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Briga de gigantes: compare os jatos Embraer 195-E2 e Airbus A220-100
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Produção de jatos comerciais regionais tem agitado a indústria aeronáutica (Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

O mercado de jatos comerciais regionais está no centro das atenções da indústria aeronáutica nos últimos meses. Primeiro, a Airbus assumiu o controle da produção de aviões comerciais da Bombardier. Em resposta, a Boeing fechou um acordo para adquirir 80% da área de aviação comercial da Embraer.

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A briga acontece de olho no potencial de vendas dos novos jatos regionais (até 140 passageiros) das duas principais concorrentes do segmento, um mercado no qual as gigantes Airbus e Boeing estavam de fora até então.

Embraer e Bombardier afirmam que a união com a Boeing e Airbus, respectivamente, é fundamental para as empresas ganharem musculatura e competirem no mercado. O primeiro resultado concreto dessa disputa veio nesta semana, quando a companhia aérea JetBlue anunciou que irá substituir os jatos Embraer E190 pelo A220-300.

Além de mudar de fabricante, a JetBlue optou também por operar aviões maiores. O E190 tem capacidade máxima para 114 passageiros, enquanto o A220-300 pode levar até 160 passageiros.

Modelo Airbus A220-300 irá substituir jatos da Embraer na norte-americano JetBlue (Divulgação)

Apesar de estarem dentro do mesmo segmento, o portfólio de produtos da Embraer e da Bombardier são ligeiramente diferentes.

A fabricante canadense conta com dois modelos inicialmente batizados de CS100 e CS300, que já estão em operação comercial desde 2016. Nesta semana, a Airbus rebatizou os aviões com os nomes A220-100 e A220-300, respectivamente.

A Embraer tem três versões dos seus jatos regionais: E175, E190 e E195. Os modelos estão passando por uma atualização. O E190-E2 já está em operação em companhias aéreas, enquanto o E195-E2 está na fase final de testes.

E195-E2, da Embraer, X A220-100, da Airbus/Bombardier

Os modelos das duas fabricantes que mais se assemelham são o E195-E2 e o A220-100. Trata-se do maior modelo da Embraer contra o menor modelo da Airbus/Bombardier.

Confira quais as diferenças e semelhanças entre os dois concorrentes.

Avião da Embraer é 6 metros maior em relação ao seu principal concorrente (Ricardo Matsukawa/UOL)

Tamanho e capacidade de passageiros

O jato da Embraer é seis metros mais comprido que o avião desenvolvido pela Bombardier. Isso faz com que a capacidade de passageiros do avião brasileiro também seja maior.

O E195-E2 pode transportar entre 120 passageiros (com três classes de cabine dentro do avião) e 146 passageiros (com apenas a classe econômica e menos espaço entre as poltronas).

Com 35 metros de comprimento, o A220-100 tem uma configuração padrão da cabine para 116 passageiros, podendo chegar a até 135 lugares dentro do avião. A Swiss, primeira companhia aérea a voar com o modelo, utiliza a configuração de 125 assentos, com 16 lugares na classe executiva e 109 na classe econômica.

Aviões da linha A220 tem configuração de assentos 2-3, com o incômodo assento do meio (Divulgação)

Embraer não tem ‘assento do meio’

Os dois aviões também têm uma diferença importante na forma como os assentos são distribuídos dentro da cabine. Nos jatos da Embraer, são quatro poltronas por fileira, divididos na configuração 2-2.

Os jatos desenvolvidos pela Bombardier têm cinco poltronas por fileira, na configuração 2-3. Com isso, os aviões da Embraer levam vantagem em relação ao conforto do passageiros, já que não existe o assento do meio.

Performance

Na questão de performance, os dois aviões têm números bastante parecidos. Ambos podem atingir a velocidade máxima de Mach 0.82. É o equivalente a 82% da velocidade do som, ou cerca de 890 km/h quando o avião está a 10 mil metros de altitude.

O E195-E2 pode decolar com um peso máximo de 61,5 toneladas, enquanto o A220-100 tem peso máximo de decolagem de 60,8 toneladas.

Nas questões de performance, o avião canadense leva vantagem no alcance. O A220-100 pode atingir distâncias de até 5.460 quilômetros, enquanto o E195-E2 tem alcance máximo de 4.815 quilômetros.

Modelo A220-100 tem alcance de 5.460 quilômetros (Divulgação)

Custos operacionais

Em questões econômicas, os aviões da Embraer levam vantagem em relação aos jatos desenvolvidos pela Bombardier e recentemente incorporados ao portfólio da Airbus. O modelo E195-E2 é 25% mais barato que o A220-100.

O avião brasileiro tem preço-base de US$ 61 milhões, enquanto o jato canadense custa US$ 81 milhões. Os valores podem mudar de acordo com as negociações entre as fabricantes e seus clientes.

Além disso, um estudo da Embraer aponta que o E195-E2 tem um custo por viagem 2% superior ao A220-100. No entanto, como o avião brasileiro pode levar mais passageiros, o custo por assento é 10% inferior em relação ao avião canadense.

Isso significa que se os dois aviões voarem cheios, a companhia aérea pode reduzir o preço da passagem ou aumentar a sua lucratividade.

Atualmente, o E-195-E2 tem 106 pedidos firmes e mais 90 opções de compra. O A220-100 tem até agora cerca de 120 encomendas.

