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Gol confirma cobrança por mala despachada; compra antecipada terá desconto
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A Gol confirmou nesta sexta-feira (17) que irá criar classes de tarifas diferentes para quem viajar com ou sem bagagem despachada. “A Gol informa que terá uma classe tarifária mais barata para aqueles clientes que não forem despachar bagagens”, diz a empresa em comunicado.

Segundo a companhia, o passageiro poderá adquirir uma passagem que já inclua a bagagem ou comprar o direito de despachar a mala separadamente. O valor da bagagem ainda não foi definido, mas deverá ser calculado por unidade, seguindo as dimensões e peso estipulados.

O passageiro poderá pagar para despachar mais de uma mala, mas o valor irá aumentar de acordo com a quantidade de bagagem. “A primeira será mais barata que a segunda, que será mais barata do que a terceira. E assim por diante”, diz o comunicado da Gol.

A cobrança começa a valer para as passagens que forem compradas a partir do dia 14 de março. Quem adquirir um bilhete até 13 de março, independentemente da data da viagem, continua com o direito de levar uma mala de até 23 kg.

Valor mais alto na hora do check-in

O valor cobrado para despachar a bagagem também pode variar de acordo com o momento da compra do serviço. Será definido um preço para quem fizer o pagamento antes da data do voo e outro, mais caro, para quem adquiri o serviço no momento do check-in.

“Esse serviço poderá ser adquirido em todos os canais de atendimento da GOL (app, site, totem, central de atendimento, balcão), sendo que iremos estimular o autoatendimento e contratação prévia com preços especiais”, afirma a empresa.

Os clientes Smiles, programa de fidelidade da Gol, também poderão ter benefícios de acordo com a categoria dentro do programa. “Clientes das categorias mais altas terão condições diferenciadas. Nos voos internacionais, os clientes Gol Premium também terão vantagens”, diz.

Novas regras da Anac

Segundo a empresa, a nova resolução da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) traz mais competitividade ao mercado nacional e segue o que já é praticado em outros países. “A Gol entende que a medida que permite a franquia de bagagens aproximará o país dos padrões adotados na aviação mundial. Nesse momento, a companhia está trabalhando para adequar os processos e sistemas e treinando suas equipes para garantir o melhor atendimento”, afirma.

A Anac também alterou as regras para a bagagem de mão. Atualmente, o limite máximo permitido por passageiro é de uma mala de 5 kg. Para compensar a cobrança da bagagem despachada, a agência aumentou o limite para 10 kg. As companhias aéreas, no entanto, poderão definir as dimensões máximas de cada mala.

As companhias aéreas Latam, Avianca e Azul ainda não divulgaram como pretendem se adequar às novas regras da Anac para a cobrança de bagagem despachada.

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Aeroporto de Paris tem mordomia para adulto e criança da classe econômica
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Lounge pode ser utilizado, sem custos, por todos os passageiros (Foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

Cerca de 30% dos passageiros que chegam ao aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, estão apenas de passagem pela capital francesa. Para alguns, não há tempo nem mesmo para fazer compras nas diversas lojas do free shop. Já outros têm de esperar longas horas antes do próximo voo.

Entre um voo e outro, nada melhor do que tomar um banho, comer uma refeição e dormir um pouco. Essas mordomias são, normalmente, associadas aos passageiros que viajam na primeira classe ou na executiva. No aeroporto Charles de Gaulle, tudo isso pode ser aproveitado por qualquer passageiro.

Em seu principal centro de conexões, que acaba de completar 20 anos, a Air France tem investido para proporcionar uma nova experiência, especialmente aos passageiros com uma longa conexão internacional no principal aeroporto da capital francesa.

Air France tem mil voos por dia em Paris (Foto: Divulgação)

“Além de aeroporto, somos um hotel no qual ninguém dorme. Por isso, consideramos importante transformar a experiência de nossos usuários”, afirma Augustin de Romanet, CEO do grupo ADP, que administra o aeroporto Charles de Gaulle.

As principais melhorias do aeroporto estão presentes no terminal 2, no qual a Air France e as empresas da aliança Sky Team (KLM, Alitalia, Air Europa, Delta, entre outras) operam seus voos. As grandes mordomias ficam na ala 2E, de onde saem e chegam os voos internacionais de longa duração, como os do Brasil.

A área conta com um espaço kids para crianças que viajam desacompanhadas (já incluso na taxa extra cobrada de menores que viajam sozinhos), um enorme e sofisticado lounge com acesso gratuito para todos os passageiros e até mesmo um hotel de curta duração, pago à parte. Tudo isso fica dentro da área internacional do aeroporto, sem que os passageiros precisem passar por novos controles de segurança.

Lounge tem 4.500 m² à disposição dos passageiros (Foto: Divulgação)

Lounge com biblioteca, mesas e descanso

Uma das áreas mais novas do aeroporto Charles de Gaulle é o lounge Instant Paris. Com 4.500 m², o espaço é aberto gratuitamente a todos os passageiros em conexão. Durante visita da reportagem do Todos a Bordo na última semana, a área ainda estava bastante vazia, o que pode ser um sinal de que muitos passageiros ainda não sabem que podem utilizar o espaço.

