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País tem relatos de óvnis desde 1950, incluindo 'noite dos discos voadores'

Alexandre Saconi

30/11/2018 04h00

Já faz mais de 30 anos, mas até hoje não se sabe bem o que aconteceu nos céus do Brasil na noite de 19 de maio de 1986, conhecida como "noite oficial dos óvnis".

Pilotos, controladores de voo e operadores de radar relataram ter observado objetos que voavam em rotas aéreas em São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro e Paraná. Foram classificados como óvnis (objetos voadores não identificados). Sempre que um aviador tentava se aproximar, as luzes fugiam, segundo os relatos.

Ademar José Gevaerd, editor da revista "UFO" (sigla corresponde a óvni, em inglês), diz que o episódio é um marco até hoje. "Foi um dos mais importantes eventos ufológicos do país e está na lista dos dez mais importantes do mundo. Foram inúmeros pilotos e militares treinados que participaram das perseguições aos UFOs e os rastrearam em radares de bordo e de terra", disse.

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Registros desde os anos 1950

O episódio está longe de ser o único registro de óvnis no Brasil. O Arquivo Nacional contabiliza mais de 700 aparições no país, registradas oficialmente pela Aeronáutica pelo menos desde a década de 1950.

O caso mais antigo no banco de dados do governo federal data de 1952, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Diversas fotos mostram um objeto arredondado similar a um pires ou aos discos voadores vistos em filmes (veja no álbum acima).

O registro mais recente é de 2016 e consiste em fotos e um questionário respondido por um piloto militar da FAB (Força Aérea Brasileira).

Caças perseguiram luzes por 4 horas

Os primeiros relatos da noite conhecida como "noite oficial dos óvnis" foram feitos pelo controlador de voo Sérgio Mota da Silva, que disse ter detectado pontos luminosos no céu e, em seguida, na tela do radar da torre de controle do aeroporto de São José dos Campos (SP).

Em seguida, pilotos também passaram a relatar informações semelhantes. Um deles foi Alcir Pereira da Silva, que voava pela rota dos objetos levando a bordo o coronel Ozires Silva, cofundador da Embraer.

O UOL procurou o controlador de voo e o coronel Silva, mas eles não quiseram dar entrevista.

Os relatos registrados na época descreviam os objetos como de cor predominante vermelha e com alterações para amarelo, verde e alaranjado.

Como os pontos luminosos também foram detectados pelo radar e poderiam colocar em risco a navegação dos aviões na região, foram acionados caças F-5 e Mirage, partindo do Rio de Janeiro e de Anápolis (GO), para acompanharem as luzes de perto. Foram cerca de quatro horas de "perseguição", segundo os registros.

Um dos pilotos das aeronaves interceptadoras descreveu o que via como um objeto que emitia forte luz branca, a uma altitude de cerca de 5 quilômetros. O piloto, diz o relato, acompanhou o objeto até uma altitude de 10 quilômetros, quando sua cor mudou para vermelha, depois para verde, e para branca mais uma vez, permanecendo assim.

"Bem-vindos ao festival dos discos voadores"

Visivelmente impressionado, em um momento das gravações, o controlador de voo Sérgio Mota da Silva diz: "Brasília? Boa noite e bem-vindos ao festival dos discos voadores! Tá uma loucura isso aqui, cara!".

O mesmo tipo de relato sobre pontos luminosos ocorreu também em outros estados brasileiros nessa noite, até que as luzes sumiram definitivamente dos radares e da vista dos pilotos.

Ouça os relatos da noite de 19 de maio de 1986

O controlador de voo Sérgio Mota disse ao comando em Brasília que um piloto havia visto um objeto acompanhar o avião com movimentos sincronizados.

Mota relata o momento em que o óvni some e aparece de novo: "Pô, cara, ele é bonito, rapaz."

"Com toda segurança, vi umas três ou quatro vezes esses objetos com uma certa clareza", disse o controlador de voo.

Visivelmente impressionado, Mota contata Brasília com o cumprimento "boa noite e bem-vindos ao festival dos discos voadores".

Abaixo, ouça as gravações na íntegra:

Velocidade, altitude, cor e aceleração

O relatório final de ocorrências, apresentado à época ao Ministério da Aeronáutica, reunia as seguintes informações sobre os objetos:

  • Sua altitude oscilava entre menos de 1,5 km e mais de 12 km
  • Eram visualizados pelos pilotos devido às cores branca, verde e vermelha, mas também se movimentavam com as luzes apagadas
  • Eram capazes de acelerar e desacelerar de maneira brusca

Relatório admitia possibilidade de "inteligência"

O relatório concluiu a possibilidade de haver inteligência por trás daqueles objetos. "Como conclusão dos fatos constantes observados, em quase todas as apresentações, este Comando é de parecer, que os fenômenos são sólidos e refletem de certa forma inteligência, pela capacidade de acompanhar e manter distância dos observadores como também voar em formação, não forçosamente tripulados."

Gevaerd, da revista "UFO"", diz que "o mais impressionante foi que, no dia seguinte ao evento, estes militares foram reunidos pelo brigadeiro Octávio Moreira Lima, então ministro da Aeronáutica, e puderam contar à imprensa tudo o que ocorreu. Isso é algo inédito e único até hoje no mundo".

Relatos de óvnis no Pará e no litoral de SP

Quando um objeto voador não identificado é avistado no Brasil, a Aeronáutica registra o relato e analisa os possíveis impactos para a navegação aérea. Após um período, estes registros são entregues ao Arquivo Nacional, que mantém um acervo dedicado a todas estas aparições. Veja outros casos relatados:

  • Operação Prato: Habitantes de Ananindeua, Belém, Colares e Mosqueiro, no Pará, disseram que foram atacados por "raios luminosos" que partiram do céu, em 1977. Procuravam ajuda médica relatando anemia, febre e tontura, além de marcas de queimaduras. Os "raios luminosos" foram chamados de "luz vampira". Realizada pela Aeronáutica, a Operação Prato mobilizou soldados, que utilizavam binóculos, câmeras e filmadoras, para investigar os fenômenos. Após um longo período de observações, as investigações foram encerradas sem que houvesse um relatório de conclusão.
  • Forte de Itaipu: Em 1957, soldados da guarda do forte, localizado no município de Praia Grande (SP), teriam observado um objeto circular de 30 metros de diâmetro descendo do céu em alta velocidade e parando a cerca de 300 metros de distância do local onde os sentinelas estavam. Nesse momento, os soldados dizem ter ouvido um forte zumbido e sentido uma onda de calor, que teria queimado suas roupas. As Forças Armadas não divulgaram um relatório conclusivo sobre o episódio.

Arquivo Nacional reúne documentos

Para ter acesso a todo o conteúdo disponibilizado pela Aeronáutica, acesse o site do Sistema de Informações do Arquivo Nacional, faça um cadastro, vá em favoritos e, em seguida, clique em "Objetos Voadores Não Identificados". Lá, é possível encontrar áudios, relatórios, imagens e dossiês de todos os registros de aparições de óvnis feitos até hoje no Brasil.

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