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Arquivo : Embraer

Presidente da Embraer diz que novo incidente não deve atrasar avião militar
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KC-390 em pátio da Embraer. Divulgação

Por Vinícius Casagrande

Em Los Angeles (EUA)*

O presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, afirmou nesta terça-feira (8), em Los Angeles, que o novo incidente com o protótipo do cargueiro militar KC-390 não deve atrasar o programa de certificação do avião.

O novo avião saiu da pista no último sábado (5) quando realizava um teste de solo. A aeronave parou a cerca de 300 metros da cabeceira da pista. Em outubro do ano passado, o mesmo avião quase sofreu um acidente durante um voo de testes, quando perdeu altitude rapidamente. Na ocasião, o KC-390 teve algumas peças danificados e teve de ficar seis meses sem voar. O novo incidente aconteceu dois meses após a retomada dos testes em voo.

Segundo o presidente da Embraer, as causas do incidente ainda estão sendo apuradas. “Estamos avaliando ainda e é preciso esperar mais um pouco”, disse. Questionado se isso pode atrasar as primeiras entregas do avião, previstas para acontecer até o final deste ano, respondeu apenas: “Eu acredito que não”.

Paulo Cesar esteve em Los Angeles para participar do Uber Elevate Summit, onde apresentou o primeiro conceito de táxi aéreo elétrico que está sendo desenvolvido em parceria com a Uber.

Negociação com a Boeing ainda sem data para ser concluída

Em relação às negociações para uma união com a Boeing, o presidente da Embraer disse que ainda não é possível afirmar quando todo o processo será concluído.

“As negociações estão avançando e acho que é possível ainda esse ano, mas é impossível falar, não é viável falar o momento que vai ser”, afirmou.

Em março desse ano, Paulo Cesar chegou a afirmar que esperava uma conclusão ainda no primeiro semestre do ano. Logo depois, no entanto, passou a adotar uma postura mais cautelosa sobre o tema. Além das duas empresas, é preciso negociar também com o governo brasileiro, que possui o direito de veto no negócio.

“As conversas com o grupo de trabalho continuam com o governo. A operação é bastante complexa e ainda não há nada definido. Temos de aguardar ainda um pouco mais”, afirmou.

Por outro lado, o ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, disse na terça-feira (8) estar otimista com as negociações. “Está em fase avançada e é coisa para este ano”, afirmou

Em relação ao prejuízo de US$ 40 milhões registrado pela Embraer no primeiro trimestre do ano, Paulo Cesar negou que o fato tenha relação com o impasse nas negociações com Boeing.

“De forma alguma. Não tem nada a ver. Se você olhar anteriormente, o primeiro trimestre nosso é sempre mais fraco. É uma característica da nossa operação e da indústria. O primeiro trimestre é sempre mais fraco e não tem absolutamente nada a ver com isso”, disse.

No entanto, no mesmo período do ano passado, a Embraer havia registrado um lucro líquido de R$ 168,5 milhões, de acordo com o balanço.

* O jornalista viajou a convite da Uber


Embraer, quase cinquentona, já fez 46 modelos de avião; conheça
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Criada em 19 de agosto de 1969, a Embraer é a principal fabricante brasileira de aviões e uma das maiores do mundo. A empresa já produziu ao longo de sua história de quase 50 anos 46 modelos de avião. Hoje, fabrica 12. No total, já fez mais de 8.000 unidade desde 1969.

A empresa nasceu como uma estatal para a produção do turboélice Bandeirante, que já vinha sendo desenvolvido pelo Centro Técnico Aeroespacial, e do EMB-326 Xavante, produzido sob licença da italiana Aermacchi.

Na década de 1970, a Embraer colocou no mercado mais dois aviões desenvolvidos na empresa. O turboélice pressurizado EMB-120 Brasília, para transporte de passageiros, e o avião militar EMB-312 Tucano, para treinamento e missões de ataque. Ambos foram amplamente utilizados no Brasil e no exterior.

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Além dos aviões próprios, a Embraer também produzia, sob licença, aeronaves de outros fabricantes. Os principais foram os modelos da Piper Aircraft chamados no Brasil de Carioca, Corisco, Tupi e Seneca. A produção desses modelos depois seria transferida para a Neiva, uma subsidiária da Embraer.

A privatização

O pior momento da companhia veio no início da década de 1990. Em meio às turbulências econômicas do país, a empresa teve de reduzir a produção e demitir funcionários. Em 1994, o governo do presidente Itamar Franco decidiu pela privatização da Embraer.

Sob controle da iniciativa privada, a empresa teve novos investimentos, o que permitiu o desenvolvimento de aviões mais modernos. Em 1995, voava pela primeira vez o jato regional ERJ-135. Foi o início do crescimento da Embraer no mercado mundial de aviação comercial. A família ERJ incluía mais dois aviões, o ERJ-140 e o ERJ-145, com capacidade para mais passageiros.

A partir de 1999, o portfólio de aviões comerciais ganhou novo impulso com a família dos E-Jets, que inclui os modelos E170, E175, E190 e E195. Com os novos aviões, a Embraer se transformou na terceira maior fabricante aeronáutica do mundo, atrás apenas das gigantes Boeing e Airbus.

Nos últimos anos, a Embraer tem se dedicado ao desenvolvimento da segunda geração dos E-Jets, batizada de E2, com os modelos E175-E2, E190-E2 e E195-E2. Na área de defesa, o principal projeto é o cargueiro militar KC-390, o maior avião já desenvolvido pela Embraer. O primeiro protótipo do avião quase sofreu um acidente em outubro do ano passado, sofreu alguns danos na estrutura, mas já voltou a voar. Agora, está na fase final de testes em voo.

Corrupção e venda para a Boeing

Um dos maiores escândalos da Embraer veio à tona em 2016. A empresa se viu obrigada a pagar uma multa de US$ 206 milhões para encerrar um suposto caso de corrupção que vinha sendo investigado pelas Justiças dos EUA e do Brasil.

As autoridades concluíram que a empresa pagou propina em negociações feitas na Índia, Arábia Saudita, República Dominicana e Moçambique. No ano passado, o ex-diretor Colin Steven se declarou culpado em um tribunal norte-americano.

Desde o final de 2017, a Embraer negocia com a Boeing uma possível venda da empresa brasileira para a fabricante norte-americana. O negócio, no entanto, sofre restrições do governo brasileiro, que tem direito a veto na transferência do controle da Embraer. A principal preocupação está relacionada com a área de defesa.

