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Se vender o que prevê em 20 anos, Embraer faria um jato a cada 2 dias
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Embraer espera manter 58% de participação no segmento em que atua (Foto: Ricardo Matsukawa/UOL)

Por Vinícius Casagrande

A Embraer tem a expectativa de vender cerca de 3.700 aviões da nova família de jatos comerciais que está em desenvolvimento pela empresa nos próximos 20 anos. Caso as previsões se confirmem, a fabricante brasileira precisaria produzir um jato comercial a cada dois dias para atender toda a demanda.

Segundo o presidente da fabricante brasileira, Paulo Cesar de Souza e Silva, todo o segmento de jatos regionais da aviação mundial, que inclui os aviões E175-E2, E190-E2 e E195-E2, vai necessitar de 6.400 aviões nesse período. Atualmente, a Embraer conta com 58% de participação em todo o mundo, o que representaria um total de 3.700 aviões. “Queremos manter o market share [participação no mercado] ou aumentar. Portanto, vemos a possibilidade de vendas bastante expressivas ao longo dos próximos anos”, afirma.

O mercado chinês deverá ser o principal cliente dos novos aviões brasileiros, no qual a Embraer já conta com uma participação de 80% nesse segmento. Hoje, a empresa tem cerca de 200 aviões em operação na China. “O maior mercado para esses aviões no mundo vai vir da Ásia. Nós vemos para a China, nos próximos 20 anos, um mercado de 1.070 aviões em potencial. Isso não quer dizer que a Embraer vai ganhar todos os contratos, mas é um mercado em potencial para 1.070 aviões”, afirma.

Com a forte expectativa de vendas na Ásia, o presidente da Embraer diz que existe até mesmo a possibilidade de a empresa abrir uma nova fábrica na China. “A nossa fábrica é aqui em São José dos Campos (SP). A única fábrica adicional que eventualmente a gente poderia fazer é na China. É uma possibilidade, mas não estou dizendo que vai acontecer. Não tem nada decidido ainda, absolutamente nada. Mas se houver alguma coisa fora de São José dos Campos ou do Brasil, seria na China”, afirma.

Entre os aviões em desenvolvimento pela Embraer, o primeiro a ficar pronto deverá ser o E190-E2. A previsão é que a primeira entrega a uma companhia aérea aconteça no primeiro semestre de 2018. “Está indo muito bem o desenvolvimento do E2, rigorosamente dentro do prazo e rigorosamente dentro do orçamento, o que é muito importante. As especificações estão sendo atendidas, e os testes mostram isso muito claramente”, afirma o presidente da Embraer.

Ozires Silva batiza o avião pintado em sua homenagem (foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Homenagem ao fundador da Embraer

As declarações do presidente da Embraer foram feitas durante um evento em São José dos Campos para homenagear o primeiro presidente da empresa, Ozires Silva. O segundo protótipo de testes do E190-E2 recebeu uma pintura especial com o nome de Ozires Silva no nariz do avião.

“Chamo a Embraer hoje de uma realidade maior que o sonho”, afirmou, após a cerimônia que contou com um batismo de champanhe no avião. A Embraer foi criada em 1969 para a produção do avião Bandeirante.

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Avião anfíbio M-22 da brasileira Seamax (foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

Terceira maior fabricante mundial de aviões, a Embraer não está sozinha na produção de aeronaves no Brasil. Em todo o país, há pequenas fabricantes que desenvolvem e fabricam aviões próprios.

Muitas dessas empresas foram criadas por engenheiros que saíram da própria Embraer com o sonho de criar seu próprio avião. A trajetória, no entanto, não é nada fácil. Fabricar aviões é um negócio que exige investimentos de longo prazo. Entre o início do projeto e a entrega do avião ao mercado, podem ser passar anos.

Confira algumas das fabricantes nacionais de aviões.

Avião anfíbio Super Petrel LS, da Scoda Aeronáutica (foto: Divulgação)

Scoda Aeronáutica

Localizada em Ipeúna, a 200 km de São Paulo, a Scoda Aeronáutica foi fundada em 1997 pelo engenheiro aeronáutico e piloto Rodrigo Scoda. A empresa produz atualmente o avião anfíbio Super Petrel LS, capaz de pousar na terra ou na água.

O avião brasileiro é uma adaptação de um modelo francês da década de 1980. A versão atual já sofreu diversas melhorias em relação ao projeto original, tanto no design como no avanço dos materiais usados, como fibra de carbono.

