos terão preços entre R$ 4 e R$ 30. Com a implementação do serviço, somente a água passará a ser oferecida gratuitamente aos passageiros.

A Avianca ainda não definiu as regras e disse que avalia internamente quais medidas serão adotadas no futuro.

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Gol diz que terá TV ao vivo de graça em voos neste ano
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Gol diz que terá TV ao vivo de graça em voos a partir de 2018 (Foto: Divulgação)

A Gol deve estrear ainda neste ano, ainda sem uma data exata definida, um sistema de transmissão de TV ao vivo em voo a bordo de seus 120 aviões. O projeto é um aprimoramento do atual sistema de entretenimento já encontrado em alguns aviões da companhia aérea. Atualmente, os passageiros podem assistir a alguns filmes e seriados nos aviões que já contam com wi-fi a bordo. A transmissão acontece por streaming, semelhante à Netlflix.

A transmissão de TV ao vivo utilizará a mesma antena que capta os sinais de internet nos aviões da companhia aérea. A transmissão poderá ser feita nos aviões que contam com sistema de wi-fi. Em média, a cada quatro dias, um novo avião passa a contar com o wi-fi instalado, mas a expectativa é que somente em 2018 a frota completa da empresa esteja com o sistema operando.

VEJA COMO FOI A INSTALAÇÃO DO WI-FI NO AVIÃO DA GOL

A Gol deve fazer também uma parceria com alguma operadora de TV por assinatura para ampliar a quantidade de canais disponíveis a bordo. No entanto, a empresa ainda não revelou qual deve ser a emissora parceira nesse projeto e tampouco quais canais estarão disponíveis aos passageiros.

Apesar de investir em um sistema de entretenimento a bordo, a Gol não irá instalar telas de vídeo nos assentos de seus aviões. Todo o conteúdo será acessado diretamente pelos dispositivos móveis dos próprios passageiros, como smatphones, tablets ou notebooks.

Novas poltronas terão tomadas USB (Foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Para evitar que os dispositivos dos passageiros fiquem sem bateria durante o voo, a Gol está instalando tomadas USB nos assentos, que também ganharam novos revestimentos em couro. A expectativa é que até 2018 todos os assentos também já contem com as tomadas instaladas.

Desde a semana passada, a Gol encerrou a fase de teste do sistema de internet a bordo e passou a cobrar pelo acesso ao serviço. No entanto, para assistir aos filmes e séries já disponíveis e, no futuro, a TV ao vivo em voo, a transmissão não terá custos aos passageiros, segundo a empresa.

Gol terá oficina de motores no centro de manutenção de Confins (Foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Nova oficina de motores

O trabalho de instalação do sistema nos aviões da Gol está sendo feito nos hangares do centro de manutenção da companhia no aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). O local está passando por uma ampliação com a criação de uma oficina de motores.

Atualmente, quando um motor apresenta algum problema, é necessário que ele seja enviado para uma das três oficinas com as quais a Gol tem contrato de manutenção, que estão localizadas em Hannover, na Alemanha; em Amsterdã, na Holanda; e em Atlanta, nos Estados Unidos.

A nova oficina de motores da Gol vai permitir que a companhia aérea possa fazer alguns reparos mais simples, que não exijam a desmontagem do motor. Além de agilizar o reparo, isso evitará todo o custo de transporte e ociosidade. Caso seja necessário trocar alguma parte maior do motor, o conserto continuará a ser feito pelas oficinas cadastradas no exterior.

Segundo a empresa, para fazer a manutenção completa do motor, seria necessário um investimento muito alto, que não compensaria em virtude do tamanho da frota da Gol. Atualmente, a empresa tem 260 motores, sendo 240 utilizados em seus aviões e mais 20 reservas.

Toda a tinta é retira antes de o avião receber uma nova pintura (Foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Com exceção dos motores, todos os outros sistemas do avião são revisados diretamente no centro de manutenção da companhia aérea no aeroporto de Confins. O hangar 1, por exemplo, tem capacidade para receber, simultaneamente, até quatro aviões. Na revisão mais completa, chamada de Check-C, o avião é completamente desmontado para verificar a situação de todos os seus componentes.

