Todos A Bordo

Lixeira de bordo da USP leva R$ 50 mil
em prêmio de inovação da Airbus

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Crédito: Divulgação

O carrinho é 30 kg mais leve e viabiliza a reciclagem de copos, garrafas e latas. (Imagem: Divulgação)

Um grupo com cinco estudantes da graduação em design da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) faturou o prêmio de € 15 mil (R$ 51.390,00) no campeonato de inovação Fly Your Ideas, promovido em Hamburgo, na Alemanha, pela Airbus, em parceira com a Unesco. A cada dois anos, o concurso desafia jovens do mundo inteiro a reinventar produtos e serviços da aviação. A equipe da USP desenvolveu um carrinho para separação e compressão de materiais recicláveis durante a coleta do lixo no avião. Os brasileiros eram os únicos graduandos de design entre as cinco equipes, compostas majoritariamente por estudantes e pós-graduandos de engenharia.

Para a edição deste ano, foram mais de 518 projetos inscritos, de 3,7 mil estudantes e 104 países. A equipe brasileira ficou em segundo lugar. O prêmio principal, de € 30 mil (R$ 102.779,00), foi entregue a uma equipe composta por estudantes indianos. Eles representavam a Universidade de Tecnologia Delft, da Holanda, e se comunicaram apenas por teleconferência ao longo de todo o processo.  O grupo só se conheceu pessoalmente dias antes da premiação, em Hamburgo. O Multifun, nome do projeto vencedor, propõe a geração de energia a partir da vibração das asas do avião durante turbulências. Por meio do sistema, a energia armazenada poderia abastecer os sistemas de iluminação e entretenimento da aeronave.

O carrinho Retrolley , da equipe brasileira, foi criado em 2013 pelos estudantes Denise Ikuno, Liana Maki, Lucas Neumann, Lucas Otsuka e Tadeu Omae, que hoje têm entre 23 e 25 anos. Era um trabalho da disciplina de projeto e engenharia de produto, ministrada pelos professores Fausto Leopoldo Mascia (Poli-USP) e Robinson Salata (FAU-USP). A lixeira seletiva foi concebida para reduzir drasticamente o volume de metal, papel e plástico, além de armazenar fluidos residuais. A solução ocupa metade do volume (120 litros, em vez de 240 litros) e é 30 quilos mais leve que o equipamento tradicional. E, como se sabe, peso e espaço são variáveis-chave para a aviação.

Atualmente, o lixo recolhido nos voos comerciais do mundo todo mistura alimentos, recipientes e embalagens arbitrariamente, o que inviabiliza a reciclagem. Nessas condições, cerca de 1.300 toneladas de lixo são incineradas em solo, todos os anos, pelas companhias aéreas.

Crédito: arquivo pessoal

Lucas N., Lucas O., Liana, Tadeu, Denise e o professor Fausto, em Hamburgo.  (Foto: Arquivo Pessoal)

Trazidas a Hamburgo dias antes do campeonato, as equipes passaram por treinamentos para aperfeiçoar seus projetos e, em especial, para apresentá-los em inglês ao público e ao juri, no dia 27 de maio.

Essa é a segunda vez consecutiva que o Brasil se classifica para uma final do evento. Há dois anos, a equipe Levar, também da USP, ficou em primeiro lugar, com um sistema de carregamento e descarga de bagagens que reduzia a carga de trabalho dos funcionários, por meio de uma solução com estofamento a ar. De acordo com o professor Fausto, que também acompanhou o grupo anterior, a equipe vencedora conseguiu registrar a patente do projeto no segundo semestre de 2014, com o apoio técnico do escritório de inovação da USP. Os criadores do carrinho Retrolley pretendem iniciar o processo assim que retornarem ao Brasil.

Leandro Quintanilha (leandroq@gmail.com) – O repórter viajou para Hamburgo a convite da Airbus.