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Manutenção e clima causam até 40 trocas de aviões por dia numa só empresa

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01/08/2018 04h00

Pátio do aeroporto de Viracopos, em Campinas, com aviões da Azul (Foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

Basta um avião apresentar algum problema técnico, um aeroporto fechar por conta do clima ruim ou algum tripulante ficar doente que grande parte dos voos de uma companhia aérea pode ser afetada em um efeito cascata. Para evitar que isso aconteça, as empresas precisam agir rapidamente no replanejamento da malha aérea.

A organização de qual avião fará cada voo é feita com uma semana de antecedência pelo departamento de planejamento de voo das companhias. Na hora de colocar o plano em prática, no entanto, raramente esse planejamento consegue ser seguido à risca.

Um avião, por exemplo, pode decolar do Rio de Janeiro no início da manhã com destino a Brasília. De lá, fazer outro voo com destino a Belo Horizonte para depois ir a São Paulo, Porto Alegre e voltar ao Rio de Janeiro. Nesse exemplo hipotético, se logo pela manhã o Rio de Janeiro estiver com uma forte neblina que impeça a decolagem, todos os voos do dia poderão sofrer com atrasos.

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Em alguns casos, o avião pode ter de parar também para realizar algum tipo de manutenção. Pode ser desde um problema no banheiro da aeronave, uma falha no sistema de entretenimento ou até mesmo algo mecânico.

"Se o avião tiver um problema no sistema de TV ao vivo, por exemplo, é uma questão de conforto do passageiro, e não colocamos para fazer voos longos. Nesse caso, trocamos por outro avião que está com o sistema funcionando. Até corrigir o problema, o avião só fará voos curtos", afirma Carlos Pellegrino, diretor do CCO (Centro de Controle Operacional) da Azul.

Todos os dias, a Azul, por exemplo, tem cerca de 820 voos. Para realizar todas as viagens, a empresa conta atualmente com 122 aviões de quatro modelos diferentes. Em média, cada avião faz mais de seis voos por dia. Mas nove aviões ficam apenas de reserva para atender aos imprevistos diários, sendo quatro ATR 72, três Embraer 195, um Airbus A320 e um Airbus A330, que ficam espalhados pelo país.

Quando um avião apresenta um problema ou não consegue decolar de um determinado aeroporto por conta do clima, o avião reserva pode ser acionado para fazer vários voos no dia e evitar outros atrasos na malha da empresa. O diretor do CCO (Centro de Controle Operacional) da Azul afirma que, em média, entre 30 e 40 voos decolam com aviões diferentes do que havia sido planejado.

Nem todas as trocas de aviões precisam utilizar os aviões reservas. Quando um avião precisa de uma manutenção simples, ele pode ser substituído por outra aeronave que faria uma parada mais longa em determinado aeroporto. Com a manutenção finalizada, ele pode voltar a voar nas rotas que estavam originalmente programadas para o avião que o substituiu.

Centro de Controle Operacional da Azul (Vinícius Casagrande/UOL)

Centro de Controle Operacional

O trabalho de acompanhamento de todos os voos e da situação de cada avião da Azul é feito em uma sala no 10º andar de um edifício comercial de Alphaville, na região metropolitana de São Paulo. É ali que fica o Centro de Controle Operacional da companhia. O local está a 88 quilômetros do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), onde empresa tem o maior número de voos.

O CCO da Azul é dividido em quatro aéreas:

– Coordenação de voo: responsável por determinar qual avião fará cada voo.

– Manutenção: serviço de auxílio aos mecânicos da empresa. Quando um avião apresenta algum problema, os mecânicos que trabalham nos aeroportos podem solicitar ajuda de técnicos que estão no CCO da empresa. Esse auxílio pode ser uma orientação de como resolver um problema ou mesmo o envio de uma equipe técnica até o local onde o avião está parado.

– Escala de voos: organiza os tripulantes de cada voo. Na Azul, são cerca de 1.800 pilotos e 3.600 comissários de bordo. Os tripulantes recebem a escala do mês seguinte por volta do dia 15. Quando um piloto ou um comissário fica doente e não pode voar, a escala precisa acionar um tripulante que está de reserva ou sobreaviso para ocupar o lugar.

– Despacho operacional de voo: faz os cálculos de peso do avião, quantidade de combustível para o voo, planejamento da rota e fornece informações meteorológicas aos pilotos.

"Nosso trabalho é fazer o controle de todos os voos e garantir a pontualidade e a segurança da companhia fazendo todos os ajustes no dia a dia", afirma o diretor do CCO da Azul.

Mais combustível e menos desvios de voos

Uma das ações mais recentes do CCO foi a instalação, no final de 2016, de uma central de informações meteorológicas. A área do despacho operacional de voo recebe dados de diversas centrais meteorológicas. Depois de compilar as informações, os técnicos avaliam quais voos podem ser afetados pelas más condições do clima.

"Quando a gente verifica que um aeroporto pode fechar temporariamente por conta de uma chuva forte, mas passageira, o avião já decola com combustível extra. Não temos como precisar o minuto exato da chuva, mas se acontecer quando o avião estiver chegando, ele pode esperar o tempo melhorar sem precisar fazer um pouso em outro aeroporto para reabastecer", afirma Pellegrino.

Segundo o diretor do CCO da Azul, após a instalação de central de informações meteorológicas, a companhia já reduziu em 39% a quantidade de voos alternados (quando o avião precisa pousar em um aeroporto diferente do destino final da viagem).

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Sobre o blog

Todos a Bordo é o blog de aviação do UOL. Aqui você encontra notícias sobre aviões, helicópteros, viagens, passagens, companhias aéreas e curiosidades sobre a fascinante experiência de voar.