Veja as fichas técnicas

Embraer 195-E2

Passageiros: 120 a 146
Configuração dos assentos: 2-2
Comprimento: 41,5 metros
Altura: 10,9 metros
Envergadura: 33,7 metros
Alcance: 4.815 km
Peso máximo de decolagem: 61,5 toneladas
Velocidade: Mach 0.82 (890 km/h)
Preço: US$ 61 milhões

Airbus A220-100

Passageiros: 116 a 135
Configuração dos assentos: 2-3
Comprimento: 35 metros
Altura: 11,5 metros
Envergadura: 35,1 metros
Alcance: 5.460 km
Peso máximo de decolagem: 60,8 toneladas
Velocidade: Mach 0.82 (890 km/h)
Preço: US$ 81 milhões

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Sonha em ter um jato executivo? O mais barato do mundo custa “só” R$ 7,4 mi
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Jatinho da Cirrus tem só um motor em cima da cabine de passageios (foto: Divulgação)

Quem sonha em comprar um jato executivo próprio precisa economizar bastante dinheiro. E não precisa ser nenhum modelo de luxo. Para adquirir o modelo mais barato do mercado atualmente, é necessário ter na conta bancária pelo menos R$ 7,4 milhões. É o investimento mínimo para comprar o jatinho do modelo Cirrus SF50 Vision Jet, avaliado em US$ 1,9 milhão.

Entre os cinco modelos mais baratos do mercado, o preço de um jatinho novo pode chegar a US$ 8 milhões (R$ 31,4 milhões), como o modelo Cessna Citation CJ3+. A brasileira Embraer também tem um jato entre os cinco mais baratos. É o Phenom 100, com preço-base de US$ 4,5 milhões (R$ 17,5 milhões).

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Além do investimento para comprar um jato executivo próprio, ainda é necessário ter recursos para manter o avião. São gastos com contratação de pilotos, combustível, estacionamento e revisões periódicas obrigatórias. Somente para deixar um jatinho de pequeno porte parado no hangar, o gasto mensal pode superar os R$ 10 mil por mês.

Mas, como sonhar não custa nada, conheça os cinco modelos mais baratos de jatos executivos.

Paraquedas do Cirrus permite o pouso seguro em caso de falha no motor (foto: Divulgação)

Cirrus SF50 Vision Jet – R$ 7,4 milhões

Além do título de jato executivo mais barato do mundo, o Cirrus SF50 Vision Jet é também o único jatinho monomotor do mercado. Caso haja alguma situação de emergência, o jato conta com um sistema que aciona um paraquedas.

É um esquema para o avião, e não para os passageiros. Ou seja, o paraquedas segura a aeronave, fazendo com que ela pouse mais lentamente numa situação de emergência.

As primeiras entregas do modelo começaram em 2016. Segundo a Plane Aviation, representante da Cirrus no Brasil, o Vision Jet já tem 600 encomendas em todo o mundo, sendo que o Brasil representa 10% das vendas.

A jato voa a 550 km/h, com autonomia para alcançar até 1.800 quilômetros de distância, a uma altitude máxima de 8.500 metros em relação ao nível do mar.

O jatinho pode ser configurado para transportar até sete pessoas, sendo cinco adultos e duas crianças. São dois assentos na cabine de comando e os demais na área de passageiros.

Todas as poltronas são revestidas em couro e contam com entradas USB e para fones de ouvido. A cabine do SF50 Vision Jet mede 1,24 metro de altura e 1,56 metro de largura.

Phnenom 100 é o jato mais barato da Embraer (Divulgação)

Embraer Phenon 100 – R$ 17,5 milhões

O Phenom 100 é o menor avião da linha de jatos executivos produzidos pela brasileira Embraer e marcou a entrada da fabricante nesse mercado. O modelo realizou seu primeiro voo em 2007. No ano passado, foram 18 unidades entregues em todo o mundo ao preço-base de US$ 4,5 milhões (R$ 17,5 milhões).

Como todos os jatos de pequeno porte, o interior é relativamente apertado. Nem por isso a sofisticação foi abandonada. O projeto interno do jato foi criado em parceria com a montadora alemã BMW. O Phenom 100 tem capacidade entre quatro e sete passageiros e alcance de voo de 2.182 quilômetros. A cabine mede 1,5 metro de altura e 1,55 metro de comprimento.

Em 2016, o modelo recebeu alterações no projeto, incluindo novos motores que melhoram o desempenho do jatinho em aeroportos de regiões de altitude elevada. A nova versão ganhou a designação Phenom 100EV.

Cessna Citation M2 é concorrente direto do brasileiro Phenom 100 (Divulgação)

Cessna Citation M2 – R$ 17,5 milhões

No mercado desde 2013, o Cessna Citation M2 é um rival direto do brasileiro Phenom 100. O jatinho tem capacidade para até sete passageiros, alcance de 2.870 quilômetros e velocidade de cruzeiro de 750 km/h. Até o preço-base é o mesmo: US$ 4,5 milhões (R$ 17,5 milhões).

A cabine de passageiros pode receber diversas configurações de acordo com o pedido do cliente. A cabine mede 1,45 metro de altura, 1,47 metro de largura e 3,35 metros de comprimento. Os passageiros podem levar até 328 quilos de bagagem.

HondaJet teve 68 unidades entregues no último ano (Divulgação)

Honda Jet – R$ 19,2 milhões

O jato executivo da Honda foi o quinto mais vendido no mundo no ano passado, com 68 unidades entregues. Cada avião custa US$ 4,9 milhões (R$ 19,2 milhões). O jato começou a ser entregue aos clientes em 2015.

Com capacidade para até seis passageiros, o HondaJet tem uma cabine de passageiros relativamente apertada. São quatro poltronas individuais e, na parte dianteira, um sofá de dois lugares, com capacidade total para seis passageiros.

O Honda Jet tem 13 metros de comprimento. A cabine mede 5,43 metros de comprimento, 1,52 metro de largura e 1,47 metro de altura.

