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Caça da Boeing que faria Brasil-Japão em 3h só será viável em 10 a 20 anos
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Conceito do novo caça hipersônico, que poderá atingir 6.120 km/h (Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

A Boeing iniciou os estudos para o desenvolvimento de um novo caça hipersônico, capaz de voar a cinco vezes a velocidade do som, o equivalente a 6.120 km/h. O novo avião, no entanto, ainda deve demorar de 10 a 20 anos para se tornar viável, afirmou a Boeing em comunicado enviado ao blog Todos a Bordo. Caso realmente seja desenvolvido, o novo caça deverá ser o avião mais rápido já produzido na história da aviação.

Teoricamente conseguiria viajar entre São Paulo e Tóquio (Japão) em três horas. A fabricante norte-americana, no entanto, ainda não divulgou qual seria a autonomia de voo do avião em velocidade hipersônica nem se ele seria capaz de voar por três horas a essa velocidade.

O projeto do caça hipersônico foi apresentado no início do mês durante o fórum do Instituto Americano de Aeronáutica e Astronáutica, realizado em Orlando, nos Estados Unidos. “Recentemente, desenvolvemos o design conceitual de uma aeronave de demonstração hipersônica. Uma versão operacional do conceito de aeronave poderia ser usada para inteligência, vigilância, reconhecimento e missões de ataque”, afirma a empresa.

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A Boeing tem investido em novas tecnologias para desenvolver o caça hipersônico, especialmente em questões aerodinâmicas e no funcionamento dos motores para conseguir atingir velocidades cinco vezes maior que a do som. Na parte aerodinâmica, por exemplo, as principais mudança estão no desenho da fuselagem, das asas e da cauda do avião.

“Vemos a forma da fuselagem sendo projetada com ângulos de baixo impacto. As asas e as caudas terão bordas de ataque que avançarão em direção ao trecho traseiro do veículo em ângulos relativamente grandes. Ambas as características reduzem o arrasto aerodinâmico [resistência do ar]”, diz a empresa.

Motores inovadores

A Boeing também trabalha em um sistema de funcionamento dos motores chamado de ciclo combinado baseado em turbina (TBCC). O novo conceito abandona a propulsão baseada em foguete para utilizar motores scramjet, que permite funcionar em velocidades hipersônicas.

Com isso, no estágio inicial do voo, os motores usariam o sistema tradicional de turbinas. Após atingir a velocidade do som, o avião adotaria um sistema que trabalha com o ar a velocidades supersônicas dentro do motor do avião. Na desaceleração para o pouso, o caça voltaria a usar o sistema tradicional de turbinas.

A Boeing já fez testes com esses novos motores. “Embora o voo hipersônico inicial fosse alimentado por propulsão de foguete (por exemplo, X-15 e Space Shuttle), as tecnologias hipersônicas modernas, como motores scramjet e materiais avançados de alta temperatura, amadureceram ao ponto de terem voado no X-43 (veículo espacial) e o X-51 (aeronave experimental de teste)”, afirma.

Ainda não há dinheiro disponível

Uma imagem divulgada pela própria Boeing mostra como deverá ser o novo avião. No entanto, apesar dos avanços nas pesquisas, ainda não há recursos disponíveis dentro da empresa para a criação do caça hipersônico. A empresa ainda estuda novas tecnologias que poderão ser agregadas ao projeto.

“Um demonstrador de avião hipersônico reutilizável não está sendo construído atualmente e não há planos concretos ou recursos alocados para fazê-lo, mas continuamos buscando mais oportunidades de pesquisa junto a agências parceiras a fim de avançar no design e nas tecnologias que darão origem a um eventual demonstrador de aeronave hipersônica reutilizável. Seria prematuro especular quando um veículo de voo hipersônico operacional poderá se uma tornar realidade, mas é justo dizer que poderia ser viável dentro de 10 a 20 anos”, diz a Boeing.

A Boeing já teve um avião experimental não-tripulado que superou em 5,1 vezes a velocidade do som (6.242 km/h). O X-51 Waverider foi lançado de um caça bombardeiro B-52 Stratofortress e voou a essa velocidade por 3,5 minutos antes de cair no mar já sem combustível.

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Primeiro combate aéreo dos EUA foi para caçar revolucionário estrangeiro
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Oito aviões Curtiss JN-3 foram utilizados na “expedição punitiva” (Foto: Biblioteca do Congresso)

Por Vinícius Casagrande

A primeira missão de combate aéreo da história dos Estados Unidos aconteceu no dia 19 de março de 1916 e foi uma caçada a um revolucionário estrangeiro. Era um domingo à tarde quando oito aviões biplanos Curtiss JN-3 decolaram da base militar de Columbus, no Estado do Novo México, para uma caçada ao líder revolucionário mexicano Francisco Pancho Villa.

O Primeiro Esquadrão Aéreo, também conhecido como Primeiro Esquadrão de Reconhecimento, havia sido criado três anos antes por ordens do então presidente William Taft. Até então, os aviões eram utilizados somente para treinamento e missões de reconhecimento e entrega de mensagens.

A primeira missão militar foi determinada depois de Pancho Villa entrar no território norte-americano e atacar a cidade de Columbus. A ação deixou 18 americanos mortos. No confronto, os militares dos Estados Unidos mataram cerca de 70 homens do bando de Pancho Villa. O líder revolucionário, no entanto, conseguiu escapar e fugir de volta para o México.

Foi, então, que o presidente norte-americano Woodrow Wilson resolveu colocar o esquadrão aéreo em ação. Chamada de “expedição punitiva”, a primeira missão de combate aéreo dos Estados Unidos tinha como objetivo capturar Pancho Villa vivo ou morto.

Pane após a decolagem

A missão aérea teve início em 19 de março de 1916 e enfrentou problemas logo nos primeiros minutos. Instantes após a decolagem dos oito aviões Curtiss JN-3, uma das aeronaves apresentou problemas no motor e teve de retornar à base em Columbus.

Os problemas mecânicos, aliás, eram uma constante. Após um mês da “expedição punitiva”, apenas dois aviões permaneciam em atividade. E, ainda assim, não conseguiam cumprir com êxito a missão para a qual haviam sido designados.

Aviões sofriam panes constantes durante a missão militar (Foto: Biblioteca do Congresso)

Baixa altitude de voo

Pioneiros, os aviões Curtiss JN-3 tinham diversas limitações operacionais. O principal problema para a caçada a Pancho Villa, no entanto, estava na altitude máxima de voo, que não era suficiente para que os aviões pudessem sobrevoar as diversas montanhas da região. Era exatamente no alto de um desses picos montanhosos, a Sierra Madre, que Pancho Villa se escondia.

As más condições do clima e os ventos fortes dificultavam ainda mais a missão para os Curtiss JN-3. A situação era tão crítica que o capitão do Primeiro Esquadrão Aéreo norte-americano, E.B. Foulois, chegou a afirmar que “nossos aviadores estão encontrando diariamente condições que nenhum piloto jamais enfrentou”.

Apesar das dificuldades, a “expedição punitiva” prosseguiu com apoio aéreo durante quase um ano, mas os pilotos norte-americanos nunca encontraram o paradeiro de Pancho Villa. O revolucionário foi morto em uma emboscada em 23 de julho de 1923.

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