O hangar ao lado é dedicado à pintura dos aviões. Depois de retirar toda a tinta antiga, os aviões são novamente pintados com a nova identidade visual da empresa. Para cada avião, são utilizados entre 200 kg e 250 kg de tinta em um trabalho que pode durar até 12 dias.

Um das maiores áreas é dedicada à oficina de rodas, pneus e freios. Por mês, os mecânicos da companhia aérea fazem a substituição e reparo de 850 rodas, pneus e freios dos aviões. Os Boeing 737 da companhia contam com quatro rodas no trem de pouso principal, localizado no centro do avião, e mais duas no trem de pouso do nariz (na parte da frente).

CORREÇÃO: O início da operação do sistema de TV em voos da Gol será ainda neste ano, e não em 2018, como informado na versão original deste post. A Gol não revelou a data exata.

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Medida deve fortalecer aéreas em tempos de crise (Foto: Lucas Lima/UOL)

Por Vinícius Casagrande

A liberação para que companhias aéreas brasileiras possam contar com 100% de capital estrangeiro, anunciada nesta terça-feira pelo governo, não deve trazer impacto imediato no preço das passagens aéreas no país. Essa é a opinião de especialistas do setor ouvidos pelo Todos a Bordo.

O argumento de queda de preços foi utilizado pelo ministro do Turismo, Marx Beltrão, durante o anúncio da medida. “Com a abertura do capital, a perspectiva é que os preços caiam, que aumente a competitividade e que tenhamos mais voos, mais destinos, mais rotas, mais turistas viajando pelo Brasil e mais turistas internacionais vindo para o nosso Brasil”, afirmou.

Para os especialistas ouvidos pelo Todos a Bordo, no entanto, o principal benefício da medida está na possibilidade de injetar recursos nas empresas, que poderão ter mais fôlego para enfrentar momentos de crises.

“É uma medida positiva e o principal impacto é evitar que uma empresa quebre quando fica em situação ruim”, afirma o especialista em aviação André Castellini, da consultoria Bain & Company.

“Não dá para dizer que, porque abriu o capital, o preço vai cair. O acesso ao capital pode proteger as empresas que enfrentam dificuldades para sobreviver”, afirma o especialista em direito aeronáutico Guilherme Amaral, sócio do escritório ASBZ Advogados.

Para Castellini, a limitação até então existente de 20% de participação estrangeira restringia o acesso ao capital. “Aumentar esse limite favorece a capitalização do setor”, diz.

Castellini afirma que uma das tendências do setor é a formação de grandes grupos multinacionais de companhias aéreas. No mundo, há os exemplos da união da British Airways com a Iberia, o grupo formado pela Air France e KLM e o forte investimento da Etihad na Alitalia. “Quando a Delta é dona de uma parte maior da Gol, ela aguenta muito mais os momentos difíceis do que se a Gol estivesse sozinha”, afirma.

Novas empresas no Brasil

Uma das perspectivas com a liberação de 100% de capital estrangeiro é atrair companhias aéreas estrangeiras para operar no Brasil. No entanto, Amaral e Castellini avaliam que essa é uma possibilidade remota no curto prazo.

“Acho pouco provável principalmente pela situação do país, pela incerteza econômica e também pelo fato de que a indústria no Brasil é bem competitiva, com muita rivalidade entre as empresas. As tarifas já caíram quase 65% nos últimos anos”, afirma Castellini.

A recente polêmica em torno da possibilidade de cobrar por mala despachada é mais um fator que pode atrapalhar o interesse de companhias estrangeiras, especialmente as de baixo custo, de se estabelecerem no Brasil, segundo Amaral.

“O Brasil tem um histórico de interferência do judiciário. A questão das bagagens deixou uma imagem muito ruim para as empresas estrangeiras”, afirma. “É preciso derrubar algumas amarras. Sem isso, as empresas não virão até que se dê condição para uma verdadeira low-cost poder operar por aqui”, diz.

Aéreas se dizem favoráveis à medida

As duas maiores companhias aéreas brasileiras afirmaram nesta terça-feira ser favoráveis à abertura do capital estrangeiro. A Gol já conta com participação da norte-americana Gol e do grupo europeu Air France-KLM, enquanto a Latam, formada após a união da TAM com a chilena LAN, anunciou recentemente a venda de 10% para a Qatar Airways.