As duas empresas procuram alternativas para as negociações. Uma das possibilidades é a criação de uma terceira empresa, que ficaria com a área de aviões comerciais.

Veja no álbum de fotos no começo deste texto todos os modelos já fabricados pela Embraer. O álbum tem 35 fotos, mas no total são 46 modelos. É que, em alguns casos, os modelos são muito parecidos, e as legendas se referem às demais versões na mesma foto.

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Acompanhamos a entrega de um avião 0 km da Embraer até a Holanda
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Novo Embraer E175 da KLM chega ao aeroporto de Shciphol, em Amsterdã (Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

A companhia aérea holandesa KLM recebeu na semana passada o 49º e último avião da encomenda que havia feito à fabricante brasileira Embraer. O avião modelo E175 será usado pela subsidiária KLM Cityhopper em rotas regionais dentro da Europa.

Antes de chegar à nova casa, no entanto, o novo avião da KLM teve de fazer uma jornada de dois dias de viagem entre São José dos Campos (97 km a nordeste de São Paulo), sede da fábrica da Embraer, até o aeroporto de Schiphol, em Amsterdã (Holanda), sede da KLM. O blog Todos a Bordo acompanhou o voo do avião até a Europa.

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Com autonomia de 4.074 quilômetros, o Embraer E175 precisa fazer três paradas para reabastecimento antes de completar a viagem de cerca de 9.700 quilômetros. Depois de decolar da fábrica da Embraer, o avião para em Recife (PE), Ilha do Sal (Cabo Verde) e Faro (Portugal).

Um voo sem passageiros

Depois de pronto, o avião sai da fábrica para os primeiros testes em voo. Aprovado pela equipe técnica da companhia aérea e com toda a documentação liberada, os pilotos da empresa têm a missão de levar o avião novinho para casa.

Tripulação e avião com detalhes em laranja em homenagem ao Dia do Rei (Vinícius Casagrande/UOL)

A entrega do último avião da encomenda da KLM junto à Embraer aconteceu exatamente no dia em que a Holanda comemorava o Dia do Rei (28 de abril). Para celebrar a data, o E175 recebeu uma pintura especial, com corações laranja (uma das cores que representam a Holanda) e a inscrição “Regards to the king” (Saudações ao rei).

A tripulação, composta por oito funcionários holandeses da KLM, embarcou no avião pouco antes das 8h, usando camisetas laranja também em homenagem ao rei. No total, eram apenas 12 pessoas (havia também quatro convidados) dentro do avião com capacidade para 88 passageiros.

Por se tratar de um voo especial, a bagagem não é despachada no porão do avião. Mesmo as malas maiores vão dentro da cabine de passageiros. O único detalhe é que elas devem ficar nos últimos assentos do avião. Isso é importante para balancear o peso. Tripulantes e convidados ficam acomodados na parte da frente do avião.

Porta da cabine fica aberta durante o voo

Sem passageiros pagantes a bordo, o clima dentro do avião fica bastante informal. Apesar de ser um avião comercial, o voo de traslado funciona bem mais ao estilo de um jato executivo. Um dos pontos mais curiosos é que a porta da cabine dos pilotos fica o tempo inteiro aberta.

Sem a presença de passageiros, porta da cabine fica sempre aberta (Vinícius Casagrande/UOL)

Após o avião atingir a velocidade e altitude de cruzeiro (cerca de 900 km/h e 10 km de altitude), os quatro convidados do voo (os únicos que não estavam acostumados com essa situação) não resistem em se aproximar para ver bem de perto como é o trabalho dos pilotos durante o voo.

Com o piloto automático ligado, resta aos pilotos apenas monitorarem todos os sistemas do avião, como consumo de combustível, sistemas hidráulico e elétrico e rota percorrida, além de ficarem atentos às comunicações do controle de tráfego aéreo. No lado de fora do avião, o ar calmo deixava o voo ainda mais tranquilo.

Paradas para reabastecimento e descanso da tripulação

Ao pousar em Recife, enquanto o avião é reabastecido, tripulantes e convidados precisam ir até o terminal do aeroporto para fazer o procedimento de saída do país. Apesar de não haver mais nenhum passageiro na área de imigração, o processo demora um pouco mais do que o normal. É que, além de verificar os passaportes, há também os últimos detalhes burocráticos da exportação do avião.

De Recife, o E175 inicia a travessia do oceano Atlântico. O próximo destino é a ilha do Sal, uma das que formam o arquipélago de Cabo Verde. São quase quatro horas de viagem. Para fazer esse trajeto sobre o mar, o avião recebe uma antena de alta frequência HF para comunicação de longa distância. Essa antena é usada somente no voo de entrega e retirada após a chegada a Amsterdã, já que o avião fará apenas voos curtos sobre o continente europeu.

O avião chega à Ilha do Sal já no final da tarde. Logo após o pouso, o Embraer E175 é reabastecido e levado a uma área de estacionamento, onde passará a noite. O avião não segue viagem imediatamente para permitir o descanso dos pilotos. Nos voos regulares de longo alcance, são utilizados três pilotos, que se revezam na cabine de comando. No voo de traslado do novo jato, havia dois pilotos a bordo.

Localizada no meio do oceano Atlântico, a ilha do Sal recebe poucos voos diários. Do Brasil, há um voo semanal saindo de Fortaleza (CE) e Recife (PE) para Cabo Verde. O destino, no entanto, é a cidade de Praia, na ilha de Santiago, e distante a cerca de 250 quilômetros da ilha do Sal.

Último dia da viagem

Depois de uma noite de descanso, o último dia da viagem para a entrega do avião Embraer E175 à KLM começa bem cedo. Às 7h, a tripulação já está pronta para seguir ao aeroporto. Ao chegar à porta do avião, o engenheiro de solo Berny Koomen fica responsável para fazer a inspeção visual em toda a área externa do avião. Ele verifica todas as estruturas do avião, como trem de pouso, motores, asas e fuselagem.

Engenheiro Berny Koomen verifica condições do avião antes da decolagem (Vinícius Casagrande/UOL)

Dentro da cabine de comando, os pilotos holandeses Ronald Vermerris e Thijs v.d. Zanden fazem as programações para o voo. Todo o plano de voo, com a rota a ser seguida, é repassado para o computador de bordo. É ele que vai orientar o piloto automático durante a viagem. Com tudo pronto, o avião decola poucos minutos depois das 8h.