O Instant Paris não lembra em nada as áreas comuns tradicionais dos aeroportos. O lounge, fruto de um investimento de 17 milhões de euros, foi decorado bem ao estilo parisiense e lembra um grande lobby de hotel chique.

O espaço conta com lanchonete, sala de refeições, biblioteca, mesa de trabalho, espaço para crianças e uma sala com camas para descanso dos passageiros. O local fica no hall L do terminal 2E.

YotelAir tem preço a partir de € 75 para período de quatro horas (Foto: Divulgação)

Hotel dentro do aeroporto

Quem tem uma longa conexão em Paris e quer ter um descanso mais profundo, dentro do Instant Paris há até mesmo um hotel, YotelAir. São 84 quartos que podem ser reservados por um período mínimo de quatro horas a partir de 75 euros, mais 10 euros por hora adicional. O hotel foi inaugurado em novembro do ano passado e conta atualmente com 75% de ocupação.

Os quartos são pequenas cabines de 8 m² a 10 m², com cama de casal, banheiro completo, televisão e serviço de quarto. É possível regular a cor da iluminação em diversos tons de azul, amarelo e vermelho. Na recepção, os funcionários controlam o horário dos hóspedes para que eles não percam o voo. Há também a opção de cabine familiar, com uma cama de casal e um beliche. O período de quatro horas, nesse caso, sai a partir de 95 euros.

Se a conexão não for tão longa assim, o passageiro pode apenas tomar um banho antes do próximo voo. O YotelAir tem à disposição banheiros com ducha, que podem ser reservados pelo período de até 45 minutos ao preço de 15 euros. A ducha pode ser utilizada somente por uma pessoa.

Crianças desacompanhadas tem espaço exclusivo (Foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Espaço kids

As crianças que viajam desacompanhadas contam com um espaço exclusivo enquanto aguardam o próximo voo. O espaço é destinado aos menores entre 5 e 18 anos que tenham uma conexão de pelo menos duas horas no aeroporto Charles de Gaulle. São seis salas que recebem cerca de 25 mil crianças por ano.

O espaço kids é uma área monitorada por seguranças e câmeras de vídeo. O local é dividido em quartos de descanso, sala de TV e leitura, sala de jogos, além de uma área de refeição. As crianças têm à disposição diversos videogames (PlayStation e PS Vita), além de uma mesa de pebolim. Próximo à hora do voo, um monitor acompanha a criança até o portão de embarque.

No momento da compra da passagem, os pais precisam informar que a criança viaja desacompanhada. A Air France cobra uma taxa de até 100 euros por trecho em voos internacionais, independentemente se a criança irá utilizar ou não o espaço kids.

Sala vip destinada aos passageiros da primeira classe e business (Foto: Vinícius Casagrande/UOL)

Salas VIP

Os passageiros que viajam na primeira classe ou na executiva ainda podem aproveitar as diversas salas VIP espalhadas pelos terminais do aeroporto Charles de Gaulle. A sala mais moderna da Air France fica no hall M do terminal 2E.

Com comidas e bebidas grátis, o espaço é bastante amplo e dividido em diversas áreas. Há amplos sofás, mesas de escritório e espreguiçadeiras. Para relaxar antes do voo, o passageiro tem à disposição um spa da marca francesa Clarins, com tratamentos pagos à parte.

O jornalista viajou a Paris a convite da Air France

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Air France deve criar novo companhia para concorrer com empresas do Golfo (Foto: Divulgação)

Air France deve criar nova companhia para concorrer com empresas do Golfo (Foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

Preocupada com o avanço constante das grandes companhias aéreas do Golfo, como Emirates, Etihad e Qatar, a Air France prepara uma ofensiva para estancar a perda de mercado em rotas consideradas essenciais. A empresa francesa pretende lançar até o próximo ano uma nova companhia aérea de baixo custo operacional, mas mantendo a qualidade do serviço nos padrões da Air France.

As empresas do Golfo têm causado dor de cabeça às grandes companhias aéreas de todo mundo, que alegam que os subsídios dos governos e os baixos preços do combustível nos países árabes prejudicam a concorrência.

“Esse é um projeto para manter a nossa competitividade, especialmente em relação a algumas companhias do Golfo. Temos de encontrar maneiras de ser mais competitivos”, afirmou o CEO do grupo Air France-KLM, Jean-Marc Janaillac, durante as comemorações pelos 20 anos do centro de conexões da Air France no aeroporto Charles de Gualle, em Paris.

Segundo a empresa, a nova companhia aérea deverá servir como um laboratório para diversos serviços, tecnologias e até mesmo de gerenciamento operacional. É com a nova política interna que a Air France espera reduzir seus custos para proporcionar ofertas melhores aos passageiros e recuperar mercado em rotas hoje deficitárias ou mesmo que já foram extintas pela companhia.