No entanto, quando questionadas sobre o assunto, as duas empresas emitiram apenas breves comunicados.

“A Gol é a favor da eliminação de qualquer restrição ao capital estrangeiro no setor aéreo brasileiro”, disse a Gol.

“A Latam Airlines Brasil é favorável ao capital estrangeiro nas companhias aéreas, pois esse é um setor que exige capital intensivo, e essa medida estimula o crescimento, gerando riqueza para o nosso país”, afirmou a Latam.

A Azul, que tem capital da norte-americana United Airlines e do grupo chinês HNA, não se pronunciou por conta do período de silêncio imposto após a abertura de capital na Bolsa de Valores de São Paulo. A Avianca não se pronunciou sobre o assunto.

Brasil sofre queda de voos

A atual crise econômica enfrentada pelo Brasil afastou diversas companhias aéreas que operavam no país. Grandes empresas como Singapore Airlines, Korean Airlines e Etihad abandonaram suas operações no país. No último ano, o Brasil teve uma redução de 18% na oferta de voos internacionais feitos por companhias aéreas estrangeiras. Mesmo entre as empresas que continuaram a operar no país, muitas reduziram a frequência de seus voos e até cancelaram algumas rotas.

As empresas brasileiras também sofrem com a queda constante do fluxo de passageiros. Fevereiro foi o 19º mês consecutivo de queda da demanda por transporte aéreo dentro do Brasil, segundo dados da Abear (Associação Brasileira de Empresas Aéreas). Somente em fevereiro a queda foi de 4,9% em relação ao mesmo mês do ano passado.

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Ministro diz que se passagem não cair, cobrança de bagagem pode ser revista


Gol cobrará de R$ 30 a R$ 60 por mala nas passagens nacionais mais baratas
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A companhia aérea Gol anunciou nesta sexta-feira (10) que passará a cobrar pelas malas despachadas somente para quem comprar passagens a partir do dia 4 de abril (a mudança nas regras é na próxima terça-feira, 14 de março, mas a empresa vai adiar a cobrança, como fizeram outras aéreas). O preço será de R$ 30 a R$ 60 por mala. Passagens compradas até 3 de abril não terão malas tarifadas.

A cobrança será para os passageiros que adquirirem as passagens mais baratas da companhia, chamadas de “light”. Passagens mais caras darão direito a bagagem grátis.

Apesar de prometer preços mais econômicos para quem adquirir uma passagem que não dê direito ao transporte de bagagem, a Gol não informou o percentual de redução da nova classe tarifária.

Nos voos nacionais, o valor da primeira mala de até 23 kg será de R$ 30 para quem comprar o serviço de despacho nos canais de autoatendimento da empresa ou em agência de viagens e R$ 60 para quem efetuar o pagamento somente no momento do check-in.

Nas viagens internacionais, os valores serão de US$ 10 para os canais de autoatendimento da empresa ou em agência de viagens e US$ 20 no momento do check-in.

Para despachar uma segunda mala, os valores cobrados serão de R$ 50 e R$ 100 nos voos nacionais e de US$ 30 e US$ 60 nas viagens internacionais.

As tarifas “Programada” e “Flexível” da companhia irão manter a franquia de uma mala de 23 kg para todos os passageiros. As tarifas Gol Premium, disponível apenas nos voos internacionais, terão direito a dois volumes de até 23 kg.

O excesso de peso, hoje calculado de acordo com a tarifa cheia do voo, será mais barato e de fácil entendimento. O passageiro pagará apenas por quilo adicional, que custará R$ 12 nos voos domésticos e US$ 4 nos internacionais.

Nova regra vale para quem comprar passagem a partir de 14 de março (Foto: Lucas Lima/UOL)

Dúvida sobre o desconto real

Os preços das passagens variam constantemente, de acordo com a demanda e data do voos. Com isso, não é possível para o consumidor ter certeza se houve o desconto ou não.