O avião tem autonomia de voo para 2.260 quilômetros e pode voar a uma velocidade de até 780 km/h. A temperatura interna, a intensidade da luz e o volume do áudio podem ser controlados diretamente pelo smartphone do passageiro.

Citation CJ3+ pode levar até nove passageiros a bordo (Divulgação)

Cessna Citation CJ3+ – R$ 31,4 milhões

O Citation CJ3+ é um jato executivo que oferece mais conforto em relação aos modelos mais baratos. No entanto, o avião é mais de US$ 3 milhões mais caro que o modelo mais próximo, o Honda Jet. Lançado em 2014, o modelo custa US$ 8 milhões (R$ 31,4 milhões).

O CJ3+ tem capacidade para até nove passageiros, além do piloto. A cabine de passageiros mede 1,45 metro de altura, 1,47 metro de largura e 4,78 metros de comprimento. Os passageiros podem levar 453 quilos de bagagem.

O jato executivo da Cessna tem velocidade de cruzeiro de 770 km/h e alcance de 3.770 quilômetros. O avião pode voar, sem escalas, de São Paulo para todas as capitais brasileiras, além de Santiago (Chile). De Brasília, é possível voar direto até Lima (Peru).

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Jato executivo da Embraer bate recorde de velocidade em voo transatlântico
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Jato executivo Legacy 450 Embraer (Foto: Divulgação)

O Legacy 450, da fabricante brasileira Embraer, estabeleceu um novo recorde de velocidade para voos transatlânticos de jatos executivos da categoria mid-light jets (jatos médios). O Legacy 450 realizou o voo entre Portland, no Estado do Maine (EUA), e Farnborough (Reino Unido) em 6 horas e 5 minutos. Com a distância total de 5.105 quilômetros, o jato teve uma velocidade média de 840 km/h.

O voo foi feito no dia 7 de março deste ano. O reconhecimento do novo recorde foi feito pela NAA (Associação Aeronáutica Nacional dos Estados Unidos, na sigla em inglês) e pela FAI (Federação Aeronáutica Internacional), com sede em Lausanne (Suíça).

A nova marca foi estabelecida durante um voo de demonstração para potenciais clientes da Embraer. Estavam a bordo do jatinho dois pilotos e dois passageiros. Segundo a Embraer, o Legacy 450 pousou no Reino Unido com reserva de combustível acima do mínimo exigido pelos regulamentos internacionais de aviação civil para esse tipo de operação.

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Entrega do certificado do recorde à Embraer (Divulgação)

Depois de Farnborough, o avião seguiu para Genebra (Suíça) para participar da 18ª Ebace, a maior feira de aviação executiva da Europa. Durante a exposição na Suíça, a Embraer apresentou mudanças no jato executivo, como configuração interna com novos assentos.

O Legacy 450 tem alcance de 5.371 quilômetros e com quatro passageiros a bordo, podendo voar com altitude máxima de 45 mil pés (13,7 quilômetros). O avião tem autonomia para voar, sem escalas, de São Francisco (EUA) a Honolulu (EUA), de São Paulo a Bogotá (Colômbia) ou de Moscou (Rússia) para Mumbai (Índia), por exemplo.

A cabine de passageiros do jato executivo tem 1,83 metro de altura e piso plano. Há quatro poltronas totalmente reclináveis que podem ser convertidas em duas camas. Dependendo da configuração interna, o Legacy 450 pode levar até nove passageiros. O entretenimento a bordo inclui um sistema de vídeo de alta definição, som surround e várias opções de entrada de áudio e vídeo.

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Com telefone, wi-fi e projetores, avião executivo é extensão do escritório


Presidente da Embraer diz que novo incidente não deve atrasar avião militar
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KC-390 em pátio da Embraer. Divulgação

Por Vinícius Casagrande

Em Los Angeles (EUA)*

O presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, afirmou nesta terça-feira (8), em Los Angeles, que o novo incidente com o protótipo do cargueiro militar KC-390 não deve atrasar o programa de certificação do avião.

O novo avião saiu da pista no último sábado (5) quando realizava um teste de solo. A aeronave parou a cerca de 300 metros da cabeceira da pista. Em outubro do ano passado, o mesmo avião quase sofreu um acidente durante um voo de testes, quando perdeu altitude rapidamente. Na ocasião, o KC-390 teve algumas peças danificados e teve de ficar seis meses sem voar. O novo incidente aconteceu dois meses após a retomada dos testes em voo.

Segundo o presidente da Embraer, as causas do incidente ainda estão sendo apuradas. “Estamos avaliando ainda e é preciso esperar mais um pouco”, disse. Questionado se isso pode atrasar as primeiras entregas do avião, previstas para acontecer até o final deste ano, respondeu apenas: “Eu acredito que não”.

Paulo Cesar esteve em Los Angeles para participar do Uber Elevate Summit, onde apresentou o primeiro conceito de táxi aéreo elétrico que está sendo desenvolvido em parceria com a Uber.

Negociação com a Boeing ainda sem data para ser concluída

Em relação às negociações para uma união com a Boeing, o presidente da Embraer disse que ainda não é possível afirmar quando todo o processo será concluído.

“As negociações estão avançando e acho que é possível ainda esse ano, mas é impossível falar, não é viável falar o momento que vai ser”, afirmou.

Em março desse ano, Paulo Cesar chegou a afirmar que esperava uma conclusão ainda no primeiro semestre do ano. Logo depois, no entanto, passou a adotar uma postura mais cautelosa sobre o tema. Além das duas empresas, é preciso negociar também com o governo brasileiro, que possui o direito de veto no negócio.