A aeronave brasileira é certificada pela FAA, autoridade de aviação dos Estados Unidos, e já foi vendida em diversos países da Europa, além de Canadá, Austrália e Nova Zelândia. No ano passado, um casal francês iniciou uma volta ao mundo a bordo de um Super Petrel LS produzido no Brasil.

A Scoda monta também o avião Dynamic WT-9, criado na Eslováquia pela Aerospoll.

Volato 400 produzido na fábrica da empresa em Bauru (foto: Divulgação)

Volato

A Volato surgiu como fornecedora da Embraer, mas o sonho de fabricar seu próprio avião falou mais alto. Os engenheiros Marcos Vilela e Zizo Sola, fundadores da empresa, procuraram, então, o projetista norte-americano Richard Trickell para desenvolver um novo modelo.

Com experiência em projetos de aviões leves nos Estados Unidos, Trickell se mudou para Bauru, no interior de São Paulo, para dar desenvolver o Volato 400. Ele tem capacidade para quatro passageiros, velocidade de 260 km/h e autonomia para quatro horas e meia de voo.

A empresa também produz uma versão menor do avião. O Volato 200 tem capacidade para dois passageiros e velocidade de 210 km/h.

Hangar da Inpaer com aviões produzidos pela empresa (foto: Divulgação)

Inpaer

A Inpaer começou o desenvolvimento de seu avião antes mesmo da fundação da empresa, criada por Caio Jordão. Em 2001, foi criado o primeiro protótipo do modelo Conquest 160. Depois de alguns testes em solo, o avião voou pela primeira vez em abril de 2002. A criação oficial da empresa, no entanto, só aconteceu em agosto daquele ano.

No ano seguinte, a empresa criou seu segundo modelo de avião, o Conquest 180, e quatro anos mais tarde o avião Excel. O crescimento da Inpaer, no entanto, só se consolidou em 2012 com a inauguração de uma nova fábrica de 5.000 m² em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo.

Em 2014, a empresa sofreu uma reestruturação interna e recebeu investimento de R$ 35 milhões dos empresários Milton Roberto Pereira e Hélio Gardini. Nessa nova fase, a Inpaer lançou o modelo New Conquest, que ainda aguarda ser certificado pelas autoridades aeronáuticas.

Seamax já produziu 135 aviões do modelo M-22, vendidos para mais de 50 países (foto: Divulgação)

Seamax

O avião anfíbio brasileiro Seamax M-22 já conta com mais de 135 unidades voando em mais de 50 países. Foi criado pelo designer e engenheiro Miguel Rosário em 1998 e fez o primeiro voo em 2001. O M-22 tem capacidade para dois passageiros, velocidade de 185 km/h e autonomia de cinco horas de voo e pode pousar na terra e na água.

A empresa foi criada no Rio de Janeiro, mas em 2015 se transferiu para São Paulo. Com foco de vendas no mercado externo, a Seamax fez uma parceria com a Embry-Riddle Aeronautical University e planeja construir uma fábrica nos Estados Unidos.

Avião elétrico desenvolvido pela ACS Aviation (foto: Divulgação)

ACS Aviation

Criada em 2006 por um grupo de engenheiros com experiência na área aeronáutica, a empresa produz desde aeronaves acrobáticas até componentes para o mercado aeroespacial. O principal modelo produzido pela empresa é o ACS Sora-100, um avião experimental de dois lugares.

A ACS Aviation trabalha atualmente no desenvolvimento do primeiro avião elétrico tripulado brasileiro, que já está na fase de testes. O primeiro voo do SORA-e foi realizado em maio de 2015.

Com sede em São José dos Campos e, portanto, vizinha da Embraer, a empresa também presta serviços de engenharia aeronáutica para o mercado aeroespacial brasileiro.

Avião da Novaer para ser utilizado em treinamento militar (foto: Divulgação)

Novaer

Criada em 1998 para prestar serviços de engenharia aeronáutica, a Novaer iniciou a produção do primeiro protótipo do avião T-Xc somente em 2013. O modelo é um avião de treinamento militar que pode ser uma alternativa mais moderna e econômica para substituir as aeronaves T-25 Universal usadas pela FAB (Força Aérea Brasileira).

O T-Xc fez ser seu primeiro voo de testes em agosto de 2014 e, em dezembro daquele ano foi rebatizado para Novaer Sovi. O avião continua em testes e aguardando a certificação das autoridades aeronáuticas.

Ao longo da história da Novaer, seu grande negócio foi a produção de trens de pouso para aviões, como os modelos utilizados pelo avião T-27 Tucano produzido pela Embraer e utilizado pela FAB.

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