Todos A Bordo

Crise afeta até milionários, que agora compram jatinho menor, de US$ 20 mi

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O jato executivo Legacy 500, da Embraer (foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

Os grandes jatos executivos, capazes de fazer viagens intercontinentais sem escala, estão perdendo espaço em todo o mundo. Um levantamento da consultoria Gama Aero aponta que nos últimos dois anos houve uma queda de 29,3% no número de entregas mundiais de jatos grandes. Por outro lado, os jatos executivos médios tiveram um crescimento de 22,3%.

Nos últimos anos, a venda dos jatos grandes costumava ser maior do que a dos aviões executivos médios. Em 2016, no entanto, esse cenário se inverteu.

Jatos grandes:

2014 – 317 unidades

2015 – 290 unidades

2016 – 224 unidades

Jatos médios:

2014: 188 unidades

2015: 224 unidades

2016: 230 unidades

Um avião médio custa menos de um terço de um jato grande. Um jato executivo de grande porte como o Bombardier Global 6000, por exemplo, custa US$ 62,5 milhões (R$ 197 milhões), enquanto um Embraer Legacy 500 tem o preço de US$ 20 milhões (R$ 63 milhões) e um Cessna Citation Latitude custa US$ 16,3 milhões (R$ 51,2 milhões).

Outro ponto avaliado por empresários na hora da aquisição ou troca de um jato executivo está relacionado aos custos operacionais de um determinado modelo. Dados da consultoria Conklin & de Decker mostram que o custo da hora de voo no Legacy 500 é de US$ 2.400 (R$ 7.500), valor que sobe para US$ 3.900 (R$ 12.300) no Global 6000.

Aviões menores para destinos mais curtos

Na hora de comprar um jato executivo, o tamanho da viagem também deve ser considerado. Para o diretor de vendas da Embraer, Gustavo Teixeira, é nessa questão que os jatos médios têm ganho espaço no mercado.

Para o executivo da fabricante brasileira, na época de forte crescimento econômico, muitos empresários precisavam de aviões maiores. Com a crise e a diminuição de viagens longas, essas aeronaves ficaram acima das necessidades. Na hora de substituir os aviões utilizados, está sendo feita essa readequação.

“Para os empresários que tinham necessidade de deslocamento contínuo até o Oriente Médio e a China, com o cenário econômico e a mudança no perfil de voo, não adianta ficar carregando uma aeronave grande e com custo operacional elevado para fazer voos nacionais. E aí se faz o movimento adequado com o avião que atende melhor às suas necessidades”, afirma.

Turboélice Beechcraft King Air (foto: Divulgação)

Brasil tem preferência por jatos pequenos e turboélices

O mercado brasileiro de jatos executivos conta com cerca de 750 aviões, o segundo maior do segmento, atrás apenas dos Estados Unidos. Entre os jatos, o modelo de maior sucesso no Brasil é um avião da categoria leve, o Embraer Phenom 100. São 93 unidades do modelo no país.

Dentro da aviação executiva brasileira, no entanto, o que se destaca mesmo são aviões turboélices, com cerca de 1.700 aviões voando no país. Entre os turboélices, o líder é o Beechcraft King Air, com cerca de 700 unidades.

Essa preferência por jatos menores e turboélices é consequência do perfil da economia e infraestrutura brasileira e da forte presença do agronegócio. Para pousar em aeroportos pequenos ou mesmo em pistas de terra de fazendas, os turboélices são mais indicados.

Depois da forte retração dos últimos anos, o diretor comercial da TAM Aviação Executiva, Rafael Mugnaini, avalia que o mercado está se aquecendo novamente. “A percepção é que hoje os aviões estão voando menos, até por uma questão de economia. Mas vejo uma retomada das vendas, não como há dez anos, mas com crescimento. Este ano já está melhor e deve melhorar mais em 2018”, afirma.

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