Após cerca de três horas de voo, o E175 faz seu primeiro pouso no continente europeu. A chegada a Faro ocorre por volta das 13h30 no horário local (há duas horas de fuso entre Cabo Verde e Portugal). É a parada mais rápida do trajeto inteiro.

Em Faro, apenas os pilotos descem do avião para acompanhar o reabastecimento do Embraer E175. Enquanto isso, dentro do avião, os demais tripulantes e convidados recebem o almoço (os pilotos também almoçam depois do reabastecimento). Outra raridade que só acontece nesse tipo de voo é você receber o serviço de bordo somente quando o avião está parado no solo.

Depois de uma hora do pouso em Faro, o avião decola para Amsterdã, seu destino final. São mais duas horas e meia de voo. A tripulação já está ansiosa para chegar em casa. No meio do caminho, os pilotos trocam de roupa e, pela primeira vez durante a viagem, vestem o tradicional uniforme. Até então, estavam normalmente vestidos com calça jeans e camiseta.

Os pilotos Ronald Vermerris e Thijs v.d. Zanden na chegada a Amsterdã (Vinícius Casagrande/UOL)

O pouso em Amsterdã acontece às 18h no horário local. Em vez de se dirigir ao terminal de passageiros, o último Embraer a ser incorporado à frota da KLM segue para o pátio de estacionamento dos jatos executivos. Os pilotos se aproximam acenando a bandeira brasileira para os familiares que esperam no terminal VIP. Não há nenhum tripulante brasileiro e a bandeira é uma referência ao país onde o avião foi fabricado.

Primeiro voo comercial ocorre 36 horas depois da chegada

O novo Embraer E175 ficou parado no aeroporto de Amsterdã apenas 36 horas antes de fazer seu primeiro voo comercial com passageiros. Foi o tempo necessário para acertar a documentação e realizar a última inspeção pelos técnicos da KLM.

O primeiro voo do E175 decolou de Amsterdã às 6h50 do dia 30 de abril com destino a Bruxelas (Bélgica), um trajeto de apenas meia hora. Naquele dia, o novo avião fez um total de nove voos, com viagens para Frankfurt (Alemanha), Bremen (Alemanha) e Gdansk (Polônia), além de outro voo para Bruxelas.

Familiares aguardam os tripulantes no pátio do aeroporto (Vinícius Casagrande/UOL)

Preços dos novos Embraer não estão atrativos, diz KLM

A Embraer criou novos modelos de avião que prometem gastar 17,3% menos combustível, mas custam mais caro. Como o preço do petróleo no mercado mundial está baixo, esses novos aparelhos podem ter dificuldade de venda.

A avaliação é do gerente de frota da KLM, Gertjan Lichtenveldt. “Com os valores atuais do petróleo, a economia de combustível não faz tanta diferença e, por enquanto, talvez não compense o investimento a mais para os aviões da nova geração”, diz. A KLM é atualmente a maior operadora de aviões da Embraer na Europa.

Um Embraer E175 custa em torno de US$ 42 milhões (R$ 148 milhões), enquanto o E175-E2 da nova geração sai por volta de US$ 50 milhões (R$ 176 milhões). Outro modelo utilizado pela KLM, o E190 custa cerca de US$ 50 milhões (R$ 176 milhões). O valor do novo E190-E2 sai por volta de US$ 58 milhões (R$ 204 milhões).

(O jornalista viajou a convite da KLM)

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Jato da Embraer é o único a pousar na ilha de Napoleão com vento de 90 km/h


Embraer entrega primeiro avião do modelo E190-E2 a uma companhia aérea
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Embraer E190-E2 durante cerimônia de entrega à companhia Wideroe (Vinícius Casagrande/UOL)

Por Vinícius Casagrande

A Embraer entregou nesta quarta-feira (4) o primeiro avião do modelo E190-E2 para uma companhia aérea. O avião é o primeiro da nova geração de jatos comerciais da fabricante brasileira.

A companhia aérea norueguesa Widerøe foi a escolhida para ser a lançadora do novo modelo. Além do avião recebido nesta quarta-feira, as próximas duas aeronaves a saírem da linha da produção também serão entregues à Widerøe. A companhia fará o primeiro voo comercial com o novo avião no dia 24, na rota entre Bergen e Thonson, ambas na Noruega.

Durante a cerimônia de entrega do novo avião, o presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, afirmou que a nova geração de jatos comerciais é um novo marco na história da empresa. “Hoje entramos em uma nova era na aviação comercial. O E190-E2 é um lindo avião, mas o mais impressionante está onde não se vê, com sua máxima eficiência”, afirma.

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Com capacidade entre 97 e 114 passageiros, o novo E190-E2 recebeu um novo motor e melhorias aerodinâmicas e nos sistemas de controle de voo. As mudanças fizeram com que a nova geração fosse 17,3% mais econômica no consumo de combustível. No início do projeto, a meta da Embraer era gerar uma economia de 16%. “Estamos felizes em superar as nossas próprias expectativas”, afirma Fernando Antonio Oliveira, diretor do programa E2.

Segundo a Embraer, o E190-E2 tem custo por viagem 7% menor do que seu principal concorrente, o Bombardier CS100. No entanto, o custo por assento é 1% maior.

Jato recebe os últimos ajustes antes de ser entregue à companhia norueguesa (Vinícius Casagrande/UOL)

Melhorias aerodinâmicas

A redução do consumo de combustível foi um dos principais objetivos da Embraer na hora de desenvolver uma nova geração de jatos comerciais. Boa parte da economia foi conseguida ao utilizar um novo motor. O modelo utiliza motores da Pratt & Whitney. Somente a troca do motor é responsável por uma economia de 11% de combustível.

Um dos pontos mais comemorados pela Embraer, no entanto, foi o desenvolvimento das novas asas do modelo. Elas receberam um novo desenho e ficaram maiores. Segundo a fabricante, as novas asas permitem uma maior eficiência operacional, que ajuda a economizar combustível.

Na nova geração de jatos comerciais da Embraer, cada avião tem modelos diferentes de asas. Em outras fabricantes, é comum que aviões semelhantes tenham exatamente as mesmas asas. “Projetamos as asas para serem as mais eficientes de acordo com cada modelo”, afirma o diretor do programa E2.

