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Azul compra aviões da Boeing que podem ajudar Correios com compras online
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Boeing 737-400F será usado pela Azul para o transporte de cargas (Adrian Pingstone/Wikimedia)

A Azul vai expandir sua frota de aviões com a aquisição das primeiras aeronaves da Boeing. Atualmente, a Azul tem aviões das fabricantes Embraer, Airbus e ATR. O novo modelo escolhido foi o Boeing 737-400F. Serão dois aviões do modelo para serem utilizados como cargueiros dentro da Azul Cargo Express.

A informação da incorporação dos primeiros aviões da Boeing na frota da Azul foi passada aos funcionários em uma comunicação interna da empresa. A assessoria de imprensa da companhia confirmou a compra ao Todos a Bordo, mas afirmou que outros detalhes só devem ser divulgados na próxima semana.

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“Neste ano, vamos fazer um grande investimento em nossa frota, focando em sua máxima eficiência com aeronaves de última geração: terminaremos o ano com 20 A320neo e 1 A330-900neo [todos da Airbus]. Eles se somarão aos 33 ATRs [da ATR], 63 E-jets [da Embraer] e 7 A330 [da Airbus], totalizando 124 aviões. Além disso, vamos certificar [obter licença de operação] dois novos modelos: o Embraer E2 195 – que começa a chegar em 2019 – e, para deixar nossa frota ainda mais completa, o Boeing 737-400F, que será utilizado como cargueiro pela Azul Cargo Express a partir do segundo semestre”, diz o comunicado interno da empresa.

Parceria com os Correios

Além de atender a demanda da Azul Cargo Express, os dois Boeing 737-400F também poderão ser usados para prestar serviços aos Correios. A empresa afirma, no entanto, que esse não foi o objetivo principal para a compra dos novos cargueiros.

Em dezembro, as duas empresas assinaram um memorando de entendimento para criar uma empresa privada voltada para o transporte de produtos vendidos pela internet. A nova empresa terá participação de 50,01% da Azul e 49,99% dos Correios. A parceria ainda precisa ser aprovada por órgãos e instâncias competentes. Somente após esse aval, a nova empresa será criada.

A Azul tem voos de passageiros para mais de cem cidades do Brasil. No anúncio do acordo com os Correiros, a empresa afirmou que usaria o espaço do compartimento de cargas de seus aviões para o transporte dos produtos dos Correios. Na época, o fundador da Azul já cogitava também a aquisição de novos aviões cargueiros.

Nesta semana, a Azul divulgou que pretende ampliar sua malha aérea para atender mais 33 cidades nos próximos anos, como Guarujá (SP), Macaé (RJ), Caruaru (PE), Barretos (SP) e Guarapuava (PR). Para 2018, o plano é ter entre oito e dez novos destinos. Para incluir todas as cidades, no entanto, ainda é necessária a adequação da infraestrutura aeroportuária.

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Boeing Air Transport foi criada para o transporte dos correios (Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

Maior fabricante mundial de aviões, a Boeing também já teve a sua própria companhia aérea. Em janeiro de 1927, de olho em contratos do governo dos Estados Unidos para o transporte de carga dos correios, o fundador da empresa, William Boeing, criou a Boeing Air Transport, com sede em Chicago.

Em maio do mesmo ano, a nova empresa ganhou a concorrência para operar a rota entre San Francisco e Chicago. Na época, o valor pago pelos correios era de US$ 6,36 por quilo de carga transportada. A contratação de uma empresa particular custava metade do que os correios gastavam para fazer o transporte por conta própria.

O primeiro voo oficial da Boeing Air Transport aconteceu em 1º de julho de 1927. Na cerimônia inaugural, a mulher de William Boeing, Bertha, foi a responsável por batizar o avião antes de decolagem.

O ato aparentemente simples causou forte polêmica na época. É que vigorava a Lei Seca nos Estados Unidos, que proibia fabricação, transporte e venda de bebidas alcoólicas. No entanto, a imprensa da época nunca chegou a uma conclusão definitiva se foi usada champanhe ou um tipo de suco de laranja efervescente. Segundo o historiador da Boeing Mike Lombardi, Bertha tinha a convicção de que tinha champanhe em suas mãos.

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Antes de o primeiro voo da Boeing Air Transport decolar, o fundador da empresa ainda fez questão de ele mesmo receber a primeira mala das mãos do carteiro James E. Power e embarcá-la no avião.

O avião escolhido

William Boeing escolheu o avião Model 40A para cumprir as rotas da nova companhia aérea. O modelo foi o primeiro avião comercial da Boeing a fazer sucesso, já que era mais econômico e podia transportar mais carga e passageiros que seus concorrentes da época.

Para equipar a nova companhia aérea, a Boeing produziu 25 aviões do modelo, que foram entregues em apenas 40 dias. O Model 40A era um biplano, com capacidade para o piloto, dois passageiros e o compartimento de cargas.

O Model 40A não tinha condições de fazer um voo direto entre San Francisco e Chicago. Durante a viagem, o avião teve de fazer diversas paradas para reabastecimento e até troca dos pilotos. O primeiro voo aterrissou em Chicago somente na manhã do dia seguinte, mas dentro do horário previsto.

A primeira passageira

O voo de retorno teve um marco histórico tanto para a Boeing Air Transport como para toda a aviação. Ao decolar de Maywood, próximo a Chicago, o Model 40A levava a bordo a repórter do jornal “Chicago Herald and Examiner” Jane Eads, de 21 anos. Ela foi a primeira passageira da empresa e esse foi o primeiro voo transcontinental de uma companhia aérea de transporte de passageiros.

A viagem até San Fracisco durou cerca de 24 horas.

Em seu artigo, segundo o historiador da Boeing, Jane Eads teria relatado o desconforto de voar em aviões pequenos, com diversas paradas e com troca de aeronaves. Por outro lado, a repórter teria se encantando com o visual da viagem a 3 quilômetros de altitude e viajando a 160 km/h.

Aquisições e divisão da empresa

Em apenas seis meses de operação, a Boeing Air Transport já havia recuperado todo o investimento inicial feito por William Boeing. Nesse período, a companhia aérea transportou 525 passageiros e voou mais de 575 mil quilômetros, sem registrar nenhum incidente.

O fundador William Boeing continuava seus planos ambiciosos de expansão e se juntou a Fred Renschler, da Pratt & Whitney, para a aquisição de outras fabricantes de aviões e companhias aéreas. Surgia, assim, a United Aircraft and Transport Corporation, com a sigla UATC.

Os negócios iam bem, mas em 1934 a empresa foi obrigada a ser dividida em três partes e vendidas para grupos diferentes por conta do escândalo do correio aéreo de 1930. Após várias investigações, o governo cancelou todos os contratos e proibiu que fabricantes de aviões também fossem donos de companhias aéreas. As três empresas sobrevivem até hoje com os nomes de The Boeing Company (fabricante de aviões), United Technology (dona da marca Pratt & Whitney, fabricante de motores de aviões) e United Airlines (terceira maior companhia aérea do mundo).

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