“As conversas com o grupo de trabalho continuam com o governo. A operação é bastante complexa e ainda não há nada definido. Temos de aguardar ainda um pouco mais”, afirmou.

Por outro lado, o ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, disse na terça-feira (8) estar otimista com as negociações. “Está em fase avançada e é coisa para este ano”, afirmou

Em relação ao prejuízo de US$ 40 milhões registrado pela Embraer no primeiro trimestre do ano, Paulo Cesar negou que o fato tenha relação com o impasse nas negociações com Boeing.

“De forma alguma. Não tem nada a ver. Se você olhar anteriormente, o primeiro trimestre nosso é sempre mais fraco. É uma característica da nossa operação e da indústria. O primeiro trimestre é sempre mais fraco e não tem absolutamente nada a ver com isso”, disse.

No entanto, no mesmo período do ano passado, a Embraer havia registrado um lucro líquido de R$ 168,5 milhões, de acordo com o balanço.

* O jornalista viajou a convite da Uber


Embraer, quase cinquentona, já fez 46 modelos de avião; conheça
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Criada em 19 de agosto de 1969, a Embraer é a principal fabricante brasileira de aviões e uma das maiores do mundo. A empresa já produziu ao longo de sua história de quase 50 anos 46 modelos de avião. Hoje, fabrica 12. No total, já fez mais de 8.000 unidade desde 1969.

A empresa nasceu como uma estatal para a produção do turboélice Bandeirante, que já vinha sendo desenvolvido pelo Centro Técnico Aeroespacial, e do EMB-326 Xavante, produzido sob licença da italiana Aermacchi.

Na década de 1970, a Embraer colocou no mercado mais dois aviões desenvolvidos na empresa. O turboélice pressurizado EMB-120 Brasília, para transporte de passageiros, e o avião militar EMB-312 Tucano, para treinamento e missões de ataque. Ambos foram amplamente utilizados no Brasil e no exterior.

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Além dos aviões próprios, a Embraer também produzia, sob licença, aeronaves de outros fabricantes. Os principais foram os modelos da Piper Aircraft chamados no Brasil de Carioca, Corisco, Tupi e Seneca. A produção desses modelos depois seria transferida para a Neiva, uma subsidiária da Embraer.

A privatização

O pior momento da companhia veio no início da década de 1990. Em meio às turbulências econômicas do país, a empresa teve de reduzir a produção e demitir funcionários. Em 1994, o governo do presidente Itamar Franco decidiu pela privatização da Embraer.

Sob controle da iniciativa privada, a empresa teve novos investimentos, o que permitiu o desenvolvimento de aviões mais modernos. Em 1995, voava pela primeira vez o jato regional ERJ-135. Foi o início do crescimento da Embraer no mercado mundial de aviação comercial. A família ERJ incluía mais dois aviões, o ERJ-140 e o ERJ-145, com capacidade para mais passageiros.

A partir de 1999, o portfólio de aviões comerciais ganhou novo impulso com a família dos E-Jets, que inclui os modelos E170, E175, E190 e E195. Com os novos aviões, a Embraer se transformou na terceira maior fabricante aeronáutica do mundo, atrás apenas das gigantes Boeing e Airbus.

Nos últimos anos, a Embraer tem se dedicado ao desenvolvimento da segunda geração dos E-Jets, batizada de E2, com os modelos E175-E2, E190-E2 e E195-E2. Na área de defesa, o principal projeto é o cargueiro militar KC-390, o maior avião já desenvolvido pela Embraer. O primeiro protótipo do avião quase sofreu um acidente em outubro do ano passado, sofreu alguns danos na estrutura, mas já voltou a voar. Agora, está na fase final de testes em voo.

Corrupção e venda para a Boeing

Um dos maiores escândalos da Embraer veio à tona em 2016. A empresa se viu obrigada a pagar uma multa de US$ 206 milhões para encerrar um suposto caso de corrupção que vinha sendo investigado pelas Justiças dos EUA e do Brasil.

As autoridades concluíram que a empresa pagou propina em negociações feitas na Índia, Arábia Saudita, República Dominicana e Moçambique. No ano passado, o ex-diretor Colin Steven se declarou culpado em um tribunal norte-americano.

Desde o final de 2017, a Embraer negocia com a Boeing uma possível venda da empresa brasileira para a fabricante norte-americana. O negócio, no entanto, sofre restrições do governo brasileiro, que tem direito a veto na transferência do controle da Embraer. A principal preocupação está relacionada com a área de defesa.

As duas empresas procuram alternativas para as negociações. Uma das possibilidades é a criação de uma terceira empresa, que ficaria com a área de aviões comerciais.

Veja no álbum de fotos no começo deste texto todos os modelos já fabricados pela Embraer. O álbum tem 35 fotos, mas no total são 46 modelos. É que, em alguns casos, os modelos são muito parecidos, e as legendas se referem às demais versões na mesma foto.

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Acompanhamos a entrega de um avião 0 km da Embraer até a Holanda
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Novo Embraer E175 da KLM chega ao aeroporto de Shciphol, em Amsterdã (Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

A companhia aérea holandesa KLM recebeu na semana passada o 49º e último avião da encomenda que havia feito à fabricante brasileira Embraer. O avião modelo E175 será usado pela subsidiária KLM Cityhopper em rotas regionais dentro da Europa.

Antes de chegar à nova casa, no entanto, o novo avião da KLM teve de fazer uma jornada de dois dias de viagem entre São José dos Campos (97 km a nordeste de São Paulo), sede da fábrica da Embraer, até o aeroporto de Schiphol, em Amsterdã (Holanda), sede da KLM. O blog Todos a Bordo acompanhou o voo do avião até a Europa.