Configuração da cabine de pilotos é bastante semelhante à da geração anterior (Vinícius Casagrande/UOL)

Adaptação dos pilotos e manutenção

A Embraer afirma que a nova geração de jatos comerciais também gera mais eficiência às companhias aéreas por exigir um intervalo maior entre as manutenções obrigatórias. Os aviões da geração E2 podem voar até 1.000 horas antes de fazer as manutenções intermediárias, enquanto o modelo Airbus A320 permite voar até 750 horas.

No caso das companhias aéreas que já têm jatos da Embraer na frota, a adaptação ao novo modelo também poderá ser feita sem a exigência de grandes treinamentos dos pilotos. Segundo a Embraer, os pilotos que já voam aviões da Embraer vão precisar fazer um treinamento de apenas 2,5 dias para se adaptarem à nova geração E2.

“Os pilotos não sentem que é um avião diferente. Podem operar sem um treinamento específico que exija sessões em simuladores de voo. Além disso, podem voar tanto no E1 como no E2”, afirma Oliveira.

Configuração interna segue o padrão 2-2 (Vinícius Casagrande/UOL)

Conforto para os passageiros

O diretor do programa E2 afirmou que uma das preocupações da fabricante no desenvolvimento da nova geração foi com o conforto interno para os passageiros. Uma das exigências das companhias aéreas, segundo Oliveira, era que os aviões mantivessem a configuração 2-2 (sem o assento do meio comum nos aviões da Airbus e da Boeing).

A Embraer apresenta dados de pesquisas feitas pelas companhias aéreas Lufthansa e KLM que apontam que essa é a configuração preferida de seus passageiros. O CEO da companhia norueguesa Widerøe, Stein Nilsen, afirma que isso também pesou na decisão da empresa ao adquirir os aviões brasileiros. “Nossos aviões já têm a configuração de 2-2, e nossos passageiros gostam disso”, diz.

Produção híbrida

Apesar do lançamento da nova geração de jatos comerciais, a Embraer continuará produzindo aviões da antiga geração, pelo menos até atender a todos os pedidos já feitos. Para isso, a fabricante reorganizou toda a sua linha de produção. A Embraer chegou até mesmo a receber uma consultoria da Porsche para decidir o planejamento de fabricação de seus aviões.

As duas gerações de jatos comerciais estarão presentes na mesma linha de produção. No entanto, o processo deles é bem distinto. “Quando a gente olha como o E1 é feito e como é produzido o E2, eles são bastante diferentes”, afirma Daniel Carlos da Silva, gerente sênior de engenheira de produção da aviação comercial da Embraer.

Segundo o diretor do programa E2, a principal diferença está na automação da produção. “O E1 tem 35% de automação, enquanto o E2 chega a 80%”, afirma Fernando Antonio Oliveira.

Novos modelos

Além do E190-E2, a Embraer já está fazendo os testes em voo do E195-E2, o maior avião da nova geração de jatos comerciais, com capacidade entre 120 e 146 passageiros. O primeiro avião do modelo deve ser entregue no próximo ano para a companhia aérea brasileira Azul.

Terceiro membro da família, o primeiro protótipo do E175-E2 deve ficar pronto no próximo ano para iniciar os testes em voo, com a primeira entrega prevista em 2021 para a norte-americana SkyWest. O avião é o menor da família, com capas entre 80 e 90 passageiros.

A Embraer tem a liderança mundial no mercado de jatos comerciais para até 150 passageiros, com participação de 29%. “Precismos defender nossa liderança no mercado. Por isso, decidimos desenvolver o E2”, afirma Oliveira.

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Bombardier Challenger 350 foi o mais vendido em 2017 com 56 entregas (Divulgação)


A entrega de aviões particulares teve uma leve alta no ano passado. Dados da Gama (General Aviation Manufacturers Association), que representa o setor, aponta que a indústria entregou 2.324 aviões novos em 2017, um aumento de 2,5% em relação ao ano anterior.

Entre os jatos executivos, o modelo de maior sucesso foi o canadense Bombardier Challenger 350, que teve 56 unidades entregues. O brasileiro Embraer Phenom 300, que liderou o ranking por quatro anos consecutivos, caiu para a segunda posição, com 54 aviões. Foram nove aviões a menos em relação a 2016. O Phenom 300 está empatado com o norte-americano Cessna Citation Latitude.

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Apesar do aumento de entregas de aviões particulares no último ano, a receita gerada pelas vendas teve queda de 4,2%, passando de US$ 21,1 bilhões (R$ 68,6 bilhões) em 2016 para US$ 20,2 bilhões (R$ 65,7) em 2017. É uma consequência da opção por aviões mais baratos. Os aviões turboélices tiveram queda de 3,3%, enquanto os modelos com motores a pistão cresceram 6,5%.

Os jatos tiveram aumento de 1,3% no número de entregas. O aumento, no entanto, também foi maior entre os modelos mais baratos. Segundo o relatório da Gama, a receita com a venda de jatos executivos teve queda de 3,9% no último ano, passando de US$ 18,7 bilhões (R$ 60,8 bilhões) em 2016 para 17,9 bilhões (R$ 58,2 bilhões) em 2018. Foi o terceiro ano seguido de retração.

Conheças os detalhes dos cinco jatos executivos mais populares do mundo:

1º lugar: Bombardier Challenger 350

Número de entregas em 2017: 56 aviões

Preço do avião: US$ 27 milhões (R$ 87,8 milhões)

Challenger 350 pode voar de São Paulo ou Rio para qualquer ponto da América do Sul (Divulgação)

Líder em número de entregas em 2017, o canadense Bombardier Challenger 350 é um jato executivo com capacidade para até dez passageiros. O avião tem autonomia de voo de 5.926 quilômetros, o que permite voar entre Nova York (Estados Unidos) e Londres (Inglaterra) sem paradas para reabastecimento.

Saindo de São Paulo, o jato pode chegar a qualquer ponto da América do Sul sem escala. Para chegar à Europa ou aos Estados Unidos, o Challenger 350 necessita de apenas uma parada.

O Challenger 350 tem 21 metros de comprimento. A cabine interna é equipada com poltronas individuais e um sofá de três lugares, que pode ser aberto e transformado em cama.

Interior do Bombardier Challenger 350 (Divulgação)

2º lugar: Embraer Phenom 300 (empatado com o Cessna Citation Latitude)

Número de entregas em 2017: 54 aviões

Preço do avião: US$ 9 milhões (R$ 29,2 milhões)

Embraer Phenom 300 foi líder de vendas por quatro anos seguidos (Divulgação)

O Phenom 300 é o jato executivo de maior sucesso da Embraer. Desde 2009, já foram entregues 437 aviões desse modelo. Apesar da queda nos últimos anos, segue como um dos jatos executivos mais populares do mundo.