Apesar de o foco ser a redução dos custos operacionais, o CEO do grupo Air France-KLM afirma que o padrão do serviço ao cliente será mantido. “A ideia é proporcionar o mesmo tipo de experiência que a Air France já tem. Então, não é uma empresa com serviço de baixo custo. Será uma empresa de carreira, com as mesmas características da Air France, mas com inovações e custos mais baixos, permitindo que a gente possa competir melhor”, diz.

Chamado extraoficialmente de Boost, o projeto da nova companhia aérea vem sendo trabalhado desde o ano passado. Neste momento, o grupo negocia com os sindicatos dos pilotos como será criada a estrutura de trabalho na nova empresa. A ideia é utilizar os tripulantes que já trabalham nas empresas do grupo – Air France, KLM, Transavia e Hop.

De acordo com o CEO do grupo, somente após todos os acordos serem fechados é que outras questões serão definidas, como os aviões e rotas servidas pela nova companhia. A ideia inicial é que a empresa opere inicialmente com cerca de dez aviões. “Mas ainda não decidimos em quais cidades vamos operar. Para a criação da empresa, precisamos primeiro fechar o acordo com a união dos pilotos”, afirma Jean-Marc Janaillac. 

Aumento de voos para o Brasil

Enquanto trabalha na criação de uma nova companhia para o grupo, o CEO da Air France-KLM deu sinais de que a poderá aumentar ainda neste ano os voos da empresa para o Brasil. Com a crise econômica e política no país, a Air France cancelou o voo que fazia entre Paris e Brasília e reduziu frequências em São Paulo e no Rio de Janeiro.

“Vemos sinais de aumento do tráfego e estamos confiantes de que os brasileiros voltarão à Europa. Nossa intenção é aumentar os voos se essa tendência realmente se confirmar”, afirmou Janaillac.

Embora não faça nenhum anúncio oficial, o mais provável é que os primeiros passos sejam de retomada de dois voos diários entre Paris e São Paulo e aumento dos voos para o Rio de Janeiro. A rota entre Paris e Brasília, no entanto, não deve voltar a ser operada ainda neste ano.

O jornalista viajou a Paris a convite da Air France.

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Na falta de um GPS, o jeito éra mostrar a rota em um globo (Foto: Facebook/KLM)

Na falta de um GPS, o jeito éra mostrar a rota em um globo (Foto: Facebook/KLM)

Fumar a bordo, visitar a cabine de pilotos durante o voo, voar em linhas comerciais em hidroaviões ou mesmo ter um banquete à sua disposição são coisas impensáveis nos voos atuais. Mas esses eram hábitos bastante comuns nos voos do passado.

Por motivos de segurança, corte dos custos das companhias aéreas ou mesmo pelo avanço da tecnologia, empresas e passageiros foram obrigados a mudar seus serviços e atitudes durante os voos comerciais. Relembre alguma dessas curiosidades.

Fumar a bordo

Fumar era permitido pelas companhias aéreas (Foto: Airline Ratings)

Fumar era permitido pelas companhias aéreas (Foto: Airline Ratings)

Se hoje a lei é bastante rígida quanto a fumar em ambientes fechados, já houve uma época na qual era permitido fumar até mesmo a bordo dos aviões. No Brasil, até 1997, os passageiros podiam acender o cigarro em qualquer momento do voo. O máximo que as companhias aéreas faziam era reservar as últimas fileiras para os fumantes. Mas, claro, a fumaça se espalhava por todo o avião.

As primeiras restrições começaram em março de 1997, quando o antigo DAC (Departamento de Aviação Civil) proibiu o fumo a bordo somente na primeira hora de voo. E quando os avisos de proibido fumar eram desligados, todos os fumantes acendiam os cigarros ao mesmo tempo.

A proibição total só começou a valer em 1998, após uma liminar de um juiz federal do Rio Grande do Sul. A decisão só liberava o fumo a bordo se houvesse um isolamento total da área de fumantes. Desde o início, porém, as companhias já avisaram que não pretendiam criar esse isolamento e que não recorreriam da liminar, acatando a decisão judicial.

Hoje em dia, a legislação federal também proíbe o fumo em lugares fechados. Independentemente da legislação nacional, todas as companhias aéreas do mundo já adotam a prática de proibição completa a bordo.

Visitas à cabine de pilotos

Foto: Divulgação/Airbus

Foto: Divulgação/Airbus

Quando o avião se estabilizava em altitude de cruzeiro, crianças e adultos invadiam a cabine dos pilotos. No período de voo como menos trabalho para os pilotos, era a oportunidade para os passageiros conhecerem como funcionava a pilotagem de um avião.

Essa era uma tática, também, das aeromoças acalmarem as crianças. E os pais não perdiam a oportunidade de acompanhar os filhos. Em geral bastante solícitos, os pilotos tiravam fotos e explicavam as dúvidas dos passageiros (e até os convidavam para fazer a visita).