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Com autonomia de 4.074 quilômetros, o Embraer E175 precisa fazer três paradas para reabastecimento antes de completar a viagem de cerca de 9.700 quilômetros. Depois de decolar da fábrica da Embraer, o avião para em Recife (PE), Ilha do Sal (Cabo Verde) e Faro (Portugal).

Um voo sem passageiros

Depois de pronto, o avião sai da fábrica para os primeiros testes em voo. Aprovado pela equipe técnica da companhia aérea e com toda a documentação liberada, os pilotos da empresa têm a missão de levar o avião novinho para casa.

Tripulação e avião com detalhes em laranja em homenagem ao Dia do Rei (Vinícius Casagrande/UOL)

A entrega do último avião da encomenda da KLM junto à Embraer aconteceu exatamente no dia em que a Holanda comemorava o Dia do Rei (28 de abril). Para celebrar a data, o E175 recebeu uma pintura especial, com corações laranja (uma das cores que representam a Holanda) e a inscrição “Regards to the king” (Saudações ao rei).

A tripulação, composta por oito funcionários holandeses da KLM, embarcou no avião pouco antes das 8h, usando camisetas laranja também em homenagem ao rei. No total, eram apenas 12 pessoas (havia também quatro convidados) dentro do avião com capacidade para 88 passageiros.

Por se tratar de um voo especial, a bagagem não é despachada no porão do avião. Mesmo as malas maiores vão dentro da cabine de passageiros. O único detalhe é que elas devem ficar nos últimos assentos do avião. Isso é importante para balancear o peso. Tripulantes e convidados ficam acomodados na parte da frente do avião.

Porta da cabine fica aberta durante o voo

Sem passageiros pagantes a bordo, o clima dentro do avião fica bastante informal. Apesar de ser um avião comercial, o voo de traslado funciona bem mais ao estilo de um jato executivo. Um dos pontos mais curiosos é que a porta da cabine dos pilotos fica o tempo inteiro aberta.

Sem a presença de passageiros, porta da cabine fica sempre aberta (Vinícius Casagrande/UOL)

Após o avião atingir a velocidade e altitude de cruzeiro (cerca de 900 km/h e 10 km de altitude), os quatro convidados do voo (os únicos que não estavam acostumados com essa situação) não resistem em se aproximar para ver bem de perto como é o trabalho dos pilotos durante o voo.

Com o piloto automático ligado, resta aos pilotos apenas monitorarem todos os sistemas do avião, como consumo de combustível, sistemas hidráulico e elétrico e rota percorrida, além de ficarem atentos às comunicações do controle de tráfego aéreo. No lado de fora do avião, o ar calmo deixava o voo ainda mais tranquilo.

Paradas para reabastecimento e descanso da tripulação

Ao pousar em Recife, enquanto o avião é reabastecido, tripulantes e convidados precisam ir até o terminal do aeroporto para fazer o procedimento de saída do país. Apesar de não haver mais nenhum passageiro na área de imigração, o processo demora um pouco mais do que o normal. É que, além de verificar os passaportes, há também os últimos detalhes burocráticos da exportação do avião.

De Recife, o E175 inicia a travessia do oceano Atlântico. O próximo destino é a ilha do Sal, uma das que formam o arquipélago de Cabo Verde. São quase quatro horas de viagem. Para fazer esse trajeto sobre o mar, o avião recebe uma antena de alta frequência HF para comunicação de longa distância. Essa antena é usada somente no voo de entrega e retirada após a chegada a Amsterdã, já que o avião fará apenas voos curtos sobre o continente europeu.

O avião chega à Ilha do Sal já no final da tarde. Logo após o pouso, o Embraer E175 é reabastecido e levado a uma área de estacionamento, onde passará a noite. O avião não segue viagem imediatamente para permitir o descanso dos pilotos. Nos voos regulares de longo alcance, são utilizados três pilotos, que se revezam na cabine de comando. No voo de traslado do novo jato, havia dois pilotos a bordo.

Localizada no meio do oceano Atlântico, a ilha do Sal recebe poucos voos diários. Do Brasil, há um voo semanal saindo de Fortaleza (CE) e Recife (PE) para Cabo Verde. O destino, no entanto, é a cidade de Praia, na ilha de Santiago, e distante a cerca de 250 quilômetros da ilha do Sal.

Último dia da viagem

Depois de uma noite de descanso, o último dia da viagem para a entrega do avião Embraer E175 à KLM começa bem cedo. Às 7h, a tripulação já está pronta para seguir ao aeroporto. Ao chegar à porta do avião, o engenheiro de solo Berny Koomen fica responsável para fazer a inspeção visual em toda a área externa do avião. Ele verifica todas as estruturas do avião, como trem de pouso, motores, asas e fuselagem.

Engenheiro Berny Koomen verifica condições do avião antes da decolagem (Vinícius Casagrande/UOL)

Dentro da cabine de comando, os pilotos holandeses Ronald Vermerris e Thijs v.d. Zanden fazem as programações para o voo. Todo o plano de voo, com a rota a ser seguida, é repassado para o computador de bordo. É ele que vai orientar o piloto automático durante a viagem. Com tudo pronto, o avião decola poucos minutos depois das 8h.

Após cerca de três horas de voo, o E175 faz seu primeiro pouso no continente europeu. A chegada a Faro ocorre por volta das 13h30 no horário local (há duas horas de fuso entre Cabo Verde e Portugal). É a parada mais rápida do trajeto inteiro.