O jato da Embraer pode levar de seis a dez passageiros, com autonomia de voo de 3.650 quilômetros, o que permite voar de Brasília a Buenos Aires (Argentina) sem escalas. O avião pode atingir até 839 km/h e chegar a uma altitude de 45 mil pés (13.716 metros), com a cabine pressurizada a 6.000 pés (2.000 metros).

Em outubro, a Embraer anunciou que vai redesenhar a cabine e um novo sistema de entretenimento para o Phenom 300. A renovação vai elevar o preço de tabela do avião de US$ 9 milhões (R$ 29,2 milhões) para US$ 9,45 milhões (R$ 30,7 milhões).

Embraer Phenom 300 já teve 437 unidades entregues desde 2009 (Divulgação)

2º lugar: Cessna Citation Latitude (empatado com o Embraer Phenom 300)

Número de entregas em 2017: 54 aviões

Preço do avião: US$ 16,2 milhões (R$ 52,7 milhões)

Entregas começaram em 2015 e Cessna Citation Latitude já chegou à vice-liderança (Divulgação)

O Citation Latitude é o mais recente jato executivo da Cessna. A primeira entrega de um avião do modelo aconteceu em 2015. Nos últimos três anos, já foram entregues 112 aviões. As 54 unidades de 2017 o colocaram no segundo lugar do ranking ao lado do Embraer Phenom 300.

O jatinho da Cessna tem capacidade para até nove passageiros. A cabine interna mede 1,83 m de altura por 1,95 m de largura. O avião tem autonomia de até 5.278 quilômetros e pode chegar a 825 km/h.

O avião pode voar sem escalas de Los Angeles a Nova York (Estados Unidos), de São Paulo a Caracas (Venezuela), ou de Genebra (Suíça) a Dubai (Emirados Árabes Unidos).

Na cabine interna, o jato executivo conta com seis poltronas individuais e um sofá de dois lugares na parte dianteira, além de banheiro e sistema completo de entretenimento.

Citation Latitude pode voar de São Paulo a Caracas, na Venezuela, sem escala (Divulgação)

4º lugar: Bombardier Global 6000

Número de entregas em 2017: 45 aviões

Preço do avião: US$ 62,5 milhões (R$ 203,2 milhões)

Bombardier Global 6000 é o jato executivo mais caro entre os mais vendidos do mundo (Divulgação)

Jato executivo mais caro entre os mais vendidos do mundo, o Bombardier Global 6000 está avaliado em US$ 62,5 milhões (R$ 203,2 milhões). O jatinho pode levar até 17 passageiros com autonomia para voar sem escala de São Paulo até Berlim (Alemanha), Atenas (Grécia) ou Jerusalém (Israel).

A cabine de passageiros do Global 6000 é dividida em três ambientes. O jatinho tem sofás que viram cama e uma área que pode ser fechada e isolada dos demais passageiros. Para os voos longos, há uma cozinha a bordo.

Voltado a grandes empresários, o avião também foi pensado para facilitar o trabalho a bordo, com mesas de trabalho, telefone via satélite e conexão à internet.

Global 6000 pode viajar de São Paulo a Berlim, na Alemanha, sem escalas (Divulgação)

5º lugar: HondaJet

Número de entregas em 2017: 43 aviões

Preço do avião: US$ 4,9 milhões (R$ 15,9 milhões)

HondaJet teve 43 unidades entregues no último ano (Divulgação)

O jato executivo da Honda recebeu no ano passado a certificação da Anac (Agência Nacional de Aviação de Civil) para poder voar com passageiros. No mundo, a primeira entrega de um avião do modelo aconteceu em 2015. Desde então, já foram entregues 68 unidades.

Com capacidade para até seis passageiros, o HondaJet tem uma cabine de passageiros relativamente apertada. São quatro poltronas individuais e, na parte dianteira, um sofá de dois lugares. O Honda Jet tem 13 metros de comprimento. A cabine interna mede 5,43 metros de comprimento, 1,52 metro de largura e 1,47 metro de altura.

O avião tem autonomia de voo para 2.260 quilômetros e pode voar a uma velocidade de até 780 km/h. A temperatura interna, a intensidade da luz e o volume do áudio podem ser controlados diretamente pelo smartphone do passageiro.

HondaJet pode levar até seis passageiros (Divulgação)

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Novo avião comercial da Embraer é aprovado em testes e liberado para voar
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Avião da Embraer já está liberado para voar por uma companhia aérea (Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

O novo avião comercial da Embraer, o E190-E2, recebeu nesta quarta-feira (28) a certificação operacional da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), da FAA (Federal Aviation Administration) e da Easa (Europeans Aviation Safety Agency). Isso significa que o novo jato foi aprovado em todos os testes e está liberado para voar levando passageiros. O primeiro avião será entregue em abril para a Widerøe, maior companhia aérea regional da Escandinávia.

Sucessor do E190, o E190-E2 pode ser configurado para 97 assentos (três classes), 106 assentos (duas classes) ou 114 assentos (uma só classe).

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O projeto de desenvolvimento da nova geração de aviões comerciais da Embraer foi anunciado em junho de 2013. Em fevereiro de 2016, a fabricante apresentou o primeiro protótipo do modelo. Três meses depois, em maio de 2016, o avião realizou o seu primeiro voo de teste. Desde então, outros três aviões também participaram dos testes.

O presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, afirmou que o novo E190-E2 cumpriu os requisitos de desenvolvimento dentro do prazo, com o orçamento previsto e atendendo os padrões de performance. Souza e Silva também celebrou o fato de a certificação de três autoridades aeronáuticas serem entregues no mesmo dia.

Cerimônia de entrega da certificação do E190-E2 pela Anac, FAA e Easa (Vinícius Casagrande/UOL)

Nova geração de jatos comerciais

O E190-E2 é o primeiro de três modelos em desenvolvimento. O maior avião da família, o E195-E2, já iniciou os testes em voos e a expectativa é que seja aprovado no próximo ano. O terceiro membro será o E175-E2, que só deve ficar pronto em 2021.

