Todos A Bordo

Tem medo de voar? Veja conselhos
médicos para enfrentar a fobia

Todos a Bordo

Tarja preta: antidepressivos e calmantes só podem ser comprados com receita

Tarja preta: remédios psiquiátricos só podem ser comprados com receita e não devem
ser compartilhados com amigos ou parentes. (Foto: Benjamin Miller/FreeRangeStock)

Muita gente tem medo de voar e os avisos de segurança que antecedem a decolagem não são lá muito apaziguadores. Logo no começo da jornada, o passageiro precisa considerar a possibilidade de despressurização da aeronave ou de pouso na água, entre outros cenários hostis. Por sorte, há medicações que podem atenuar o sofrimento de pessoas mais sensíveis à situação, desde que devidamente prescritos por um médico.

O psiquiatra Ezequiel José Gordon, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, explica que fobia é um medo acentuado, por vezes desmedido, que uma pessoa sente em uma determinada situação ou mesmo na previsão de que ela venha a acontecer. O genérico “medo de voar” contempla anseios diferentes, que variam de pessoa para pessoa, como explica o médico. “Há os que temem um acidente, aqueles que se sentem claustrofóbicos dentro do avião, os que têm medo de altura, os que receiam passar mal durante o voo e aqueles que se sentem desamparados em viagens, entre outros.”

Mas como saber se o medo que você sente é grave o suficiente para que procure um médico e use algum tipo de medicação? “O passageiro deve consultar um profissional quando o medo que sente interfere em seu cotidiano e/ou provoca uma ansiedade antecipatória considerável”, orienta Gordon. Numa conversa com um especialista, será possível averiguar a gravidade dos sintomas para uma possível prescrição.

Marília Queiroz Foloni, psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein, também de São Paulo, explica que há dois tratamentos medicamentosos possíveis para quem tem fobia de voar: antidepressivos e ansiolíticos (calmantes). Isso porque as fobias estão dentro do espectro dos transtornos ansiosos, tratados com a mesma classe de medicamentos que combate a depressão.

Contudo, os antidepressivos precisam de semanas para fazer efeito e só fazem sentido, nesses casos, caso haja uma antecedência razoável entre o início do tratamento e a data da viagem. Há de se lembrar que os antidepressivos não causam dependência, mas o uso desses medicamentos não pode ser interrompido repentinamente.

Os ansiolíticos, por sua vez, têm efeito imediato e são ideais para fóbicos com viagens próximas. O fato, contudo, é que podem causar dependência, quando mal administrados. Por isso, os médicos não costumam receitá-los por longos períodos. Os calmantes também potencializam o efeito do álcool – isso significa que, se o passageiro beber durante o voo, pode ficar bêbado mais rapidamente ou mesmo chegar sedado ao destino.

Uso individual

Tanto antidepressivos como ansiolíticos só podem ser comprados em farmácias mediante a apresentação de receita especial. Foloni também ressalta que compartilhar remédios com parentes e amigos pode ser perigoso. “É muito importante que o tratamento seja individualizado – o que ajuda uma pessoa pode fazer mal a outra.”

A longo prazo, um tratamento psicoterapêutico também pode ajudar. A psicanálise e a terapia cognitivo-comportamental são vertentes que podem ser especialmente úteis nesse processo, indica Gordon. “Quando o indivíduo consegue resolver a questão que causa a sua fobia, ela perde o sentido e os sintomas tendem a desaparecer.” E psicoterapia, de uma forma geral, é uma busca pelo sentido daquilo que se sente.

(Leandro Quintanilha – leandroq@gmail.com)