Em Faro, apenas os pilotos descem do avião para acompanhar o reabastecimento do Embraer E175. Enquanto isso, dentro do avião, os demais tripulantes e convidados recebem o almoço (os pilotos também almoçam depois do reabastecimento). Outra raridade que só acontece nesse tipo de voo é você receber o serviço de bordo somente quando o avião está parado no solo.

Depois de uma hora do pouso em Faro, o avião decola para Amsterdã, seu destino final. São mais duas horas e meia de voo. A tripulação já está ansiosa para chegar em casa. No meio do caminho, os pilotos trocam de roupa e, pela primeira vez durante a viagem, vestem o tradicional uniforme. Até então, estavam normalmente vestidos com calça jeans e camiseta.

Os pilotos Ronald Vermerris e Thijs v.d. Zanden na chegada a Amsterdã (Vinícius Casagrande/UOL)

O pouso em Amsterdã acontece às 18h no horário local. Em vez de se dirigir ao terminal de passageiros, o último Embraer a ser incorporado à frota da KLM segue para o pátio de estacionamento dos jatos executivos. Os pilotos se aproximam acenando a bandeira brasileira para os familiares que esperam no terminal VIP. Não há nenhum tripulante brasileiro e a bandeira é uma referência ao país onde o avião foi fabricado.

Primeiro voo comercial ocorre 36 horas depois da chegada

O novo Embraer E175 ficou parado no aeroporto de Amsterdã apenas 36 horas antes de fazer seu primeiro voo comercial com passageiros. Foi o tempo necessário para acertar a documentação e realizar a última inspeção pelos técnicos da KLM.

O primeiro voo do E175 decolou de Amsterdã às 6h50 do dia 30 de abril com destino a Bruxelas (Bélgica), um trajeto de apenas meia hora. Naquele dia, o novo avião fez um total de nove voos, com viagens para Frankfurt (Alemanha), Bremen (Alemanha) e Gdansk (Polônia), além de outro voo para Bruxelas.

Familiares aguardam os tripulantes no pátio do aeroporto (Vinícius Casagrande/UOL)

Preços dos novos Embraer não estão atrativos, diz KLM

A Embraer criou novos modelos de avião que prometem gastar 17,3% menos combustível, mas custam mais caro. Como o preço do petróleo no mercado mundial está baixo, esses novos aparelhos podem ter dificuldade de venda.

A avaliação é do gerente de frota da KLM, Gertjan Lichtenveldt. “Com os valores atuais do petróleo, a economia de combustível não faz tanta diferença e, por enquanto, talvez não compense o investimento a mais para os aviões da nova geração”, diz. A KLM é atualmente a maior operadora de aviões da Embraer na Europa.

Um Embraer E175 custa em torno de US$ 42 milhões (R$ 148 milhões), enquanto o E175-E2 da nova geração sai por volta de US$ 50 milhões (R$ 176 milhões). Outro modelo utilizado pela KLM, o E190 custa cerca de US$ 50 milhões (R$ 176 milhões). O valor do novo E190-E2 sai por volta de US$ 58 milhões (R$ 204 milhões).

(O jornalista viajou a convite da KLM)

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Embraer entrega primeiro avião do modelo E190-E2 a uma companhia aérea
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Embraer E190-E2 durante cerimônia de entrega à companhia Wideroe (Vinícius Casagrande/UOL)

Por Vinícius Casagrande

A Embraer entregou nesta quarta-feira (4) o primeiro avião do modelo E190-E2 para uma companhia aérea. O avião é o primeiro da nova geração de jatos comerciais da fabricante brasileira.

A companhia aérea norueguesa Widerøe foi a escolhida para ser a lançadora do novo modelo. Além do avião recebido nesta quarta-feira, as próximas duas aeronaves a saírem da linha da produção também serão entregues à Widerøe. A companhia fará o primeiro voo comercial com o novo avião no dia 24, na rota entre Bergen e Thonson, ambas na Noruega.

Durante a cerimônia de entrega do novo avião, o presidente da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, afirmou que a nova geração de jatos comerciais é um novo marco na história da empresa. “Hoje entramos em uma nova era na aviação comercial. O E190-E2 é um lindo avião, mas o mais impressionante está onde não se vê, com sua máxima eficiência”, afirma.

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Com capacidade entre 97 e 114 passageiros, o novo E190-E2 recebeu um novo motor e melhorias aerodinâmicas e nos sistemas de controle de voo. As mudanças fizeram com que a nova geração fosse 17,3% mais econômica no consumo de combustível. No início do projeto, a meta da Embraer era gerar uma economia de 16%. “Estamos felizes em superar as nossas próprias expectativas”, afirma Fernando Antonio Oliveira, diretor do programa E2.

Segundo a Embraer, o E190-E2 tem custo por viagem 7% menor do que seu principal concorrente, o Bombardier CS100. No entanto, o custo por assento é 1% maior.

Jato recebe os últimos ajustes antes de ser entregue à companhia norueguesa (Vinícius Casagrande/UOL)

Melhorias aerodinâmicas

A redução do consumo de combustível foi um dos principais objetivos da Embraer na hora de desenvolver uma nova geração de jatos comerciais. Boa parte da economia foi conseguida ao utilizar um novo motor. O modelo utiliza motores da Pratt & Whitney. Somente a troca do motor é responsável por uma economia de 11% de combustível.

Um dos pontos mais comemorados pela Embraer, no entanto, foi o desenvolvimento das novas asas do modelo. Elas receberam um novo desenho e ficaram maiores. Segundo a fabricante, as novas asas permitem uma maior eficiência operacional, que ajuda a economizar combustível.