A prática mudou radicalmente após os ataques terroristas do 11 de setembro de 2001. A partir do sequestro dos aviões em Nova York, a aviação mundial passou a obrigar os pilotos a manterem as portas da cabine trancadas durante todo o voo. Hoje, só quem tem acesso são os membros da tripulação.

Voos comerciais com hidroaviões

Hidroavião Boeing 314 da americana Pan Am (Foto: National and Air Space Museum)

Hidroavião Boeing 314 da americana Pan Am (Foto: National and Air Space Museum)

Nos primórdios da aviação, as viagens de longa distância eram o principal desafio para as companhias aéreas. Com aviões sem muita autonomia e poucos lugares com infraestrutura, a alternativa era utilizar grandes aviões que pousavam na água, os hidroaviões.

A Panair do Brasil, por exemplo, iniciou suas operações com oito hidroaviões dos modelos Consolidated Commodore e Sikorsky S-38. Em 1939, a americana Pan-Am realizou o primeiro voo transcontinental com um Boeing B-314.

Em 1941, o mesmo avião realizou o primeiro voo comercial de volta. Durante a viagem, o avião fez uma parada no Brasil, na cidade de Natal (RN).

Máquina de escrever no lugar do notebook

Executivos tinham de trabalhar com máquinas de escrever (Foto: Facebook/KLM)

Executivos tinham de trabalhar com máquinas de escrever (Foto: Facebook/KLM)

Antes da existência de smartphones, tablets e notebooks, os executivos que não podiam parar de trabalhar enquanto se deslocavam durante o voo, tinham como única opção levar a bordo as antigas máquinas de escrever.

Em alguns casos, os executivos viajavam acompanhados de suas secretárias. Eram elas que faziam o trabalho de datilografia durante o voo. Muitos aviões não tinham nem mesmo as mesinhas de refeição. Assim, a máquina de escrever tinha de ser apoiada nas pernas. Pelo menos, as poltronas eram mas espaçosas.

Engenheiros de voo

Engenheiros de voo foram extintos dos aviões modernos (Foto: PanAm Historical Foundation)

Engenheiros de voo foram extintos dos aviões modernos (Foto: PanAm Historical Foundation)

A modernização dos aviões extinguiu uma das mais importantes profissões a bordo da cabine de comando dos antigos aviões. Os engenheiros de voo sentavam atrás dos pilotos e de frente para um painel lotado de botões. Eles eram responsáveis por controlar todos os sistemas do avião e fazer inúmeros cálculos, desde o tempo de voo, consumo de combustível e melhor rota.

Conforme os aviões ganharam sistemas informatizados, a cabine de comando perdeu um de seus tripulantes. Dos aviões ainda em operação no mundo, um dos poucos que ainda exige um engenheiro de voo a bordo é o gigante Antonov An-225, o maior do mundo. O avião foi produzido pela antiga União Soviética entre 1984 e 1988.

Refeições eram um grande banquete

Serviços de bordo tinha várias opções de comida (Foto: Facebook/KLM)

Serviços de bordo tinha várias opções de comida (Foto: Facebook/KLM)

Viajar de avião não era simplesmente se deslocar de uma cidade a outra com mais agilidade. As viagens tinham todo um glamour (e preços bem mais altos também). O momento das refeições era o auge do voo.

Com louças de porcelana, talheres de metal e copos de vidro, o serviço de bordo era requintado até mesmo para os passageiros da classe econômica. As extintas Vasp e Transbrasil serviam até mesmo feijoada em seus voos, enquanto a Varig era conhecida pelo caviar na primeira classe.

A sofisticação a bordo era um padrão das principais companhias aéreas de todo o mundo. Para popularização da aviação, no entanto, as empresas passaram a reduzir cada vez mais seus custos. Um dos pontos mais afetados foi justamente o serviço de bordo. Hoje, são comuns as empresas que cobram pelo lanchinho.

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Voos diários da Emirates com o Airbus A380 começam em 26 de março (Foto: Divulgação)

Voos diários da Emirates com o Airbus A380 começam em 26 de março (Foto: Divulgação)

Por Vinícius Casagrande

O início das operações do gigante Airbus A380, o maior avião de passageiros do mundo, deve mudar a rotina do aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, a partir do dia 26 de março.

A companhia aérea Emirates vai operar com o A380 na rota entre Dubai e São Paulo em substituição ao modelo Boeing 777. A troca do modelo do avião utilizado vai aumentar a capacidade do voo dos atuais 354 passageiros para 491 passageiros.

O aumento implica ampliar a estrutura para os procedimentos de imigração dos passageiros, entrega das bagagens e fiscalização da Receita Federal, já que mais passageiros estarão chegando ao mesmo tempo.

O impacto só não deve ser maior em virtude do horário dos voos. O A380 chega às 16h30 e decola à 1h25, períodos normalmente de menor movimento no aeroporto.