Uma passagem que tivesse o custo atual de R$ 500, por exemplo, deveria sair por R$ 470 para quem não despachasse bagagem (desconto de R$ 30). No entanto, nada impediria que as empresas cobrassem R$ 530 com bagagem e R$ 500 sem bagagem. Para o usuário, pareceria um desconto, mas, na verdade, não haveria desconto nenhum, apenas acréscimo.

Nova resolução da Anac

As novas regras são possíveis em virtude de uma resolução da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) que acabou com a franquia obrigatória de bagagem. Com isso, cada companhia aérea pode definir suas próprias regras para as bagagens.  O ministro dos Transportes, Portos e Aviação, Maurício Quintella, disse em entrevista ao UOL que se os preços das passagens não caírem, a liberação da cobrança de bagagem poderia ser revista.

“Nossos clientes poderão optar pelo que melhor se adequa ao seu momento de viagem, sem pagar por um serviço que não utiliza”, afirma Eduardo Bernardes Neto, vice-presidente de Vendas e Marketing da GOL.

No entanto, antes mesmo de a nova resolução entrar em vigor, o Ministério Público Federal e o Procon já ingressaram com a ações na Justiça com pedindo de liminar para que a cobrança seja suspensa. Até o momento, as ações não foram julgadas.

Outras empresas

A Azul afirmou nesta quinta-feira (9) que pretende cobrar R$ 30 pela bagagem despachada de quem comprar passagem na tarifa mais barata. A empresa afirma que haverá duas classes tarifárias para quem viaja com e sem mala. A medida deverá ser implementada gradativamente para alguns destinos operados pela companhia aérea. Nos voos para os Estados Unidos e Europa, a empresa manteve a franquia para duas malas, porém reduziu o peso limite de cada mala de 32 kg para 23 kg.

A Latam anunciou que ”nos próximos meses” o despacho de uma mala de até 23 kg continuará gratuito, mas que no futuro pretende cobrar R$ 50 pela primeira mala despachada nos voos nacionais.Nos voos para a América do Sul, os passageiros terão direito a uma mala de 23 kg. Para os demais destinos internacionais serão duas malas de até 23 kg.

A Avianca Brasil não começará a cobrança por bagagem despachada já em 14 de março, quando passará a valer a nova regulamentação da Anac. O presidente da companhia, Frederico Pedreira, afirmou que pretende estudar melhor o assunto antes de adotar qualquer tipo de medida. No entanto, Pedreira deixou claro que uma das possibilidade é a Avianca adotar duas classes de tarifa nos voos domésticos, para quem viaja com ou sem bagagem despachada.

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Piloto e copiloto nunca comem a mesma refeição; veja bastidores da aviação
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Por Vinícius Casagrande

Na rota mais movimentada da aviação brasileira, a ponte aérea Rio-São Paulo, os aviões têm apenas 30 minutos de intervalo, em média, entre um voo e outro. Somente a Gol, por exemplo, tem 52 voos que levam cerca de 3.800 passageiros diariamente. Para evitar atrasos, toda a preparação do voo deve ser feita com extrema agilidade, especialmente o embarque do serviço de bordo.

Dentro do aeroporto de Congonhas, uma grande cozinha industrial prepara todo o serviço de bordo que será servido aos passageiros que embarcam em São Paulo. Por dia, são cerca de 10 mil lanches – número que inclui todas as companhias e outros destinos além da ponte aérea.

Uma curiosidade: a comida para os tripulantes e pilotos seguem regras diferentes. Como forma de garantir a segurança, os tripulantes recebem uma alimentação diferente dos passageiros. E há sempre mais de uma opção a bordo. É que metade tem de comer um tipo de comida e metade, outro prato. Piloto e copiloto nunca podem ter a mesma refeição.

A medida é uma forma de evitar que, caso alguma falha aconteça e seja servido algum alimento estragado, ainda assim metade dos tripulantes estará em boas condições físicas para continuar o voo em segurança.

A alimentação dos tripulantes, no entanto, não acontece em todos os voos, especialmente no caso da ponte aérea. As refeições são feitas de acordo com o horário da escala de trabalho, podendo ser café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar ou ceia.

Tripulantes recebem alimentação especial durante o voo (Foto: Lucas Lima/UOL)

Atenção especial para a ponte aérea Rio-São Paulo

O serviço para voos entre São Paulo e o Rio de Janeiro, no entanto, recebe atenção especial por ser a rota mais movimentada do aeroporto.