Na nova geração de jatos comerciais da Embraer, cada avião tem modelos diferentes de asas. Em outras fabricantes, é comum que aviões semelhantes tenham exatamente as mesmas asas. “Projetamos as asas para serem as mais eficientes de acordo com cada modelo”, afirma o diretor do programa E2.

Configuração da cabine de pilotos é bastante semelhante à da geração anterior (Vinícius Casagrande/UOL)

Adaptação dos pilotos e manutenção

A Embraer afirma que a nova geração de jatos comerciais também gera mais eficiência às companhias aéreas por exigir um intervalo maior entre as manutenções obrigatórias. Os aviões da geração E2 podem voar até 1.000 horas antes de fazer as manutenções intermediárias, enquanto o modelo Airbus A320 permite voar até 750 horas.

No caso das companhias aéreas que já têm jatos da Embraer na frota, a adaptação ao novo modelo também poderá ser feita sem a exigência de grandes treinamentos dos pilotos. Segundo a Embraer, os pilotos que já voam aviões da Embraer vão precisar fazer um treinamento de apenas 2,5 dias para se adaptarem à nova geração E2.

“Os pilotos não sentem que é um avião diferente. Podem operar sem um treinamento específico que exija sessões em simuladores de voo. Além disso, podem voar tanto no E1 como no E2”, afirma Oliveira.

Configuração interna segue o padrão 2-2 (Vinícius Casagrande/UOL)

Conforto para os passageiros

O diretor do programa E2 afirmou que uma das preocupações da fabricante no desenvolvimento da nova geração foi com o conforto interno para os passageiros. Uma das exigências das companhias aéreas, segundo Oliveira, era que os aviões mantivessem a configuração 2-2 (sem o assento do meio comum nos aviões da Airbus e da Boeing).

A Embraer apresenta dados de pesquisas feitas pelas companhias aéreas Lufthansa e KLM que apontam que essa é a configuração preferida de seus passageiros. O CEO da companhia norueguesa Widerøe, Stein Nilsen, afirma que isso também pesou na decisão da empresa ao adquirir os aviões brasileiros. “Nossos aviões já têm a configuração de 2-2, e nossos passageiros gostam disso”, diz.

Produção híbrida

Apesar do lançamento da nova geração de jatos comerciais, a Embraer continuará produzindo aviões da antiga geração, pelo menos até atender a todos os pedidos já feitos. Para isso, a fabricante reorganizou toda a sua linha de produção. A Embraer chegou até mesmo a receber uma consultoria da Porsche para decidir o planejamento de fabricação de seus aviões.

As duas gerações de jatos comerciais estarão presentes na mesma linha de produção. No entanto, o processo deles é bem distinto. “Quando a gente olha como o E1 é feito e como é produzido o E2, eles são bastante diferentes”, afirma Daniel Carlos da Silva, gerente sênior de engenheira de produção da aviação comercial da Embraer.

Segundo o diretor do programa E2, a principal diferença está na automação da produção. “O E1 tem 35% de automação, enquanto o E2 chega a 80%”, afirma Fernando Antonio Oliveira.

Novos modelos

Além do E190-E2, a Embraer já está fazendo os testes em voo do E195-E2, o maior avião da nova geração de jatos comerciais, com capacidade entre 120 e 146 passageiros. O primeiro avião do modelo deve ser entregue no próximo ano para a companhia aérea brasileira Azul.

Terceiro membro da família, o primeiro protótipo do E175-E2 deve ficar pronto no próximo ano para iniciar os testes em voo, com a primeira entrega prevista em 2021 para a norte-americana SkyWest. O avião é o menor da família, com capas entre 80 e 90 passageiros.

A Embraer tem a liderança mundial no mercado de jatos comerciais para até 150 passageiros, com participação de 29%. “Precismos defender nossa liderança no mercado. Por isso, decidimos desenvolver o E2”, afirma Oliveira.

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Bombardier Challenger 350 foi o mais vendido em 2017 com 56 entregas (Divulgação)


A entrega de aviões particulares teve uma leve alta no ano passado. Dados da Gama (General Aviation Manufacturers Association), que representa o setor, aponta que a indústria entregou 2.324 aviões novos em 2017, um aumento de 2,5% em relação ao ano anterior.

Entre os jatos executivos, o modelo de maior sucesso foi o canadense Bombardier Challenger 350, que teve 56 unidades entregues. O brasileiro Embraer Phenom 300, que liderou o ranking por quatro anos consecutivos, caiu para a segunda posição, com 54 aviões. Foram nove aviões a menos em relação a 2016. O Phenom 300 está empatado com o norte-americano Cessna Citation Latitude.

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Apesar do aumento de entregas de aviões particulares no último ano, a receita gerada pelas vendas teve queda de 4,2%, passando de US$ 21,1 bilhões (R$ 68,6 bilhões) em 2016 para US$ 20,2 bilhões (R$ 65,7) em 2017. É uma consequência da opção por aviões mais baratos. Os aviões turboélices tiveram queda de 3,3%, enquanto os modelos com motores a pistão cresceram 6,5%.

Os jatos tiveram aumento de 1,3% no número de entregas. O aumento, no entanto, também foi maior entre os modelos mais baratos. Segundo o relatório da Gama, a receita com a venda de jatos executivos teve queda de 3,9% no último ano, passando de US$ 18,7 bilhões (R$ 60,8 bilhões) em 2016 para 17,9 bilhões (R$ 58,2 bilhões) em 2018. Foi o terceiro ano seguido de retração.

