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Brasil tem só 2% de mulheres como piloto de avião, metade da média global

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Luciana Carpena pilota aviões há 30 anos e hoje é comandante da Azul (Imagem: Arquivo Pessoal)

Luciana Carpena pilota aviões há 30 anos e hoje é comandante da Azul (Imagem: Arquivo Pessoal)

Por Vinícius Casagrande

Luciana Carpena começou a pilotar aviões há quase 30 anos. Hoje comandante de avião modelo ATR-72 na Azul, ela ainda é uma exceção na carreira. Segundo dados das quatro grandes companhias aéreas brasileiras (Latam, Gol, Azul e Avianca), somente 2% dos pilotos são mulheres.

O percentual é menos da metade da média mundial de 5,44%. Nos Estados Unidos, as mulheres representam 5,1% dos tripulantes das empresas aéreas, enquanto na Suécia são 8,6% e na Finlândia 12%. O percentual de mulheres pilotos no México é semelhante ao Brasil, com 2,3%.

No Brasil, há atualmente 109 profissionais contratadas para pilotar os aviões comerciais pelas quatro maiores empresas aéreas. Elas estão distribuídas da seguinte forma:

Azul
11 comandantes
34 copilotos
3,06% do total de 1.468 pilotos
Gol
Sete comandantes
25 copilotos
2,02% do total de 1.582 pilotos
Latam
Seis comandantes
19 copilotos
1,28% do total de 1.952 pilotos
Avianca
Duas comandantes
Cinco copilotos
1,65% do total de 423 pilotos

A participação das mulheres na aviação, no entanto, tem apresentado uma leve mudança nos últimos anos. Em 2014, segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), elas foram responsáveis por 4,5% das novas licenças de piloto privado – o primeiro estágio da formação profissional. Em 2015, o percentual subiu para 5%. Nos Estados Unidos, a estimativa é de que 12% dos alunos de aviação sejam mulheres.

Sem preconceito

Embora seja uma carreira com presença predominantemente masculina, a comandante Luciana afirma nunca ter sofrido nenhum preconceito ao longo de sua vida profissional. “Em raríssimas ocasiões teve uma piadinha ou outra, mas na maioria das vezes as pessoas gostam muito. Elas admiram e pedem para tirar foto. Até por conta dessa questão de ter pouca mulher, as pessoas acham isso diferente e gostam”, afirma.

Entre os colegas pilotos, Luciana também ressalta que dentro da cabine de comando o profissionalismo fala mais alto. “Essa questão de sexo masculino ou feminino fica de fora. A gente segue tanto procedimento técnico e operacional que não sinto qualquer influência”, diz.

Para a comandante, a baixa procura de mulheres pela profissão é apenas uma questão de opção das próprias mulheres.

Prejuízo para a vida familiar

A comandante começou a carreira aos 18 anos de idade de uma forma um tanto impulsiva. “Não tinha essa paixão por avião, mas gostava muito de carros e motos. Um dia estava passando em frente ao Aeroclube de São Paulo e decidi entrar para ver como era o curso. Na hora me matriculei e comecei as aulas”, conta.

Com todas as licenças necessárias, Luciana conseguiu o primeiro emprego em Rio Branco, no Acre. Com mais horas de voo acumuladas, ingressou na TAM, onde permaneceu por 12 anos. Depois de uma pausa na carreira, retomou a profissão há seis anos, quando ingressou na antiga Trip, incorporada pela Azul.

Luciana só pondera os problemas para o convívio familiar causados pela profissão. “A aviação sacrifica muito a vida familiar, principalmente depois que você tem filhos pequenos. Se fosse hoje, talvez tivesse pensando um pouco mais nessa questão, mas não me arrependo”, afirma. Aos 48 anos de idade, Luciana tem um filho de 21 anos e outro de nove.

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