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Passageiros ‘causando’ durante o voo: total de casos sobe e preocupa aéreas

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Tem um tipo de passageiro preocupando as companhias aéreas: os mal comportados. De cada 10 empresas, 6 tiveram que desviar de rota nos últimos 12 meses por causa de algum passageiro causando problemas em pleno voo.

No ano passado, o número desses ''inconvenientes'' no mundo chegou a quase 11 mil. Poderia ser engraçado, mas não é: esse tipo de situação está entre as três principais preocupações das tripulações relacionadas à segurança durante o voo.

Os dados são da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) e foram divulgados nesta quarta-feira (28).

''Comportamento indisciplinado é algo simplesmente inaceitável'', afirma o diretor-geral da associação, Alexandre de Juniac. ''O comportamento antissocial de uma pequena minoria de passageiros pode ter consequências desagradáveis para a segurança e o conforto de todos a bordo. O aumento do número de incidentes mostra que ações de dissuasão mais eficientes são necessárias.''

Principal causa: álcool e drogas

Abuso verbal, mau comportamento e recusa em seguir as instruções legais da tripulação são as situações mais comuns, segundo a pesquisa. Dos casos relatados, 11% envolvem agressões físicas contra outros passageiros ou tripulantes ou, ainda, danos à aeronave.

O uso de álcool ou drogas foi identificado em 23% dos casos. Na maioria das vezes, porém, o uso de álcool ou de drogas é feito antes do embarque ou, então, os passageiros burlaram as regras e levaram esses produtos a bordo, diz a associação.

Como lidar?

As companhias áreas já têm regras sobre a oferta responsável de bebida alcoólica durante os voos, e os funcionários são treinados para colocá-las em prática.

Uma iniciativa adotada no Reino Unido poderia ser usada em outros países. Por lá, funcionários de bares e lojas de aeroportos passaram a receber treinamento sobre a oferta responsável de álcool. Também devem evitar ofertas de preços que estimulem a bebedeira.

Regras mais rígidas foram colocadas em prática no aeroporto de Gatwick, em Londres, em 2013. Policiais passaram a patrulhar bares e funcionários do aeroporto passaram a monitorar passageiros que aparentavam embriaguez ou apresentavam comportamento agressivo. No ano seguinte, os episódios de mau comportamento a bordo haviam sido reduzidos pela metade.

Segundo a polícia, pessoas que iam viajar de férias e começavam a comemorar muito cedo (com muito álcool) eram as maiores causadoras de problemas.

“As equipes nos aeroportos estão sendo orientadas a verificar a conduta de passageiros e pedir ajuda se houver preocupação com pessoas embriagadas. Policiais também patrulham alguns voos e dão apoio a funcionários e passageiros quando solicitado”, disse à época Jean Irving, diretor de segurança pública da polícia, em declaração reproduzida pelo jornal britânico Daily Telegraph.

Abusos

A companhia aérea Monarch participou da iniciativa e passou a advertir os passageiros por e-mail sobre a possibilidade de serem impedidos de embarcar caso representassem algum risco para a segurança.

No entanto, problemas ainda ocorrem. Em junho do ano passado, a empresa baniu de seus voos, de forma permanente, seis passageiros indisciplinados. Em uma viagem da Inglaterra para a Turquia, os seis teriam ingerido bebida alcoólica que eles mesmos levaram para o avião, fumado nos banheiros e agarrado comissárias.

A situação ficou tão incontrolável que o voo teve de ser desviado para a Bulgária para que os seis fossem retirados do avião. O comportamento inadequado provocou um atraso de duas horas na viagem para as 137 pessoas e os 5 tripulantes a bordo.

Incidentes em alta

No ano passado, foram relatados 10.854 incidentes, ou seja, um a cada 1.205 voos. Em 2014, foram 9.316 casos, ou um a cada 1.282 voos. No período de 2007 a 2014, mais de 38 mil situações desse tipo foram relatadas pelas companhias aéreas.

Esse crescimento preocupa a indústria aérea, que está em busca de ações mais eficazes para combater o problema. Em 2014, a legislação internacional que trata do tema foi atualizada para, entre outras coisas, ampliar a jurisdição em que passageiros podem ser processados por danos e estabelecer que as aéreas têm direito a compensação pelos custos relacionados a problemas de mau comportamento.

Algumas condutas impróprias também foram indicadas como possíveis alvos de processo, entre elas agressões físicas ou ameaças de agressão contra tripulantes e recusa em seguir instruções legais ligadas a questões de segurança.

Para que essas atualizações sejam válidas, no entanto, é necessário que pelo menos 22 países ratifiquem o documento. Até agora, 30 países assinaram, mas apenas 6 ratificaram o texto (Bahrain, Congo, República Dominicana, Gabão, Guiana e Jordânia).

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