A nova geração de aviões comerciais foi criada com novas tecnologias de motores, asas e instrumentos de bordo. Segundo a Embraer, o novo E190-E2 gasta 17,3% menos combustível em relação à versão anterior do modelo.

Durante os testes, o avião apresentou desempenho 1,3% melhor do que o originalmente esperado. “Operando com o menor nível de ruído e emissões externas, o E190-E2 torna-se, assim, o avião mais ecológico do segmento”, afirma a Embraer. A Embraer aposta que “a aeronave proporciona lucros até 50% maiores se comparada a jatos de maior porte”.

Além de consumir menos combustível, a nova geração também reduz custos de manutenção. “O E190-E2 será também a aeronave com os intervalos de manutenção mais longos no mercado de aviões de corredor único”, diz a Embraer. Os aviões poderão voar 10 mil horas antes de realizarem a checagem completa de rotina, diz a fabricante. “Isso representa 15 dias adicionais de utilização da aeronave em um período de dez anos em comparação com os E-Jets da geração atual”, afirma a fabricante.

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Avião Embraer 175 na fábrica de São José dos Campos (Vinícius Casagrande/UOL)

Por Vinícius Casagrande

Quem compra um carro novo precisa esperar pouco mais de uma semana para sair dirigindo da concessionária. É o tempo necessário para uma última revisão do veículo e o emplacamento no Detran. No dia da retirada, basta assinar alguns documentos, receber instruções sobre o veículo e pronto.

Já as companhias aéreas enfrentam um processo bem mais complexo para comprar um avião novo. Somente o processo de escolha do modelo pode demorar mais de um ano. Quando vai introduzir um novo tipo de aeronave à sua frota, a companhia aérea avalia as opções de diversos fabricantes.

São levados em conta aspectos como adequação às rotas da empresa, custos operacionais, manutenção, treinamento da tripulação, capacidade de carga e conforto do passageiro. “Fazemos vários voos de demonstração e os executivos preenchem um questionário sobre vários pontos e características do avião”, afirma Hans Werner, vice-presidente de serviços técnicos e desenvolvimento de frota da KLM.

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Com a decisão tomada, ainda pode levar alguns anos para a empresa receber todos os aviões que comprou. A companhia aérea holandesa KLM, por exemplo, optou pelos jatos E175 e E190, da Embraer, há mais de dez anos.

De um pedido total de 49 aviões, a empresa já recebeu 45 deles – os dois mais novos foram entregues na semana passada na fábrica de São José dos Campos, no interior de São Paulo, sendo um E190 e um E175. A empresa deve receber os quatro últimos aviões do pedido até abril.

Pilotos e mecânicos fazem testes em voo e no solo antes de receber um avião novo (Divulgação)

Vistoria do avião dura três dias

Quando o avião fica pronto na fábrica, a companhia aérea envia pelo menos seis pessoas para fazer a liberação da aeronave e levá-la para a sede da empresa. No caso da KLM, foram dois pilotos, dois mecânicos, uma pessoa responsável por analisar toda a documentação no Brasil e outra para fazer o registro do avião junto às autoridades holandesas.

Além da parte burocrática, os pilotos e mecânicos também fazem diversas avaliações para garantir a qualidade do avião. No primeiro dia de testes, a nova aeronave faz um voo de cerca de duas horas para os pilotos verificarem os comandos de voo. Depois do pouso, os mecânicos fazem uma avaliação dos motores do avião.

No segundo dia, o avião passar por mais testes. No solo, a aeronave é erguida por macacos hidráulicos. Com o avião suspenso, os mecânicos fazem diversos testes nos trens de pouso, comandos das asas e estabilizadores.

O último dia é destinado a avaliar a condição de toda a fuselagem do avião, incluindo detalhes da pintura. Se algum problema for encontrado, a aeronave é enviada de volta ao hangar para reparo do problema.

Somente depois que o novo avião é aprovado pelos pilotos e mecânicos, a companhia aérea faz o pagamento final. Um Embraer 190, por exemplo, custa cerca de US$ 50 milhões (R$ 162 milhões). Com o pagamento confirmado, o avião passa a exibir a matrícula (letras de registro, como a placa do carro) do país de origem da companhia aérea.

Cerimônia oficial de entrega de um novo avião na fábrica da Embraer (Vinícius Casagrande/UOL)

De São José dos Campos para Amsterdã

Os novos aviões da KLM decolaram na manhã da última sexta-feira (23) da fábrica da Embraer em São José dos Campos (SP) com destino a Amsterdã, na Holanda. Com não têm autonomia para fazer um voo direto, as aeronaves precisam fazer de duas a três paradas para reabastecimento.

O Embraer 190 faz o primeiro pouso em Recife (PE). Além de reabastecer o avião, pilotos, mecânicos e eventuais convidados também fazem todo o processo alfandegário de saída do país. De Recife, o avião viaja até Tenerife, nas Ilhas Canárias, já em território espanhol. Tripulação e convidados passam a noite em Tenerife e somente no dia seguinte fazem a última perna da viagem, até Amsterdã.

Como o Embraer 175 tem autonomia menor, é necessário fazer uma parada a mais. Assim, o avião sai de São José dos Campos, passa por Recife e depois segue para a Ilha do Sal, em Cabo Verde. No dia seguinte, o avião voa até Faro, em Portugal, para o último reabastecimento, antes de seguir até Amsterdã.

Quando chega à sede da companhia aérea, o avião passa por mais uma inspeção técnica antes de começar a realizar os voos regulares pela empresa.

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Brasília foi o último turboélice comercial produzido pela Embraer (Divulgação)

Prestes a receber a certificação do novo jato comercial E190-E2, a Embraer já está de olho em um novo nicho de mercado. A fabricante brasileira iniciou os estudos para a produção de um novo avião turboélice, com capacidade para mais de 56 passageiros.

Segundo o vice-presidente de marketing, Rodrigo Silva e Souza, a empresa tem como meta ser líder em todos os mercados de aviões com capacidade para até 150 passageiros. “Já estamos bem cobertos na faixa de cima [acima de 80 passageiros]. Agora, estamos olhando outros segmentos do mercado”, afirma.

Silva e Souza diz que o novo turboélice viria para ser um concorrente direto dos líderes do segmento, o ATR 72, da franco-italiana ATR, e o Dash 8 Q400, da canadense Bombardier. “Vemos a oportunidade de trazer um produto mais eficiente e mais confiável que os modelos atuais”, diz.