Área destina ao processo de imigração dos passageiros (Foto: Lucas Lima/UOL)

Área destina ao processo de imigração dos passageiros (Foto: Lucas Lima/UOL)

O diretor de operações do aeroporto de Guarulhos, comandante Miguel Dau, garante o aeroporto está preparado para receber diariamente o maior avião de passageiros do mundo. Segundo ele, os maiores desafios não estão relacionados à quantidade de passageiros, mas sim ao tamanho físico do avião.

“A maior dificuldade é em relação aos espaços de manobra e para as curvas, principalmente em virtude dos motores externos”, afirma. O A380 tem 72,7 metros de comprimento e 79,8 metros de envergadura (distância entre as pontas das asas).

Para que a operação do avião fosse viabilizada, as pistas de pouso e decolagem e de taxiamento tiveram de ser alargadas em 15 metros, passando de 45 metros para 60 metros de largura.

Com as pistas mais estreitas, havia o risco de que os motores mais próximos às pontas das asas passassem sobre a área gramada, com o perigo de que detritos pudessem ser sugados para dentro dos motores. Com a nova largura, os motores ficam dentro da área pavimentada.

Embarque e desembarque será feito pelo portão 605 (Foto: Lucas Lima/UOL)

Embarque e desembarque será feito pelo portão 605 (Foto: Lucas Lima/UOL)

Mudança na rotina de pouso

O aeroporto de Guarulhos conta com duas pistas. Nas operações normais, a menor delas, com 3.000 metros de comprimento, é utilizada para os pousos, enquanto a maior, com 3.700 metros, é destinada às decolagens. Essa separação agiliza o fluxo do tráfego aéreo.

Para receber o A380, apenas a pista maior foi alargada e está apta para receber o avião. Com isso, na hora do pouso, o avião vai utilizar a pista normalmente dedicada às decolagens. Como trata-se de apenas um voo, a mudança não deve gerar nenhum impacto ao fluxo do tráfego aéreo, segundo o comandante Miguel Dau.

Serão utilizados dois túneis para o embarque dos passageiros (Foto: Lucas Lima/UOL)

Serão utilizados dois túneis para o embarque dos passageiros (Foto: Lucas Lima/UOL)

Embarque e desembarque

O A380 também terá um portão de embarque fixo e até mesmo uma esteira da bagagem dedicada ao voo. Após o pouso, o avião será direcionado para o portão 605, localizado em uma das extremidades do terminal 3 do aeroporto.

Dois fingers (túneis de passagem dos passageiros) deverão ser utilizados para o embarque e desembarque. O acesso, no entanto, deverá ser feito somente pelo piso inferior do avião. Um finger deve ser aclopado na porta dianteira, próxima ao nariz do avião, e segunda na porta do meio, perto da asa.

A expectativa é que o processo de desembarque demore entre 35 e 40 minutos (tempo para que o último dos 491 passageiros deixe o avião). Com o Boeing 777 utilizado atualmente, o tempo médio do desembarque é de 25 a 30 minutos.

Depois de realizarem os procedimentos de imigração, os passageiros deverão retirar as bagagens na última esteira, localizada no final da sala. Ela é a maior do aeroporto, com capacidade para mil malas por hora. Como cada passageiro ainda tem direito a despachar até duas malas, caso o voo esteja lotado e todos levem duas bagagens, seriam 982 malas por voo.

No entanto, com as novas regras da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) que acabam com a franquia obrigatória para passagens vendidas a partir de 14 de março, esse número deve cair ao longo do ano.

Maior esteira de Guarulhos tem capacidade para mil malas por hora (Foto: Lucas Lima/UOL)

Maior esteira de Guarulhos tem capacidade para mil malas por hora (Foto: Lucas Lima/UOL)

Preparação do avião

O A380 deverá ficar no aeroporto de Guarulhos durante quase nove horas. Durante esse tempo, será preparado para um novo voo, com reabastecimento de combustível, limpeza da área de passageiros, retirada de esgoto, reposição de comidas e bebidas e eventuais manutenções necessárias.

Segundo a Emirates, cerca de 70 a 80 pessoas deverão trabalhar diariamente para deixar tudo em ordem para um novo voo. Somente para o carregamento das bagagens, por exemplo, serão utilizados oito tratores. Um A380 tem capacidade para até 320 mil litros de combustível.

Durante todo o trabalho em terra, o avião não deve ficar estacionado no portão de embarque. Após o desembarque dos passageiros, bagagens e demais cargas, o avião é deslocado para uma área reservada para esse serviço. O local, no entanto, fica próximo ao terminal 3 e deve virar uma atração para os passageiros que forem embarcar em outros voo.

Centro de controle do aeroporto de Guarulhos (Foto: Lucas Lima/UOL)

Centro de controle do aeroporto de Guarulhos (Foto: Lucas Lima/UOL)

Ganhos econômicos para o aeroporto

A presença do gigante A380 em Guarulhos promete trazer muitos benefícios financeiros para a concessionária que administra atualmente o aeroporto. O ponto mais óbvio está no aumento da capacidade do voo, que gera ganhos nas taxas de embarque dos passageiros, gastos nas lojas e aumento na tarifa de pouso. Enquanto, o Boeing 777-300 tem uma taxa de pouso de cerca de R$ 8.000, o A380 tem de pagar R$ 13 mil a cada aterrissagem.