Enquanto nos voos nacionais o cardápio é alterado uma vez por semana, os voos da Gol na ponte área mudam o cardápio a cada dois dias. “Especificamente na ponte aérea, por ser um trecho principalmente voltado ao cliente corporativo, pensamos de modo que um cliente que voe toda semana, no mesmo dia ou horário, só encontre o mesmo produto depois de aproximadamente um mês”, afirma Paulo Miranda, diretor de produtos e experiência do cliente da Gol.

Além disso, são três opções de refeições diárias na Gol, de acordo com o horário do voo:

  • 6h às 9h40: minissanduíches ou bolos caseiros, servidos com café, água, suco ou refrigerante
  • 9h40 às 15h40: Snack integral Tribos ou Mini Cookies Integrais (ambos com ingredientes orgânicos), servidos com café, água, suco ou refrigerante
  • 15h40 até as 23h: wraps, croissant, enroladinhos e mini sanduíches, servidos com café, água, suco ou refrigerante

Para o período da manhã, são quatro variações que se revezam a cada dois dias. Na parte da tarde, o cardápio demora mais para ser repetido, já que a Gol trabalha com seis opções diferentes.

Cozinha de Congonhas prepara 10 mil lanches por dias (Foto: Lucas Lima/UOL)

Preparação dos alimentos

A cozinha do aeroporto de Congonhas é administrada pela empresa IMC (International Meal Company), que atua com a marca RA Catering na prestação do serviço para as companhias aéreas. Além de Congonhas, a empresa também trabalha nos aeroportos de Brasília, Viracopos, Goiânia, Porto Alegre e Confins, em Belo Horizonte. A empresa também é dona de marcas como Frango Assado, Viena, Brunella, Olive Garden, Red Lobster, entre outras.

Os alimentos que serão utilizados no serviço de bordo são abastecidos diariamente na cozinha de Congonhas. Os lanches começam a ser preparados com uma antecedência máxima de seis a oito horas antes do voo. Toda a preparação é feita manualmente por 17 funcionários. As bancadas da cozinha são separadas pelo tipo de lanche e por companhia aérea.

Depois de prontos, os lanches são embalados e colocados nos trolleys, os carrinhos utilizados pelos comissários de bordo. Enquanto aguardam o embarque no voo, os trolleys ficam armazenados em uma câmara refrigerada a uma temperatura controlada de 5º C. Os funcionários que circulam por essa área utilizam até mesmo um grande casaco de neve para não sofrer com o frio.

Alimentos saem da cozinha cerca de 40 minutos antes dos voos (Foto: Lucas Lima/UOL)

Hora do embarque

A preparação efetiva para o embarque do serviço de bordo no voo começa cerca de uma hora antes da decolagem. A equipe da empresa de catering recebe da companhia aérea a quantidade de passageiros confirmados no voo.

Em cada voo, a quantidade de lanches deve ser exatamente a mesma do número de passageiros. Caso alguém não queira o serviço de bordo, o alimento é descartado no aeroporto de destino, de acordo com as regras de segurança alimentar.

Com os trolleys com a quantidade exata de refeições necessárias, eles são colocados nos caminhões que farão o abastecimento no avião. Entre retirar o que sobrou do voo anterior e abastecer com os produtos novos, todo o processo dura entre 10 e 15 minutos.

Segurança operacional

Para realizar esse tipo de trabalho, os funcionários precisam ser aprovados em pelo menos quatro cursos regulamentados pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Todos são relacionados a segurança, direção defensiva e regras de locomoção na área de manobras dos aviões.

Os funcionários e a própria empresa também são inspecionados regularmente para evitar o risco de embarque de algum produto não permitido nos aviões. Para entrar na cozinha, por exemplo, é preciso passar antes por um detector de metais. Pulseira, brincos e até aliança precisam ser retirados.

A empresa, por sua vez, precisa ter um controle rigoroso dos objetos perfurantes, como garfos, facas, ferramentas e outros itens que possam ser utilizados a bordo como ameaça. A empresa mantém a relação de todos esses objetos, que são conferidos periodicamente por agentes de segurança.

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