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A Embraer é líder mundial na produção de jatos regionais, com capacidade entre 80 e 140 passageiros. É exatamente por causa desse mercado que a norte-americana Boeing estaria interessada na compra da Embraer.

Com o veto do governo brasileiro em relação a uma venda completa da Embraer, a expectativa é que seja criada uma terceira empresa que envolveria apenas os aviões comerciais. O executivo da fabricante brasileira, no entanto, se recusou a comentar o andamento das negociações entre as duas empresas.

Foco em aéreas da Ásia e Europa

O turboélice da Embraer teria como foco principal a Ásia e a Europa, mercados que apresentam a maior procura por esse tipo de avião. No Brasil, a maior operadora de aviões turboélice é a companhia aérea Azul, com mais de 30 ATR 72. A empresa também tem jatos da Embraer e da Airbus.

O vice-presidente da Embraer afirmou que a empresa já começou a conversar com potenciais clientes para entender melhor as necessidades do mercado de turboélices. Segundo Silva e Souza, as principais exigências estão na redução dos custos e um avião que apresente menos problemas técnicos durante as operações.

“As companhias aéreas querem um produto confiável. Hoje, é mais comum ter atrasos e cancelamentos de voos por problemas nos turboélices do que nos jatos”, afirma.

De volta às origens

Os primeiros aviões comerciais produzidos pela Embraer foram justamente no segmento de turboélices, com o Bandeirante e o Brasília. A volta a esse mercado, no entanto, seria com um modelo completamente diferente. “Se lançarmos um turboélice, vamos usar tecnologia igual ou superior a dos jatos”, diz.

Além da área comercial, os engenheiros da Embraer também já começaram os primeiros estudos para definir a viabilidade do projeto. No entanto, o vice-presidente de marketing da Embraer diz que uma decisão final sobre a produção não deve sair nos próximos dois anos. “Não é um projeto para o curto prazo”, diz.

Novos jatos comerciais

A área de desenvolvimento da Embraer tem se dedicado nos últimos anos ao desenvolvimento dos novos jatos comerciais E190-E2, E195-E2 e E175-E2. A expectativa é que o primeiro modelo receba o certificado de operação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) nos próximos dias.

O primeiro E190-E2 será entregue em abril à companhia aérea norueguesa Widerøe. O avião já está pintado e recebendo os últimos acabamentos no hangar da Embraer em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

Maior avião comercial já produzido pela Embraer, o E195-E2 deverá ser o segundo modelo da nova geração a entrar em operação. A expectativa é que a brasileira Azul receba o primeiro avião em 2019. Terceiro e menor membro da família de novos jatos comerciais, o E175-E2 deve chegar ao mercado somente em 2021.

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Especialistas defendem acordos comerciais, mas são contra a venda (Ricardo Matsukawa/UOL)

Por Vinícius Casagrande

Uma possível venda da Embraer para a Boeing é vista por especialistas do setor como algo prejudicial para a empresa brasileira e para o próprio país. O problema estaria relacionado aos projetos de aviões na área de defesa e ao impacto que uma possível venda da empresa poderia causar na economia nacional.

“Só poderia ser benéfico se mantivesse o controle acionário no Brasil. A venda do controle é algo prejudicial, a começar para a própria empresa e depois para o Brasil como um todo. A Embraer é a única grande empresa que temos de alta tecnologia com inserção ativa no mercado internacional e gera um superavit de mais de US$ 1 bilhão por ano”, afirma Marcos José Barbieri Ferreira, professor de economia de ciências aplicadas e do laboratório de estudos das indústrias aeroespaciais e de defesa da Unicamp.

O professor de transporte aéreo e aeroporto da Escola Politécnica da USP, Jorge Eduardo Leal Medeiros, disse não acreditar na venda da Embraer para a Boeing por questões estratégicas do país. “A Embraer tem um lado muito estratégico para o governo e o governo, tendo a golden share (ação especial que dá ao governo poder de veto em decisões estratégicas), vai fazer algum tipo de meio termo”, afirma.

Os especialistas defendem que em vez de uma venda total da Embraer sejam feitos acordos estratégicos de negócios nas diversas áreas de atuação das empresas. “Acho que é importante fazer uma negociação que melhore as vendas da Embraer e que, eventualmente, vai ajudar a Boeing também, mas não vejo como bons olhos vender a Embraer. Acho que não vai acontecer de fato e não gostaria de ver isso, porque acho que a Embraer tem uma posição importante”, diz o professor da USP.

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O presidente Michel Temer já afirmou nesta sexta-feira que o governo brasileiro não deve aprovar a transferência do controle acionário da Embraer. “A dificuldade é transferir o controle da Embraer para outra empresa. […] Em princípio, a Embraer é brasileira, representa muito bem o Brasil lá fora e, volto a dizer, muito bem-vindo a injeção de capital estrangeiro. Não se examina a questão da transferência”, declarou.

Boeing estaria de olho no mercado de jatos regionais, dominado pela Embraer (foto: Divulgação)

Acordos comerciais

O interesse da Boeing pela Embraer surgiu depois que a Airbus se juntou à divisão de jatos comerciais da canadense Bombardier, que concorre no mesmo mercado da Embraer. “Eles vão fazer um acordo mais amplo. Eventualmente, algo semelhante possa acontecer entre a Embraer e a Boeing”, diz Medeiros.

O professor de economia da Unicamp também avalia que o melhor caminho a seguir pela Embraer seriam parcerias entre as duas empresas, que poderiam envolver acordos comerciais ou até mesmo a transferência de tecnologia para a aprimoramento do desenvolvimento de novos aviões. “Podem ser diversas formas de aliança, mas nada que envolva o controle da empresa”, diz.

Nesse sentido, o professor da USP avalia que a Embraer poderia até mesmo ingressar em novos mercados de aviões. “Talvez se entrasse mais dinheiro ela poderia entrar em um mercado que está mais ou menos disponível e que infelizmente ela abandonou que são o de aviões turbo-hélice”, afirma.

Aviões turbo-hélice geralmente têm capacidade para até 70 passageiros e são utilizados para rotas de curta distância. Atualmente, a maior fabricante desse segmento é a franco-italiana ATR. No Brasil, a companhia aérea Azul utiliza esses aviões para rotas que ligam cidades do interior.

A Embraer nasceu com a produção de aviões do tipo turbo-hélice. O primeiro modelo foi o Bandeirantes. Depois do avião Brasília, a empresa migrou para o segmento de jatos regionais.