Para o gerente de negócios aéreos do aeroporto, João Pedro Pita, o mais importante, no entanto, é a visibilidade que a operação do A380 gera para Guarulhos. “A importância é muito mais ampla e envolve todo o negócio”, diz.

Pita cita como exemplos o aumento do número de passageiros de conexão em viagens para a Ásia. Apenas 25% dos passageiros têm como destino final a cidade de Dubai. Japão e China são alguns dos principais destinos, com destaque para as cidades de Shangai (7%), Tóquio (7%), Osaka (6%) e Hong Kong (6%).

A administradora de Guarulhos tinha a expectativa de que o A380 começasse as operações no Brasil já no ano passado. No entanto, a crise econômica fez com que a Emirates revisse seus planos. A partir de agora, a expectativa é para que outras companhias coloquem o gigante em operação nas rotas para São Paulo.

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Você pode escolher a pintura de um Boeing 777 para as Olimpíadas de Tóquio
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Boeing 777 da ANA será pintado com desenho escolhido pelo público (Fotos: Divulgação)

Boeing 777 da ANA será pintado com desenho escolhido pelo público (Fotos: Divulgação)

Patrocinadora oficial das Olimpíadas de Tóquio, a companhia aérea japonesa ANA (All Nippon Airways) vai pintar um Boeing 777 com desenhos alusivos aos Jogos Olímpicos que serão realizados no país em 2020.

A empresa recebeu sugestões de vário artistas e escolheu os cinco melhores. Agora, pessoas do mundo inteiro podem votar em um dos cinco finalistas pelo site https://ana-2020contest.jp/en/.

A votação vai até 19 de fevereiro e o desenho vencedor deve ser anunciado entre o final de março e começo de abril. A empresa não divulgou, ainda, quando o avião deve ser, de fato, pintado.

Além de ter o desenho estampado em um Boeing 777 da companhia, o artista que vencer a disputa ainda vai ganhar uma passagem de ida e volta para qualquer destino da companhia aérea japonesa. Os demais finalistas ganharão outros souvenirs da empresa.

O avião com pintura comemorativa às Olimpíadas de Tóquio, no entanto, não deve ser visto em solo brasileiro, já que a companhia aérea japonesa não tem voos para o país.

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Pintura no Airbus A380

A ANA também lançou, no final do ano passado, um outro concurso para a pintura dos novos aviões Airbus A380 que passarão a fazer parte da frota a partir de 2019. Os aviões serão usados na rota entre Tóquio e Honolulu, no Estado americano do Havaí.

As inscrições para o envio dos desenhos já foram encerradas, mas a companhia aérea ainda não divulgou os desenhos finalistas. Nesse concurso, o artista vencedor ganhará uma passagem de ida e volta entre Tóquio e Honolulu.

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Quanto custa viajar do Rio a Nova York na classe executiva, como Eike?
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Boeing 777 da American Airlines. Foto: Santiago Rodrigues Fonto/Getty Images

Boeing 777 da American Airlines. Foto: Santiago Rodrigues Fonto/Getty Images

O empresário Eike Batista foi preso nesta segunda-feira (30) ao desembarcar no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Ele voltou de Nova York (EUA) no voo 973 da American Airlines, na classe executiva.

Uma passagem de ida e volta entre os aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e JFK, em Nova York, na classe executiva pode custar mais de R$ 30 mil.

As tarifas variam de acordo com as datas escolhidas e com quanta antecedência a passagem é comprada. O blog fez algumas buscas aleatórias de voos diretos para dar uma ideia dos valores.

Uma passagem comprada de última hora, para uma viagem rápida, com ida em 30 de janeiro e volta no dia seguinte (31) sai por R$ 33.376, já com as taxas.

Uma viagem com duração de uma semana, saindo também nesta segunda-feira (30) e retornando no dia 6 de fevereiro, sai por R$ 34.178.

Se for possível programar com alguma antecedência uma viagem entre os dias 18 de fevereiro e 3 de março, a tarifa cai para R$ 18.981.

Quem puder programar agora a viagem das férias de julho, paga menos na executiva, mesmo viajando na alta temporada. O voo direto de ida e volta, com saída em 1º de julho e retorno no dia 23 do mesmo mês fica em R$ 11.650.

Tela mostra valor de passagem ida e volta do Rio de Janeiro a Nova York pela American Airlines. Foto: reprodução

Tela mostra valor de passagem ida e volta do RJ a Nova York pela American Airlines. Foto: reprodução

Comodidades

O avião usado pela American Airlines na rota direta entre os aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e John F. Kennedy, em Nova York, segundo a assessoria de imprensa da companhia aérea, é um Boeing 777-200, que não tem primeira classe. É possível fazer um tour pelo interior do avião.