Conheças os detalhes dos cinco jatos executivos mais populares do mundo:

1º lugar: Bombardier Challenger 350

Número de entregas em 2017: 56 aviões

Preço do avião: US$ 27 milhões (R$ 87,8 milhões)

Challenger 350 pode voar de São Paulo ou Rio para qualquer ponto da América do Sul (Divulgação)

Líder em número de entregas em 2017, o canadense Bombardier Challenger 350 é um jato executivo com capacidade para até dez passageiros. O avião tem autonomia de voo de 5.926 quilômetros, o que permite voar entre Nova York (Estados Unidos) e Londres (Inglaterra) sem paradas para reabastecimento.

Saindo de São Paulo, o jato pode chegar a qualquer ponto da América do Sul sem escala. Para chegar à Europa ou aos Estados Unidos, o Challenger 350 necessita de apenas uma parada.

O Challenger 350 tem 21 metros de comprimento. A cabine interna é equipada com poltronas individuais e um sofá de três lugares, que pode ser aberto e transformado em cama.

Interior do Bombardier Challenger 350 (Divulgação)

2º lugar: Embraer Phenom 300 (empatado com o Cessna Citation Latitude)

Número de entregas em 2017: 54 aviões

Preço do avião: US$ 9 milhões (R$ 29,2 milhões)

Embraer Phenom 300 foi líder de vendas por quatro anos seguidos (Divulgação)

O Phenom 300 é o jato executivo de maior sucesso da Embraer. Desde 2009, já foram entregues 437 aviões desse modelo. Apesar da queda nos últimos anos, segue como um dos jatos executivos mais populares do mundo.

O jato da Embraer pode levar de seis a dez passageiros, com autonomia de voo de 3.650 quilômetros, o que permite voar de Brasília a Buenos Aires (Argentina) sem escalas. O avião pode atingir até 839 km/h e chegar a uma altitude de 45 mil pés (13.716 metros), com a cabine pressurizada a 6.000 pés (2.000 metros).

Em outubro, a Embraer anunciou que vai redesenhar a cabine e um novo sistema de entretenimento para o Phenom 300. A renovação vai elevar o preço de tabela do avião de US$ 9 milhões (R$ 29,2 milhões) para US$ 9,45 milhões (R$ 30,7 milhões).

Embraer Phenom 300 já teve 437 unidades entregues desde 2009 (Divulgação)

2º lugar: Cessna Citation Latitude (empatado com o Embraer Phenom 300)

Número de entregas em 2017: 54 aviões

Preço do avião: US$ 16,2 milhões (R$ 52,7 milhões)

Entregas começaram em 2015 e Cessna Citation Latitude já chegou à vice-liderança (Divulgação)

O Citation Latitude é o mais recente jato executivo da Cessna. A primeira entrega de um avião do modelo aconteceu em 2015. Nos últimos três anos, já foram entregues 112 aviões. As 54 unidades de 2017 o colocaram no segundo lugar do ranking ao lado do Embraer Phenom 300.

O jatinho da Cessna tem capacidade para até nove passageiros. A cabine interna mede 1,83 m de altura por 1,95 m de largura. O avião tem autonomia de até 5.278 quilômetros e pode chegar a 825 km/h.

O avião pode voar sem escalas de Los Angeles a Nova York (Estados Unidos), de São Paulo a Caracas (Venezuela), ou de Genebra (Suíça) a Dubai (Emirados Árabes Unidos).

Na cabine interna, o jato executivo conta com seis poltronas individuais e um sofá de dois lugares na parte dianteira, além de banheiro e sistema completo de entretenimento.

Citation Latitude pode voar de São Paulo a Caracas, na Venezuela, sem escala (Divulgação)

4º lugar: Bombardier Global 6000

Número de entregas em 2017: 45 aviões

Preço do avião: US$ 62,5 milhões (R$ 203,2 milhões)

Bombardier Global 6000 é o jato executivo mais caro entre os mais vendidos do mundo (Divulgação)

Jato executivo mais caro entre os mais vendidos do mundo, o Bombardier Global 6000 está avaliado em US$ 62,5 milhões (R$ 203,2 milhões). O jatinho pode levar até 17 passageiros com autonomia para voar sem escala de São Paulo até Berlim (Alemanha), Atenas (Grécia) ou Jerusalém (Israel).

A cabine de passageiros do Global 6000 é dividida em três ambientes. O jatinho tem sofás que viram cama e uma área que pode ser fechada e isolada dos demais passageiros. Para os voos longos, há uma cozinha a bordo.

Voltado a grandes empresários, o avião também foi pensado para facilitar o trabalho a bordo, com mesas de trabalho, telefone via satélite e conexão à internet.

Global 6000 pode viajar de São Paulo a Berlim, na Alemanha, sem escalas (Divulgação)

5º lugar: HondaJet

Número de entregas em 2017: 43 aviões

Preço do avião: US$ 4,9 milhões (R$ 15,9 milhões)

HondaJet teve 43 unidades entregues no último ano (Divulgação)

O jato executivo da Honda recebeu no ano passado a certificação da Anac (Agência Nacional de Aviação de Civil) para poder voar com passageiros. No mundo, a primeira entrega de um avião do modelo aconteceu em 2015. Desde então, já foram entregues 68 unidades.

Com capacidade para até seis passageiros, o HondaJet tem uma cabine de passageiros relativamente apertada. São quatro poltronas individuais e, na parte dianteira, um sofá de dois lugares. O Honda Jet tem 13 metros de comprimento. A cabine interna mede 5,43 metros de comprimento, 1,52 metro de largura e 1,47 metro de altura.

O avião tem autonomia de voo para 2.260 quilômetros e pode voar a uma velocidade de até 780 km/h. A temperatura interna, a intensidade da luz e o volume do áudio podem ser controlados diretamente pelo smartphone do passageiro.

HondaJet pode levar até seis passageiros (Divulgação)

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