Alta das ações

Depois do anúncio das negociações para uma possível venda da Embraer para a Boeing, as ações da empresa brasileira tiveram uma valorização de 22,5% na quinta-feira (21). Já as ações da fabricante norte-americana tiveram queda de 1% no mesmo dia.

O professor de economia da Unicamp afirma, no entanto, que isso não significa que a empresa brasileira sairia beneficiada nas negociações. “Uma coisa é o mercado acionário e outra é o impacto para a empresa. Quando um acionista vê a possibilidade de a empresa ser vendida por um valor maior que o atual, é natural que as ações subam. É um movimento especulativo e não significa que será algo benéfico para o país”, diz Marcos Barbieri.

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Escola de pilotos da Emirates tem jato brasileiro e aeroporto exclusivo

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Jato da Embraer será utilizado na formação de novos pilotos (Divulgação)

A companhia aérea Emirates, dos Emirados Árabes Unidos, inaugurou nesta semana sua escola de formação de novos pilotos, chamada de Emirates Flight Training Academy, que pretende ser a mais avançada do mundo. Para preparar os futuros pilotos, a empresa utilizará aviões monomotores Cirrus SR22 e a nova versão do jato executivo Phenom 100EV, da brasileira Embraer, uma evolução do Phenom 100E.

O jato executivo da Embraer é o primeiro da categoria a contar com painéis com telas sensíveis ao toque. Segundo a fabricante brasileira, o novo sistema “oferece aos pilotos mais recursos e substitui uma variedade de interruptores e botões tradicionais por telas de toque maiores e centralizadas”. O avião também recebeu um motor atualizado, que melhora o desempenho na decolagem em altas temperaturas.

Além dos aviões de última geração, a escola de aviação da Emirates terá modernos simuladores de voo e equipamentos digitais nas salas de aula. A companhia recebeu um suporte da Boeing para criação do currículo acadêmico.

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Avião é da nova versão do jato executivo da Embraer (Divulgação)

A estrutura foi construída em uma área de 164 mil metros quadrados (equivalente a 23 campos de futebol), que fica em um aeroporto privado da companhia, em Dubai. O espaço irá abrigar 36 salas de aula, simuladores de voo, hangares para os 27 aviões da frota (22 Cirrus SR22 e cinco Embraer Phenom 100EV), refeitórios e alojamento individual para os estudantes.

O aeroporto tem pista de 1.800 metros, maior que a do Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com torre de controle própria e equipamentos de auxílio à navegação aérea.

Os cursos poderão ser concluídos entre 21 meses e 42 meses, com 1.100 horas de aulas teóricas e 315 horas de treinamento de voo, incluindo os voos em simuladores.

Após as primeiras aulas teóricas, os alunos iniciam os voos no monomotor Cirrus SR22. Depois de aprender os conceitos básicos de pilotagem, pulam direto para o jato da Embraer. Normalmente, os alunos começam com um avião monomotor e depois fazem mais algumas horas em bimotores com motor a pistão e hélice, que são mais lentos, menos complexos para voar e tem custo operacional mais baixo.

Avião Cirrus SR22 utilizado nas primeiras horas de voo de treinamento (Divulgação)

O vice-presidente da escola da Emirates, comandante Abdulla al Hammadi, afirma que o avião brasileiro foi escolhido para facilitar a transição para os padrões de pilotagem de jatos comerciais. “Decidimos pelo jato porque a transição para um avião maior será mais fácil e mais suave. O Phenom 100EV é muito similar aos jatos comerciais, especialmente os comandos de voo”, afirma.

A Emirates Flight Training Academy atende cidadãos dos Emirados Árabes Unidos e alunos estrangeiros. Para se inscrever, é necessário ter pelo menos 17 anos, ter completado o ensino médio e obter, no mínimo, a nota 510 no exame de inglês TOEFL.

Após a conclusão do curso, os cidadãos dos Emirados Árabes Unidos são contratados pela companhia aérea como copilotos. Para os estudantes internacionais, não há essa garantia e eles precisam passar pelo processo seletivo para a contratação.

Escola de aviação da Emirates foi inaugurada nesta semana em Dubai (Divulgação)

Em julho, a Emirates fez um evento para seleção de pilotos brasileiros para a sua frota de aviões Airbus A380 e Boeing 777. Os salários de pilotos na companhia aérea variam entre R$ 22 mil e R$ 51 mil.

A Emirates não revelou o custo para a formação de pilotos dentro da sua nova escola. A primeira turma internacional deve começar as aulas somente a partir do ano que vem. No Brasil, a formação básica de um piloto de avião pode variar entre R$ 90 mil e R$ 140 mil.

Avião foi montado na fábrica da Embraer nos Estados Unidos

O primeiro Phenom 100EV da Emirates Flight Training Academy foi entregue à companhia em 8 de novembro. O jatinho foi produzido na fábrica da Embraer na cidade de Melbourne, no Estado da Flórida (EUA). O avião da nova versão do Phenom 100EV é o oitavo a ser produzido no mundo.

A viagem de Melbourne até Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, durou oito dias, em um trajeto de 16 mil quilômetros que passou por 11 países. Sob o comando de dois pilotos da Embraer, o avião saiu dos Estados Unidos e passou por Canadá, Groenlândia, Islândia, Escócia, Alemanha, Hungria, Grécia, Egito, Arábia Saudita, até chegar aos Emirados Árabes Unidos.

A Emirates Flight Training Academy tem mais quatro Phenom 100EV a receber. O avião é um dos jatos leves mais populares do mundo em função da facilidade operacional e baixos custos. Atualmente, são mais de 350 aviões do modelo em operação em mais de 40 países.

Etihad também utiliza o Phenom 100, da Embraer, em sua escola de aviação (Divulgação)

Jatinho é usado por outras escolas

A escola de aviação da Emirates não é a única que utiliza o jatinho para a formação de pilotos. Em junho do ano passado, a Etihad Flight College, também nos Emirados Árabes Unidos, recebeu o seu primeiro avião do modelo para o treinamento dos alunos. A escola opera com quatro aviões Phenom 100E, a versão anterior do modelo.

O jato também foi selecionado para realizar o treinamento dos pilotos das forças armadas do Reino Unido em aeronaves multimotoras. O governo britânico fechou contrato para a compra de cinco aviões. Além disso, a Embraer afirma que o jatinho é utilizado em escolas de voo e instruções nos Estados Unidos, Finlândia e Austrália.

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