Na classe executiva, entre as comodidades oferecidas estão assentos totalmente reclináveis, fones de ouvido antirruídos e acesso direto ao corredor em todas as poltronas – você não precisa incomodar quem está ao lado para poder se levantar, ir ao banheiro, etc.

Os passageiros têm ainda acesso a um snack bar com lanches e bebidas. As refeições são personalizadas de acordo com o destino, e têm como base receitas preparadas por chefs estrelados. E pode esquecer os utensílios de plásticos: tudo é servido em pratos de porcelana.

As facilidades começam antes mesmo de entrar no avião, com acesso ao lounge da aérea, prioridade no check-in, na área de segurança e no embarque. Mesmo se o cliente chegar atrasado ao portão de embarque, pode furar a fila para entrar antes dos demais.

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Pijama hidratante é novo mimo oferecido pela melhor aérea do mundo
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Pijama com efeito hidratante para clientes vip. Foto: Divulgação/Emirates

Pijama com efeito hidratante para clientes vip. Foto: Divulgação/Emirates

Eleita a melhor companhia aérea do mundo em 2016, a Emirates passou a oferecer novos mimos para seus clientes da primeira classe. Se o ar seco a bordo é um problema que atinge todos os passageiros, os que viajarem na primeira classe poderão amenizar o desconforto com pijamas hidratantes – sim, algumas empresas oferecem pijamas aos clientes vip.

O tecido usado na fabricação da roupa libera um composto de algas marinhas que, de acordo com a aérea, minimiza a desidratação e estimula a circulação. As microcápsulas hidratantes são liberadas conforme o passageiro se movimenta.

Quem quiser, pode levar a roupa para casa depois do voo – a promessa é que o pijama manterá a ação hidratante ao longo de dez lavagens.

O pijama é distribuído junto com pantufas e máscara para dormir. A distribuição é feita somente em voos longos, realizados no período noturno.

Cobertores

Os clientes da primeira classe recebem ainda um cobertor de pele de carneiro sintética para dormir. A peça também está disponível na loja virtual da Emirates por US$ 60 (cerca de R$ 190).

Para a classe executiva, em alguns voos são distribuídos edredons. Na classe econômica, a aérea investiu em sustentabilidade, com novos cobertores feitos de garrafas pet recicladas. Segundo a empresa, até o fim de 2019, os cobertores ecológicos terão evitado que 88 milhões de garrafas plásticas virassem lixo – o equivalente ao peso de 44 aviões A380.

Kit feminino distribuído pela Emirates para passageiras da primeira classe. Foto: Divulgação

Kit feminino distribuído pela Emirates para passageiras da primeira classe. Foto: Divulgação

Spa completo

O gigante A380, o maior avião de passageiros do mundo, que passará a fazer voos regulares na rota São Paulo – Dubai a partir do final de março, é famoso pelo spa a bordo, com chuveiro para os clientes da primeira classe.

Esses passageiros privilegiados da Emirates também recebem vários produtos para aproveitar seu tempo no spa. A aérea renovou a seleção oferecida a bordo, com uma linha exclusiva criada pela marca irlandesa Voya, conhecida por usar ingredientes orgânicos.

São itens como xampu, condicionador, sabonete líquido, hidratante corporal e creme para as mãos, entre outros. Alguns produtos podem ser encontrados também nos lounges da Emirates nos aeroportos.

Para completar, um kit da marca italiana Bulgari é oferecido para clientes da executiva e da primeira classe – para estes, os mimos vêm dentro de um nécessaire de couro.

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Todos a Bordo

Cobrança deve entrar em vigor em 14 de março (Foto: Elza Fiúza/ABr)

Cobrança deve entrar em vigor em 14 de março (Foto: Elza Fiúza/ABr)

Depois de o Senado contrariar o governo e aprovar um projeto que veta a cobrança de bagagem despachada em voos, a volta do recesso parlamentar, em fevereiro, pode ter um novo embate sobre o assunto no Congresso. Antes de votar o projeto do Senado, os deputados pretendem convocar representantes da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e das companhias aéreas para uma audiência pública.

Para liberar a cobrança aprovada pela Anac, os deputados dizem querer que a agência e as empresas apresentem garantias de que a medida resultará em benefício aos passageiros, como a redução dos preços das passagens, por exemplo.

Governo entra em ação

A pressão dos parlamentares, no entanto, tem levado certo desconforto ao governo. Responsável pela área, o ministro dos Transportes, Portos e Aviação, Maurício Quintella, tem publicado diversos artigos na imprensa defendendo a medida como forma de redução das tarifas. O Ministério também iniciou nesta semana uma campanha na internet para defender os benefícios da medida.

No lado político, o ministro trabalha nos bastidores para que a permissão da cobrança tenha o aval dos parlamentares. “O ministro Maurício Quintella trabalha junto aos congressistas para manter o texto original como foi aprovado em dezembro”, diz a própria Anac em um comunicado.

Falta de garantias

O deputado federal Celso Russomanno (PR-SP) afirma que é necessário que as empresas apresentem garantias de que os preços devem realmente cair com a medida. “Estou cansado de ver as empresas prometerem benefícios e não cumprirem”, disse.

O deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) também reclamou da possibilidade de cobrança das bagagens despachadas. “O nordestino gosta de viajar com uma comidinha na bagagem para levar aos parentes. A medida da Anac vai cercear um dos poucos prazeres que ainda temos na vida. Temos de pensar um pouquinho no povo”, afirmou em entrevista à agência Câmara.

Cobrança pode entrar em vigor

Apesar de ter apresentado um projeto para vetar a cobrança, o deputado Russomanno diz não haver uma convicção sobre o assunto. “Não existe convencimento em relação a isso. Quero ouvir publicamente para saber o que vão fazer. Na teoria, pode ser bom. Eu, por exemplo, já não viajo com bagagem. Tenho minhas coisas em Brasília e só viajo com a roupa do corpo, o celular e o notebook”, afirmou.

O deputado admite que a medida pode realmente entrar em vigor. “Podemos fazer um teste e ver como o mercado se comporta”, afirmou. Segundo ele, caso nenhum benefício seja verificado aos passageiros, a medida pode ser revogada no futuro.

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Foto: Aline Christine Massuca/Divulgação/RIOgaleão

Foto: Aline Christine Massuca/Divulgação/RIOgaleão

Com previsão para o início da cobrança de bagagens em voos a partir de 14 de março, o Ministério dos Transportes e a Anac(Agência Nacional de Aviação Civil) lançaram uma campanha de esclarecimento das novas regras para voos no Brasil.

A campanha tem como foco exatamente a questão das bagagens despachadas. Atualmente com um limite máximo de 23 kg nos voos domésticos e até duas malas de até 32 kg nos voos internacionais, a nova regra permite que as companhias aéreas possam cobrar pelo despacho de bagagem. Apesar de não haver garantias formais, a Anac avalia que a nova regra deve fazer o preço das passagens cair.

A campanha do governo consiste em um site de esclarecimento (http://www.transportes.gov.br/aviacaoparatodos/) e ações em redes sociais. Em um vídeo recente, o Ministério dos Transportes compara a franquia obrigatória de bagagem ao rateio por igual da conta de água de um prédio residencial.

A intenção é mostrar que, independentemente do consumo de cada um, todos pagam o mesmo preço, o que seria injusto com quem consome menos. O vídeo afirma, ainda, que não existe bagagem grátis e que o valor dos custos está embutido no preço das passagens.

Segundo a Anac, 35% dos passageiros que viajam já não despacham bagagem. Mesmo que despacha bagagem utiliza bem menos que o limite máximo estabelecido atualmente. Em 2015, o peso das malas de cada passageiro era, em média, de 12 kg.

Na rota mais movimentada do Brasil, entre os aeroportos de Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e Congonhas, em São Paulo, o peso médio das bagagens é de 5,8 kg por passageiro.

“Liberdade de escolha é fundamental. Quanto mais direitos obrigatórios são oferecidos, menos as empresas conseguem atender a quem escolhe viagens econômicas”, afirma o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, em um comunicado divulgado pela Anac.

Liberdade tarifária

A Anac e o Ministério dos Transportes querem comparar a desregulamentação da franquia obrigatória de bagagem com o que ocorreu no início dos anos 2000 com a implementação da liberdade tarifária. Até então, cada rota tinha um valor mínimo e máximo para o preço da passagem e a tarifa média girava em torno de R$ 670. Com a nova regra, as empresas ficaram livres para definir os valores.

Para a Anac, a liberdade tarifária foi o que permitiu que mais pessoas pudessem viajar de avião ao possibilitar passagens mais baratas. Em 2005, o Brasil registrou 49 milhões de passageiros de avião, número que saltou para 118 milhões em 2015.

Segundo dados da agência, não havia passagens áreas abaixo de R$ 100 antes da liberdade tarifária, enquanto em 2015 11,4% dos bilhetes aéreos custaram menos de R$ 100. As passagens de R$ 300 representavam 11,4% do total, número que saltou para 57,5% em 2015. Em 15 anos, segundo a Anac, a tarifa média caiu para R$ 249, uma redução de 62%.

Para o ministro dos transportes, depois da liberdade tarifária e da liberdade de rotas, a liberdade de customização do serviço (que inclui o fim da franquia de bagagem despachada) torna a divisão de custos de um voo mais justa e é um incentivo real à redução do preço dos bilhetes ao fortalecer o mercado já estabelecido, diversificar a oferta de serviços e melhorar a concorrência.

Medida sob risco

A entrada em vigor das novas normas pode, no entanto, não acontecer. Um dia após a aprovação da medida pela Anac, o Senado aprovou um projeto sustando a permissão para a cobrança da bagagem despachada. A medida ainda precisa ser votada pela Câmara, mas não há data prevista para isso acontecer.

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